Quântico

4 • O MÉDICO E O MONSTRO •


Tony pensou que não o encontraria mais naquele dia, de alguma maneira parecia que Bruce estava evitando parar no mesmo grupo que ele, mas não conhecia ainda alguém que pudesse se esconder quando decidia encontrar.

Era uma saleta curta e estava bagunçada, pela falta de terno e agitação, sabia que Bruce estava de saída, assim que ficaram cara a cara, o bilionário notou que o outro transpirava exageradamente.

— Tony... — a voz embargada ecoou. E parecia que ele não estava tão feliz com esse encontro.

— Então Banner, finalmente nos esbarramos.

— Seu médico foi embora? — perguntou, sorrindo ao notar o semblante de espanto do bilionário. — O que, pensa que não notei ou...? — o Stark ergueu a sobrancelha como se estivesse disfarçando a pouca surpresa que era Bruce ter notado o clima, ele parecia ser muito ciente quando o assunto eram números, e só.

— Na verdade queria voltar ao assunto real, sei muito bem que minhas atividades sexuais não interessam a físicos gênios.

Bruce Banner tirou a mochila que carregava, depositando-a no sofá em que também sentou. Seria inútil tentar desviar de Tony Stark e ele sabia.

— Definitivamente em outra hora.

— Por acaso escutei um rumor anos atrás sobre Bio-tec, e Renascimento, que inclusive é um projeto assinado pelo pai de sua namoradinha.

— Ah Tony, não me envolvo em coisas de militares...

— Engraçado, por que nos documentos que li, o seu nome e o de Betty são citados tantas vezes. Bruce, sei que tivemos nossas diferenças, mas nós temos uma boa relação, sei que você é esperto, duas cabeças pensam melhor do que uma.

A transpiração do homem parecia ter aumentado com a tensão, e Tony jurou ter visto um estremecimento em seus dedos conforme passavam pelos próprios cabelos.

— Betty me pediu ajuda, não sei detalhes Tony, outra pessoa nunca falaria disso com você, sabem que o grande Stark poderia usar qualquer coisa para criar uma arma ou lucrar ou ambos, mas estou falando porque te conheço.

— O grande Stark criou um supersoldado há sessenta anos Bruce, o que vocês estão fazendo não é a mesma coisa.

— O que me garante que você não está mentindo?

— Você acabou de dizer que confiava em mim!

— Não, eu disse que ninguém falaria uma palavra sobre isso com você e que eu estava falando. Me arriscando.

— Dá no mesmo Bruce, esse projeto de vocês está fadado ao fracasso, está perigoso e já aviso, com a guerra do Iraque, o orçamento nacional será destinado a armamentos. De uma forma ou de outra essa loucura vai ser pausada. Isso termina por agora.

— Você é um desgraçado Tony, o que fez? Incentivou o governo a financiar mais armas com a guerra?

Tony sorriu abertamente.

— Exatamente, a nação precisa de poder bélico não de um grupo de lunático brincando no laboratório com raios gama. Eu sabia que o general Ross nunca aceitaria retroceder, então usei de...

— Má fé?

— Sorte e sabedoria, o que está lhe faltando, releia o projeto, aquilo é uma confusão que irá estourar e pode ser que aconteça em suas mãos.

— É seguro, Thaddeus Ross garantiu que...

— ELE MENTIU. Bruce, ele mentiu e você está acreditando porque está cego com a Betty, repito, analise você os dados, não estão corretos, estou te alertando. Saia dessa bomba-relógio.

Bruce Banner ficou de pé, pegando sua mochila no processo.

— Então você queria falar comigo que moveu tudo para que o Projeto Renascimento parasse de receber patrocínio, apenas porque não aceita que outra pessoa leve a fama que seu pai um dia conquistou. — o físico resmungou, saindo da saleta e deixando a porta aberta atrás de si.

— Deus, Bruce!

Tony achava que tinha perdido seu quase amigo nessa confusão, o pior é que sabia que Bruce não havia acredito em suas palavras.

A verdade era que essa loucura do General Ross não tinha segurança, JARVIS havia testado cada dado que encontrou, todos terminavam em falhas ou explosões. Literais, explosões literais.

Tony usou sim de sua fama para trazer o foco financeiro do patrocínio que vinha do governo para desse projeto, convencendo os envolvidos a investir em seus armamentos no Iraque, não se arrependia.

Esperava que em algum futuro Bruce pudesse perdoar seu ato egoísta, e que pudessem voltar em qualquer momento futuro, a animosidade que tinham.

✥ ∾ ✥

Stephen tinha se dedicado a criar laços com pessoas que fossem importantes o bastante para agregar em sua profissão.

Após aquele encontro com Bruce Banner, seguiu para uma área exclusiva onde perpetuou toda essa conversa médica-nuclear em um bar sofisticado com outros doutores e cientistas.

Tinha valido demais a pena sua saída naquele dia, seja por finalmente conhecer pessoalmente o doutor Banner, ou então pela abordagem direta de Tony Stark.

Que por sinal, parecia-lhe superficial já que havia passado mais do que uma hora e o possível contato nunca chegou. Típico de um playboy desajustado.

Enquanto burlava um sinal fechado e acelerava para sua cobertura, seu telefone pessoal vibrou e um número desconhecido surgiu.

No mesmo instante em que apertava o painel do carro que atenderia automaticamente a ligação, um sorriso brindou sua face, uma vez que sabia quem que devia estar ligando. Droga...

— Stephen Strange. — escutou seu nome sendo pronunciado e jurou sentir um arrepio com todo o som daquela voz ecoando pelo automóvel.

— Doutor. — corrigiu automaticamente. Parecia frequente demais isso acontecer entre ele e o Stark.

— E então Doutor, estava esperando ansiosamente minha ligação?

— Na realidade não. — mentiu.

A risada alta de Toby foi o bastante para lhe fazer acompanhar tal emoção.

— Está aonde, Strange?

— Agora mesmo parando meu carro no estacionamento...

— Isso quer dizer que conhecerei sua casa?

Estava claro o autoconvite para seu apartamento. Stephen preferia manter suas conquistas longe daquela área, mas não era como se Tony Stark fosse um convidado frequente, e não era também como se categorizasse ele como uma conquista.

— Vou enviar o endereço por mensagem.

— Na verdade, já estou chegando.

E não foi de fato uma mentira, poucos minutos depois que havia pisado em sua cobertura, tendo tempo somente para tirar o terno e desfazer a gravata até escutar o barulho que o alertou sobre a presença de outra pessoa.

— Estou sinceramente com medo de perguntar como sabia onde eu morava. — resmungou dando espaço para Tony entrar.

O mesmo não disfarçou os olhos correndo por todo ambiente, era uma decoração moderna, industrial e objetiva. Era menos exuberante do que as suas mansões e, no entanto, era terrivelmente fria e confortável.

Parecia seu dono.

— Legal a cobertura de um médico, sempre quis saber se não viviam com partes do corpo humano decoradas em vidros...

— Talvez se visitar a casa do doutor Hannibal Lecter.

Stephen se dedicava a abrir um vinho enquanto rebatia as questões aleatórias de sua companhia.

— Seria um tanto quanto promissor, mas não vou negar que a forma como ele come as pessoas é diferente da forma como gosto de ser comido. — parou no canto onde haviam tantos prêmios e certificados que Tony cansou de contar. — Metido.

— Acontece. — Strange murmurou acenando orgulhosamente para suas conquistas. E nesse caso, vindas de seu intelecto.

— JARVIS sempre é muito eficaz, foi assim que tive seu número e seu endereço.

— Metido. — retrucou imitando-o, fazendo com que o brilho cômico nos olhos do bilionário se tornassem opacos e meio sexy.

O médico estendeu a mão com a taça já servida.

— A nós? — o Stark perguntou se deliciando com a bebida.

— A nós. Então Tony, quer comer algo?

— Hm depende, você está se voluntariando?

Stephen deu uma risadinha que fez todo o corpo de Tony se acalorar.

— Talvez se você se comportar posso fazer um agrado...

— Sabe, sua prepotência é irritante, tem sorte de ser bem gostoso.

— Ah Tony... — o dono daquele apartamento em questão sussurrou, se aproximando da companhia sorrateiramente.

— Eu gosto de como sua boca pronúncia o meu nome. — o bilionário admitiu, apoiando os braços no ombro do outro.

— Tem muitas outras coisas que minha boca faz que provavelmente você também vai gostar. — Stephen prometeu, e cada palavra fora dita com seus lábios já quase em contato com o de Tony.

— Estou ansioso, doutor.

Notas finais
Espero que estejam gostando, adoro comentários, ou seja, podem comentar!!! ∾ O título tem TUDO a ver com a obra de Robert Louis (que eu amo), afinal temos exatamente nosso Jekyll e Hyde no capítulo. ∾ Como eu disse acima e já está dando indícios, logo nosso físico favorito vai dividir seu corpo com a cara metade verde que tanto amamos, hihi ♥ PS: minha mãe adoeceu e precisei ajuda-la dentre outras coisas, por isso acabei demorando, mas prometo seguir pelo menos um capítulo por semana. Até o próximo capitulo que prometo não demorar. ♥