CASTELO GAULLEDREW

CAMBRIDGE, INGLATERRA, 1816

Um dia após eu, Jack, Jamie e Laura retornarmos a Cambridge, mandei um dos empregados até a casa dos Trevelyan informar a Christian que desejava vê-lo. Encontrava-me sentada em uma poltrona da enorme biblioteca, quando ouvi passos rápidos se aproximando e logo houve batidas na porta.

Uma das empregadas entrou fazendo uma mesura informando que Christian estava à minha espera então pedi que ela o conduzisse até onde me encontrava. Minutos depois, ele adentrou a biblioteca com aquele sorriso no rosto que desarmou-me totalmente, mas eu deveria terminar com ele para salvá-lhe da morte.

— Não se aproxime Senhor Trevelyan – disse tentando parecer firme, mas Christian continuou seu caminho em direção a mim, depositando seu chapéu em cima da mesa existente no lugar – Eu mandei o senhor não se aproximar – falei em um tom ameaçador e ele parou a poucos metros de onde me encontrava.

— Meu amor, por que está a tratar-me deste modo?

— Está tudo acabado Senhor Trevelyan.

— Perdão, mas o que estás a falar? – ele olhava-me confuso e encurtou nossa distância ajoelhando-se a minha frente – Eu te amo, meu amor.

— Este sentimento não é recíproco senhor – disse me levantando da poltrona e virando-me de costas para Christian.

— Mas Ana, tu juraste que me amava também durante nossos encontros.

Fechei os olhos lembrando-me de todos os momentos que passamos juntos fazendo juras de amor um para outro. Teria que terminar essa conversa antes que desabasse em lágrimas na frente dele. Virei-me reunindo força suficiente para poder falar a última coisa que diria a Christian.

— O senhor não serve para mim – pronunciei calmamente tentando não trair-me com lágrimas.

— Estás a dizer que não sou bom o suficiente para estar ao vosso lado? Que não estou à vossa altura?

— Entendeste perfeitamente. Sou uma princesa e o senhor não passa de um vassalo que serviu apenas para entreter-me. Fostes um rapaz tolo quando acreditaste que eu o amava. Agora faça-me o favor de se retirar desta propriedade e espero que nunca mais venha a retornar aqui – sustentei a muito custo o olhar enraivecido de Christian.

— Pensei que a senhorita fosse uma boa pessoa – ele se aproximou ficando face a face comigo. Eu queria abraçá-lo e dizer que tudo aquilo que dissera era mentira, mas seria muito perigoso se ele ficasse ao meu lado – Mas enganei-me. Tu és frígida, cruel, fútil e egoísta. Não merece o amor de ninguém.

Dei alguns passos para trás como se tivesse sido golpeada. Com aquelas palavras Christian me feriu profundamente assim como eu o havia feito. Apoiei-me no encosto da poltrona e abaixei a cabeça tentando conter as lágrimas que já turvavam minha vista.

— A verdade dói não és, Vossa Alteza?

— Saia agora ou chamareis os empregados para tirá-lo! – gritei sem olhá-lo, pois tinha jurado que nunca iria usar meu poder nele.

— Fique com isto – ouvi Christian falar e em seguida pegar minha mão depositando com força uma caixinha preta – Servirá de troféu para Vossa Alteza. Passar bem.

Ele saiu batendo forte a porta atrás de si. Não ousei mexer-me por alguns minutos enquanto escutava o som da carruagem distanciando-se do castelo. Abri a caixinha e tirei um lindo anel de dentro reconhecendo-o imediatamente, ajoelhei-me não contendo mais as lágrimas que agora escorriam em abundância.

Aquele era o anel que a Senhora Trevelyan havia me mostrado em um determinado momento dizendo que seria o anel de noivado que o filho daria para a moça que desejasse desposar.

— Sim, meu amor... Aceito casar-me contigo – sussurrei para o nada em meio ao meu choro e coloquei o anel em meu dedo – Eu sempre te amarei, Christian... Sempre, meu amor.

Abracei a mim mesma e tombei para o lado deitando-me ao piso da biblioteca chorando com meu coração despedaçado assim como deveria estar o coração de Christian neste momento.

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À noite meus pais regressaram de Londres então me dirigi até a entrada para recepcioná-los. Curvei-me numa mesura quando eles se aproximaram de mim, tomei-lhe a mão de papai onde jazia o anel com o símbolo do nosso clã e o beijei.

— Está feito meu pai – informei tentando conter as lágrimas que ousavam querer descer.

— Ótimo. Agora vais e prepara teu enxoval para vosso casamento. Partiremos para Londres ao amanhecer – meu pai falou e passou por mim adentrando o castelo.

— Como fostes, minha filha? – mamãe perguntou-me parando a minha frente então a abracei entregando-me as lágrimas reprimidas.

— Horrível! Christian estás a achar que sou uma princesa frígida, cruel, fútil, egoísta e que não mereço o amor de ninguém. O perdi para sempre mamãe. Preferia ter sido beijada pela morte a machucar Christian do jeito que fiz.

— Não digas isso Anastasia, não suportaria ver-te morta. Adentremos filha, pois darei algumas dicas para vosso casamento.

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MANSÃO VILLEBURY

LONDRES, INGLATERRA, 1816

— Sorria, minha filha – advertiu-me mamãe enquanto seguíamos para o salão de festas de um castelo em Londres.

— Como queres que eu sorria se estou indo para o meu funeral?

— Não sejas impertinente, Anastasia. Coloque já um sorriso nesse rosto e nada de constranger vosso pai em frente ao Rei e a Rainha da Inglaterra que vieram especialmente para assistir vosso casamento.

Mamãe deixou-me a porta do salão e adentrou o local por outra entrada. Limpei minhas lágrimas rapidamente quando comecei a escutar a marcha nupcial. À medida que seguia ao longo do salão, eu tentava a muito custo não chorar, mas uma lágrima acabou escapando de meus olhos e recebi um olhar de repreensão de minha mãe então dei um sorriso triste em direção a Jack.

— Veja como a princesa está emocionada com o casamento – ouvi alguém na multidão pronunciar.

Meu pai conduziu a cerimônia e durante a mesma nomeou Jack como Duque de Howard. Após o baile de casamento, fui impedida de permanecer em Londres e em Cambridge para o casamento de minha amiga Laura, então Jack e eu seguimos de Londres para o Castelo Howard em Yorkshire.

Durante toda a viagem meu pensamento era em como estaria Christian. Com certeza, estaria jogando-me injúrias e pragas, mas ele me entenderia se soubesse que eu havia sacrificado o nosso amor em troca da vida dele e da vossa família. Com o tempo Christian me esqueceria e se casaria com alguma moça que o amaria tanto quanto eu o amo.

— Ana? – chamou-me Jack e eu o encarei – Prometo-lhe que nosso casamento não serás um tormento para ti. Não me deitarei contigo a menos que queira, mas devemos pelo menos dividir o mesmo aposento para vossos pais não desconfiares.

Apenas assenti com um aceno de cabeça e voltei a olhar a paisagem pela janela da carruagem.