Diário de Rorschach. 17 de setembro de 1985. 00h53min. Já estou cansado de fuçar na vida do Veidt e não achar nada. Tenho que admitir que não ter encontrado nada que comprovasse que Nina estava certa me enfureceu. Agora estou no parapeito da janela dela pronto para entrar e dar a “boa noticia” a ela.

Nina entra no quarto e deixa a porta aberta, ela esta descalça e com metade dos botões da camisa já desabotoados. Assim que termina de abrir os botões restantes ela tira a camisa social de seda verde musgo e a joga em cima da cama. Meu coração acelera e meu membro endurece de um jeito que jamais havia acontecido, tudo isso apenas com a visão dos seios dela encobertos por um sutiã branco de renda. Como se eu já não estivesse o suficiente perturbado ela abre o zíper da calça e a desce lentamente, balançando seus quadris de uma maneira sensual até ter se livrado da calça. Ela se vira de costas para pegar uma muda de roupa do armário me dando uma excelente visão de seu traseiro que tem menos da metade coberto por uma calcinha idêntica ao sutiã. Ela se demora, Santo Deus bote qualquer coisa, mas cubra-se! Finalmente ela encontra o que

procura, uma camisola de seda bege, de mangas curtas, longa na altura dos pés e com um decote. Bem, isso é melhor que nada.

Assim que ela se veste, bato de leve no vidro para chamar sua atenção. Ela olha assustada, mas se acalma assim que percebe que sou eu.

Eu entro deixando a janela aberta e me encosto na parede ao lado da mesma. Nina esta impaciente, de braços cruzados — realçando seu farto par de seios— anda de um lado para outro a minha frente.

— Dei uma olhada nele. Sinto muito.

— Pelo que?

— Não há nada. Veidt esta limpo.

— No pode ser, no... Tem que haver alguma coisa, un homem como ele no pode estar limpo, tem que haver algo pelo qual ele possa ser incriminado.

— Não há nada. No caso do senhor Beckman apenas multas de transito.

Ela se aproxima de mim. Cerca de cinco centímetros separam nossos corpos.

— Senhor Rorschach, se Veidt no for detido muchas pessoas inocentes irão morrer... Estoy cansada de ver pessoas inocentes falecerem.

— Ninguém é inocente Nina.

— São tão poucas que no consegue ver? Senhor Rorschach, por favor, yo te rogo que faça alguma coisa, sí? Por favor. Ajude-os.

Respiro fundo, o doce perfume dela entrando diretamente para o meu cérebro. Ela suplica com aqueles grandes e expressivos olhos avelãs, como recusar? Os lábios carnudos estão semiabertos e a vontade de prova-los é insuportável. Posiciono-me na janela, já é hora de ir embora.

— Dónde vai? — pergunta-me ela surpresa.

— Vou ver o que mais posso fazer senhorita, mas não fique surpresa se eu não conseguir nada novamente. Só fique bem, Nina.

Digo seu nome em um apelo e rumo às sombras sem medo ou arrependimentos.