QUANDO O CORAÇÃO RECONHECE
2 CAPÍTULO 1 - O problema chamado Sarah Swan
Às oito e quarenta e sete de uma segunda-feira, Sarah Swan já havia derramado café na própria blusa, prendido a bolsa na porta giratória da Black Corporation e quase derrubado um segurança ao tentar soltá-la.
Para qualquer outra pessoa, aquilo talvez pudesse ser considerado uma manhã ruim.
Para Sarah, era segunda-feira.
— Eu estava controlando a situação — afirmou, enquanto o segurança tentava libertar a alça da bolsa.
O homem lançou-lhe um olhar educado.
— Claro, senhorita Swan.
— Você não acredita em mim.
— Não seria profissional responder.
Sarah estreitou os olhos por trás das lentes grossas.
— Gosto de você, Roberto.
— Obrigado.
— Mesmo sendo um covarde.
A porta finalmente libertou a bolsa.
Sarah deu um passo para trás.
Pisou no próprio cadarço.
Cambaleou.
Roberto estendeu os braços.
— Senhorita Swan!
Ela conseguiu recuperar o equilíbrio agarrando-se à lateral do balcão.
Silêncio.
Sarah ajeitou os óculos.
— Viu?
— O quê?
— Controle absoluto.
Roberto assentiu solenemente.
— Impressionante.
— Obrigada.
Sarah entrou no elevador com toda a dignidade possível para uma mulher que carregava uma mancha de café no peito e acabara de perder uma discussão para uma porta giratória.
Quando as portas estavam quase se fechando, uma mão apareceu entre elas.
Sarah reconheceu imediatamente o relógio.
— Não.
As portas tornaram a abrir.
Paul Lahote entrou sorrindo.
Atrás dele veio Emmett Cullen.
Sarah fechou os olhos.
— Deus realmente me abandonou.
— Bom dia para você também, raio de sol — Paul respondeu.
Emmett olhou para a blusa dela.
Depois para o copo de café quase vazio.
Depois novamente para a blusa.
— Você bebeu ou tomou banho?
— As duas coisas.
Paul aproximou o rosto.
— Isso é café?
— Não. É uma nova tendência de moda.
— Alice aprovou?
Sarah fez uma expressão horrorizada.
— Você enlouqueceu? Se Alice descobrir que saí de casa assim, vai me internar.
Emmett analisou o restante da roupa.
Sarah usava uma saia marrom abaixo dos joelhos, uma camisa florida, um cardigã bege e sapatos pretos extremamente confortáveis.
— Acho que o café melhorou.
Sarah virou lentamente o rosto para ele.
— Repete.
Emmett levantou as mãos.
— Eu valorizo minha vida.
Paul apontou para o cardigã.
— Isso é novo?
— É.
— Tem certeza?
— Absoluta.
— Parece antigo.
— Paul.
— Tipo... historicamente antigo.
— Paul.
— Eu diria final dos anos oitenta.
Sarah bateu nele com a bolsa.
— Violência no ambiente corporativo! — Paul protestou.
— Legítima defesa estética.
Emmett gargalhou.
As portas se abriram no décimo oitavo andar.
Sarah saiu primeiro.
— Animais.
— Nós também te amamos! — Emmett gritou.
— Infelizmente — Paul completou.
Sarah mostrou o dedo médio sem olhar para trás.
— Elegante! — Paul comentou.
— Refinada! — Emmett acrescentou.
— Vão trabalhar!
— Ela manda na gente agora? — Paul perguntou.
— Não sei. O cardigã me intimidou.
Sarah já estava rindo quando entrou no departamento financeiro.
Era assim com eles.
Sempre tinha sido.
Paul e Emmett eram perfeitamente capazes de passar vinte minutos insultando sua roupa e outros vinte ameaçando alguém que ousasse fazer exatamente a mesma coisa sem pertencer ao grupo.
Sarah entendia aquela lógica.
Era parecida com a de Jacob.
Eles podiam.
Os outros, não.
Sarah podia ser um desastre com portas, copos, escadas, tapetes e praticamente qualquer objeto colocado no caminho entre o ponto A e o ponto B.
Com números, porém, era outra pessoa.
Sentada diante de três monitores, os cabelos presos num coque que começara organizado e já apresentava sinais de rebelião, Sarah analisava uma projeção financeira com concentração absoluta.
Os óculos deslizavam pelo nariz.
Ela os empurrava de volta sem perceber.
Planilhas se sucediam na tela.
Receitas.
Custos.
Projeções.
Aquisições.
Investimentos.
Sarah encontrava padrões onde outras pessoas viam apenas colunas intermináveis.
Era por isso que Billy Black a contratara ainda muito jovem.
E era por isso que, quando Jacob assumira definitivamente a presidência da companhia, uma das primeiras decisões dele havia sido mantê-la como analista financeira sênior, com acesso direto à presidência.
O telefone tocou.
Sarah continuou olhando para a tela e atendeu.
— Financeiro, Sarah Swan.
— Minha sala.
Ela reconheceu a voz imediatamente.
— Bom dia para você também.
Do outro lado da linha, Jacob soltou uma risada curta.
— Bom dia. Agora, minha sala.
Sarah recostou-se na cadeira.
— Existe uma palavra muito bonita na língua portuguesa chamada “por favor”.
— Estamos nos Estados Unidos.
— Então diga please.
— Sarah.
— Jacob.
— Estou esperando um relatório que deveria estar na minha mesa há dez minutos.
Ela olhou para a pasta azul ao lado do teclado.
— O relatório está pronto.
— Ótimo. Traga.
— Estou terminando outra coisa.
— Quanto tempo?
Sarah olhou para a planilha.
— Dez minutos.
— Cinco.
— Oito.
— Cinco.
— Sete e você me dá café.
Houve uma pausa.
— Você não acabou de tomar café?
Sarah olhou para a mancha enorme na blusa.
— Tecnicamente, parte dele chegou ao destino.
— O que aconteceu?
— Falha estrutural da tampa.
— Você derrubou.
— Acusação sem provas.
Jacob riu.
— Sete minutos.
Sarah sorriu.
— Fechado.
— E Sarah?
— Hum?
— Traga o relatório.
Ela olhou indignada para o telefone.
— Eu ia levar!
— Só estou prevenindo.
— Desliga.
— Sete minutos.
A ligação terminou.
Sarah colocou o telefone no gancho.
— Metido.
Dessa vez, verificou cuidadosamente se realmente havia desligado.
Então olhou para a pasta azul.
Pegou-a e colocou bem no meio da mesa para não correr o risco de esquecê-la.
Sete minutos depois, levantou-se.
Pegou a bolsa.
Deu três passos.
Parou.
Olhou para trás.
A pasta continuava sobre a mesa.
Sarah fechou os olhos.
— Não aconteceu.
Voltou, pegou o relatório e saiu.
A presidência ocupava a parte mais reservada do andar.
Sarah cumprimentou Sue, secretária executiva de Jacob, e apontou para a porta.
— Está sozinho?
Sue assentiu.
— Desde que você não conte o relatório, sim.
Sarah olhou para a pasta.
— As pessoas estão muito engraçadinhas hoje.
Sue sorriu.
Sarah abriu a porta sem bater.
Jacob estava exatamente onde deveria estar: atrás da enorme mesa, lendo alguns documentos.
Ele consultou o relógio.
— Sete minutos e quarenta e nove segundos.
Sarah fechou a porta.
— Você contou?
— Conheço você.
— Isso está começando a parecer obsessão.
Ela caminhou até a mesa e levantou a pasta azul.
— E antes que faça qualquer comentário ofensivo: relatório.
Jacob estendeu a mão.
— Estou impressionado.
Sarah entregou a pasta.
— Eu também. Quase deixei na minha mesa.
Ele levantou os olhos.
— Eu sabia.
— Não precisava saber.
— É exatamente por isso que mandei você lembrar.
— Um dia você vai aprender a confiar em mim.
Jacob abriu a pasta.
— Confio em você com milhões de dólares.
— Viu?
— Só não confio em você para transportar uma pasta por vinte metros.
Sarah apontou para ele.
— Isso é contraditório.
— Isso é experiência.
Ela se jogou na cadeira diante da mesa.
— Billy era um chefe melhor.
— Meu pai ligou ontem perguntando se você estava me dando trabalho.
Sarah sorriu imediatamente.
— Billy me ama.
— Meu pai acredita que você tem doze anos.
— Seu pai reconhece meu espírito jovem.
— Meu pai ainda acha que preciso levar você para casa quando chove.
— Porque ele é sensato.
Jacob folheou algumas páginas.
A sala ainda parecia mais com Billy Black do que com ele.
Móveis escuros, fotografias antigas, prêmios empresariais e uma enorme janela ocupando praticamente toda a parede.
Jacob havia começado a mudar algumas coisas, mas Sarah suspeitava que parte dele ainda se sentia estranho sentado na cadeira que pertencera ao pai durante tantos anos.
Ela o observou por alguns segundos.
O terno escuro.
A camisa branca.
A gravata ligeiramente afrouxada.
Os cabelos negros curtos e desalinhados.
Era profundamente injusto que o menino que passara a infância com os joelhos ralados tivesse se transformado naquilo.
Jacob levantou os olhos de repente.
— O quê?
Sarah piscou.
— Nada.
— Você estava me encarando.
— Estava pensando.
— Perigoso.
Ela pegou um porta-canetas da mesa.
— Repete.
Jacob imediatamente apontou para o objeto.
— Nem pense nisso.
— Medo?
— Presente do meu pai.
Sarah colocou cuidadosamente o porta-canetas no lugar.
— Billy eu respeito.
— Eu sou seu chefe.
— Você eu conheço desde que comia terra.
— Eu tinha quatro anos!
— Continua contando.
Jacob balançou a cabeça, mas estava sorrindo.
Sarah se levantou.
A ponta do sapato prendeu no tapete.
Seu corpo foi para a frente.
Jacob estendeu a mão automaticamente, mas Sarah conseguiu agarrar a cadeira antes de cair.
Os dois ficaram imóveis.
Sarah apontou para ele.
— Não diga nada.
Jacob apertou os lábios.
— Absolutamente nada.
Ele assentiu.
Sarah recuperou a postura.
Ajeitou o cardigã.
Deu dois passos em direção à porta.
— Sarah?
Ela virou-se desconfiada.
— O quê?
Jacob olhou para o tapete.
Depois para ela.
— Ele não se mexeu.
— Eu te odeio.
Jacob riu.
— Também te amo.
Sarah ficou imóvel por uma fração de segundo.
Também te amo.
Para ele, aquilo parecia simples.
Sempre parecera.
Ela era Sarah.
A amiga.
A garota que fazia parte da vida dele desde antes de qualquer um dos dois entender o que significava amar alguém.
Pelo menos era nisso que Sarah acreditava.
— Idiota — murmurou.
E saiu antes que Jacob percebesse que suas bochechas tinham ficado vermelhas.
Rosalie Hale chegou pouco antes do almoço.
Sarah soube antes mesmo de vê-la.
O perfume veio primeiro.
Depois o som dos saltos.
Então Paul apareceu na porta do financeiro com a expressão de alguém anunciando uma catástrofe natural.
— Alerta vermelho.
Sarah continuou digitando.
— Incêndio?
— Pior.
— Auditoria?
— Pior.
Ela levantou os olhos.
Paul aproximou-se dramaticamente.
— Rosalie.
Sarah parou.
Emmett surgiu atrás dele.
— A loira nuclear pousou.
— Vocês dois têm cinco anos?
— Emocionalmente? — Paul perguntou.
— Provavelmente quatro — Emmett respondeu.
Sarah voltou para a tela.
— Ela veio falar com Jacob?
Os dois trocaram um olhar.
Sarah percebeu.
— O quê?
— Nada — Paul respondeu rápido demais.
— Paul.
— Ela está muito bonita — Emmett comentou.
Sarah lançou-lhe um olhar mortal.
— Informação extremamente relevante para minha planilha.
— Só estamos preparando você.
— Para quê?
— Para não olhar.
— Eu não olho.
Paul e Emmett olharam um para o outro.
— Ela olha — disseram juntos.
Sarah tirou os óculos.
— Eu trabalho com dois imbecis.
— Três — disse Alice, entrando.
Sarah gemeu.
— Não.
Alice parou diante dela.
Observou sua roupa.
Depois a mancha de café.
Seu rosto mudou.
— O que aconteceu com você?
— Bom dia, Alice.
— Sarah.
— Estou ótima.
— Sua blusa está manchada.
— Eu sei.
— Seu coque está desmontando.
— É um coque desconstruído.
— E esse cardigã...
— Não começa.
Alice fechou os olhos.
— Eu falhei como amiga.
— Dramática.
— Você trabalha numa multinacional!
— Grupo empresarial.
— Pior ainda!
— Alice...
— E Rosalie Hale está andando por esse corredor parecendo saída de uma campanha de perfume enquanto você está vestida como...
— Cuidado — Sarah avisou.
Alice respirou fundo.
— ...uma mulher extremamente inteligente que tomou decisões questionáveis pela manhã.
Paul aplaudiu.
— Diplomacia.
Sarah sorriu.
— Obrigada.
Então Rosalie apareceu.
Linda era uma palavra insuficiente.
Rosalie sabia exatamente como entrar num ambiente e fazer as pessoas perceberem sua presença.
Vestido elegante.
Cabelos loiros impecáveis.
Maquiagem perfeita.
Sarah olhou por reflexo para a própria blusa manchada.
Rosalie percebeu.
Claro que percebeu.
— Sarah.
— Rosalie.
O olhar da loira percorreu discretamente sua roupa.
— Você continua... igual.
Sarah sorriu.
— Conservação histórica.
Paul engasgou para não rir.
Rosalie ignorou.
— Jacob está?
Sarah voltou os olhos para a tela.
— Na sala dele.
— Obrigada.
Rosalie deu dois passos e parou.
— Ah, Sarah?
— Hum?
— Talvez você devesse trocar essa blusa.
Sarah olhou para a mancha.
— Café.
— Imaginei.
— Acontece.
Rosalie sorriu.
— Com você, bastante.
E saiu.
Silêncio.
Paul olhou para Sarah.
Emmett olhou para Sarah.
Alice parecia pronta para cometer um crime.
Sarah simplesmente colocou os óculos de volta.
— Ninguém fala nada.
Paul abriu a boca.
— Ninguém.
Ele fechou.
Sarah tentou voltar ao trabalho.
Não conseguiu.
Poucos minutos depois, através da parede de vidro, viu Rosalie entrar na sala de Jacob.
Rosalie beijou o rosto dele.
Jacob sorriu.
Sarah desviou os olhos.
Aquilo não deveria doer.
Rosalie tinha sido namorada de Jacob.
Uma das mulheres lindas que haviam passado pela vida dele.
Mulheres como Rosalie.
Mulheres como Angela Weber.
Elegantes.
Magras.
Seguras.
Mulheres que entravam numa sala sem bater contra a porta.
Sarah olhou para o próprio reflexo escuro no monitor.
Os óculos grossos.
O cabelo escapando do coque.
O aparelho que aparecia quando sorria.
A roupa que Alice considerava crime contra a humanidade.
Depois tornou a olhar para a sala de Jacob.
Rosalie estava inclinada sobre a mesa.
Jacob dizia alguma coisa.
Sarah sentiu a pontada conhecida.
Enterrou-a onde enterrava havia anos.
Na caixa mental chamada coisas que nunca vão acontecer.
— Sarah?
Ela olhou para Alice.
— O quê?
Alice observava seu rosto.
— Nada.
— Então pare de me olhar desse jeito.
— Que jeito?
— Como se estivesse tentando entrar na minha cabeça.
Alice sorriu de lado.
— Tenho medo do que encontraria.
Sarah riu.
Funcionou.
Quase.
No final da tarde, o escritório foi ficando silencioso.
Paul e Emmett foram embora.
Alice também.
Rosalie saíra horas antes.
Jacob permanecia trabalhando na presidência.
Sarah continuava diante das telas do financeiro.
Abriu outra planilha.
Precisava terminar uma conciliação antes de ir para casa.
Passou os olhos pelos lançamentos.
Parou.
Voltou uma linha.
Franziu a testa.
Uma transferência.
Nada extraordinário.
Abriu o detalhamento.
Fornecedor externo.
Consultoria.
Valor relativamente alto.
Sarah verificou a autorização.
Tudo aparentemente regular.
Mesmo assim, alguma coisa incomodou.
Abriu o histórico.
Encontrou outro pagamento.
Depois outro.
Mesma consultoria.
Valores diferentes.
Datas espaçadas.
Sarah aproximou o rosto da tela.
— Estranho...
Criou uma nova planilha.
Copiou os lançamentos.
Buscou pelo CNPJ.
Mais pagamentos apareceram.
Sarah parou de sorrir.
O telefone tocou de repente.
Ela levou um susto tão grande que bateu o joelho embaixo da mesa.
— Ai! Droga!
Atendeu irritada.
— O quê?
— Boa noite para você também.
Jacob.
Sarah massageou o joelho.
— Desculpa. Você me assustou.
— São quase nove horas.
Ela olhou para o relógio.
— Sério?
— Vá para casa.
— Estou terminando uma coisa.
— Amanhã.
— Jake...
Houve uma pequena pausa do outro lado.
— O quê?
Sarah olhou novamente para os números.
Poderia contar.
Mas ainda não havia nada concreto.
Talvez fosse apenas uma classificação errada.
Talvez alguma operação que desconhecesse.
— Nada.
— Sarah.
— É só uma inconsistência.
— Financeira?
— Provavelmente contábil.
— Quer que eu dê uma olhada?
— Não. Ainda não sei se é alguma coisa.
— Então deixe para amanhã.
Sarah olhou novamente para a tela.
— Cinco minutos.
— Você disse isso uma hora atrás.
— Como sabe?
— Porque liguei para você uma hora atrás e você disse exatamente a mesma coisa.
Sarah fez uma careta.
— Está controlando meus horários agora?
— Alguém precisa.
— Obsessivo.
— Desastrada.
— Ditador.
— Cinco minutos.
— Dez.
— Cinco.
Sarah sorriu.
— Sete e você me leva para casa.
— Fechado. Encontro você no elevador.
— Sete minutos.
— E não tropece no caminho.
— Desliga, Jacob.
Ele riu antes de encerrar a ligação.
Sarah deixou o telefone sobre a mesa.
Por alguns segundos, ficou sorrindo para nada.
Então voltou para a tela.
A expressão mudou.
Selecionou os pagamentos.
Somou os valores.
Seu sorriso desapareceu completamente.
Não era uma quantia pequena.
Sarah abriu o cadastro do fornecedor.
Leu o nome da empresa.
Depois verificou o responsável pela aprovação interna.
Seus dedos pararam sobre o teclado.
Aro Volturi.
Sarah franziu a testa.
Conhecia Aro desde criança.
Amigo de Billy.
Conselheiro da empresa.
Um homem em quem Billy confiava.
Um homem em quem Jacob confiava.
Ela tornou a verificar os números.
Talvez houvesse uma explicação perfeitamente normal.
Provavelmente havia.
Sarah salvou uma cópia da planilha numa pasta pessoal protegida.
Fechou os arquivos.
Pegou a bolsa.
Desligou o computador.
E saiu do financeiro.
Dessa vez, prestando especial atenção ao chão.
Chegou ao elevador inteira.
Jacob já estava esperando.
Ele olhou para o relógio.
— Oito minutos.
Sarah apertou o botão.
— Reclame e amanhã serão quinze.
— Você é uma funcionária terrível.
— Sou sua melhor analista.
— Infelizmente.
As portas se abriram.
Sarah entrou.
Jacob entrou atrás.
— Descobriu o que estava errado?
Sarah encostou-se à parede do elevador.
— Ainda não.
— Quer ajuda?
— Com números?
Ela olhou para ele com desprezo teatral.
— Você?
— Eu administro essa empresa.
— Exatamente. Cada um com suas habilidades.
Jacob riu.
— Arrogante.
— Competente.
— Convencida.
— Bonito.
Sarah congelou.
Jacob virou lentamente o rosto.
— Bonito?
Ela arregalou os olhos atrás das lentes.
— Eu disse... metido.
— Não disse.
— Disse, sim.
— Sarah...
— Você está ficando surdo.
As portas do elevador se abriram.
Sarah saiu depressa.
— Vamos!
Jacob permaneceu parado por um segundo.
Um sorriso lento apareceu em seu rosto.
— Interessante.
— JACOB!
Ele saiu atrás dela.
No saguão, Sarah caminhava rápido demais.
— Não precisa fugir.
— Não estou fugindo.
— Está quase correndo.
— Quero ir para casa.
— Sarah.
Ela virou-se enquanto continuava andando.
— O quê?
Foi um erro.
Bateu diretamente numa coluna.
Jacob arregalou os olhos.
Sarah recuou cambaleando.
— Ai!
Ele correu até ela.
— Meu Deus! Você está bem?
Sarah segurou a testa.
— Estou.
Jacob tentou não rir.
Falhou.
— Não tem graça!
— Você estava olhando para mim!
— Porque você estava me perturbando!
— E a coluna te atacou?
Sarah apontou para ele.
— Uma palavra e eu volto de táxi.
Jacob passou um braço pelos ombros dela.
— Vamos, desastre.
Sarah deixou que ele a conduzisse até a saída.
— Um dia você vai sentir falta disso.
— Do quê?
— De me ver quase morrer três vezes por dia.
Jacob apertou-a contra o corpo.
— Impossível.
— Convencido.
— Não. — Ele olhou para ela. — Você vai estar sempre por perto para me atormentar.
Sarah encostou a cabeça por um instante no ombro dele.
— Promessa?
Jacob beijou distraidamente o alto de sua cabeça.
— Promessa.
Nenhum dos dois poderia saber que, em pouco tempo, aquela seria uma das frases que Jacob Black mais se arrependeria de ter dito com tanta certeza.
Porque os números que Sarah encontrara naquela noite não eram um erro.
E algumas promessas seriam quebradas da maneira mais cruel possível.
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