QUANDO O CORAÇÃO RECONHECE

4 CAPÍTULO 3 -Apenas uma inconsistência



Na manhã seguinte, Sarah Swan chegou à Black Corporation com uma decisão tomada.

Não contaria a ninguém sobre os pagamentos que encontrara.

Pelo menos, não ainda.

Sentada diante dos três monitores de sua mesa, ela voltou a abrir os arquivos da VGI Strategic Consulting e releu, pela terceira vez naquela manhã, os documentos que havia separado na noite anterior.

Havia um contrato perfeitamente válido.

Notas fiscais regularmente emitidas.

Autorizações internas.

Comprovantes de transferências bancárias.

Registros contábeis aparentemente corretos.

E o nome de Aro Volturi aparecia em boa parte dos documentos porque ele era justamente um dos responsáveis pelas relações estratégicas da Black Corporation havia muitos anos.

Nada daquilo provava qualquer irregularidade.

Na verdade, Sarah sequer sabia se existia uma irregularidade.

O que havia era uma sensação.

E Sarah Swan não acusava pessoas baseada em sensações.

Principalmente quando aquela pessoa era Aro.

Ela recostou-se na cadeira e retirou os óculos por alguns segundos, massageando a região entre os olhos.

Conhecia Aro desde que era criança. Ele frequentava a casa de Billy antes mesmo de Sarah entender o que significava a palavra “corporação”. Estivera presente em aniversários, churrascos, festas de fim de ano e inúmeros almoços de domingo. Billy confiava nele quase como em um irmão.

Jacob também.

Por isso, contar a Jacob naquele momento seria absurdo.

— Certo — murmurou, recolocando os óculos. — Vamos começar de novo. Você é apenas uma empresa. Eu sou apenas uma analista. Não existe conspiração nenhuma e, provavelmente, daqui a duas horas eu vou descobrir que estou perdendo tempo.

— Você está conversando com a planilha ou existe alguém muito pequeno dentro do computador?

Sarah levou tamanho susto que bateu os joelhos na parte inferior da mesa.

— Ai! Droga!

Virou-se.

Paul Lahote estava parado atrás dela, segurando um copo de café e sorrindo como se tivesse acabado de realizar a maior proeza de sua vida.

Sarah levou a mão ao peito.

— Qual é o seu problema?

— Tenho vários. Você vai precisar ser mais específica.

— Você não sabe chegar perto de uma pessoa fazendo barulho?

Paul franziu a testa.

— Eu fiz barulho.

— Não fez!

— Eu abri a porta, caminhei até aqui e respirei várias vezes. Acho que cumpri todas as exigências básicas de um ser humano em movimento.

— Respirar não é aviso de aproximação, Paul!

— Talvez você esteja concentrada demais. Isso não é culpa minha.

Sarah estreitou os olhos.

— Um dia eu vou te acertar com alguma coisa pesada.

— Isso me preocupa menos do que deveria porque conheço sua pontaria.

Ela pegou o grampeador.

Paul imediatamente levantou as mãos.

— Certo. Retiro o que disse. Excelente pontaria. Olímpica. Uma verdadeira atleta.

Sarah colocou o grampeador de volta.

— Covarde.

— Sobrevivente.

Ele então inclinou ligeiramente o corpo para olhar os monitores.

Sarah percebeu e mudou de janela.

Paul arqueou uma sobrancelha.

— Opa.

— O quê?

— Isso.

— Isso o quê?

— Você fechou a tela quando eu tentei olhar.

— Porque você é intrometido.

— Sarah, nós trabalhamos juntos há anos. Eu conheço seus níveis de segredo. Quando você minimiza uma tela devagar, é trabalho confidencial. Quando fecha rápido desse jeito, existem duas possibilidades: ou você está investigando alguma coisa ou finalmente descobriu pornografia.

Sarah ficou olhando para ele.

— Às oito e meia da manhã?

Paul pensou seriamente.

— Reconheço que seria um horário pouco convencional.

— Obrigada.

— Então está investigando alguma coisa.

Sarah abriu a boca.

— Bom dia, crianças!

A voz de Emmett salvou-a.

Ele entrou carregando um saco grande de papel.

Sarah imediatamente abandonou Paul.

— Você trouxe comida?

Emmett abraçou o saco contra o peito.

— Interessante. Nem perguntou como estou.

— Como você está?

— Muito bem.

— Ótimo. Agora me dá comida.

Paul começou a rir.

— Ela tem sentimentos muito profundos.

— Tenho. Principalmente por carboidratos.

Emmett abriu o saco.

— Croissants.

Sarah levantou-se tão rapidamente que quase empurrou a cadeira contra Paul.

— Dois.

— Um.

— Emmett, eu não tomei café da manhã.

— Isso é mentira. Você sempre toma.

— Hoje foi pouco.

— O que comeu?

Sarah pensou.

— Café.

— Café não é comida.

— Coloque leite e passa a ser.

Paul aproximou-se.

— Eu apoio esse raciocínio.

Emmett retirou um croissant.

— Um.

Sarah tentou pegar outro.

Ele levantou o saco.

A diferença de altura tornou qualquer tentativa inútil.

— Isso é abuso de poder físico.

— Isso é controle de estoque.

— Sou analista financeira. Controle de estoque deveria ser comigo.

— Você come o estoque.

— Exatamente. Tenho conhecimento profundo do produto.

Paul gargalhou.

Sarah finalmente conseguiu agarrar o saco.

Emmett puxou.

— Solta.

— Me dá outro.

— Você já tem um!

— Tenho fome!

— Vai almoçar!

— Faltam quatro horas!

— Três e meia.

— Meu organismo não trabalha com aproximações!

Paul olhava de um para o outro como se assistisse a uma partida de tênis.

— Posso dizer uma coisa?

Os dois responderam juntos:

— Não!

Paul levou a mão ao peito.

— É impressionante como sou desrespeitado nesta empresa.

Sarah finalmente soltou o saco.

— Você é respeitado proporcionalmente à sua utilidade.

— Então por que Emmett recebe respeito?

— Ele trouxe croissant.

Emmett ergueu o saco, orgulhoso.

— Finalmente meu valor profissional foi reconhecido.

Sarah mordeu o croissant e apontou para Paul.

— Aprenda.

Paul olhou para o café que carregava.

— Eu trouxe café.

— Para você.

— Porque eu tenho amor-próprio.

— Única pessoa aqui que tem amor por você.

— Você me ama.

Sarah mastigou lentamente.

— Existem alegações nesse sentido, mas nenhuma prova conclusiva.

— Vinte anos de amizade não servem?

— Evidência circunstancial.

Emmett riu.

— Ela passou tempo demais com Leah.

— Não coloque a culpa na advogada — Sarah respondeu. — Minha personalidade já era ruim antes.

E, por alguns minutos, a VGI Strategic Consulting desapareceu de seus pensamentos.

Era justamente por isso que Sarah amava aqueles idiotas.


O trabalho verdadeiro não desapareceu, contudo.

Naquela semana, Jacob havia iniciado uma reorganização administrativa na Black Corporation. Assumir definitivamente o lugar de Billy não significava apenas ocupar a sala da presidência. Significava provar — principalmente para si mesmo — que era capaz de comandar o império que o pai construíra.

Sarah percebia a pressão que ele escondia.

Jacob nunca falaria sobre isso.

Por isso ela também não perguntava diretamente.

Às dez e quinze, o telefone de sua mesa tocou.

O visor mostrou:

PRESIDÊNCIA.

Sarah olhou para ele.

— Não.

O telefone continuou tocando.

— Eu não estou aqui.

Tocou novamente.

— Morri.

Quarto toque.

Sarah suspirou e atendeu.

— Sarah Swan faleceu tragicamente durante o expediente. Para assuntos financeiros, pressione um. Para reclamações, pressione dois. Para falar com o presidente arrogante desta empresa, desligue e reavalie suas escolhas de vida.

Houve dois segundos de silêncio.

Então Jacob respondeu:

— Que pena. Ela me devia um relatório.

Sarah sorriu.

— Você não tem respeito pelos mortos?

— Tenho. Só não tenho pelos funcionários que deveriam ter entregue a projeção do próximo trimestre há quinze minutos.

— A projeção está pronta.

— Excelente. Então por que não está na minha mesa?

Sarah olhou para a pasta ao lado do teclado.

— Porque minha mesa é mais bonita.

— Sarah.

— Jacob.

— Tenho uma reunião em vinte minutos.

— E eu sinto muito por todas as pessoas obrigadas a participar dela.

— Você está particularmente insolente hoje.

— Estou com fome.

— Isso explica muita coisa.

Sarah apoiou o cotovelo na mesa.

— Sabe que existe uma invenção extraordinária chamada correio eletrônico, não sabe? Posso mandar o relatório para você sem precisar atravessar o andar.

— Quero a versão impressa.

— Você odeia árvores.

— Sarah.

Ela sorriu.

— Peça direito.

— Eu sou seu chefe.

— Exatamente. Está na hora de desenvolver habilidades sociais.

Jacob soltou um suspiro audível.

— Por favor, senhorita Swan, poderia trazer a projeção financeira para minha sala antes que eu envelheça esperando?

Sarah ficou em silêncio.

— O que foi? — ele perguntou.

— Estou emocionada.

— Não começa.

— Você disse “por favor”.

— Eu retiro.

— Tarde demais. Vou contar para Paul e Emmett.

— Sarah...

— Talvez eu faça uma placa.

— Cinco minutos.

— Quero sete.

— Por quê?

— Porque gosto de negociar.

— Seis.

— Sete e não conto para ninguém que você foi educado.

Jacob riu.

— Fechado.

— Sabia que aprenderia.

— Traga o relatório.

— Sim, senhor presidente.

Ela desligou.

Olhou para o telefone e sorriu.

Então percebeu que Paul a observava da porta.

— O quê?

Ele estava sorrindo.

— Nada.

— Por que está com essa cara?

— Que cara?

— Essa cara idiota.

— Estava apenas admirando a relação estritamente profissional entre a analista financeira e o presidente.

Sarah pegou o grampeador.

Paul desapareceu.


Exatamente sete minutos depois, Sarah saiu do financeiro.

Antes, porém, conferiu tudo.

Relatório.

Caneta.

Celular.

Óculos.

Dignidade.

A última era discutível.

Chegou à presidência e cumprimentou Sue.

— Ele está sozinho?

— Está esperando você.

Sarah apontou para a porta.

— Irritado?

— Ainda não.

— Ótimo.

Abriu a porta sem bater.

Jacob levantou os olhos.

— Um dia você vai aprender para que serve essa porta.

Sarah fechou-a atrás de si.

— Para entrar e sair.

— Existe uma etapa intermediária chamada bater.

— Depois de vinte anos?

— Estamos numa empresa.

— Você me viu de pijama do Mickey quando eu tinha doze anos.

— Infelizmente é uma imagem que nunca consegui apagar.

Sarah colocou a pasta sobre a mesa.

— E você usava cueca do Homem-Aranha.

Jacob ficou imóvel.

— Eu tinha dez anos.

— E eu tenho provas fotográficas.

— Você não ousaria.

— Experimente me demitir.

Ele apontou para a cadeira.

— Senta antes que eu realmente considere essa possibilidade.

Sarah sentou-se satisfeita.

Jacob abriu o relatório.

Ela ficou observando enquanto ele analisava as páginas.

A expressão dele era séria.

Concentrada.

Sarah conhecia cada uma daquelas pequenas mudanças.

Quando Jacob franzia levemente a testa daquele jeito, estava calculando alguma coisa.

Quando passava o polegar pela borda do papel, estava preocupado.

Quando afrouxava a gravata antes do almoço, tinha dormido pouco.

Sarah percebeu.

— Quanto você dormiu?

Jacob continuou lendo.

— Bom dia para você também.

— Estou falando sério.

— Eu dormi.

— Isso não responde.

— Umas cinco horas.

Sarah fez uma careta.

— Jacob.

— O quê?

— Você não pode administrar uma empresa dormindo cinco horas por noite.

Ele levantou os olhos.

— Engraçado ouvir isso da mulher que já me mandou uma planilha às três e vinte da manhã.

— Aquilo foi uma exceção.

— Foram quatro exceções no mesmo mês.

— Era fechamento trimestral.

— E agora é minha primeira reorganização administrativa como presidente.

Sarah perdeu parte do sorriso.

— Está nervoso?

Jacob voltou para o documento.

— Não.

— Mentira.

— Sarah...

— Eu te conheço.

Ele ficou quieto.

Sarah inclinou-se sobre a mesa.

— Você sabe que não precisa provar nada para ninguém, não sabe?

Jacob levantou os olhos.

Ela continuou:

— Billy não te entregou a presidência porque você é filho dele. Se fosse apenas isso, teria feito há anos. Ele esperou até achar que você estava pronto.

— Você está defendendo meu pai?

— Não se acostume.

Jacob sorriu.

Sarah apontou para ele.

— E não estou dizendo que você é maravilhoso. Seu ego já ocupa espaço suficiente neste prédio. Só estou dizendo que talvez pudesse dormir mais de cinco horas sem a Black Corporation entrar em colapso.

— Você está preocupada comigo?

— Estou preocupada com meu emprego. Se você morrer, não sei quem assume.

Jacob riu.

— Sabia que havia interesse financeiro.

— Sempre.

Ele voltou a olhar o relatório.

— Está muito bom.

Sarah colocou a mão no peito.

— Você me elogiou duas vezes em menos de vinte e quatro horas. Primeiro disse que eu estava bonita, agora que meu relatório está bom. Você precisa fazer exames.

Jacob ergueu uma sobrancelha.

— Eu disse que estava muito bom.

— Pior ainda.

— Sarah...

— Pode ser tumor.

— Sai da minha sala.

Ela começou a rir.

Ao levantar-se, os óculos escorregaram.

Sarah os empurrou de volta.

Jacob observou o gesto.

— Você nunca pensou em usar lentes?

Ela olhou para ele.

— Já usei.

— Quando?

— Aos dezenove.

— Não lembro.

— Porque durou três dias. No terceiro dia, passei quarenta minutos tentando tirar uma lente que já tinha caído.

Jacob começou a rir.

— Não tem graça!

— Você ficou quarenta minutos cutucando o próprio olho?

— Eu estava desesperada!

— Como não fiquei sabendo disso?

— Porque ainda tenho algum instinto de preservação.

Ele continuou rindo.

Sarah apontou para os dentes.

— Pode rir. Você também nunca precisou usar isso.

— Quanto tempo falta?

— Segundo meu ortodontista, “mais alguns meses”.

— Ele diz isso há três anos.

— Exatamente. Acho que ele está apaixonado por mim e prolonga o tratamento para continuar me vendo.

Jacob parou de rir.

Sarah não percebeu.

— Talvez eu devesse denunciá-lo por sequestro odontológico.

— Troca de ortodontista.

Ela olhou para ele.

— O quê?

— Se você acha que ele está prolongando sem necessidade, troca.

Sarah riu.

— Eu estava brincando.

— Eu sei.

— Então por que ficou sério?

Jacob voltou para os papéis.

— Não fiquei.

Sarah o observou.

— Ficou.

— Vai trabalhar.

— Mudança de assunto. Sinal clássico de culpa.

— Sarah.

— Está bem.

Ela caminhou até a porta.

Antes de sair, olhou para trás.

— Dorme hoje.

Jacob sorriu.

— Você também.

— Eu sempre durmo.

— Às três e vinte da manhã?

Sarah abriu a porta.

— Aquilo foi uma exceção!

A risada dele a acompanhou até o corredor.


De volta à própria mesa, Sarah abriu novamente os documentos da VGI.

Mas dessa vez mudou a abordagem.

Se havia alguma coisa errada, não descobriria procurando aquilo que parecia errado.

Precisava descobrir o que parecia igual.

Começou pelo cadastro do fornecedor.

Razão social.

Endereço.

Telefone.

Representante.

Banco.

Conta.

Depois procurou contratos semelhantes.

Uma hora se passou.

Nada.

Mais quarenta minutos.

Então Sarah encontrou um número de telefone.

O mesmo telefone cadastrado para a VGI aparecia associado a outra empresa.

Orpheus Holdings.

Sarah aproximou o rosto da tela.

— Interessante.

Abriu o cadastro da Orpheus.

Endereço diferente.

Atividade diferente.

Conta bancária diferente.

Mas o telefone era idêntico.

Ela pegou um bloco e anotou.

Não significava nada.

Duas empresas podiam compartilhar um escritório.

Podiam usar o mesmo contador.

O mesmo representante.

Uma central administrativa.

Havia dezenas de explicações.

Sarah não queria encontrar um crime.

Queria encontrar uma explicação.

Por isso não contou a Jacob.

Ainda não.


— Isso não é uma saia.

Sarah levantou os olhos.

Alice Cullen estava parada diante de sua mesa.

Sarah olhou para a própria roupa.

— Tenho quase certeza de que é.

— Não. É um pedido de socorro costurado em tecido marrom.

— Eu gosto dela.

Alice aproximou-se.

— Você combinou marrom com roxo.

— Combina.

— Onde?

— Na natureza.

Alice ficou em silêncio.

— Mostre.

Sarah apontou para si mesma.

— Aqui.

Alice fechou os olhos.

— Você é a razão pela qual eu acordo cansada.

Sarah sorriu.

— Também senti sua falta.

Alice puxou uma cadeira.

— Vamos almoçar.

— Não posso.

— Pode.

— Tenho trabalho.

— Sarah, são quase duas da tarde.

Ela olhou para o relógio.

— Mentira.

Alice mostrou o celular.

— Uma e quarenta e sete.

— Droga.

Alice a observou por alguns segundos.

— O que está acontecendo?

— Nada.

— Não faça isso comigo.

Sarah franziu a testa.

— Fazer o quê?

— Essa coisa de fingir que está tudo normal quando sua cabeça está em outro lugar.

Sarah fechou lentamente a planilha.

— Só estou trabalhando.

— Você trabalha todos os dias. Hoje está diferente.

Sarah sorriu.

— Talvez eu esteja amadurecendo.

Alice soltou uma gargalhada.

— Agora tenho certeza de que alguma coisa está errada.

— Muito engraçado.

Alice segurou a mão dela.

— É alguma coisa séria?

Por um instante, Sarah pensou em contar.

Alice era sua melhor amiga.

Além de Jacob, talvez fosse a pessoa que mais a conhecia.

Mas Sarah ainda não tinha nada.

E conhecia Alice.

Se dissesse que encontrara pagamentos estranhos, em vinte minutos Alice estaria preocupada, Paul estaria tentando investigar por conta própria e Emmett provavelmente sugeriria invadir algum prédio.

— Não — respondeu. — É só uma inconsistência em alguns lançamentos. Provavelmente não vai dar em nada.

Alice a observou.

— Tem certeza?

— Tenho.

Era uma mentira pequena.

Sarah não tinha certeza de nada.

Alice apertou sua mão.

— Então vem comer. Porque, se você desmaiar em cima de uma planilha, eu me recuso a explicar para Jacob que deixei você morrer de fome.

Sarah pegou a bolsa.

— Ele provavelmente me ressuscitaria só para brigar comigo.

— Provavelmente.

— Homem irritante.

Alice sorriu.

— Muito.

Sarah não percebeu o modo como Alice a observou quando disse aquilo.


Paul e Emmett já estavam no restaurante.

Sarah sentou-se e imediatamente percebeu que os dois estavam estranhamente sérios.

Isso nunca era bom.

Paul cruzou as mãos sobre a mesa.

— Sarah, precisamos conversar.

Ela olhou para Emmett.

Ele estava igualmente grave.

— O que aconteceu?

Paul respirou fundo.

— É sobre Jacob.

O coração de Sarah apertou.

— O que tem ele?

Paul olhou para Emmett.

Emmett assentiu lentamente.

— É difícil dizer.

Sarah largou o cardápio.

— Vocês estão me assustando. Aconteceu alguma coisa com ele?

Paul inclinou-se.

— Ele está pensando em trocar...

Pausa.

Sarah esperou.

— ...a máquina de café do décimo oitavo andar.

Silêncio.

Emmett não aguentou.

Começou a gargalhar.

Sarah continuou imóvel.

Paul também perdeu a compostura.

— Vocês são dois imbecis.

— Você devia ter visto sua cara! — Emmett conseguiu dizer.

— Eu achei que tivesse acontecido alguma coisa!

Paul enxugou os olhos.

— Aconteceu! O café novo pode ser horrível!

Sarah pegou um guardanapo.

— Não faça isso — Alice avisou.

Sarah atirou.

Paul desviou.

— Errou!

— Sarah — Alice chamou.

Outro guardanapo voou.

Emmett pegou.

— Munição!

— Não dê para ela!

Tarde demais.

Poucos minutos depois, Alice estava com o rosto escondido nas mãos enquanto três adultos perfeitamente funcionais travavam uma guerra de guardanapos num restaurante.

Foi assim que Jacob os encontrou.

Parou ao lado da mesa.

Olhou para o chão.

Depois para Sarah, que ainda segurava dois guardanapos.

— Eu realmente quero saber?

Sarah apontou imediatamente para Paul.

— Ele começou.

— Mentira!

— Ele disse que você ia trocar a máquina de café!

Jacob ficou sério.

— Eu vou.

Os três pararam.

Sarah abaixou os guardanapos.

— Você o quê?

— O contrato termina este mês.

Paul levou a mão ao coração.

— Então não era mentira.

Emmett olhou para ele.

— Você é um profeta.

Sarah apontou para Jacob.

— Espero que a nova seja boa.

— Isso é uma ameaça?

— É um aviso da equipe.

Jacob olhou para Alice.

— Você participa disso?

Alice tomou um gole de água.

— Não conheço essas pessoas.

Jacob riu e puxou uma cadeira.

Sarah percebeu como aquilo era natural.

Jacob simplesmente chegava.

Sentava.

Entrava na conversa.

Fazia parte dela.

Como sempre fizera parte de tudo.

Talvez por isso fosse tão difícil imaginar uma vida na qual ele não estivesse.


Rosalie apareceu alguns minutos depois.

Sarah percebeu primeiro o perfume.

Depois viu Paul interromper a piada no meio.

Rosalie caminhava com duas mulheres em direção a uma mesa mais ao fundo.

Quando viu Jacob, mudou o caminho.

— Jacob.

Ele levantou-se por educação.

— Rosalie.

Ela beijou seu rosto.

— Não sabia que vinha aqui.

— Decisão de última hora.

Rosalie cumprimentou os demais.

Quando chegou a Sarah, seus olhos percorreram discretamente sua roupa.

— Sarah. Que saia... interessante.

Sarah olhou para Alice.

Alice mordeu o lábio para não rir.

Sarah voltou-se para Rosalie.

— Obrigada.

— É uma combinação bastante corajosa.

Sarah sorriu.

— Sempre admirei pessoas capazes de dizer “horrível” usando muitas palavras.

Paul abaixou a cabeça.

Emmett tossiu.

Rosalie sustentou o sorriso.

— Você continua com o mesmo senso de humor.

— E você continua com a mesma sutileza. É reconfortante saber que algumas coisas não mudam.

Jacob olhou de uma para a outra.

— Estou perdendo alguma coisa?

— Nada — Sarah respondeu.

Rosalie tocou o braço dele.

— Podemos conversar mais tarde?

— Sobre o quê?

— Prefiro falar em particular.

Sarah imediatamente pegou o copo.

Não era da conta dela.

Jacob e Rosalie tinham uma história.

Aquilo fazia parte da vida dele.

Uma parte na qual Sarah nunca entraria.

Rosalie despediu-se e seguiu para a própria mesa.

Jacob continuou olhando para Sarah.

— O que foi aquilo?

— Aquilo o quê?

— A conversa sobre sua roupa.

Sarah deu de ombros.

— Rosalie não gostou da minha saia.

— E?

— E ela tem olhos. Não posso culpá-la.

Alice protestou:

— Eu tentei impedir.

Sarah apontou.

— Está vendo? Consenso.

Jacob franziu a testa.

— Eu não achei feia.

Sarah olhou para ele.

Depois para a própria saia.

— Jake, você usou uma bermuda laranja durante dois verões inteiros. Sua opinião sobre moda foi judicialmente invalidada.

Paul bateu na mesa.

— Eu lembro da bermuda!

Emmett começou a rir.

— Aquilo brilhava no escuro!

Jacob apontou para os dois.

— Vocês eram meus amigos.

— Éramos crianças — Paul respondeu. — Não tínhamos maturidade para intervir.

Sarah riu.

E o assunto morreu.

Mas Jacob ainda olhou para ela algumas vezes durante o almoço.


No final da tarde, Sarah saiu do elevador olhando uma mensagem no celular e quase bateu em alguém.

Duas mãos seguraram seus braços.

— Cuidado!

Ela levantou a cabeça.

— Aro!

Ele riu.

— Sarah Swan. Vinte anos depois e eu ainda preciso impedir que você colida com alguma coisa.

Ela guardou o celular.

— Tecnicamente foi você que apareceu na minha trajetória.

— Naturalmente.

— Finalmente alguém entende.

Aro soltou seus braços e a observou com o carinho divertido de quem a conhecia havia muito tempo.

— Como você está?

— Cansada.

— Trabalhando demais?

— Seu afilhado corporativo acredita que seres humanos funcionam sem descanso.

Aro riu.

— Não diga isso a Jacob.

— Eu digo coisas piores na cara dele.

— Isso é verdade.

Sarah sorriu.

Aro balançou a cabeça.

— Você sabe que é uma das poucas pessoas deste prédio que ainda fala com ele exatamente como falava antes de ele assumir a presidência?

— Alguém precisa manter aquele ego sob controle.

— Billy costumava dizer exatamente isso.

O sorriso de Sarah aumentou.

— Billy é um homem sábio.

— Billy também dizia que você seria a pessoa que impediria Jacob de se tornar insuportável.

— Missão impossível.

Aro riu.

Por alguns segundos, ficaram conversando como faziam havia anos.

Sem tensão.

Sem suspeita.

Apenas familiaridade.

— E você? — Sarah perguntou. — Ainda planejando dominar a Europa?

— Estou tentando convencer seu amigo de que expansão exige paciência.

— Boa sorte. Jacob acha que paciência é o intervalo entre mandar uma ordem e perguntar por que ainda não foi cumprida.

— Posso citar você?

— Se quiser provocar minha demissão.

Aro sorriu.

— Ele jamais demitiria você.

Sarah fez uma careta.

— Porque sou excelente.

— Também.

Ela percebeu a palavra.

— Também?

Aro olhou para ela como se a resposta fosse evidente.

— Sarah, você realmente não sabe?

— Saber o quê?

Ele sorriu.

— Nada.

— Odeio quando fazem isso.

— Então não vou estragar a descoberta.

Sarah ficou olhando para ele.

— Que descoberta?

Aro apenas riu.

— Diga a Jacob que preciso falar com ele amanhã sobre a expansão europeia.

— Diga você.

— Insolente.

— Velho.

Aro levou a mão ao peito.

— Isso foi cruel.

Sarah sorriu.

— Até amanhã, Aro.

— Até amanhã, querida.

Sarah seguiu pelo corredor.

Não olhou para trás.

Não havia motivo.

Naquele momento, Aro Volturi era uma das últimas pessoas de quem ela desconfiaria.


Naquela noite, Sarah espalhou alguns documentos no chão do quarto.

Isabella apareceu na porta e ficou olhando.

— Posso fazer uma pergunta?

— Depende.

— Você tem uma mesa.

Sarah continuou escrevendo.

— Tenho.

— Tem uma escrivaninha.

— Também.

— Tem uma cama.

— Sim.

— Então por que está trabalhando sentada no chão?

Sarah levantou os olhos.

— Gosto do chão.

Isabella apontou.

— Você reclama que o chão tenta te matar.

— Nós temos uma relação complicada.

Isabella entrou.

— Isso é trabalho?

— É.

— De novo?

— Estou conferindo alguns fornecedores.

Isabella sentou-se na cama.

— Tem problema?

Sarah pensou.

— Ainda não sei.

— E quando você vai saber?

— Quando os números pararem de me fazer perguntas e começarem a me dar respostas.

Isabella ficou alguns segundos em silêncio.

— Às vezes esqueço que você é realmente inteligente.

Sarah jogou uma caneta nela.

— Muito obrigada.

Isabella riu.

— É que você acabou de tropeçar numa almofada antes de entrar no quarto.

— A inteligência e a coordenação motora são administradas por departamentos diferentes.

— Claramente.

Sarah voltou aos documentos.

— Pediu comida?

— Pizza.

Ela levantou a cabeça.

— Eu te amo.

— Eu sei.

Isabella saiu.

Sarah voltou à VGI.

Depois à Orpheus.

Mesmo telefone.

Nada mais.

Talvez coincidência.

Ela abriu a gaveta.

Pegou um pequeno pendrive.

Ficou olhando para ele.

Não havia motivo para aquilo.

Ainda assim, Billy lhe ensinara muito cedo uma regra básica de trabalho:

documento importante nunca deveria existir em apenas um lugar.

Sarah conectou o pendrive.

Criou uma pasta.

Pensou no nome.

Digitou:

REVISÃO FINANCEIRA

Copiou o contrato da VGI.

Os pagamentos.

O cadastro da Orpheus.

As anotações que fizera.

Era pouco.

Quase nada.

Retirou o pendrive e colocou dentro de uma pequena caixa no fundo da gaveta.

Não sabia que acabara de criar aquilo que, meses depois, se tornaria o registro mais importante de sua vida.

Naquele momento era apenas uma cópia de segurança.


No dia seguinte, Jacob estava irritado.

Sarah percebeu assim que entrou na sala.

Ele estava diante da janela, falando ao telefone.

— Não, eu quero o relatório completo. Se a projeção está errada, refaçam. Não vou apresentar um número em que não confio apenas porque alguém decidiu que o prazo era mais importante que a precisão.

Sarah sentou-se sem dizer nada.

Jacob encerrou a ligação.

Ela observou seu rosto.

— Quem morreu?

— Ninguém.

— Quem você quer matar?

Ele olhou para ela.

— Por que presume que quero matar alguém?

Sarah apontou para sua testa.

— A veia.

Jacob tocou a testa.

— Que veia?

— A sua veia de irritação.

— Eu tenho uma veia de irritação?

— Tem. Aparece aqui.

Ela levantou-se e tocou com o indicador um ponto entre as sobrancelhas dele.

— Quando está levemente irritado, fica quase invisível. Quando está muito irritado, parece que vai explodir.

Jacob segurou a mão dela.

— Você passa tempo demais me observando.

Sarah congelou por uma fração de segundo.

— Convivo com você desde criança. É questão de sobrevivência.

Ele ainda segurava sua mão.

Sarah olhou para os dedos dele ao redor dos seus.

Jacob percebeu.

Soltou.

— Problema com a projeção europeia.

Sarah sentou novamente.

— Aro comentou ontem que queria falar com você sobre isso.

— Ele vai me salvar.

Sarah riu.

— Sabia que você gostava mais dele do que de mim.

— Aro não joga objetos em mim.

— Ainda.

— Nem insulta minhas roupas.

— Porque seus ternos são bons.

Jacob sorriu.

O silêncio que se seguiu foi confortável.

Então ele fechou a pasta que estava lendo.

— Almoça comigo hoje?

Sarah levantou os olhos.

— Nós sempre almoçamos.

— Com Paul, Emmett, Alice, metade do prédio e, eventualmente, pessoas que ninguém convidou.

— Eles são sociáveis.

— Eles são parasitas.

Sarah riu.

— Então você está me convidando para um almoço sem os parasitas?

— Exatamente.

Ela tentou fazer a pergunta soar casual.

— Só nós dois?

— Só nós dois.

Seu coração respondeu antes dela.

Sarah ignorou.

— Por quê?

Jacob inclinou a cabeça.

— Preciso de motivo para querer almoçar com minha melhor amiga?

A frase deveria ser boa.

Era carinhosa.

Segura.

Mas ainda assim atingiu exatamente o lugar que Sarah tentava proteger havia anos.

Minha melhor amiga.

Claro.

Ela sorriu.

— Não.

— Então uma hora?

— Uma hora.


Jacob a levou a um pequeno restaurante que frequentavam desde a adolescência.

Quando Sarah viu a fachada, sorriu.

— Você está brincando.

— O quê?

— Faz anos que não venho aqui.

— Eu sei.

— Ainda existe?

— Evidentemente.

Sarah saiu do carro.

— Se ainda tiver aquele milk-shake de chocolate, eu retiro metade das coisas ruins que já disse sobre você.

Jacob caminhou ao lado dela.

— Só metade?

— Não exagere.

Sentaram-se na mesma mesa junto à janela onde haviam passado inúmeras tardes quando eram mais jovens.

Sarah olhou ao redor.

— Meu Deus. Lembra quando Paul tentou sair sem pagar?

— Ele não tentou sair sem pagar. Ele esqueceu a carteira.

— E descobriu depois de comer dois hambúrgueres.

— Você também estava sem dinheiro.

— Eu tinha quinze anos!

— E eu paguei para todo mundo.

Sarah sorriu.

— Você sempre pagava.

— Porque vocês eram aproveitadores.

— Éramos pobres.

— Eu também tinha quinze anos.

— Mas era filho do Billy.

Jacob riu.

O garçom trouxe os cardápios.

Sarah nem abriu.

— Hambúrguer, batata e milk-shake.

Jacob olhou para ela.

— Ainda?

— Algumas coisas são sagradas.

Ele pediu praticamente a mesma coisa.

Quando ficaram novamente sozinhos, Sarah apoiou o queixo na mão.

— Então por que me trouxe aqui?

— Eu disse. Queria almoçar com você.

— Você está sentimental.

— Talvez.

— Está doente?

— Por que toda vez que sou gentil você presume uma doença?

— Experiência.

Jacob sorriu.

Depois ficou mais sério.

— Você acha que estou fazendo um bom trabalho?

Sarah não esperava a pergunta.

— Como presidente?

Ele assentiu.

Ela deixou a brincadeira de lado.

— Acho.

— Não precisa responder porque é minha amiga.

— Justamente porque sou sua amiga é que vou responder a verdade.

Jacob esperou.

Sarah continuou:

— Você está tentando fazer trabalho demais sozinho porque acha que precisa provar que merece a cadeira do Billy. Está dormindo pouco, revisando coisas que poderia delegar e provavelmente enlouquecendo metade dos diretores.

Jacob sorriu.

— Isso parece um “não”.

— Ainda não terminei.

Ela inclinou-se um pouco.

— Você escuta as pessoas. Mesmo quando finge que não. Não toma decisão só para mostrar autoridade. Conhece a empresa desde baixo, conhece os funcionários e, principalmente, sabe admitir quando não entende alguma coisa. Isso já coloca você na frente de muita gente.

Jacob ficou quieto.

Sarah sorriu.

— Então sim. Acho que você vai ser um excelente presidente. Só precisa parar de tentar se tornar Billy.

Ele a encarou.

— Eu faço isso?

— Faz.

— Nunca pensei.

— Billy construiu a empresa. Você vai comandá-la do seu jeito. Não precisa ser igual a ele.

Jacob ficou alguns segundos em silêncio.

— Sabe por que eu queria almoçar com você?

— Porque sou encantadora.

— Também.

Sarah riu.

— Cuidado. Terceiro elogio em dois dias.

— Eu queria ouvir isso de alguém que não tem obrigação de me agradar.

Sarah apontou para si mesma.

— Escolheu a pessoa certa.

— Definitivamente.

A comida chegou.

Sarah pegou uma batata do prato dele.

Jacob olhou para a própria porção.

— Você tem batata.

— A sua parece melhor.

— É igual.

— Então não deveria se importar.

Pegou outra.

Jacob puxou o prato.

— Peça mais.

— Egoísta.

— Ladra.

Sarah tentou alcançar.

Jacob afastou.

— Jake!

— Você tem as suas!

— Não quero as minhas!

— Por quê?

— Porque agora quero as suas!

A mulher da mesa ao lado olhou.

Sarah percebeu.

Abaixou a voz.

— Está vendo? Você está causando uma cena.

Jacob ficou incrédulo.

— Eu?

Sarah aproveitou a distração e roubou três batatas.

— Vitória.

Jacob começou a rir.

E Sarah também.

Por alguns minutos, ela esqueceu completamente a VGI.

Esqueceu a Orpheus.

Esqueceu os pagamentos.

Esqueceu Rosalie.

Ali, naquele restaurante, eles voltavam a ser apenas Sarah e Jacob.

Os dois adolescentes que dividiam milk-shakes.

Os melhores amigos que conheciam os defeitos um do outro.

O homem que Sarah amava em silêncio.

E a mulher que Jacob amava de uma maneira que ainda não tinha encontrado coragem para confessar.


Naquela noite, Sarah voltou aos números.

Encontrou uma terceira empresa.

Dessa vez, não havia telefone em comum.

Nem endereço.

Nem conta bancária.

Quase fechou a janela.

Então percebeu um nome.

O representante legal da terceira empresa tinha o mesmo sobrenome do representante da Orpheus.

Sarah abriu os dois cadastros.

Leu.

Voltou.

Comparou.

Seu sorriso desapareceu.

— Certo...

Pegou o pendrive.

Copiou os documentos novos.

Agora havia três empresas dentro da pasta.

Ainda não era prova de nada.

Ainda não havia acusação.

Ainda não havia Aro no centro de coisa alguma.

Havia apenas coincidências.

Pequenas.

Discretas.

Espalhadas.

Sarah retirou o pendrive e guardou novamente na caixa.

Depois fechou a gaveta.

Ela não contaria a Jacob.

Não ainda.

Porque, quando olhasse nos olhos do melhor amigo e dissesse que havia alguma coisa errada dentro da empresa construída por Billy, Sarah queria ter certeza.

Não uma suspeita.

Não uma teoria.

Provas.

E somente quando tivesse provas colocaria aquele pequeno pendrive nas mãos de Jacob Black e contaria tudo.

Sarah só não sabia que, quando esse dia finalmente chegasse, alguém estaria disposto a fazer qualquer coisa para impedir que ela chegasse até ele.