Quando menos se espera
6 Seguindo a trilha
Notas iniciais
Entrei totalmente em pânico. Achei que sempre saberia o que fazer ao enfrentar uma situação de perigo, mas agora que estava na minha frente, não fazia ideia de como me defender.
Quando um dos homens fez menção de pegar em meu braço, me afastei e consegui passar entre o espaço aberto entre eles e corri o mais rápido que pude em direção às ruas movimentadas. Estava quase saindo do beco, mas surgiu um rapaz sabe-se lá de onde na minha frente usando uma capa cor de berinjela.
Não consegui desviar e acabamos dando um encontrão que nos fez imediatamente ir ao chão.
— Ai – exclamei me erguendo depressa ignorando a sujeira de lama que havia ficado no vestido. Isso não era o mais importante no momento.
Continuei seguindo minha rota de fuga entre as ruas cobertas de pedrinhas procurando algum lugar que não fosse óbvio, mas não havia tantas opções. Poderia pedir ajuda aos guardas e voltar ao palácio como uma fracassada, entrar na igreja, já que lá talvez o padre ou qualquer outra pessoa de bem, estaria disposto a ajudar ou atravessar a trilha do pôr-do-sol, que era o único lugar que eu conhecia de fato do reino.
Minha mãe sempre que podia quando estava viva , visitava o bosque no fim da trilha comigo. Dizia que era um lugar mágico onde os problemas não existiam e nenhuma infelicidade podia nos alcançar. Ela de vez em quando falava coisas assim, a principio estranhas, mas pra uma criança como eu, tudo fazia sentido. Faz muito tempo, mas lembro da brilhante lagoa que se estendia por uma longa distância ao redor da trilha.
Definitivamente teria que ir lá uma última vez.
Além de ser um bom lugar para me esconder daqueles patifes, conseguiria reacender a memória do tempo em que as coisas eram mais felizes, sem guerra, sem dor ou perdas.
Estava exausta, meus pés latejavam e ainda não havia chegado lá. O brilho do sol diminuía gradualmente e as sombras das árvores começavam a deixar o lugar sombrio.
Andando devagar pelo chão de terra que terminou de sujar completamente meus sapatos, vi algo mais à frente brilhando entre arbustos altos e cheios. Sem nem pensar direito, corri ultrapassando os galhos e mato que grudavam em minha roupa e cabelo. Quando finalmente consegui desprender alguns cachos que tinham ficado presos no galho, pude admirar a vista maravilhosa da lagoa brilhando ao pôr-do-sol.
Corri rapidamente à borda e sentei no mato abraçando o joelho toda encolhida.
O lugar era tão lindo quanto me lembrava. Conseguia ver claramente minha mãe, juntamente com Miressa sentadas conversando e costurando bordados, enquanto a pequena Anna incomodava os guardas para brincarem com ela já que Daniel nunca saía conosco na época.
E agora estava novamente ali, pela última vez e sozinha.
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