O espelho do meu quarto era na verdade uma pesada porta de concreto que me levava em direção á liberdade.

Apesar de detestar ter aulas com Madame Miressa, tinha que admitir que a maioria de seus ensinamentos até o momento eram úteis. Quando que eu iria imaginar sozinha que existem tantos caminhos para entrar e principalmente sair de nosso castelo?

Sair não foi tão difícil quanto pensei já que a escura escadaria empoeirada e com o ar parado sem nenhuma brisa levava a apenas um lugar, mas seguir a trilha certa na floresta... Foi um desafio mesmo com a luz do dia iluminando tudo.

Não parava de escutar a voz de Daniel na minha cabeça dizendo que aquela não era uma boa ideia. Talvez ele tivesse razão, mas Isso não me faria desistir nenhum pouco de sair. Ainda mais agora que já estava do lado de fora.

Após finalmente conseguir sair da floresta, não tinha como errar o caminho até a cidade. Havia apenas uma estrada de terra que levava diretamente até lá.

Andei tão rápido que me surpreendi ao chegar tão cedo e por não ter encontrado ninguém no caminho que pudesse me reconhecer.

Logo na entrada pude ver as ruas movimentadas e aglomerada de pessoas comprando coisas em tendas ou lojas. O calçamento rústico de pedras no chão convidava a explorar melhor o lugar. Nem lembrava quando tinha sido a última vez que tinha pisado ali.

As vendedoras das tendas sorriam e conversavam alegremente com as pessoas, crianças corriam sem medo no meio de tudo aquilo. Parecia o paraíso.

Será que continuaria dessa forma se o casamento fosse cancelado?

O ar era totalmente diferente do que eu estava acostumada, em vez do campo e das flores, havia cheiro de comida por todo o lado. Pães quentinhos esfriando em uma janela, restaurantes de diferentes estilos decoravam algumas ruas e todos faziam questão de deixar o cheiro sair para chamar a atenção de quem quer que passasse na frente. Andei lentamente me surpreendendo por cada rua que eu passava, nunca havia visto tanta coisa dessa cidade. Claro que tinha muitas outras para ver, só que essa era a única ao meu alcance.

Depois de um tempo, me dei conta de que eu não sabia a localização exata da loja das meninas.

Sofia e Margô foram grandes amigas desde meus doze anos. Trabalhavam no palácio como damas de companhia, mas nunca tinha sido o sonho de nenhuma delas passar o resto da vida servindo como um enfeite da corte. Com muita coragem e dinheiro guardado por anos, as duas deixaram tudo no passado e abriram uma loja aqui mesmo em Florentia. De vez em quando trocávamos cartas, mas com nossa rotina tão corrida, não acontecia com tanta frequência.

Ficava no centro, elas me contaram por correspondência, mas onde?

Olhei ao redor para procurar alguma ajuda e vi dois guardas andando na calçada. “melhor não perguntar nada, não tenho tanta sorte assim” pensei desviando de sua direção e seguindo em frente. Mesmo sem saber pra onde ir, seria muito mais interessante explorar mais.

Notas finais
Até o próximo cap ♥