Despertar: luxo que o destino me roubou.

Tortura-me o que volta — e o que nunca se vai.

Nesta dança de fúria e afeição,

o ontem jamais cai.

— Kuchiki Rukia


--- XXX ---


Depois de horas na sala do diretor, ouvindo ele chorar algo sobre falência, fomos liberados. Quando saímos da sala, estavam todos nos esperando. Tomei fôlego, olhei de canto para ele e virei a cara.

Percebi que ele ficou irritado e ia começar a falar, mas foi interrompido pela chegada da Rangiku, da Orihime e do Hitsugaya.

— Então... algum outro castigo maluco? — pergunta Rangiku.

— Não. O diretor só ficou se lamentando do prejuízo o tempo todo e mandou a gente embora — respondo.

— Mas quem diria que a superquieta Kuchiki Rukia ficaria tão irritada com algo pequeno assim… Se bem que explodir as coisas não é novidade, né?

— Não começa, Rangiku, olha como eu tô!

Minha roupa estava toda cheia de tinta, meu cabelo parecia um black power depois de receber 500 volts de choque e, por cima disso tudo, eu estava com um cheiro horrível de peixe queimado. E tudo por culpa desse laranja azedo aqui.

Se bem que... não ficou pior graças a ele, que, no impacto, ficou na minha frente.

Mas o que me deixa mais irritada é: por que tudo isso comigo e ele só sujou a roupa? O perfume continua o mesmo, o cabelo está praticamente intacto e a cara rabugenta dele — que não dá nem pra saber se tá rindo ou debochando — continua perfeita, como rosto de bebê!

Ah! Você me paga, Kurosaki Ichigo. Eu vou devolver todo o carma ruim que você me trouxe, nem que eu morra pra isso.

Bom... acho que antes de executar minha vingança, preciso explicar algumas coisas: um resumo do time skip que aconteceu.

Na quarta-feira da minha semana mais desastrosa de todas, reencontrei meu ex-melhor amigo no estilo mais “entrada triunfal” possível: trombei com ele e caí em cima.

Depois disso, naturalmente, dei um tapa nele e corri como se não houvesse amanhã.

Sou muito adulta, não acham?

Quinze dias depois, estamos aqui, saindo da sala do diretor porque explodi o laboratório de novo.

E o motivo? O laranja atômico quebrou a ponta de um lápis.

Sim. Ridículo.

— Ei! Ichi, parece que as coisas vão ficar bem mais interessantes com você por aqui... — Rangiku fala para Ichigo com seu olhar de “ora, ora, quem diria?”, notando coisas que só existem na cabeça dela normalmente... — Eu não sabia que você viria também pra cá. Por que não me falou?

Volta a fita um instante: parei tão de repente que a Orihime enganchou sua comitiva avantajada em mim.

— Calminha aí, Rangiku-san, eu falei dezenas de vezes, mas você nunca prestou aten—

— Vocês se conhecem? — perguntei, interrompendo. Já tava ficando ridículo como esse laranja tava me perseguindo....

— Sim, nos conhecemos no Brasil. Treinamos no mesmo clube — me responde Rangiku.

Indico que entendi, finjo que esqueci roupas reserva em casa e decido voltar mais cedo. Eu já estava enjoada de perceber o quanto ele estava na sombra de tudo que eu fazia — até dos amigos!

Parecia que o universo estava conspirando contra mim.

Entro no meu quarto e fico pensando se isso não passa de um sonho. Poxa, Ichigo voltou! Voltou de verdade. Mas eu não o sinto aqui.

Não parece o Ichigo de dois anos atrás. Não parece aquele que sempre olhava por mim e me xingava o tempo todo.

Claro, a cara rabugenta continua a mesma... mas tem algo faltando.

Acho que Kurosaki Ichigo está de volta, mas Ichigo, meu melhor amigo, deve ter morrido há dois anos. Sim. Com certeza é isso.

Ele voltou, mas não voltou pra mim...

Depois de horas deitada, decidi tomar um banho e dar uma volta. Vocês sabem: Parque Central de Karakura, balanços, o lugar de sempre. No caminho, me encontro com a Karin. Por falar nisso, o irmão dela chegou também... será que ele já está lá?

Durante nossa conversa, ela me convida para um jantar que vai acontecer em sua casa. Parece que o pai dela vai voltar e vão festejar isso. Decido aceitar. Afinal, uma comemoração na casa de uma amiga deve ajudar a afastar o carma laranja que me persegue.

Quando cheguei de frente pra casa, parei por um instante e olhei. Tão calma... Mesmo com novos moradores, não existe, faz muito tempo, aquela barulheira nessa vizinhança.

Depois que o cabelo de cenoura foi embora, era a primeira vez que eu entraria naquele lugar de novo.

Será que estaria muito diferente? Quem estaria no antigo quarto dele? Eu nem conseguia imaginar.

Quando entrei, senti que estava entrando na toca da raposa.

Uma pequena esperança, junto com um pressentimento impossível, palpitou no meu coração... mas não dava pra acontecer. Seria muita brincadeira de mau gosto vinda de Deus pra uma humilde adolescente como eu. Não. Definitivamente, não podia ser...

— Mamãe, cheguei! Trouxe uma amiga pra jantar conosco...

Quando entramos, já estava claro que uma casa onde vivem mulheres é muito diferente de uma casa onde vivem somente dois homens. A sala estava organizada de forma que o espaço entre os sofás e a TV dava pra se deitar tranquilamente no chão e ainda sobrar espaço. A mesa decorativa no canto e os jarros de flores não tiravam também o espaço restante. E a escada estava toda ornamentada com adesivos de borboletas e, maravilhosamente, como nunca vi antes em uma casa... Chappys! O coelhinho mais famoso do mundo percorria toda a escada junto com as borboletas. Algo muito lindo de se ver...

— Ara! Você deve ser a Kuchiki-san. Minha filha falou muito de você.

— Obrigada. Pode me chamar de Rukia mesmo.

A mãe da Karin era linda. Seus olhos eram castanhos como mel, tão meigos que brilhavam na luz, o que dava ainda mais beleza ao incrível sorriso que possuía.

Era um sorriso tão confortante, tão nostálgico... Seus cabelos ruivos eram compridos, ondulados, de um brilho intenso que, na luz, parecia não se decidir entre vermelho e laranja — uma combinação que só vi dar certo naquela mulher. E, pra terminar, possuía uma gentileza incrível.

— Nesse caso, Rukia-chan, pode me chamar de Masaki. Podem me acompanhar até a cozinha, meninas? Quero apresentar nossa convidada à Yuzu.

Pelo que sei até o momento, Yuzu é a irmã mais nova de Karin. Não parece que o irmão dela esteja por aqui...

— Ah! Rukia-chan, como está indo na escola? Como são os alunos que vocês foram buscar naquele dia?

— Ah... acabou que um deles era um antigo amigo, então aconteceram poucas apresentações.

Essa conversa me fez lembrar os dias infernais que tenho passado desde que ele chegou. Duas meninas — sejam quem forem — espalharam pela escola inteira que eu e Ichigo temos um relacionamento bem íntimo, se é que vocês entendem o que eu digo.

Agora as garotas ficam dizendo que eu não deixei ele nem respirar o ar da cidade direito e já tomei o fôlego dele. E, pra piorar, aquela briga no laboratório aumentou ainda mais os boatos.

E não dá nem pra fugir: fomos postos como parceiros em todas as aulas. Sinceramente, eu já não suporto mais aquele rosto de cenoura mal plantada.

Conversamos e brincamos o restante da tarde inteira. Isso me relaxou e me fez esquecer aquele idiota. Mas aquele pressentimento continuava ali: aquela sensação de que eu ainda veria aquele rosto rabugento hoje.

Deixei passar.

À noite, ajudei a senhora Masaki a ajeitar a mesa do jantar, apesar dos protestos dela por eu ser visita. Mas eu simplesmente não consigo ficar sem ajudar. Depois de tudo pronto, ficamos conversando na sala esperando o homenageado da noite aparecer... mas, ao que parece, ele se atrasara um bocado.

A porta se abriu como que em câmera lenta. A pessoa foi entrando, começando pela sombra. O suspense me matava, até porque, graças ao novato tingido, meu mês inteiro foi um porre de suspense.

— Mamãe, ichi-ni está atrasado! — fala Karin. — Papai vai ficar triste se chegar e ele não estiver aqui...

Ichi-ni?

1-2?

Ichi-ni-san?

É verdade. Eu não vi o irmão da Karin ainda. Hoje vai ser a primeira vez. Fico imaginando se ele é bonitinho…

pelo que a Karin contou, ele tem a minha idade...

— Desculpa o atraso, mãe. É que a Tats me prendeu até agora na casa dela em um desafio de Tekken... ah!

Ele me percebeu.

Eu não entendi o porquê desse clichê acontecer o tempo todo.

Podem, por favor, me deixar longe desse idiota, pelo menos nos próximos capítulos?

Eu fiquei sem reação, olhando pra ele.

— Ru...

— Oh! Kurosaki-kun! Eu não sabia que era você o irmão da Karin-chan... — falo antes que esse boboca faça algo.

— Então você conhece onii-chan? — perguntou Yuzu.

— Sim! Somos da mesma sala, não é? Kurosaki-kun?

A sobrancelha dele se moveu pra cima e pra baixo. A voz melosa provavelmente o deixou muito impaciente...

— Isso é bom! Não precisam de apresentações, então... — chama Masaki-san.

Ela estava se divertindo?

— Então era o Ichi-ni que você iria buscar no aeroporto naquele dia? — pergunta Karin...

— Sim. Ele e o outro novato, Sado-kun...

— Então era o onii-chan seu amigo antigo? Já se conheciam antes?

— Não. Era o Sado-kun. Nunca conheci Kurosaki-kun antes...

— Meninas, seu pai acabou de ligar. O voo atrasou por causa de uma tempestade e só chegará pela madrugada. Então vamos comer antes que esfrie...

Fomos para a mesa. A comida de Masaki-san era incrivelmente gostosa, e isso me fez relaxar, porque, se não fosse por isso, eu estaria muito puta — já que Masaki-san me pôs sentada ao lado de Ichigo...

— Então, Ichi-ni, como foram as aulas? — pergunta Karin.

— Foram boas, tirando a aula de física que— AI! — Dei um pisão no pé dele pra calar a boca.

Na aula de hoje, tivemos outra discussão e quase explodi tudo de novo. A verdade é que nada explodiu por causa do comentário obsceno do professor.

— Aqui as pessoas são organizadas em duplas, não é? Quem é seu parceiro, onii-chan? — Pergunta Yuzu.

— Uma pirralha que colocaram no ensino médio por aciden— AI!

Dessa vez foi com o bico da sandália no calcanhar, fazendo ele lacrimejar e me olhar furioso.

— Você está bem, Ichigo? Tá sentindo alguma coisa?

— Não, mãe, tô bem. É só uma forte dor de cabeça...

— E você, Rukia-chan, como é na escola?

A conversa durou muito tempo. Depois falamos de amigos e, toda vez que ele tentava soltar algo que eu não queria, eu acertava o tornozelo dele. Foi um jantar legal, apesar de ele estar lá.

O tempo passou muito rápido e já estava tarde, então tive de ir pra casa. Mas Masaki-san, apesar de eu ter protestado muito, não me deixou ir sozinha. Disse que é perigoso uma donzela andar só muito tarde da noite e mandou Ichigo me deixar em casa.

— Mas, mãe, não vai ficar perigoso pra eu voltar também? — ele protesta.

— A vida dela é mais importante que a sua. Vá logo. — A mãe dele diz, e ele suspira.

— Não dá pra você dormir aqui hoje, Rukia-chan? — pergunta Karin.

— Não dá, Karin-chan. Eu precisaria avisar meu irmão e, a essa hora, ele deve estar descansando já. Fica pra próxima, ok?

Caminhamos em um silêncio incômodo por um tempo que pareceu séculos. Se fosse dois anos atrás, estaríamos falando e falando e falando sem cansar.

Bom... estava bom assim. Não queria ficar escutando a voz dele o tempo todo, falando de coisas que já não eram mais interessantes.

Era o que eu queria.

Mas tinha algo que eu precisava saber. De uma vez por todas, precisava esclarecer. E não queria mais esperar. Este era o momento perfeito. Era isso que eu sentia. Por isso decidi quebrar o silêncio.

— Por quê?

Comecei. Ele me olhou calado, mas notei que não entendeu. Apesar do tempo e da raiva, eu ainda conseguia entender o que passava na cabeça dele. Percebi isso no decorrer desses dias e confirmei no jantar de hoje. Então aumentei a pergunta:

— Por que você não falou pra mim?

— Não consegui. Dizer adeus pra minha melhor amiga era muito mais difícil, porque parecia que eu não voltaria mais...

— Mas por causa disso eu me senti abandonada. Você sabe o quanto foi difícil me acostumar sem você? Você não viu que, se você não falasse pelo menos algo... um “até logo”, pelo—

— EU NÃO CONSEGUIA, TÁ BOM?! NÃO DAVA! TENTEI DIZER O TEMPO TODO, MAS NÃO SAIU! NÃO QUERIA IR, MAS NÃO TINHA ESCOLHA! Por isso que eu fiz diferente com você... pessoalmente eu não conseguia... simplesmente entalava na garganta... então tive de fazer diferente...

— Sei... Aí você resolve não dizer nada. Muito bom da sua parte.

— NÃO É NADA DISSO, SUA COISADA! É CLARO QUE EU FALEI PRA VOCÊ! É CLARO QUE EU DEIXEI VOCÊ SABER! SÓ NÃO… falei cara a cara...

Fiquei calada. Como se fala algo assim sem ser diretamente? Não me venha com desculpas esfarrapadas, Kurosaki Ichigo.

Isso está muito estranho. Muito estranho mesmo.

Mas não deu pra falar mais nada. Eu morava no quarteirão seguinte, então era relativamente perto. Ele me esperou entrar e partiu.

Observei da janela ele caminhar vagarosamente de volta pra casa.

Tinha um olhar meigo, porém sofrido.

Mãos nos bolsos.

Cabeça baixa.

Fui tomar banho pensando nas palavras dele. Ele tinha deixado uma despedida pra mim. Embora não tenha feito diretamente, aquilo continuou a me intrigar. Vesti meu pijama e deitei. Depois de uns trinta minutos, adormeci.

Foi nesse momento que uma luz fortíssima veio à minha mente: palavras que eu já havia esquecido há muito tempo...

“— E o que eu seria sem você?

— Um morango atômico, antipático e careta que poria medo até no Godzilla...”

Depois disso, ele me olhou sério e sorriu. Aquele sorriso que me fazia sentir única.

E só agora pude perceber um detalhe: a pequena lágrima no rosto dele. Estava quase seca, mas ainda assim brilhava.

Só percebi agora... mas eu nunca deixava escapar um detalhe dele, por mais mínimo que fosse.

Então lembrei de algo que deixei passar por causa da raiva: quando ele voltou, ele já tinha dito algo parecido — e eu ignorei.

“— Ei! Ichi, parece que as coisas vão ficar bem mais interessantes com você por aqui... eu não sabia que você viria também pra cá, por que não me falou?”

Sim! Rangiku conhecia Ichigo, mas não percebeu que eu também conhecia. Pelo jeito que ela o chama, eles tinham certa intimidade típica de Rangiku. Eles eram colegas, não é?

Isso me fez lembrar quando falei do que aconteceu comigo e Ichigo há dois anos e ela contou aquela história:

“Pra ser franca parece mais uma história de Romeu e Julieta... ele sabia até que dia sua amiga não faltaria aula de jeito nenhum, era surpreendente.

— Eu entendo os motivos dele, mas o que tem de diferente da minha? A garota ficaria também chateada com ele, já que não saberia o porquê de sua ida.

— Não, é diferente em um ponto.

— Qual?

— Ele deixou uma carta prometendo retornar. Ele disse que escondeu em um lugar em que somente ela saberia encontrar, pois era uma lembrança bastante engraçada dos dois e que sempre olhavam pra ela pra achar graça. Ele sabia que, quando ela lesse a carta, apenas iria querer espancá-lo quando voltasse a vê-lo — Rangiku solta uma risadinha — era engraçado quando ele falava dela... dizia que ela era doce e gentil, mas violenta e de forte personalidade...”

Abri meus olhos no mesmo instante que lembrei disso.

Seria coincidência, não é?

Mas será mesmo?

Nós temos também essa lembrança importante.

Ele não quis me contar pessoalmente a despedida.

E mais importante: eles se conheceram no Brasil.

Será que ele realmente deixou uma carta?

Eu me senti Sherlock Holmes agora e tinha de continuar até o fim...

Decidi ir pela nossa lembrança importante — aquela que eu não vasculhava desde que ele foi embora.

Fui até a escrivaninha. Olhei para a foto. Lá estava: eu de costas, ele de frente, soltando um sorriso maroto e... Kon! O ursinho de pelúcia da Orihime!

A peça tinha acabado em desastre total. Tatsuki de Páris e Ichigo de Romeu fizeram um duelo de espadas épico diante do túmulo de Julieta, que era eu.

Uma luta sem vencedor determinado. Era pra ser Romeu o vencedor, mas Páris se empolgou e não deu vitória fácil. Na verdade, eles estavam empatando.

Em meio a chutes e golpes de espada, o cenário começou a ser destruído. Páris tenta um golpe em Romeu; ele se esquiva e fica de costas pro meu túmulo. Páris investe contra Romeu, que defende e o empurra pros muros do santuário que começam a cair.

Páris fere o braço esquerdo de Romeu e fala:

— Julieta é minha! Sai fora, desgraçado Romeu!

E Romeu responde:

— Enganado estás. A mim sempre pertenceu...

De repente, vi que o cenário caía por cima de mim e gritei:

“— Ichigo, o teto!”

Os idiotas olham pra mim e falam:

“— Oh! Julieta! Estás bem!”

Eu levanto do túmulo, tiro os dois de debaixo de onde o teto estava caindo e começo a espancar Ichigo:

“— AHO! BAKA! ESTÚPIDO! O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO?! TÁ QUERENDO MORRER?!”

E ele fala:

“— Que estás a fazer, minha amada?”, olhando com surpresa pra mim.

Pra alguém que não gosta de atuar, ele se mete mesmo no personagem — tirando o caos que provocou junto com Tatsuki. Ele olha pra cima e diz:

“— Ahn! Julieta, é melhor se afastar...”

E eu respondo:

“— Não me venha com...”

Um balde de tinta preta cai em cima de mim. De onde ele saiu, não se sabe até hoje...

Na hora da foto, alguém jogou o urso e ele apareceu na imagem também. Ainda não sei quem fez — se bem que acho que foi Uryuu, com raiva por Ichigo ter estragado todo o figurino de Romeu.

Foi uma foto que eu realmente não queria tirar, mas ele me puxou de sopetão e eu não consegui fugir.

Sorri lembrando do dia e procurei alguma pista. Nada de anormal no quadro. Decidi retirar da moldura e, quando fiz isso, um papel estava grudado na foto.

Desgrudei com cuidado e comecei a ler...

“E aí? Baixinha invocada, nanica dos infernos... se você achou essa carta, é porque eu já não estou mais entre vocês. Se não... é porque você é mais burra do que eu imaginei...”