Notas iniciais
mais um capitulo saiuu, espero que gostem e qualquer é so comentar!!

Ruan On

O restante da manhã passou devagar, entre configurações de rede e tentativas falhas de manter a concentração. A conversa com Suellen ainda ecoava na minha mente. Algo no jeito dela falava com uma parte de mim que eu não sabia que estava adormecida.

Já no meio da tarde, decidi tirar um tempo para organizar o restante do sistema na outra ala da escola. Peguei minhas ferramentas e fui até uma das salas administrativas, onde também ficaria responsável por configurar alguns pontos de acesso. Lá, encontrei Igor e Lucas trabalhando juntos, rindo de algo que provavelmente envolvia códigos e linhas de programação.

— Aê, Ruan! — Igor chamou. — Tava falando aqui pro Lucas que aquele script que você fez ontem é surreal. Nunca vi uma lógica tão limpa.

Sorri, agradecendo o elogio — Valeu, mano. A gente pode adaptar ele pro sistema da escola mais tarde, facilita tudo.

Lucas concordou com um aceno animado. — Cara, tô aprendendo mais com vocês em dois dias do que em um mês inteiro de curso técnico.

— Curti a ideia — falei, já sentindo o vínculo se fortalecer. — Podemos até começar um repositório com as ferramentas que estamos desenvolvendo aqui. Nunca se sabe quando vamos precisar disso em outros lugares.

Sentamos os três juntos, compartilhando experiências de projetos passados, rindo de erros absurdos e falhas de sistema que quase causaram desastres — o tipo de conversa que só quem ama tecnologia entende. Entre um trecho de código e outro, Igor começou a falar de sua paixão por automação residencial, enquanto Lucas contava de um projeto com Arduino que tentava replicar uma estufa inteligente.

— Você tem um jeito muito calmo de lidar com os problemas — Igor comentou em determinado momento. — Tipo... parece que já viu de tudo.

Sorri — É que a vida me ensinou a respirar fundo antes de tentar resolver qualquer coisa.

Foi ali que senti: aquele era o começo de uma amizade verdadeira. Igor era esperto, curioso, e tinha um jeito espontâneo de criar conexão com as pessoas. Lucas era mais quieto, mas observador e com ideias geniais. Formávamos uma equipe que se complementava naturalmente.

Trocar ideias com eles era revigorante. Começamos a formar um time de verdade ali, e aquilo me dava uma certa tranquilidade.

Depois de um tempo, saí para tomar um ar no pátio. O sol já começava a se esconder, deixando um tom alaranjado pelo céu. Sentei em um dos bancos e deixei a brisa leve tocar o rosto. Fechei os olhos por um momento... e então veio a lembrança.

Flashback On

Foi então que algo despertou dentro de mim. Uma memória antiga, esquecida pelas camadas da rotina e do tempo. Eu me lembrei daquele dia turbulento, anos atrás, quando tudo parecia estar desmoronando. A briga com meu pai, as palavras cruéis ditas por ele, a forma como ele tentava nos diminuir... e como, em meio àquela tempestade, eu conheci uma menina de olhos castanhos e cabelos cacheados, cujo sorriso parecia ter o poder de acalmar qualquer dor.

“Suellen… Aquele nome agora fazia mais sentido. Mas será que era ela?”

Flashback Off

Abri os olhos rapidamente, como se tivesse sido puxado de volta à realidade por um tremor do passado.

— Será...?

Por que aquela imagem parecia tão real? Por que meu coração reagiu como se já conhecesse Suellen?

Ruan Off

Enquanto isso, em outro canto da escola, Suellen caminhava sozinha pelo corredor, o celular preso entre os dedos, a mente distante.

Ela pensava em Ruan

Suellen On

“Não pode ser ele... ou será que é? Aquele menino que eu conheci quando ainda acreditava em contos de fadas. Será possível que a vida me trouxe de volta alguém que ficou perdido nas memórias?”

Parei diante de uma janela, olhando para o pátio vazio lá fora. Meu coração pulsava rápido, e uma mistura de medo e felicidade preenchia o peito.

“Eu não devia estar sentindo isso. Eu nem sei se ele lembra de mim. Talvez seja melhor deixar como está...”

Mas algo dentro de mim gritava diferente. Uma parte que se lembrava dos momentos que nunca foram esquecidos. Do menino que me fez sorrir quando o mundo parecia pesado demais. Do olhar gentil. Da forma como ele me escutava.

“Será que ele ainda é o mesmo?”

Encostei a testa no vidro e fechei os olhos, revivendo aquela lembrança da infância — os dois caminhando pelas ruas, rindo e conversando depois de um grande tormento. Um tempo simples, mas que agora parecia tão distante.

— Não posso me enganar... — murmurou para si mesma. — Mas... eu queria tanto acreditar que é ele.

Suellen Off

No fundo, Suellen sabia. Seu coração já havia reconhecido antes mesmo da mente entender.

Ruan On

Na volta pra casa, enquanto o ônibus andava devagar pelas ruas movimentadas da cidade, eu olhava pela janela, o rosto apoiado na mão. A lembrança ainda estava comigo.

“Talvez eu a conheça sim... ou talvez eu esteja prestes a conhecê-la de verdade agora.”

Cheguei em casa, tirei os sapatos e encostei as costas na parede da sala. Um suspiro escapou.

— Obrigado por mais um dia…

Fui até a cozinha, preparei um café rápido — o cheiro quente e amargo preenchendo o ambiente. Era o tipo de rotina que me dava paz. Com a caneca na mão, segui até o quarto, liguei o notebook e comecei a rascunhar o plano de trabalho da semana.

Mas meus dedos hesitavam no teclado.

As palavras vinham, mas meu pensamento estava longe.

Aquela garota... Suellen. Seu jeito calmo, o sorriso tímido, e aquela sensação que ela carregava algo que eu também carregava. Dor, talvez. Passado. Memórias que pesavam no peito.

Por que ela parecia tão familiar?

Por que meu coração reagia como se já a conhecesse, mesmo quando minha mente insistia que não havia como?

No meio do rascunho técnico, percebi que havia digitado seu nome sem pensar: “Suellen.”

Sorri, balançando a cabeça.

Talvez fosse só coincidência. Talvez fosse destino. Mas uma coisa era certa:

“Algo no passado estava prestes a ser redescoberto. E algo no presente... estava começando a nascer.”

(continua...)