Quântico
5 • MALIBU •
Os poucos meses que se seguiram eram de grande proveito tanto para Tony quanto para Stephen. Ambos seguiam suas vidas e profissões, com o acréscimo de volta e meia se encontrarem.
Era algo que não interferia na vida pessoal de cada um deles. Tony continuava o rosto das Indústrias Stark, levando com convicção e provas a sua fama de mulherengo e seus exageros alcoólicos. Enquanto Stephen continuava nas mesmas conquistas metódicas que não condimentava seus ideais.
Porém, acabava disponível sempre que o playboy bilionário lhe contatava.
Foi um pouco antes do fim do ano que escutaram rumores sobre uma extrema força humanoide verde que estava assolando e desordenando propriedades públicas. O monstro havia sido originário de uma explosão Bomba-G (Bomba Gama) no complexo militar do deserto no Novo México.
Stephen achava aquela matéria sensacionalista e questionável.
— Doutor Strange, você ouviu sobre o Hulk? — Billy chegou no turno da noite, estava especialmente ansioso e parecia ainda assim um pouco assustado.
Stephen o havia conhecido no hospital e essa relação melhorou após uma noite em um plantão corriqueiro com poucos pacientes. No ponto dele se tornar uma espécie de assistente do neurocirurgião
— Hulk? — perguntou erguendo as sobrancelhas.
— Como o monstro verde está sendo chamado. Boatos que seja algo alienígena. Um amigo médico que chegou a ser meu professor disse que o viu, ele não mentiu Stephen, não me olhe assim. Essa coisa é real.
Isso ficou na cabeça do medico durante toda sua escala, foi somente em meados para o final da madrugada que seu plantão acabou, e seguiu para o apartamento que sempre seria um refúgio após a semana agitada.
Assim que chegou, a primeira coisa que fez foi café, sem importar com a alva que ainda era. Só então teve coragem de pegar seu celular e mandar uma mensagem para seu colega de benefícios.
Aquele contato agora tinha o nome simplista de “Tony”. E escreveu com objetividade:
“Tony, sumiu... Já conseguiu suprimir suas duvidas quanto ao metabolismo de um médico na cama?”.
Sentiu o aparelho de telefone vibrar quando ainda estava com a xicara de café em seus lábios, com a resposta que veio em poucos segundos.
“Lembrou que eu existia, doutor? As mensagens são sempre curtas”.
Assim que terminou de ler, o celular do médico começou a vibrar enquanto uma chamada surgia pedindo para ser atendida.
Stephen aceitou, do outro lado da linha havia um hard rock estridente e a voz de Tony surgiu em meio a tanta confusão.
— Meu médico favorito... JARVIS abaixe o volume.
— Agora mesmo, senhor.
Stephen se assustou com a voz pouco robótica e superconfortável que obedeceu a seu dono. Esperava que o tal JARVIS fosse uma espécie de aplicativo superdesenvolvido. Mas se parecia cada vez mais com um mordomo, ou uma inteligência artificial.
No mesmo instante o som era apenas da respiração de Tony próxima ao receptor.
— Favorito, hm?
— Pois é, pois é. O que vai fazer esse fim de semana, doutor? — notou que Tony parecia beber algo e podia jurar que era café, levando em conta a hora que era e como a voz do outro se mostrava desperta e ativa.
— Descansar? — respondeu como se fosse óbvio.
Tony bufou e foi previsível demais na concepção do médico.
— O que acha de descansar em Malibu? — o tom de voz do então mecânico era malicioso e trazia memorias a Stephen.
— Me parece um jeito promissor e agitado de descanso, está me convidando?
— Esteja pronto no estacionamento sul do aeroporto internacional daqui há três horas.
Stephen não devia estar ansioso em arrumar suas coisas, precisava dormir e ter esse final de semana longe do hospital, totalmente relaxado, mas lá estava ele, acelerando a toda velocidade para o aeroporto.
A distancia de Nova Iorque para Malibu era relativamente grande, mas não significaria muita coisa em termos aeronáuticos. Claro, talvez um ou outro contratempo dependendo das escalas de voos.
Quando chegou até o local, descobriu que escala era o que não precisariam se preocupar, evidente que Tony Stark teria um jato pronto para si.
— ... você não pode simplesmente deixar todas as conferencias para uma só pessoa Tony!
— Eu confio a produção nas mãos de Obadiah, você sabe que... Ah Doutor, quanto tempo. Pepper cumprimente o médico.
— Tony é sério, você vai tirar dois dias? Oi doutor Strange.
Strange estava surpreso em saber que era reconhecido pela famosa Pepper Potts, mecanicamente, mas ainda sim o ego de Stephen era aflorado demais e gostava disso.
— Bom dia senhorita Potts.
— Tony você vai precisar atender todas as minhas ligações, eu vou te representar, mas você vai me dar uma bonificação por isso!
— Te darei até duas, eu amo você! — apesar do tom avacalhado, Stephen podia jurar que isso era verdade.
— E doutor, fique de olho nele, Tony passou mal essa semana e...
O Stark se colocou entre os dois.
— Pepper o médico não precisa saber de tudo! — tentou sinalizar para calar sua secretaria que parecia animada demais em descumprir tal ordem.
— Que eu saiba ele é um médico, então como eu dizia doutor...
— Pode deixar que cuidarei da saúde dele, algo em especifico que deva saber? — o “assunto” em questão soltou um xingamento tão alto que até o copiloto que subia a bordo pareceu se assustar.
— Agora estou me sentindo em uma consulta pediátrica e você é minha mãe, Pepper!
— Apenas mantenha ele longe das bebidas, qualquer coisa já pedi a JARVIS que lhe enviasse o meu contato.
O médico assentiu e seguiu atrás de Tony para seu jatinho.
— Não dê atenção ao que Pepper diz, ela está de TPM, sabe como elas ficam loucas nesse período. — o bilionário murmurou sentando-se e seguindo as instruções para iniciar o voo.
— Na realidade ela parecia especialmente preocupada. — recebeu em resposta, enquanto visualizava a destreza dos dedos do doutor ao colocar o cinto.
Sabia muito bem o que aqueles dedos podiam causar, e era extraordinário.
— Stephen, apenas não ligue para ela.
Aquele seria uma viagem longa e ambos sabiam. Ainda assim, parecia que o voo seria desconfortante em determinados momentos, passar tanto com alguém que até então era apenas colega de cama poderia ser evasivo se comparado a um fim de semana inteiro.
Ambos compreendiam isso, então o primeiro a quebrar o silencio estranhamente foi o neurocirurgião.
— Você tem ouvido as coisas sobre o tal Hulk? — Stephen perguntou, e pelo olhar de Tony, era bem nítido que havia sido uma péssima escolha de questão.
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