Putrefy
8 Ultraviolence
Notas iniciais
Ele fechou os olhos por meio segundo e tornou a abri-los novamente. Talvez, apenas talvez ele pensou se piscasse com muita força até ver pequenos pontos brilhantes á sua frente tudo não passaria de um sonho tolo. Então inspirou profundamente como se todo o ar fugisse de seus pulmões. Foi nesse momento que o cheiro nauseabundo invadiu sua narina. No começo era como uma pequena coceira imperceptível, mas agora não tinha como negar o que estava presente. Ele tentou não se importar, mas seu estomago revirou e reclamou. Tentou prender o vomito no fundo da garganta. O cheiro era bom, não podia se ruim, não podia se desfazer dele. Ele era parte dela, e ela era parte dele. E era assim que as coisas deveriam ser. Até o fim.
*******************************************
A mão de Rey coçava muito enquanto ele prendia Cherry contra a parede do quarto de motel em que estavam hospedados. Ele tinha cansado de se comportar, de ser bonzinho e de ser um bunda mole. O que bundas moles ganham? Gratidão não enche barriga e nem preenche nenhum vazio. E aquela mulher não tinha um pingo de gratidão. Ele tinha tentado, Deus como tinha tentado. Ser um cara legal, ele dizia para si mesmo dia após dias, não foda tudo como você fez das ultimas vezes Rey, seja um cara legal, seja um cara bacana não custa nada ser bonzinho de vez em quando. Não estrague tudo dessa vez, você acabou de sair da prisão, depois de dez malditos anos e com toda a certeza não quer voltar para aquele inferno tão cedo. Na realidade não quer nunca mais voltar para lá. Sim ela é uma stripper, isso é sabido. Mas nem isso é um motivo para fazer nenhuma merda contra ela. Rey continuou entoando esse mantra para consigo mesmo dia após dia. Todas as vezes que ela se esfregava contra ele de forma lasciva, quando o deixava em ponto de bala, e na hora H pulava para trás. Ele era um otário completo e tinha plena consciência disso, agora tudo estava tão claro quando a água.
Ela pediu ajuda, ele resolveu ajudar de bom grado sem esperar (quase) nada em troca, ela era jovem, bonita e cheia de vida. Ele não queria machucar uma coisinha assim tão preciosa. Tudo o que queria era que ela gostasse dele, não precisava ser muito, apenas um pouquinho. Rey sabia que não era um cara mal apessoado, ele estava maltratado pelos anos que passou preso, mas nem por isso tinha perdido seu charme, sabia que muitas mulheres não iriam negligenciá-lo. O problema é que ele não queria outras mulheres, ele queria apenas aquela.
Abandonou todo e qualquer resquício de juízo que ainda tinha dentro de si e topou fugir com ela, afinal de contas não tinha nada a perder. Quando ela docilmente pediu que ele a levasse até a mansão de um desconhecido ele obedientemente cedeu sem reclamar, e o pior de tudo foi que ele tinha levado ela para trepar com um velho rico. Com um velho rico para ela tudo bem, com o pobre Rey ela nem queria chegar perto, e Rey foi engolindo e aceitando tudo de bico calado sem reclamar, sem questionar. Tudo o que ele queria era apenas um pouco de empataria, não era pedir muito, ele estava fazendo tudo por aquela maldita garota, ele tinha revogado seu direito de ser um homem livre e virado o escravo pessoal dela e motorista. Ignorando o fato que estava de condicional e a qualquer momento poderia ser jogado novamente para mofar na prisão, ele foi e a ajudou a roubar a merda de um banco, e mesmo assim não viu a cor de um tostão, que ela alegava dizer que esse dinheiro não era deles, era do maldito velho Von-John. Além de roubar e arriscar o cu por aquela quantidade de dinheiro ele não podia tocar na grana e nem na garota. .Aceitando todos os tipos de desaforo daqueles lindos olhos gelados e desiguais sem dar um pio, como um bom cachorro domesticado.
Ele não era um maldito cachorrinho, ele não tinha uma dona e não tinha que obedecer a porra nenhuma. Estava cansado de ser humilhado, espezinhado e ser tratado como um nada. Isso era o que ele era para ela um merda, um grande pedaço de merda sem valor. Ele sabia que iria acabar sendo preso ou morto em uma dessas, não tinha nada a perder, e tudo a ganhar.
É incrível como a vida pode passar em uma fração de segundos diante de nossos olhos, e Rey teve magicamente todos esses pequenos lapsos de realidade enquanto raspava o bigode para fora de sua cara no espelho embaçado do banheiro pela fumaça do chuveiro misturada com o cigarro habitual que tinha colado á boca. Era uma coisa tão simples, ele precisava ser o macho alfa, não dava mais para ser um fantoche na mão daquela menina, ele precisava se impor como homem. Ele precisava ser James Rey Furnier, um homem de verdade e ele tinha os colhões para isso e precisava pela primeira vez na vida aprender a usá-los. Chega de ser manipulado, humilhado e tratado como um cachorro de sarjeta! Era hora de deixar sua besta interior falar por si só, ela precisava ouvi-lo rugir. Nem que para isso ele tivesse que exorcizar a besta interior de Cherry Pie.
Passou os dedos longos e peludos pelo espelho embaçado, finalmente pode ver sua fisionomia, o rosto marcado pela idade, os olhos azuis opacos e inertes. A boca curvada em desaprovação, o nariz torto que havia sido quebrado em uma briga na prisão. E os lábios vazios sem a sujeira daquele bigode louro queimado. É agora ele pensou. Agora ou nunca, ou você cresce e vira um homem e assume a relação, ou a besta irá devorá-lo por inteiro, pedaço por pedaço. Rey prendeu a fumaça dentro do pulmão, deixou queimar e depois soltou. Amarrou a toalha em volta da cintura para tapar o sexo e saiu do banheiro abafado como uma sauna. Ele deduzia que uma sauna deveria ser assim, nunca tinha ido a uma de verdade.
Ela estava sentada na beirada da cama por cima das pernas brancas e atraentes, ela tinha uma cor de leite azedo. Estava concentrada olhando para a televisão segurando o controle remoto, tinha longas unhas vermelhas pontiagudas, talvez não fosse uma boa idéia tentar competir com aquilo.
Rey parou ao lado da garota na esperança que ela notasse seu novo visual. Alguns segundos se passaram, ela mudou de canal e não olhou para o lado. Rey estava impaciente.
—Que tal? — Ele finalmente perguntou rompendo o silencio. Nada.
Ela continuou a fitar um programa sobre jóias.
—Que tal o que? —Ela perguntou entediada sem demonstrar nenhum interesse em especial por Rey.
—Olhe para mim. — Ele ordenou zangado. Uma ordem era um bom começo.
Ela se virou lentamente revirando os olhos, ela sempre fazia isso quando conversava com ele, no fundo ele sabia que ela tinha algum tipo de repulsa á Rey.
—Quem é você, e o que fez o paizinho? — Cherry brincou. Um pequeno brilho transpassou os olhos desiguais dela, uma mórbida curiosidade.
—Ficou bom? — Ele perguntou ansioso.
—Porque você tirou o bigode? Desistiu de participar da indústria pornográfica?— Ela perguntou em escárnio. Cherry não levava Rey a sério, ele era uma piada para ela e nada mais além disso.
—Estava cansado daquela coisa em cima da minha boca, e depois de hoje fiquei com medo que me reconheçam na rua pelo bigode. Você sabe depois que saímos do banco. —Ele justificou. Não que devesse dar alguma justificativa para ela, mas não sabia articular as palavras corretamente então optou por dizer isso por fim.
—Uma sábia escolha. Então o que você quer fazer? — O interesse dela havia passado, ela tinha saciado a curiosidade e voltou-se novamente para a televisão.
Rey suspirou tomando coragem. Suas mãos estavam suando, ele se sentia como um adolescente em sua primeira vez. Isso era patético.
—Eu vou foder com você agora. —Ele disse sério. Na sua cabeça ele tinha ensaiado essa fala mentalmente inúmeras vezes no chuveiro, dentro de sua mente isso soava perfeitamente bem, agora falando em voz alta era um pouco ridículo.
Ela não conseguiu conter o riso. Ele sentiu um comichão atrás da nuca. Sua mão voltou a coçar em torno dos nós dos dedos.
—Sim claro. Estou falando sério, estou com fome vá buscar alguma coisa para comermos, paizinho. —Ela tirou uma mecha de cabelo do olho e colocou atrás da orelha.
—Não. Eu vou comer você agora garota. —Ele optou por usar uma abordagem mais grave, não podia vacilar. Precisava manter-se firme;
—Tirou o bigode e está se achando o comedian... — Ela tentou formar uma frase, mas Rey foi mais rápido. Ele estava farto dela, de suas atitudes infantis, de seus olhos de cores diferentes, do seu cheiro de pecado. Da sua voz aveludada. Se ele tivesse um martelo por perto enfiaria no meio da testa dela, só para que ela parasse de respirar obscenidades ao seu lado.
Passou os dedos pelos cabelos macios dela, e os puxou de uma única vez, por uma fração de segundos viu o olhar que ela transmitia; era de pânico. Pânico é uma boa coisa, pode-se levar ao respeito. Puxou com mais força até sentir alguns fios se arrebentando do couro cabelo, ela não teve tempo de gritar quando ele a jogou contra a parede do quarto. Simplesmente a puxou da cama pelos cabelos como um homem das cavernas e a chocou contra a parede, talvez ela perdesse alguns dentes com sorte.
A safada soltou um grito abafado, Rey sentia a adrenalina entorpecer todo o seu corpo. Ele estava no controle da situação pela primeira vez há muitos anos. Era como se ele estivesse verdadeiramente vivo.
—QUE MERDA VOCÊ ESTÁ FAZENDO? VOCÊ FICOU LOUCO? — Ela gritou com o rosto colado na parede. Sua voz não passava de uma sinfonia de fundo, não tinha nenhuma importância.
—Sabe de uma coisa. — Ele apoiou o joelho contra o quadril dela, impedindo-a de se mover, isso sem tirar a mão dos cabelos dela, que ele continuava a puxar até escalpelar Cherry. —Um homem não é um tolo, um homem não é um brinquedo, e esse homem está cansado de ser tratado como um. Você vai ser minha aqui e agora.
Ela deu uma gargalhada estridente, talvez ele não tivesse sido claro o suficiente.
—Meu Deus, mais isso era só o que me faltava! Você tomou algum tipo de ácido? Eu tenho a porra de uma arma, me solte agora e eu não vou atirar no meio da sua virilha. —Ela disse com autoridade.
Não era assim que esse jogo seria jogado.
—Tcs tcs tcs, qual parte de que EU estou assumindo o controle você não entendeu? — Ele chutou a costela dela. Cherry soltou um pequeno grito de dor. Ele puxou sua cabeça para trás para que ela pudesse fitá-lo nos olhos. —Eu não estou para gracinhas, pare de brincar comigo!
—Tudo bem, tudo bem. Eu entendi. Fique calmo ok? Você quer transar eu já entendi não precisava me jogar na parede, meu Deus! Acho que você quebrou meu nariz! Vamos lá paizinho, me solta. Vamos fazer isso direito.
Ótimo! Ela havia entendido o recado mais rápido do que ele imaginava, ela ia ser uma menina obediente e fazer o que ele mandasse.
—Eu... Eu só queria que você gostasse de mim... É pedir muito? Eu faço de tudo por você Cherry e você nem me diz o seu nome. Por... —Ele sentiu os olhos arderem e o nariz cocar, estava chorando. — Por favor, seja minha. Isso é tudo o que eu quero.
—Sim paizinho, sim! Desculpe-me por ter sido uma idiota arrogante. Eu vou recompensar você, prometo. Prometo que vou ser uma garota boazinha.
Rey soltou o cabelo dela e tirou o joelho das costas da garota. Ela se virou. Rey olhou para suas mãos e tinha uma tocha de cabelo acobreado entre os dedos. Ela estava com o nariz sangrando, um filete de sangue escorria por sua boca pingando direto no chão.
Rey limpou os olhos e se permitiu sorrir. Ela coçou a cabeça e fez uma careta de dor.
—Eu não queria te machucar, querida. Você sabe que eu gosto muito de você, e você é tão linda, Deus você é perfeita.
Ela depositou a mão no ombro dele.
—Oh paizinho eu sei disso. É uma pena que você é um retardado mental. — Ela fungou o nariz.
—Eu sou o que? — Antes que pudesse raciocinar, Rey apenas sentiu o lampejo de dor em suas partes baixas, ela tinha dado um grande chute no seu saco sem nenhum pudor ou aviso prévio. Rey agachou no chão gemendo de dor. Lágrimas quentes escorriam pela sua bochecha.
—Retardado da porra, porque meu Deus eu sou uma imã pra gente assim. — Ela disse batendo a porta. Ela usava apenas uma camisa branca larga e uma calcinha preta rendada. Rey não podia acreditar que ela tinha saído do quarto usando isso.
—Oh não! Ela está indo embora. — Rey tentou recompor-se e se levantar, fora um idiota em acreditar nas palavras doces dela. Um idiota completo.
Abriu a porta em disparada, isso não ia ficar assim, se fosse preciso ia tapar a boca da maldita para não ouvir mais nenhuma mentira que jorrasse dali.
—Cherry! —Ele gritou assim que saiu do quarto, ainda usando a toalha branca enrolada no corpo. — Volte aqui sua puta do inferno! Você não vai escapar de mim! — Descalço Rey correu pelo estreito corredor do motel.
Assim que ela ouviu sua voz, começou a correr. Rey apertou o passo. Não iria deixar que ela escapasse pelos seus dedos.
—Volte aqui sua cadela desgraçada. Não adianta correr, eu vou te alcançar! Porra! — Rey não era tão jovem ou em forma para correr, mas precisava pegar aquela mulher. Isso era questão de honra agora.
Quase no final do corredor ele se aproximou, jogou o corpo com impulso sobre o dela puxando-a pelos ombros. Ergueu-a no ar enquanto ela se esperneava. Ela soltou um grito estridente.
—Me larga seu maluco! Coloque-me no chão agora! —Ela se debatia e esperneava.
Rey cobriu a boca dela com a mão esquerda.
—Acho melhor você não fazer nenhuma cena. Estou farto da sua criancice. Você precisa ser punida. —Ele disse voltando para o quarto. Ela grunhia em descontentamento.
Rey chutou a porta para abri-la e com o pé a fechou. Cherry continuava a se debater para desvencilhar dele. Ela não iria conseguir isso de novo. O homem a jogou na cama.
—Mas, mas que porra você acha que tá fazendo? Eu vou chamar a policia seu maldito caipira!
—Faça isso! Chame a policia e conte do homem que você matou na parte de trás da boate de strip que você trabalha o que acha de contar também do roubo de banco que VOCÊ fez? Não me venha com essa de ‘chamar a policia’ porque você tem o rabo preso.
Ela balançou a cabeça e se esquivou na cama.
—Você é louco, sabia disso? Eu sabia que você era louco. Só sendo louco para me acompanhar nisso tudo, mas eu não achei que você fosse esse tipo de louco.
—Eu não to entendendo porra nenhuma que você está falando! Cale a maldita boca que sua voz está me dando dor de cabeça. — Dito isso Rey jogou a toalha no chão.
Ela o olhou com descrença.
—Meu Deus como você é patético! O que vai fazer com essa coisa mole? Não pense em chegar perto de mim, eu não quero você perto de mim, não o quero dentro de mim. Já disse que você me enoja? Você não é homem suficiente para mim, é apenas um caipira ridículo e analfabeto que não sabe a diferença de esquerda com direita. Sim é isso que você é! Eu não sei o que diabos aconteceu com você para tentar bancar o machão, mas saiba que eu como caras como você no café da manhã. Então vamos pular essa parte embaraçosa porque você obviamente não sabe segurar a porra de uma ereção e eu vou fingir que nada disso aconteceu.
Rey estava enfurecido.
—EU DISSE PARA VOCÊ CALAR A BOCA SUA PUTA MALDITA! CALE A BOCA, CALE ESSA SUA MALDITA BOCA SUJA! EU SOU UM HOMEM!
—Não meu bem, você é uma ameba, você não é um homem. É um covarde! Um ridículo, um zero a esquerda. Você não duraria um minuto dentro de mim, você é estúpido, covarde, oh sim eu já disse isso. Você me dá asco! Cretino ridículo, caipira maluco! —Ela gritava não falava, cuspia as palavras em sua cara enquanto apontava o dedo magricelo para ele. Aquilo tinha ido longe demais.
Rey virou uma bofetada no rosto de Cherry. Sentiu a palma da mão arder. O rosto dela ficou imediatamente vermelho. Ela ergueu o olhar desigual com seus olho azul e verde gélidos e um sorriso de escárnio brotou de seus lábios vermelho de sangue.
—Isso é o melhor que você sabe fazer? Deus como você é ridículo! Tenho pena de você. Até minha mãe já me bateu com mais força! Nem para dar um tapa decente você serve.
Rey golpeou a outra face de Cherry, sua mão latejou com o torpor do tapa. Seu ouvido zumbiu com o sol da mão contra a pele. O nariz dela voltou a escorrer sangue instantaneamente. Era cuspiu o cabelo que tinha entrado na boca e voltou a sorrir.
—Sério? Você só pode estar brincando comigo. Se for fazer isso faça direito. Você é uma mulherzinha? É isso o que você é, uma putinha que não sabe bater em uma mulher? — Os dentes dela estavam manchados com o sangue, enquanto ela falava gotículas vermelhas se acumulavam no canto de sua boca.
—Cale essa sua boca, cale essa sua maldita boca! Eu juro por Deus que vou tirar todos os seus dentes, um a um! — Rey rugiu.
—Ah é? Nem bater você sabe sua putinha. Você não me dá medo. Vamos! Esse é seu melhor? Mostre-me o que você sabe fazer! Ande, não tenha a mão leve! — Ela o desafiou.
Rey avançou dela como um predador avança de sua presa. Esbofeteou o rosto dela diversas vezes, ela virava o rosto e sorria, gritava enquanto gargalhava. Rey estava confuso. Ele grunhia como um animal enquanto chorava. A boca dela estava uma poça de sangue, o nariz não parava de sangrar. Um pequeno corte havia aberto no canto esquerdo do seu lábio superior.
—Com mais força! Sua marica! Bata com vontade! — Ela ordenou.
Rey fechou o punho, ele ia quebrar os dentes dela. Suas lágrimas escorriam e se misturavam com o sangue no rosto da stripper. Ela não parecia afetada, cuspia o sangue para cima e continuava a dar risada.
—Sim! É disso que eu estou falando! Quebre a minha cara! Anda seu covarde, quero que você foda o meu rosto com sua mão. Seja um homem de verdade pelo menos uma vez na vida.
Aquela mulher era o diabo. Aquela mulher coberta em seu próprio sangue com a face maculada que sorria e gritava de deleite a cada tapa, Rey usou toda a sua força quando de um soco no olho esquerdo de Cherry, ele fez questão de acertar o azul. Ela parou de dar risada. Ficou muda. Silencio completo e absoluto.
—Meu Deus! O que eu fiz?! Cherry me responda! — Ele sacudiu ela e deu outro tapa, dessa vez mais leve para acordá-la.
—E-esse é o melhor que você pode fazer? Bata como um homem de verdade seu fraco!— Ela cuspiu o sangue na cara de Rey. Seu olho esquerdo estava fechado e começando a inchar.
—Porque, porque você é assim? Porque você me faz fazer isso? — Rey disse isso enquanto deu uma cotovelada no estomago de Cherry, ela arfou sem o ar. Olhou para ele e tornou a mostrar seu sorriso vermelho.
Rey rasgou a camisa que Cherry usava, jogou o trapo no chão. Passou as mãos tremulas pelos mamilos rosado e deu uma torcida forte, os virou no sentido horário. Cherry jogou a cabeça para trás, ela não gritou apenas continuou a gargalhar. Um riso desesperado.
—Oh sim paizinho, você finalmente está fazendo do jeito certo.
Rey olhou para a mulher machucada confuso, encostou o rosto no dela, sentiu o gosto ferroso do sangue em sua boca quando seus lábios encontraram os dela, ela ergueu as mãos e as entrelaçou na cabeça de Rey enquanto correspondia lentamente o beijo, não fez muito esforço apenas manteve a boca aperta. Rey não sabia o que fazer enquanto chorava ao beijar aqueles lábios machucados. Desceu os lábios pelo pescoço dela até encontrar os seios, a onde sugou o mamilo com força, ela gemeu, mas não era em descontentamento. Ele não suportava que ela continuasse a olhar, com aquele olho inchado julgando sua fraqueza.
Como uma boneca ele a virou, deixou ela e costas deitada na cama, ela não disse nada apenas permaneceu calada. Rey tentou manter a calma aquele momento era crucial. Ela estava ali virada com a bunda empinada para ele, sem falar nada. Quieta do jeito que ele queria.
Ele se aproximou por cima dela e cheirou o pescoço de Cherry, sentiu os pêlos da nuca dela se arrepiarem. Rey titubeou as costas magras da garota, passou lentamente até encontrar o quadril esguio. O tocou de leve, ergueu a mão e a desceu com força. O único som no quarto era o estalar da pele sob a mão com o tapa que Rey havia desferido em Cherry. Ela ergueu a cabeça para trás, Rey grudou no cabelo dela novamente e se aproximou do ouvido dela.
—É disso que você gosta? Não gosta de palavras gentis e toques amorosos? Você gosta de violência? —Rey rosnou.
Cherry não disse absolutamente nada, continuou apenas gargalhando descontroladamente, seu riso era doce como de uma criança, e ao mesmo tempo perverso como a de um diabo. Rey estava explodindo de desejo, e ao mesmo tempo ele tinha medo daquela mulher, ela não era do tipo normal. Rey se lembrava de sua mulher a doce Amélia, ela ficava deitada de olhos fechados esperando que ele terminasse, nunca fazia nenhum barulho na cama, mas estava sempre agradecida. Cherry guinchava ao invés de rir. Era assustadoramente delicioso o riso dela.
—Então é isso que você quer? Porque você é assim, por quê? — Ele perguntou sentindo novamente as lágrimas caindo dos olhos, ela tinha razão. Rey era realmente patético.
—Eu quero, que você... — Ela parou por um momento e gemeu de dor quando Rey puxou a sua cabeça para trás pelos cabelos. A garota parecia gostar daquilo. —Que você faça com força, quero que você me foda até fazer sangue.
Rey sentiu um arrepio atrás da nuca. Nunca ouvira uma mulher dizer isso. Puxou com mais força o cabelo dela sem soltar, era como segurar uma pequena marionete, ela se moveria pelos seus dedos enquanto dominasse seu cabelo. Até o final da noite ela ficaria careca. Rey estava em ponto de bala, sentia a ereção o incomodando, o formigamento que subia do dedão do pé até a virilha.
Com a mão livre Rey passou o polegar pelo sexo de Cherry, ela estava quente, porém seca. Isso não era nenhuma surpresa. Ela não se sentia atraída por ele.
—Porque você não está molhada? Eu não sou bom o suficiente para você? Me responda! — Rey gritou.
Cherry riu baixinho.
—Você não sabe como excitar uma mulher, você nem sabe bater, duvido que saiba bater. Me foda como se eu fosse a ultima coisa viva que você vai entrar dentro. Oh não, me esqueci você nem sabe mais o que é iss... —Rey a interrompeu virando-a de barriga para cima.
Ela arregalou o olho bom em descrença, o outro permanecia completamente inchado e fechado. Seu nariz estava uma confusão de muco, secreções e sangue e seu lábio partido ao meio. Rey fechou o punho e deu outro soco em Cherry. Desta vez em sua bochecha. Ela fechou os olhos com força, gritou de dor. Rey deu outro tapa na cara dela.
—Você não presta sua vagabunda! Eu não quero fazer isso, não quero, não quero. Não. NÃO NÃO! — Rey não conseguia parar de bater no rosto dela, se continuasse assim iria desfigurá-la. Cherry abriu um grande sorriso largo e o sangue jorrou de sua boca. Uma grande poça de saliva vermelha se apoderou do peito dela. Rey passou a mão que ficou encharcada com a cor escarlate. Limpou a mão ensangüentada na vagina de Cherry, isso iria servir para amenizar a fricção.
—Você está úmida o suficiente agora? Isso é bom para você? — Rey afastou as pernas dela tendo uma visão privilegiada do sexo de Cherry. Estava todo vermelho com o sangue da boca dela. —Eu não queria que as coisas fossem assim. Porque você tem que ser tão complicada, garota?
Rey segurou o pênis e o forçou para entrar em Cherry, o sangue ajudou a deslizar para dentro dela. Ela era apertada e quente. Rey sentiu o rosto arder com as lágrimas e o nariz escorrer. Ela estava bem a sua frente com o rosto coberto de vermelho. Os olhos semicerrados o acompanhavam. Rey umedeceu os lábios e segurou nos joelhos de Cherry. Investiu mais uma vez para dentro dela como uma britadeira contra o asfalto. Com força, era assim que ela tinha ordenado. Deus era tão bom. Fazia tantos anos que ele não sabia como era isso, parecia que tinha esperado por ela por toda uma vida.
Outra vez a penetrou com mais força, Cherry gemeu alto.
—Sim! É disso que eu estou falando. Ande paizinho. Use toda a sua raiva. Despeje todo o seu ódio dentro de mim, Oh Deus! Oh Deus sim! Com mais força! —Ela gritou com a voz embargada por algo que Rey não sabia se ela estava fingindo ou realmente gostando.
—Qual é o seu nome? —Rey perguntou. Sentiu o suor escorrer da testa. Queria rasgá-la ao meio. Se pudesse faria o mesmo.
—Mais rápido, com mais força. Quero toda a sua maldade dentro de mim. Ande paizinho, com força! Não seja delicado.
Rey enfiou a mão dentro da boca ensangüentada de Cherry, ela sugou o seu dedo lentamente. Rey continuou a estocar depressa, com mais agressividade. Ela contraia o quadril seguindo o ritmo frenético de Rey, ele sentia a pelve dela se comprimindo.
—Me fale o seu nome... Por favor! —Rey chorava enquanto implorava.
Ela não disse nada, mordiscou o dedo dele e fechou os olhos. Jogando a cabeça para trás da cama, que estava com o lençol machado de vermelho do sangue do rosto de Cherry.
—Eu... Eu preciso saber o seu nome! ME FALE O SEU MALDITO NOME!
—Oh paizinho, assim mesmo. É Cherry!
—Não, não esse. Seu nome de verdade. Seu verdadeiro nome! —Rey estava pronto para gozar.
—Pare de tagarelar. É Cherry. — Ela replicou.
—Me fale o... O se-seu nome! —Rey não conseguiu mais prolongar. Despejou sua semente dentro dela, o liquido branco e viscoso se misturou com o sangue. Rey desmoronou em cima de Cherry.
Ela tocou gentilmente o rosto dele.
—Oh paizinho. A onde você esteve todo esse tempo? — Ela perguntou com a voz rouca. —Você se tornou tão interessante nos últimos minutos.
Rey encostou-se ao ombro dela e gemeu, gemeu de vergonha do que tinha acabado de fazer. Gritou com todo o ódio que tinha dentro de si.
—Não era para ser assim. Eu só queria saber o seu nome. Eu não queria te machucar. Você me perdoa?
Ela abriu um sorriso tímido tingido de vermelho. Seus olhos eram duas bolas rochas, o nariz estava grande como uma batata e os lábios pareciam que iriam explodir. Seu rosto era horrível e ao mesmo tempo o mais lindo que Rey já havia visto em toda a sua vida.
—Foi exatamente como queria ser. Eu precisava ser machucada. Machucaram-me minha vida inteira. Nunca fisicamente. Isso aqui não se compara a nada que já tenham feito comigo, não se sinta culpado, paizinho. —Ela deu dois tapinhas carinhosos no ombro de Rey. Ele se aninhou nos seios dela á procura de proteção.
—É só que, eu te amo muito. De uma maneira diferente. Eu te amo o suficiente para te matar. —Ele por fim disse, não tinha a menor idéia do peso das palavras que tinha acabado de proferir.
—Eu sei disso paizinho. Em que lua nós estamos? —Ela deu um giro rápido na conversa.
—Não sei porra. Acho que é cheia, por quê? — Ele perguntou confuso.
—Oh, isso é algo terrível. Temos que ir ver a Bubba logo que o dia clarear.
—Ver o que?
—Minha vó. Ela mora no pântano. Sabe como dar um fim em coisas não planejadas. Não sei você mas me sinto terrivelmente cansada.
—Desculpe pelo seu rosto. Quer que eu pegue um pouco de gelo na maquina do lado de fora? —Rey perguntou preocupado.
—Oh sim, por favor. Eu acho que o meu molar está solto. — Cherry se virou de costas.
Rey levantou-se e se enrolou novamente na toalha agora manchada de sangue no chão, Abriu a porta e foi até a parte de fora. A maquina de fazer gelo ficava do lado do quarto. O sereno e o cheiro da podre Louisiana preencheu os pulmões de Rey. Ele olhou para suas mãos, e só agora notou que suas mãos estavam machucadas, não tão feridas quanto o rosto de Cherry, porém marcadas.
Pegou o baldinho de metal que estava pendurado na maquina e começou a enchê-lo com o gelo. Aproveitou para afundar a mão na superfície gelada. Seus nós dos dedos doíam.
—Eu não quero mais vocês dois no meu motel! — Uma voz rouca pegou Rey de surpresa. Ele se virou para trás e uma velha encarquilhada o fitava segurando uma vassoura de palha.
—O que disse? —Rey perguntou confuso.
—Eu não sei que diabos vocês dois estavam fazendo, mas não vão fazer isso aqui. Quero vocês dois bem longe do meu motel. — Ela tinha a boca murcha e olhos raivosos.
—E o que a senhora acha que aconteceu?
—Não me interessa, não é problema meu. Eu escutei os gritos e você sujou toda a minha tolha de sangue! — Ela disse apontando para a toalha em questão enrolada na cintura de Rey. —Não quero gente do seu tipo por aqui. Eu vou chamar a policia para você. Você matou aquela garota não foi? Seu bandido!
Rey deu risada. Pegou o gelo da maquina e olhou para o céu. A gorda lua cheia amarela cintilava no céu escuro noturno. Queria saber qual era o interesse de Cherry sob a lua.
—Não se preocupe amanhã nós damos o fora dessa espelunca. E está tão preocupada com a toalha? Porque a senhora não dá uma lavada nela? Está imunda mesmo. — Rey tirou a toalha e a jogou na direção. A velhinha ficou boquiaberta com a visão do homem nu a sua frente. Rey deu de costas e voltou para o quarto.
Fale com o autor