Diário de Rorschach. 16 de setembro de 1985. Ele não foi embora e eu não deveria me importar, mas em vez disso passei a noite acordado no terraço do prédio dela com o meu rosto já posto olhando para a miséria nojenta abaixo de mim.

06h40min. A outro som além do vento. Ele se parece com sapatos. Sapatos femininos. Me viro para ver quem esta atrás de mim e a resposta embora surpreendente não é muito agradável.

Ela esta usando a mesma roupa de ontem, — o vestido parecia uma camiseta longa, cinza até os joelhos e mangas curtas, realçava seu corpo sensual — porém, agora, o cabelo está bagunçado. Provavelmente acabou de acordar, mas isso é irrelevante. A única coisa que importa é: Ela sabia que eu estaria aqui?

— Salvaste mí vida há alguns dias, te recorda?

— Se me recordo? É a moça do beco que foi atacada por aquela gangue?

— Sí. Tengo um favor para te pedir. Sei que no tem obrigação de me ajudar, mas...

Ela fez aquela cara que sempre me convenceu a fazer tudo o que ela queria, mas tanto tempo se passou.

— Não sou de fazer favores ou acordos, mas diga o que quer.

— O mesmo que usted. Já deve saber quem es o cara com quem passei la noche?

— Jacob Beckman. É eu conheço um pouco do sujeito. Ele trabalha pro Veidt.

— Yo também trabajo para ele. No há tanto tempo quanto Beckman, mas o suficiente para me dar conta de que coisas

estranhas acontecem naquela empresa.

— Que tipo de coisas?

— Transações em grandes quantidades para lugares de difícil acesso.

— Isso é completamente normal para mim.

— Para mí tambiém era, mas una vez escutei una conversa muy estranha entre senhor Veidt e Beckman sobre armas nucleares.

— O que acha que esta acontecendo afinal senhorita?

— Sinceramente no sei, mas...

— Diga.

— Beckman fica se gabando por ter subido na pirâmide social da empresa, que esta mais próximo de Veidt e que os dos tem grandes planos juntos. Planos que vão mudar el mundo.

— De que forma?

Ando de um lado para outro. O assunto começou a me interessar.

— No sei, mas parece que el método es bem doloroso e envolve o Doutor Manhatan.

— Doutor Manhatan? — Disse.

— Sí, aquele homem poderoso. No sei como ele esta envolvido, yo no tengo muy acesso aos documentos da empresa, pero...

— O que? Continue eu não tenho o dia todo.

— Veidt criou um personagem, pintou-o direitinho e o encheu de rosas das mais diversas cores. O personagem de quadrinhos vendeu bem e todos acreditam nele cegamente, mas el homem verdadeiro es muy deturpado.

— Fato. Mas isso não explica nada.

— Estoy dizendo que Veidt é bom em manipular as pessoas e nem mesmo o doutor é páreo para a inteligência daquele homem.

— Não estou entendendo nada, seja mais clara.

— Manhatan es una arma ambulante, pensei que no haveria mãos mais erradas que os Estados Unidos, mas ao que parecesse Veidt es muy pior.

— Tem um palpite do que Veidt quer com Manhatan sim ou não?!

— Ele quer explodir metade do planeta!

— O que? Absurdo.

— Es verdade. Na conversa que ouvi Veidt e Beckman se gabavam de como eram poderosos e das cosas grandiosas que poderiam fazer juntos, como armas nucleares vão abrir mentes no futuro e que Manhatan seria de grande ajuda!

— Mas...

— Mas! No creio que no crê em mí de todas as pessoas usted es el único que tem a coragem necessária para fazer algo, mas no crê! No crê

porque es igual a todos los outros! Cabeças de vento.

Ela saiu brava, resmungando em um espanhol tão complicado que eu não consegui entender nada.

Nina foi bem convincente e talvez esteja certa sobre os planos de Veidt por isso eu tenho que agir.

De novo convencido a fazer o que ela quer?

Não.