Pétalas de uma semideusa
7 Cap. 6: O Argo II
Notas iniciais
Ok, eu já estava bem certa que era karma ou bonequinho de vodu. Não era possível! Por que meu tempo de paz e tranquilidade não poderia durar mais que míseros cinco minutos? Estava tudo indo relativamente bem, sabe? Conseguira um lugar no navio voador, prestes a fazer minha dancinha de vitória, e bum! Um monte de explosões no Fórum romano...
Talvez os outros deuses olimpianos estivessem pregando peças de mau gosto em mim. Afinal, eles já deveriam saber da minha existência e não estavam exatamente satisfeitos por terem ficado fora da decisão de me criar ou não, eu apostava. Veredicto? Joga pedras na criança perdida!
Eu não sabia o que estava acontecendo. Na verdade, isso já estava virando rotina. Eu sempre era a última a entender as ''bagaças'' gregas e romanas. Considerasse também que apenas quase dezesseis anos depois do meu nascimento que eu havia descoberto minhas origens. Cara, eu era uma nova-iorquina comum e, de repente, eu estava no meio de um acampamento para crianças com TDAH e dislexia, o qual estava sendo bombardeado por bolas gigantescas de fogo. Normal...
Nunca aprendera a lutar, mesmo tendo consciência de que provavelmente era impossível acabar com pedras incendiárias por meio de um golpe de krav maga ou karate... Só que, sabe? Como eu não sabia usar uma adaga muito menos, eu sentia a obrigação de fazer algumas aulas de artes marciais. Já pensou? Chegava mais uma daquelas criaturas de terra e, pronto, em um segundo eu a imobilizava e saía de lá, like a boss... Uma garota pode sonhar, certo?
Eu só via destruição. Octavian estava certo: eu traria destruição. A cada explosão, que formava crateras no chão, os semideuses desviavam para o lado. É claro que eu não consegui fazer o mesmo. Eu parecia estar em minha primeira aula de zumba e, enquanto todos iam para o lado certo, por exemplo, o direito, lá estava eu seguindo para o lado oposto, ficando bem no meio da trajetória da bola de fogo. Era incrível essa minha capacidade, mais uma para o meu repertório: o menor senso de direção.
Meu ouvido zumbia ao som grotesco do ataque e da gritaria. Eu tinha certeza que quem quer que fosse o atirador, mirava diretamente em mim, mas não era meu dia de morrer. Eu sabia disso. Tosco, não? Só que era a verdade, ainda tinha muito pela frente.
Catapultas romanas atiravam igualmente no navio, tentando defender o acampamento, enquanto romanos passaram a nos atacar quando perceberam que nós também passamos a ser os inimigos, inclusive combatendo contra Hazel e Frank. Eles hesitaram quanto a Jason, mas o ex-pretor fizera uma rápida e sábia — nem tanto — escolha ao ver Piper quase ser acertada por uma lança de ouro. Namorados, na certa, pelo olhar irritado que ele lançou ao meio-sangue, o qual teve a audácia de atacar a filha de Afrodite.
Tive a ligeira impressão de ver um elefante e um cão gigantesco, de pelagem negra como a morte. A única coisa que pude pensar foi "Hades?''. Ah, e sem contar com um ser de um olho só. Literalmente, um olho só. Ele corria para ajudar meio-sangues caídos e uma ave vermelha rodopiava acima dele, apontando novas pessoas que necessitavam de ajuda. O único porém, tirando o fato dele ter um olho, era que a ave tinha uma forma humanoide, com direito a rosto humano e tudo. Era como se fosse Halloween e uma mulher tivesse decidido se vestir de pássaro e elevasse o conceito de se fantasiar ao nível hard, por ter, inclusive, conseguido um mecanismo para voar.
Era a décima vez que eu tentava desviar. Eu não tinha planos de virar churrasco, não ainda, porém, o navio parecia bem decidido a me acertar, e eu não tive mais dúvidas quanto a isso quando, do Argo II, todos puderam escutar a voz de Leo triplicada e aumentada por meio de um megafone, provavelmente:
— Poupe seus esforços, criança... — Disse de modo meio arrastado e conhecido, arrepiando os pelos de minha nuca. — Suas decisões a levarão à ruína...
Estava explicado. Não poderia ser Leo, mesmo sendo sua voz. Por trás daquelas medonhas palavras, só havia uma pessoa a ser culpada: a Mãe Terra maldita. Já não bastava eu sonhar com ela, eu tinha que aturar Gaia na vida real também, enquanto tentava sobreviver de rajadas de fogo.
As explosões pararam por um instante e só pude escutar nossa inimiga. Todos estancaram no lugar, inclusive aqueles que tentavam me atingir, entreolhando-se e depois fitando-me, como se eu fosse mesmo a responsável por toda aquela destruição. E se eu fosse? E se o único motivo para atacar o Acampamento Júpiter fora para me matar?
— Quando eu, enfim, despertar... — Prosseguiu. — ... verá o mundo ao seu redor perecer... — Deu um riso sufocado. — ... e a única culpada será você.
Ouvimos, então, um som abafado e o navio parou de atirar e Leo também deixou de sobrenaturalmente incorporar Gaia. Parecia que havia acabado, bom, mais ou menos.
Os romanos encararam-me, desconfiados e, de modo lento e ensaiado, formaram um círculo para me cercar. Talvez eu tivesse sido precipitada, imaginando que, com os sete da profecia aceitando-me, imediatamente valeria o mesmo para o restante. Nunca estive tão errada.
— Peguem-na! — Octavian apareceu estrategicamente. — Peguem todos esses graecus traidores!
Arregalei os olhos e engoli em seco, quase dizendo "Meu filho, você chegou tarde". Eles poderiam obedecer um áugure tão à risca? Se sim, eu realmente estava ferrada, porque os planos do loiro estavam longe de ser apenas o de nos capturar.
Precisava invocar meus poderes, e logo. Abri as mãos e as ergui levemente do lado de meu corpo, na tentativa de concentrar-me como antes. Eu usara raiva, frustração e o peso da responsabilidade para fazer aquele show... Se a causa era sobreviver agora, deveria ser mais fácil, certo? Errado. Quanto mais força eu tentava canalizar, mais difícil era ficar em pé, pois minhas pernas fraquejavam e meus braços tremiam violentamente.
Lembrei do néctar e de como eu deveria, sim, ter sido indiscreta antes e ter pedido um pouco aos romanos. Eu só fazia escolhas estúpidas, francamente.
— Eu sou o pretor de Nova Roma e ordeno que nos deixem ir! — Percy gritou para todos poderem escutá-lo. — Vocês sabem muito bem o que acontecerá se nos prenderem aqui... Gaia despertará e nada poderá impedi-la!
Os semideuses estavam em um claro entrave. Mesmo com as armas em riste, pareciam incertos sobre os comandos de Octavian, mas mantinham as posições, cercando meus novos companheiros de viagem — ou não, dependendo de como fosse o resultado daquela situação — lentamente, assim como comigo.
— Um dos seus acaba de atacar nosso acampamento. — O magrelo acusou. — Você já deixou bem claro de que não leva com seriedade o título que possui, Percy Jackson! — Ele praticamente cuspiu o nome. — No final, você sempre ficará do lado dos graecus. Sua aliança não tem valor algum!
O filho de Poseidon travou o maxilar.
— Peguem-nos! — Octavian berrou. — Peguem todos!
Quando finalmente a legião pareceu decidir que obedecer ao áugure era a melhor opção, para eles mesmos, e eu estava prestes a me ajoelhar e dizer minhas últimas palavras, Reyna surgiu mancando e com a toga toda chamuscada. Ela fora atingida.
— Parem! — Uma veia saltou na testa da pretora. — Vocês sabem que isso foi presente de Gaia, e ela ganhará se não deixarmos nossas diferenças de lado. — Ela sibilou. — Os graecus responderão por esse ataque depois que vencermos Gaia. Por agora, descansar de seus postos!
Reyna exalava poder. Eu poderia facilmente imaginá-la comendo pedras de café da manhã e roubando doce de criança com um sorriso cruel estampado no rosto. Ela parecia ser bem durona quando queria, especialmente diante de Octavian. Suas ordens tinham um peso extraordinário e todos os romanos abaixaram as armas e abriram espaço para nós passarmos, enquanto o loiro magrelo xingava, batendo o pé.
Percy acenou com a cabeça em sinal de agradecimento à amiga romana e indicou para que nos encaminhássemos ao Argo II, antes que os semideuses armados mudassem de ideia e fizessem uma conspiração.
Caminhei sem me dar ao luxo de respirar, temendo que com um simples arquejo, eles pudessem culpar-me por roubar o ar do Acampamento e usarem como desculpa para atacarem. Não seria muito legal, então, meio trôpega, prossegui até a escadinha de corda.
Segui atrás de Frank e quase tive um infarte ao ver Jason enlaçando o braço ao redor de Piper e sair voando como se fosse a coisa mais natural do universo. ''Eita, cada um que me aparece", não pude deixar de pensar.
Um fato? Subir uns trinta metros por meio de uma escada de corda bamba, era uma das coisas mais difíceis que já tivera o azar de ser obrigada a fazer. A cada passo que o grandalhão asiático dava a uns cinco degraus acima de mim, o complexo inteiro retorcia-se e ficava inevitável eu não olhar para baixo.
Eu não tinha medo de alturas. Realmente não tinha, mas o Acampamento Júpiter foi ficando mais longe e meus braços e pernas não aguentavam mais subir. Tive a leve impressão de piscar, quase desfalecendo, porém, consegui me segurar e obriguei meu corpo a continuar, já que era bem provável que Percy, o qual vinha atrás de mim, não conseguiria me segurar caso eu desmaiasse. As chances de eu me estatelar no Fórum e virar uma panqueca eram muito altas.
Assim que cheguei à balaustrada, precisei de ajuda para, de fato, entrar no Argo II. Tanto tempo de vida sedentária não me fizeram muito bem, claramente. Sentindo o chão de madeira aos meus pés, desabei, com um pouco de tontura, e escorei em algumas caixas largadas ali.
— E-eu... — Pigarreei para recomeçar. — Vocês não teriam um tal néctar sobrando por aqui, teriam?
Piper saiu correndo e retornou com um cantil marrom.
— Aqui... — Ela ajudou-me. — Beba.
De imediato, senti a necessidade de beber o negócio inteiro, como se suas palavras fossem enfeitiçadas. O líquido tinha gosto de cappuccino com Nutella, gengibre, canela e chantilly, uma das bebidas de Natal feitas pela minha mãe. Eu simplesmente adorava como os sabores combinavam-se e, mesmo com o calor, a bebida quente nunca foi tão bem-vinda, dava uma sensação de "lar, doce lar" após uma longa viagem.
— OK, já está bom. — Annabeth anunciou. — Você não quer morrer por beber demais, certo?
Tentei tirar a possibilidade de morrer bebendo cappuccino da minha cabeça e, após os dois pequenos goles dados, senti estar revigorada. Eu poderia dar um mortal e aterrissar no solo romano e dar umas voadoras em alguns semideuses, mas pela expressão de todos ali, havia coisas mais importantes para lidar no momento.
De uma porta, saiu um ser — daqueles metade homem, metade bode — trajando uma camiseta e um boné de baseball, além de segurar um taco do mesmo esporte naturalmente, apoiando-o nas costas. Em uma de suas mãos, repousava uma latinha de refrigerante meio... Mordida?
— Vocês estão atrasados. — A criatura falou, emburrada. — Tive que dar um jeito no fedelho Valdez da minha própria maneira.
A filha de Afrodite e Jason arregalaram os olhos, aterrorizados e já imaginando os diversos modos de "dar um jeito no fedelho Valdez".
— O que você fez, treinador? — A garota indagou. — Ele está bem? Aonde ele está?
— Ah... — O tal treinador fez uma careta. — Relaxem... Eu não matei ele, ok? Nem joguei ele para fora do navio... Ele está na cozinha, acabou de acordar.
Os dois meio-sangues saíram em disparada, seguidos pelos outros. Eu fiquei para trás, assim como o ser estranho, o qual se direcionava a uma placa de comando com milhares de botões e alavancas, tirando o leme personalizado, que mais parecia um volante que o timão de um navio. Era um tanto moderno.
— Oi, sou Lorelai Tate.
Depois de apertar alguns dos botões, o Argo II deu uma guinada violenta e alguns protestos chegaram ali pela repentina ligada do motor. A criatura tornou levemente o rosto para mim, ficando de perfil.
— Disseram que eu teria que tomar conta de sete crianças... — Ele arqueou a grossa sobrancelha, desconfiado. — Contei oito com você...
Mordi os lábios, suspirando.
— Pois é, sou aquele contratempo no plano de vocês... — Pausei, apreensiva. — Leo/Gaia falavam de mim quando esse navio atacou os romanos.
O treinador assobiou, impressionado.
— Ela parece bem decidida a acabar com você, filha... Não faça nós morrermos por causa disso.
— Não, é claro que não. — Falei rapidamente. — E, por favor, não me chame de filha. — Expressei um sofrimento miserável. — Tudo o que menos desejo no momento é descobrir que tenho mais um pai.
— Não faço a mínima ideia do que está falando, garota, mas fechado. — Levantou a latinha. — Saúde.
Fiquei boquiaberta, fitando-o comer o alumínio e, discretamente, deixei o local para seguir os seis semideuses e descobrir como o filho de Hefesto estava. Não foi muito difícil, pois o treinador estava bem ocupado com sua "deliciosa" refeição. Hm, yummy...
Encontrei a cozinha facilmente. Lá, todos estavam rodeando Leo e Piper segurava sua mão esquerda, enquanto ele apoiava uma bolsa de gelo na cabeça.
— ... e, então, o treinador acertou você com o taco de baseball e você apagou? — Jason finalizava o raciocínio.
Leo respirou fundo com uma cara culpada.
— Foi muito ruim o que fiz lá embaixo?
Ninguém soube responder de maneira educada para que ele não se sentisse tão mal. Leo encarou todos, já premeditando que agira muito mal, tirou a bolsa de gelo e soltou a mão da amiga, tampando o rosto, muito triste. Isso partiu meu coração, justamente porque a causa do filho de Hefesto ter feito o que fez, foi por Gaia me querer no churrasquinho do almoço.
— Você fez um belo estrago... — Iniciei, meio incerta. — ... mas está longe de ser o culpado disso tudo. Gaia é uma maldita filha da puta desgraçada. — Engoli em seco. — Espero que ela não tenha escutado isso... — Murmurei. — Enfim, nossa vida não é apenas nossa vida, ainda mais prestes a entrar em guerra. Estamos à mercê disso tudo e...
Eu nem sabia mais se as palavras eram para Leo ou para mim mesma. Sinceramente, estava destruída e nem tinha feito coisas importantes ainda como os outros semideuses. Minha vida estava sendo escrita não por mim, e sim, pelos deuses que decidiram me criar. Nunca pedi para ser quem eu era. Eu estava com medo, admitia agora. Se eu falhasse, não seria apenas uma falha minha, as consequências de minhas ações atingiriam proporções catastróficas se a Mãe Terra despertasse. Dormindo ela já fazia um semideus bombardear um acampamento, imagine se ela acordasse?
Parei de falar aos poucos com todos os olhares voltados a mim, inclusive o do filho de Hefesto, o qual erguera o rosto, curioso, e deixei a cozinha.
— Com licença.
Decidi permanecer do lado de fora, sentindo o vento revoar pelo meu cabelo. Se a vida fosse simples não diriam que ela é uma luta contínua, cuja base é a nossa força e persistência. Eu poderia comparar minha vida ao Titanic e Gaia e todo o resto de estranhezas seriam o maldito iceberg... Como eu faria para desviar daquela enorme pedra de gelo se eu ainda não havia aprendido a navegar direito?
Eu estava enlouquecendo, bancando a filósofa. Só poderia ser isso... Será que o néctar continha os mesmos ingredientes usados na bebida daquele campista romano, que sorria como um bobo? Droga, eu precisava fazer algo sobre isso...
— E aí, criança perdida?
Virei e dei de cara com o filho de Hefesto, ele montava algo com ferramentas intermináveis que saíam de seu cinto. Ele estava com um semblante mais calmo e um pouquinho mais alegre.
— Você está com fome?
Respirei fundo, dando de ombros. Eu não estava exatamente com fome, não mesmo. Depois da pizza e do refrigerante, o que eu queria mesmo era dormir, mas eu precisava começar meus treinos com Percy e Annabeth, algo que nem havia pedido a gentileza deles fazerem. Talvez eles estivessem ainda na cozinha...
— Não exatamente...
Comecei a segui-lo, dando um leve sorriso.
— Ei, então você é um tipo de avatar olimpiana? Controlando os poderes dos Três Grandes...
Dei um riso anasalado.
— Pode-se dizer que sim.
— Gaia vai se ferrar, chica. — Ele fingiu pentear o cabelo e ergueu o queixo. — Não se preocupe, seremos o time da pesada.
Acenei com a cabeça, concordando.
— Espero que sim.
Ao chegarmos à cozinha, Annabeth estava sentada no colo de Percy com um rosto meio perdido em pensamentos, preocupada, porém, ninguém parecia perceber isso ou o mais provável: sentiam o mesmo e achavam melhor não tocar no assunto.
— Nossa Avatar vai comer alguma coisa. — Leo sorriu de orelha a orelha e entregou-me uma flor de metal, provavelmente o que estava construindo alguns minutos atrás. — Sinta-se à vontade. Peça o que quiser e minha incrível invenção dará a você.
Arqueei a sobrancelha, desconfiada.
— Qualquer coisa?
Ele assentiu, apontando "Vá em frente".
Estreitei os olhos e encarei a parede, pensando em... Tacos. Eu estava mais do que cética, poderia até gargalhar e contar para meus netos como fui boba de sequer considerar a ideia de... Arquejei. De lá, saiu um prato com minha desejada refeição e eu praticamente caí de costas. Como era possível?
Sentei em um canto vago, deslumbrada pelo prato a minha frente. Aquilo era a solução para meus problemas alimentícios noturnos. Às vezes, eu acordava com desejos estranhos: mascar chiclete de chocolate meio amargo; comer torta de frango com molho de framboesa... Basicamente, eu parecia uma mulher grávida, exceto que... Eu não estava grávida, apenas ficava curiosa sobre essas invenções de sabores.
Leo sorriu e aproximou-se de mim, passando um braço por cima da minha cabeça e apropriando-se de um dos meus tacos. Juro que quase aproveitei minha injeção de energia pelo néctar e dei uma voadora nele, mas imaginei que não seria uma bela maneira de manter um saudável círculo de amizades.
— Tacos. — Ele mordeu e sorriu. — Eu sou o melhor.
— Ei, tem uma máquina que faz o que quer que você tenha vontade de comer e você pega do meu prato? — Fiz um biquinho, fazendo ele e os demais rirem um pouco. — Isso é perfeito! — Apontei para a parede, suspirando. — É uma tecnologia incrível!
O filho de Hefesto inflou o peito e colocou uma das mãos na cintura, extremamente orgulhoso de si mesmo.
— É mais do que tecnologia, querida. — Piscou, todo galante. — Isso é Hefesto Produções.
Não pude impedir uma leve gargalhada sair. Todos eles eram tão legais. Acho que acabara de encontrar meu lugar, ao ver Piper dando um tapa na orelha de Leo, enquanto Jason sorria. Hazel e Frank trocaram olhares e depois deram de ombros, confusos pela mudança de ar: de tremendamente pesado — cortesia de Gaia — para uma simples reunião entre jovens meio-sangues; Annabeth trocou um selinho apaixonado com Percy.
Seria tão bom se momentos daqueles durassem mais, sem inimigos "brotando" pelo caminho... Foi muito cedo para pensar nisso.
O navio parecia ter trombado em algo, sacudindo-nos na cozinha, mesmo estando no ar. Um estrondo soou novamente e sirenes alertaram a chegada de inimigos, além do treinador gritar xingamentos e mais xingamentos. Estávamos sendo atacados. Só tive tempo de suspirar, vendo meus tacos espalhados pelo chão... Por que o mundo conspira de forma tão injusta?
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