Quando menos se espera
3 Planejando
Notas iniciais
− Não precisa fazer isso. – Aviso pela milésima vez – Sei que odeia quebrar regras.
Estava trocando de roupa atrás do provador ansiosa pela aventura que estava por vir, enquanto Daniel andava de um lado para o outro nervoso no quarto.
− Eu te disse que iria ajudar... Mas o que quer fazer lá afinal?
Terminei de colocar o vestido e saí de trás do provador amarrando o cabelo de forma mais comum.
− Quero ver minhas amigas, explorar a cidade melhor... Faz quase um três anos que só fico aqui! – reclamo ainda ajeitando os cachos no penteado.
− E o que espera? Sair pelo portão achando que ninguém vai te reconhecer?
Daniel cruzou os braços e se sentou na beirada da cama.
− Na verdade... – me aproximei dele e comecei a falar mais baixo – Esse tempo presa foi muito útil. Pude descobrir várias coisas sobre o castelo!
− O quê, por exemplo?
− Passagens secretas – conto empolgada abaixando o tom da voz – Existem diversas espalhadas no caso de algum ataque. E Cada leva a um lugar diferente fora daqui!
− Sério? E como descobriu isso? – questionou intrigado.
− Bem, há algum tempo sua mãe estava me ensinando sobre como eram construídos os castelos antigamente e como as estruturas foram feitas de modo estratégico... Fiquei tão curiosa a respeito disso que resolvi procurar a planta e o esquema de construção do nosso.
− Nunca encontrei algo parecido na biblioteca. – comentou pensativo.
Sento ao seu lado e reprimo uma risada.
− É porque não está lá!
Logo a compreensão tomou conta de seu rosto.
− Então significa que foi ao escritório e mexeu nas coisas do seu pai! – deduziu cético.
− Exatamente! — digo me sentindo vitoriosa – posso sair e voltar sem que ninguém veja por onde!
− E já fez isso alguma vez? Sabe aonde isso vai dar?
− Não, mas no mapa indica que esse caminho leva a floresta, e há também uma trilha!
− Não acho que seja uma boa ideia. Por que não tentamos falar com a minha mãe antes?
− Claro, como se sua mãe fosse adepta a qualquer coisa divertida! por favor, me acompa...
Sou interrompida por batidas leves e rápidas na porta.
− Alteza? O senhor Daniel está ai? – Liliana chamou sem entrar.
Antes que pudesse falar algo, Daniel respondeu o chamado de Liliana e saiu do quarto. Quando retornou novamente, foi apenas para avisar que meu pai queria ter uma conversa.
Hum... Nada bom.
− Volto assim que puder! – disse dando um beijo em minha testa de despedida – Não faça nada imprudente até lá!
− Claro que não – digo lançando um sorriso conspiratório quando Daniel já estava de costas.
Ele sabe que vou fazer alguma coisa.
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