Pétalas de uma semideusa

6 Cap. 5: Os sete semideuses


Notas iniciais
Geente, voltei! Agradeço pelos comentários e, sem mais delongas... Boa leitura. ~espero que gostem do capítulo~ *u* Ah, e Phaella, desculpe se frustei você por te postado apenas um cap. naqueles três dias, é que não planejo escrever e postar todo santo dia, pois realmente não vai dar... Especialmente quando acabarem minhas férias. : Então, para não dar aquela diferença brusca do modo como posto, ficará algo meio "quem sabe é o destino". Só que prometo postar regularmente, isso sim. Não abandono nem ferrando a Lori e vocês, leitores. Agora sim, boa leitura!

Eu estava aliviada. Conseguira de alguma forma convencer os romanos sobre meu envolvimento com a Profecia dos Sete e a batalha contra Gaia. Os meios para conseguir tal feito, entretanto, não foram muito legais. Odiei absorver uma personalidade que não era minha, alguém que se acha tão poderoso e seguro de si, que trata os outros de maneira inferior, porém, qual outra escolha eu tivera? Se eu tivesse feito papel de Lorelai Tate, frustrada por não comer seus desejados tacos ou não ter tido sonhos melhores, como com unicórnios e com balas de ursinhos, ao invés de salas de pedra escuras e vilãs dorminhocas, provavelmente teriam me mandado embora. Tinha quase absoluta certeza que eles só haviam deixado eu passar do limite da cidade, pois parecia que eu estava prestes a atacá-los, e tudo baseou-se apenas em um claro jogo de cintura para evitar um combate, o qual, convenhamos, nunca aconteceria. Pelo menos, não de minha parte.

Nunca fui daquelas garotas que bate boca por qualquer coisa, mas quando é algo que eu almejo muito ou muitos contam comigo, pelo que percebera... As chances da outra pessoa perder poderiam ser altas, mesmo que eu não esteja segura de mim mesma, então, gosto de dizer que escondo um dragão adormecido dentro de mim. Se pisar em sua cauda e irritá-lo, está perdido, porém, se tratá-lo bem, sem assustá-lo ou sem dar razões para ele comê-lo no jantar, parabéns, é bem provável que tenha arranjado um BFF réptil com asas.

Eu sentia a desconfiança dos semideuses, não só por seus olhares como também pelo círculo formado ao meu redor, enquanto andávamos para o tal Fórum, com eles permanecendo o mais longe possível de mim, sem querer demonstrar isso exatamente. Se eu pudesse chutar um de seus pensamentos, seria: "Essa garota estranha pode explodir a qualquer momento. Fique preparado" ou "Qualquer que seja a doença dela, contagia na certa". Bem sutil.

Vire e mexe, a loira, a qual dera um passo à frente com Percy Jackson, fitava-me, tornando a cabeça levemente para trás. Ela exalava perspicácia e talvez, lá no fundo, futura amizade, mas da forma que ela estava tratando-me ali, talvez demorasse um pouco para eu adquirir sua confiança. E não só a dela, como a dos outros cinco semideuses e a dos romanos também, afinal, eu estava no acampamento deles e ainda havia comprado briga com aquele deus das fronteiras, Términus. Não era um bom começo.

Acima de tudo, eu não queria que desgostassem de mim. Eu era a novata, aquela que não sabe o que está fazendo, somente tenta não avacalhar com os planos de um centauro, o qual tem como ''amigo'' um turista bêbado, e de um garoto pálido como papel, o qual invoca mortos-vivos eventualmente. Ter o apoio deles era uma necessidade... Bom, talvez nem para tanto. Eu não queria mendigar amizades, porém, se eu contasse com a boa vontade dos sete, eu ficaria muito agradecida. Então, o que eu faria para obter a confiança de cada um deles, sendo que eu apenas conhecia Percy Jackson e tinha a impressão de que a loira poderia ser a Annabeth citada por Rachel? Como eu tentaria montar discursos individuais para convencer cada semideus da profecia, até chegar ao Fórum, onde eu sabia que me atolariam de perguntas e acusações?

Respirei fundo, sentindo uma certa dificuldade, como se pressionassem meu tórax, dando-me desconforto. De imediato, pensei em comida e no quanto Nico ficara desesperado com a hipótese de ter a criança perdida, literalmente perdida em pedaços espalhados pelas Sombras. Talvez eu tivesse exagerado na demonstração dos poderes e necessitasse do chamado néctar, seja lá o que aquilo fosse. Decidi, entretanto, continuar a seguir a multidão que, aos poucos espalhava-se, sobrando poucos, os quais pareciam ir na mesma direção que Reyna e seus cães de guarda medonhos.

Não perguntei sobre néctar ou sobre a possibilidade de uma pausa para um lanchinho. Algo me dizia em seus rostos que, caso eu o fizesse, dariam um jeito de vencer a Mãe Terra maligna sem mim, desaparecendo comigo por meio de uma desculpa esfarrapada, somente para eu ser encontrada algumas semanas depois com minha linda adaga de bronze celestial enfiada no peito. Fora uma das minhas escolhas mais sábias — a de agir da forma exatamente oposta da que contemplava fazer — naquele dia, o qual ia de mal a pior justamente por minha causa.

Tentei, então, acalmar a minha própria tensão analisando o ambiente. O Acampamento Júpiter era bem diferente do Meio-Sangue e fiquei mais certa disso quando estanquei, assistindo seres meio transparentes e flutuantes que emitiam uma cor arroxeada. Eles vestiam "estilosas" togas e armaduras, e surgiam do nada, brotando no meio do caminho. Também cochichavam entre si e, às vezes, apontando para mim descaradamente, só para sumir, seguindo suas pacatas vidas pós-morte.

Minha primeira impressão sobre os romanos fora que eles eram bem "regrados", do tipo certinho pelo bem comum. Logo depois, realmente notei o excesso de camisetas roxas e a tatuagem em seus braços. Era a mesma tatuagem em cada braço musculoso dos meio-sangues, como se passassem horas e horas treinando. Nela, estava escrito SPQR, algo cujo significado planejava descobrir mais tarde, porém, cada um possuía diferentes símbolos e linhas abaixo das marcações.

Ótimo, imaginei, estava em um acampamento com fantasmas-beterrabas, cercada por legendários guerreiros tatuados, após praticamente ameaçar invadir o lugar, guardado por uma estátua raivosa e dificilmente sociável. Era tudo que eu precisava para melhorar minha situação.

Passei a organizar meus pensamentos para não falar besteiras ao me perguntarem algo, mas eu sabia que de nada serviria, pois eu era a pessoa mais confusa que eu tinha tido o prazer de conhecer e esforçar-me para calar a boca quando necessário não estava na minha placa-mãe. Era inevitável, sempre saíam palavras erradas, as quais passara tempo demais tentando tirar da minha cabeça para não existir a mínima chance de incluí-las no discurso... E o que acontecia em noventa e nove por cento das vezes? Exato, lá estavam elas, persistentes.

Foi com esse conturbado estado mental que, enfim, chegamos ao Fórum. Era um amplo espaço, com sofás e mesinhas meio desarrumadas, além dos pratos e talheres sujos sendo retirados, como se houvessem comido a pouco. Detalhe: quem levava a louça suja eram seres quase invisíveis aos olhos, apenas sendo possível enxergar um leve contorno de uma criatura sorridente — nem tanto, assim que apareci, suas expressões alegres foram substituídas por desgosto. Lá, percebi que a concentração dos fantasmas roxos era muito maior, os quais encaravam-me com a testa franzida

Imediatamente, senti um embrulho no estômago, prevendo os minutos de conversa seguintes, e minhas pernas fraquejaram. Talvez fosse hora de pedir o tal néctar para... Nico dissera "renovar forças"? Parecia bem adequado. Seria bem melhor se eu não precisasse simplesmente pedir aos romanos o favor de me dar qualquer coisa, porém, tinha a ligeira impressão de que seria pior ainda se eu desfalecesse em cima de restos de pizza e hambúrgueres, no meio de um questionário.

— Lorelai Tate, por favor, sente-se.

Fitei Reyna, a qual se sentava à cabeceira de uma das maiores mesas, querendo que eu seguisse suas ações. Ela apontara a cadeira em sua diagonal e optei por não deixar a jovem zangada. Obedeci, portanto, mesmo sendo intimidada pelos seus estranhos cães de guarda, os quais estavam mais próximos do que eu gostaria, deixando-me com a boca seca pelos rubis que brilhavam sobrenaturalmente.

Assim que sentei, pulei de susto ao ver o prato sujo a minha frente sendo retirado, flutuando pelo ar. Seria algo um tanto inexplicável, mas ao piscar, percebi a presença de um daqueles seres praticamente invisíveis, o qual já trazia louças limpas para mim. Ele estava insatisfeito por fazer isso para a estranha que havia exigido, à força, a presença dos pretores, isso era óbvio, já que os outros semideuses recebiam sorrisos fantasmagóricos de orelha a orelha.

Aos poucos, o recinto começou a encher relativamente. Alguns ocupavam as mesas próximas a nós para ouvirem, outros, entretanto, permaneceram de pé mesmo, ao redor de nós, formando uma grande massa de pessoas e criaturas desconhecidas. Eu reconheci, no entanto, algumas, como por exemplo os seres, metade homem e metade bode, os quais também existiam no outro acampamento.

— Entende que precisa nos esclarecer algumas coisas, certo?

Suspirei, novamente sentindo pouco ar entrando em meus pulmões. Eu preparava-me psicologicamente para dar minhas explicações malucas, enquanto sentia os olhares acusadores. Eu queria tanto fugir, criar asas ou sumir de forma misteriosa após um ''chazam'' — simples assim: ''Puf'' e eu não estava mais lá — abandonando minhas responsabilidades. Só que eu tinha um dever a cumprir, uma guerra para batalhar e uma profecia para decifrar. Não poderia deixar tudo para trás, pois estava cercada por exímios guerreiros e também por ter reconhecido minha verdadeira identidade. Eu era, sim, a criança perdida, um alguém importante que deveria agir como tal.

— Sim... — Concordei, meio envergonhada por meus atos. — E mais uma vez peço desculpas pelo incidente lá fora.

Tentei fitar a maior quantidade de meio-sangues, como se não quisesse causar desavenças e injustiças ou criar meios para acusações futuras. Os sete principais deveriam ser os que se sentaram conosco, Reyna e eu, e eles continuavam com uma expressão genuinamente séria.

Após aceitar um pedaço de pizza de pepperoni e beber um gole de refrigerante, estalei o pescoço e encarei a multidão curiosa.

— Mandem bala. — Alonguei os braços. — Estou preparada. — Pausei. — Quero dizer, não, bala, bala... Façam as perguntas que quiserem, é isso.

Um menino, o qual estranhamente lembrava-me um elfo, deu um riso anasalado, recostando à cadeira e colocando as pernas em cima da mesa, ato que foi condenado por uma bonita jovem ao seu lado, que empurrou suas pernas rudemente, enviando-lhe um sinal de negação. Ele não pareceu se importar, dando um sorriso divertido a ela.

— Como encontrou o Acampamento Júpiter? — Percy indagou, iniciando o ''interrogatório''. — Você disse que veio do Acampamento Meio-Sangue, certo?

Engoli em seco. Eu queria muito pular essa pergunta, pois a resposta que eu precisava dar era ridícula, tanto é que demorei uma eternidade para começar a falar. Simplesmente, fiz uma careta, deixando os semideuses mais desconfiados ainda de mim. Que maravilha...

— Algum problema?

Ergui os olhos para um garoto grande. Ele tinha feições meio asiáticas e parecia corpulento demais para seu rosto de... Bebê? Era até engraçado, um engraçado bom...

— Ah, n-nenhum. — Gaguejei, tentando responder de uma vez. — Só... Ahn, quem me trouxe aqui foi o Embaixador de Plutão, ok?

Soltei a frase rapidamente para poucos entenderem e eu só gostaria de dar um tapa na minha cara sem parecer doida. Apenas faltava eu completar com alguma frase de RPG ''... e agora quero as chaves dos Portões de sei-lá-o-quê...". Anotei mentalmente que deveria falar com Nico mais tarde sobre seu importante título, o qual provocou alguns risos inoportunos à mesa, mesmo considerando que a grande maioria da multidão ficara séria.

Uma menina em especial congelara. Ela tinha pele cor de chocolate e grandes olhos cor de âmbar, e sentava-se ao lado do jovem musculoso com rosto de neném. Eu tinha a impressão de que estavam de mãos dadas embaixo da mesa... Será que todos ali estavam namorando?

— Nico? — Ela indagou, aflita. — Está falando de Nico di Angelo?

Franzi a testa e assenti, encarando os outros meio confusa. E não é que ele realmente atendia por aquele nome? Nico, o Embaixador de Plutão... Eu conseguia até imaginar cornetas anunciando sua chegada.

— Esse mesmo.

— Ele está bem? — Disparou.

— Ahn... — Tentei não soar rude. — Desculpe, mas quem é você?

A garota piscou duas vezes, lembrando-se de que não havia se apresentado.

— Ahn, sou Hazel Levesque, filha de Plutão...

Fiquei boquiaberta. Então, era ela a minha nova instrutora romana, a qual ensinaria algumas técnicas para controlar meus poderes. Estava feliz, porque ela aparentava ser legal e provavelmente não me castigaria se eu invocasse mortos-vivos sem querer no meio do treinamento.

Sorri.

— Oi! — Exclamei timidamente. — Nico comentou sobre você... Ele está bem, sim, não se preocupe. Ah, e ele é meio suicida, mas ele prometeu dar uma passadinha...

Finalmente, ela pareceu respirar fundo, enquanto o seu possível namorado colocava um braço ao redor de seus ombros na tentativa de acalmá-la.

— Conheceu Nico? — A loira entortou levemente a cabeça. — Ele quem trouxe você aqui?

Talvez por seu olhar intimidador e cético ou pela expressão feroz, um calafrio subiu por minha coluna. Era a mesma sensação de quando eu quebrara um vaso de minha mãe, Amalia, quando eu tinha sete anos e escondera os cacos em meu armário. No final, a bronca foi maior do que se eu tivesse sido sincera.

— Sim, ele me encontrou em um...

— O que está acontecendo aqui?

Uma voz furiosa interrompeu-me. Da multidão, os meio-sangues abriram caminho para um garoto loiro e magrelo, o qual possuía uma expressão tão irritada quanto Términus. Ele passou a vir em minha direção, com o dedo indicador apontando para o meu nariz e parou a poucos centímetros de mim. Eu realmente imaginei que encostaria o pálido dedo na minha cara, só para dar mais ênfase de que eu era a pessoa sendo procurada por ele.

— Você!

Lentamente, apontei para mim mesma, refletindo o porquê da minha incrível capacidade de irritar romanos.

— Eu?

Graecus. — Ele praguejou. — Reyna, em que estava pensando ao deixá-la entrar?

A pretora respirou fundo. Ela estava tensa por ter que lidar com o jovem, eu achava. Sua postura, afinal, ficara ainda mais rígida, na tentativa de aumentar seu poder diante do indivíduo irritado, o qual me lembrava um roedor bravinho.

— Octavian. — Iniciou com uma voz controlada, tentando não extravasar desgosto. — Esta é Lorelai Tate, ela carrega uma profecia que ajudará na batalha contra Gaia.

Ele voltou-se a mim com os lábios crispados. O que eu fizera desta vez? Eu já pedira desculpas pela briga com Términus, o deus chato das fronteiras, poxa vida...

— Olha, Octavian, nós já estamos com tudo sobre controle... — Jackson bufou. — Por que não vai rasgar alguns bichinhos de pelúcia, hein?

— E o que acha que eu estava fazendo, enquanto deixavam imprudentemente essa graecus entrar?

Arqueei a sobrancelha, recostando-me melhor na cadeira, já cansada de tanto me chamarem de graecus, como se fosse uma espécie de xingamento ou maldição, tipo: ''sua filha de graecus'' ou ''graecus que pariu''.

— Usando o banheiro talvez?

De repente, tudo ficou em silêncio. Um silêncio desconfortável... Foi assim que percebi, pelos olhares cômicos e surpresos direcionados a mim, que eu acabara de murmurar que o tal Octavian estava ocupado usando o banheiro. Eu sabia. Sabia que alguma besteira iria sair da minha boca e era só aguardar! Por que eu precisava ser assim? O que eu fizera para merecer uma língua adoidada?

Arquejei, fitando o magrelo, o qual ainda estava postado bem ao meu lado e, com certeza, ouvira o que eu dissera.

— Ai, foi mal... — Molhei os lábios e estendi a mão. — É... Oi, eu sou Lorelai. Você se chama Octavian, certo?

Ele encarou minha mão com um desnecessário nojo. O quê? Agora eu transmitia germes de graecus? Se sim, eu queria muito tocar nele... Uau, isso soou muito malicioso, credo.

Recolhi-a, envergonhada, assentindo para mim mesma, enquanto aquele palito tentava inflar o peito, mostrando seus inexistentes músculos, e superioridade. Eu estava prestes a perguntar se ele queria ajuda, sei lá, com uma bomba de bexiga, mas ele estava aparentemente satisfeito com o resultado. Um resultado péssimo.

Graecus. — Ele cuspiu a palavra novamente. — Eu sou o áugure.

Eu tinha impressão de que deveria ter consciência do que o título significava, pois ele ficou plantado ao meu lado, aguardando... Assovios, aplausos ou um pedido de autógrafo?

— Certo. — Assenti depois de demorados segundos, sem ter a mínima ideia do que era aquilo. — Áugure?

Antes que ele pudesse explicar sua profissão, exaltasse suas qualidades e se vangloriasse, o que eu estava certa de que ele faria, Percy começou a falar, deixando Octavian lá, boquiaberto.

— Basicamente, Octavian rasga bichinhos de pelúcia para ver o futuro e contar profecias.

Fora a minha vez de ficar boquiaberta. O que levava alguém a rasgar bichinhos fofos de pelúcia? Depois falavam de mim... Um garoto daqueles tinha potencial para virar um criminoso, isso sim, lembrei das várias séries que eu costumava assistir o dia inteiro.

— Você é um monstro! — Acusei. — Eu posso ser essa terrível graecus que tanto fala, mas pelo menos eu não estripo inocentes bichos de pelúcia!

O loiro magrelo não se deixou abalar, apesar dos risos que circularam pelo Fórum. Ele parecia ser aquele chato de galochas, alvo diário de chacotas, tanto é que Reyna segurou um sorriso que tentava aparecer.

— Preferia que fossem bichos vivos, graecus? — Sibilou como se eu fosse estúpida. — Por causa desses bichos, vi sua chegada e a nossa destruição.

Com essa linda revelação, ele conseguiu, enfim, deixar os semideuses agitados novamente. Octavian tentava fitar todos, girando o corpo, na tentativa de fazê-los acreditar em algum crime que eu não havia cometido.

— Como assim? — Indaguei, interessada. — Destruição?

— Sim. — O áugure estreitou os olhos. — Destruição...

Seu rosto expressava ''Tente me enganar, graecus idiota, você não conseguirá'', como se eu soubesse que causaria a citada destruição, algo que era bem possível de acontecer, e estava tentando levá-los a acreditar em mentiras.

— Como pode ter tanta certeza? — Uma garota de cabelos com tranças meio soltas perguntou. — Sabe, é uma coisa que só com muita certeza dá para falar...

— Vocês, graecus, são tão seguros de si. — Octavian rosnou, enojado. — Esta menina... — Apontou para mim. — ... trará destruição.

Respirei fundo. Eu tinha plena noção de que era um perigo constante, porém, tentar convencê-los da minha inocência e de como eu só causaria destruição sem querer, de fato, não poderia ser por meio de uma ''surtada'', com direito a trovões, trombas d'água ou guerreiros zumbis. Não, eu precisava ser eu mesma.

— Provavelmente. — Anunciei para a surpresa de todos. — Qual é? Eu sou a prole de três deuses gregos, carrego uma profecia e histórias passadas de boca a boca somente, ou seja, sou um poço de problemas... Não sou confiável por agora, mas quero conquistar essa confiança de cada um de vocês. — Pausei. — Então, por favor, me deem a chance de tentar ao menos.

Todos entreolharam-se em uma discussão silenciosa, enquanto eu me preparava para o veredicto. Até as pessoas ao nosso redor discutiam em sussurros e pude ver um garoto entre elas que bebia um líquido avermelhado e sorria estupidamente, feliz e meio alheio à conversa. Eu não queria saber o que havia naquela bebida...

— A profecia... — Um loiro, que transmitia liderança, pronunciou-se pela primeira vez. — Ela tem uma mensagem muito ruim?

Fiz uma careta.

— Me diga você... — Pigarreei. — Lá vai: ''Perdida a criança em nuvens de cólera e tormento ...'' — Recitei as palavras já decoradas. — ''... Nas águas maculadas de Roma, a Morte temida à espreita. Decisões perigosas aos sete, um passado turbulento. Culpada pela Sabedoria, às Portas, afinal, desfeita.''

— Ruim. — O menino que lembrava um elfo respondeu. — Ah, muito ruim...

Outros concordaram com ele em silêncio e a loira, especialmente, fitava-me de maneira muito estranha. Parecia que um chifre acabara de nascer em minha testa, o que não era possível, né? Ou era? De modo discreto, fingi ajeitar meu cabelo e atestei que eu não tinha ganhado um espeto na cabeça. Então, por que aquele olhar?

— É, até eu acho a mesma coisa... — Franzi os lábios. — Enfim, Quíron, o diretor de atividades do Acampamento Meio-Sangue... — Expliquei aos romanos que não o conheciam. — ... disse que, há quase dezesseis anos, os Três Grandes — Zeus, Poseidon e Hades — reuniram-se e escolheram-me para carregar o fardo dessa profecia e do poder dos três, justamente para ajudá-los na guerra contra a Mãe Terra do capeta. Sou conhecida como criança perdida, pois vivi escondida dos outros olimpianos, os quais poderiam tentar acabar comigo devido à ausência de voz ante tal decisão. Sou bem ferrada como podem ver...

Aguardei um instante para eles absorverem minhas palavras. Era compreensível que os semideuses estivessem com um pé atrás sobre deixar ou não eu subir a bordo do navio voador, mas eu realmente precisava que desse certo. O que eu faria se não conseguisse convencê-los? O mundo estaria perdido, não é? E por minha causa...

A cada palavra que saía da minha boca, Reyna encarava seus cães de guarda, esperando, talvez, que eles falassem que estava mentindo. Será que eles falavam? Eu não duvidaria...

— Ahn, só uma pergunta... — O ''elfo'' estava muito sério e mexia em alguns parafusos, sem olhar para mim. — ... como é possível ter três pais? Me conte mais sobre isso...

Dei um riso anasalado, enquanto o líder loiro dava-lhe um tapa na cabeça.

— Prefiro não saber. — Sorri. — Daqui já vou direto para a ala psiquiátrica se for mais uma coisa mitológica doida...

— De tudo que ela disse, Leo... — A amiga de cabelos trançados respirou fundo. — ... você só filtrou isso? Sério, mesmo?

O chamado Leo, então, o qual até aquele momento tinha o codinome ''elfo'', deu um sorriso de orelha a orelha, divertindo-se.

— Ora, vai me dizer que não ficou curiosa, Rainha da Beleza? — Ele arqueou a sobrancelha. — Não é todo dia que vemos três pais confirmados da mesma criança.

Suspirei, acenando positivamente para mim mesma. Eu realmente era um espécime ainda não identificado. Talvez estrelassem um filme baseado em mim na televisão olimpiana, se é que isso poderia existir. Seria bem legal na verdade...

— Vocês não podem seriamente estar se socializando com essa graecus... — Octavian intrometeu-se. — Ela causará destruição e...

Todos os olhares voltaram-se ao áugure, com o mesmo significado: "Eita, você ainda estava aqui?". Sim, eu tinha esquecido da existência do magrelo por um tempo e, aparentemente, os outros semideuses também.

— Ah, cala a boca, Octavian. — Percy revirou os olhos. — Tem certeza que não precisa rasgar mais bichinhos de pelúcia?

O clima tornou-se menos pesado, graças ao tal Leo e Jackson, e senti que eles estavam mais propensos a aceitar-me. Eu sabia que era hora de agir. Partiu conquistar novos amiguinhos.

— Hm... Vocês vão me dizer seus nomes?

Um a um, eles apresentaram-se. A loira era, sim, quem eu imaginava ser: Annabeth, filha de Atena e namorada de Percy Jackson, o qual era filho de Poseidon, ou seja, mais um irmãozinho para mim. Se minhas deduções realmente estivessem certas, o grandalhão que namorava Hazel, Frank, era filho de Marte e, pelo que entendi, este seria o deus da guerra. Piper era filha de Afrodite, mesmo com seu jeito quase desleixado — bermuda surrada e tranças soltando-se, despenteadas — como se não quisesse chamar atenção e, por fim, Jason Grace era filho de Júpiter, forma romana de Zeus, e fora pretor junto com Reyna antes de perder a memória ou algo do tipo.

— Sabe, eu...

Parei de falar ao ver uma luz andando pela mesa, daquelas feitas pelo reflexo dos raios do Sol contra algum metal. Ela circulou um pouco até parar em Leo, como se o chamasse urgentemente, sacudindo de um lado para o outro. Todos erguemos o olhar até o lugar de onde, aparentemente, ela vinha.

Estreitei os olhos, vendo uma figura sacudindo os braços no navio voador. Quem quer que fosse parecia bem agitado e queria a presença do filho de Hefesto o mais rápido que pudesse.

— O treinador vai acabar com meu navio... — O garoto expressou horror. — Tenho que salvar meu bebê, muchachos. — Piscou para mim. — Vejo você lá em cima, querida!

E ele saiu correndo até uma escada de corda, deixando-me sentada, perplexa. Significava que...

— Ahn... — Pigarreei, chamando a atenção dos meio-sangues. — Isso quer dizer que estou dentro?

Jason deu-se por vencido e até sorriu levemente, encarando os amigos e depois a mim.

— Sim, você está dentro.

Não tive tempo de comemorar ou fazer uma dancinha de sucesso, pois uma série de investidas foram feitas no Fórum. Explosões quebravam o chão de pedra e a gritaria dispersou os fantasmas roxos e as outras criaturas. Era um caos total.

Eu não sabia o que estava acontecendo e queria simplesmente levantar os braços e dizer "Não fui eu.", mas a bagunça já havia se instalado. Vi Reyna gritando ordens e mais ordens, enquanto as legiões romanas faziam a usual formação de batalha e Octavian berrava uns "Eu estava certo!".

Não fazia muito sentido. Olhei para cima, a tempo de ver uma bola de fogo saindo de um dos canhões do Argo II e vindo em minha exata direção. Meu coração palpitava rapidamente e parecia ter corrido uma maratona pelo meu corpo inteiro, juro que senti uma pontada na garganta que poderia ser meu coração tentando escapar pela boca, antes que eu virasse barbecue de Lorelai.

Só tive tempo de saltar para o lado, em uma mesa cheia de copos e mais copos, vendo a destruição.

Notas finais
O que acharam? Leitores-fantasmas, se manifestem também! XD Gente, eu sei que parece que odeio a Annabeth, mas eu a adoro. Sério acreditem em mim. Só achei que ela deveria ser a mais desconfiada de todos — Filha de Atena... Fazer o quê? — e tals... Percabeth, então? Já me conquistou de cara quem shippa! Bom, comentem e até o próximo capítulo! Xxxxxxxx