Diário de Rorschach. 21 de setembro de 1985. 20h25min. Retorno mais uma vez para dar a ela más noticias. Faço a mesma coisa que dá última vez, mas nessa eu me recuso a espia-la trocar de roupa. Ela atende cheia de esperança. A esperança que eu estou prestes a quebrar.

— Então senhor Rorschach?

— Sinto muito.

Ela se senta na cama com a boca aberta em lamento.

— No pode ser. Adrian vai destruir tudo.

— Ou talvez não. Eu andei incomodando bastante, acusando-o de tentar destruir o mundo como você disse, a última coisa que ele vai fazer é provar que estou certo.

— Certo. Mucho obrigado por tudo. Principalmente por acreditar em mí.

Ela deitou na cama e fechou os olhos.

23h00min. Tirei o meu rosto e fui visita-la, acho que esse é o momento que ela disse que precisaria de mim.

Bato na porta e aguardo.

— Oh Walter.

Ela me abraça e me puxa para dentro de sua casa. Eu fecho a porta com o pé.

— Meu Deus Walter usted esta fedendo tanto.

Essa é primeira vez em que me sinto constrangido por terem me dito isso.

— Desculpe. — disse me afastando.

— Oh no, no saia de perto de mí, por favor, fique comigo... Esta noche fique comigo. — disse ela se abraçando mais a mim. — Sempre quis bailar com usted. Usted es mí berço. — disse ela passando suas mãos em meu corpo.

— Nina o que pensa que vai fazer?

— Viver la última noche de mí vida com lo hombre que amo.

— Essa não é a última noite.

— Mas quero viver como se fosse. Sí? Acompanha-me até la paz?

— Claro.

Ela me beija e pela primeira vez tenho chance de explorar essa boca que a tanto me perturba...

Eu quero continuar com isso, mas... Meu corpo esta no automático e minhas mãos fazem o que

querem, indo a lugares que eu nunca nem sonhei que um dia poderiam ir... Eu me afasto tomando folego, tentando recuperar a sanidade. Ela segura minhas mãos e me guia por seu corpo e eu estou intimidado... Não sei se sobreviverei a essa noite.