Putrefy
5 Sangue Frio
Notas iniciais
Treze anos atrás...
—Meu Deus do céu! O que você fez com ele menina? — A boca da mulher fazia um perfeito circulo em espanto.
—Mas... — Ela apertou a ponta do nariz, sempre fazia isso quando estava mentindo. — Ele estava com frio mamãe, e eu precisava secá-lo.
Mamãe abanava a cozinha com um guardanapo velho e sujo na tentativa de fazer com que a fumaça saísse de dentro da casa.
—E porque ele estava com frio ein? É o terceiro que você faz isso em menos de um ano! Eu não vou comprar mais essas porcarias para você, Carmen.
—Ele estava meio sujo mamãe. Achei que seria uma boa idéia dar um banho nele. Mas ele ficou com tanto frio, tremia sem parar. Ele precisava ser aquecido.
A mulher tossiu enquanto abria o forno que estava enegrecido com a fumaça. Tirou-o de dentro e jogou no lixo da cozinha.
—Escute o que eu vou dizer Carmen. Você não pode colocar o cachorrinho dentro do forno. Você não pode dar banho nele. Pelo amor de Deus estamos no inverno. Tenha um pouco de bom senso menina.
Ela olhou para baixo envergonhada. A mãe sabia que ela não estava envergonhada ou arrependida de coisa nenhuma. Seria compreensível se fosse à primeira vez, mas era o terceiro cachorro que a menina enfiava vivo no forno, mamãe estava começando a desconfiar que ela sentisse algum tipo e diversão com a situação. Ela já tinha perdido a conta de quantos gatos a garotinha tinha resgatado da rua e trazido para dentro de casa. Talvez morrer de frio na rua seria menos doloroso do que ter a cabeça enfiada no triturador de alimentos da pia.
—Queria ele é um animalzinho. Não é assim que se cuida dele. Você poderia ter se queimado, ou pior ter queimado a casa. Ele não merecia ter sido enfiado dentro do forno aceso.
—Ele está em um lugar melhor agora mamãe. Você mesma me disse que quando morremos vamos para um lugar melhor, não é mesmo?
Ela não tinha um argumento contra isso.
—Sim, eu disse, mas... Mas esse não é o ponto. Você não pode colocar essa porcaria dentro do forno. Simplesmente não pode fazer isso. —O que ela mais temia, era que ela não era como as outras crianças. Não chorava quando o bichinho morria. Não sentia repulsa ao triturar o pobre gatinho. O cheiro de pêlo queimado não a incomodava. As outras crianças faziam um funeral quando seu animal de estimação morria e ficavam com seus pequenos lutos. Ela era diferente. Simplesmente não se importava. E Deus sabia como ela tentara dar uma mascote de estimação para a menina. Mas todos tinham um fim trágico e prematuro.
—Quer saber de uma coisa querida? Talvez você não tenha sido feita para cuidar de um bichinho. Vamos esquecer isso está certo? Chega de adotar, chega de dar banhos e secá-los dentro do forno. Algumas pessoas não são boas para esse tipo de coisa.
A menina piscou os grandes olhos verdes. A mãe tinha medo de olhar diretamente para eles. Eram frios e inanimados. Pensou se seria uma boa idéia conversar com o padre a respeito dessa menina.
—Tudo bem mamãe. — Ela sorriu e dirigiu-se para fora da casa.
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O mato áspero coçava seus pequenos pés delicados. Cada alfinetada fazia com que sentisse cócegas na pontinha dos dedos. Mas ela não se importava continuava a caminhar na serragem adentro se embrenhando cada vez mais para a vastidão verde e amarelada. Algumas folhas do capim haviam sido queimadas e por isso o cheiro amargo da fumaça ainda pairava no ar.
A terra tinha entrado nas unhas, mas não tinha problema algum, em sentir a brisa quente do final do outono corando as pequenas bochechas. Ela parou por um momento e coçou o pequeno tornozelo, algum inseto a tinha picado. Era um pequeno preço a se pagar por caminhar descalça aos arredores do pântano. Apanhou um pequeno dente de leão, ele era tão delicado e pequeno ao toque. De alguma forma ela se sentia conectada aquela plantinha. Era bonita por fora, mas assim que assoprada se tornava oca por dentro. Completamente vazia.
Assim que agachou para procurar outra igual aquela que tinha assoprado sentiu algo gelado tocar-lhe a pele. Sentiu um pequeno arrepio delinear sua espinha. Olhou para baixo e não viu nada. A pele ainda estava úmida e gelada ao toque. Sentiu novamente aquela sensação engraçada. Algo muito frio e molhado tinha passado novamente por entre seus pés. Quando tocou o chão algo escorregadio escapou pelas suas mãos. Com cuidado quase que transparente um bebê cobra estava se aninhando nos seus pés. Com a queimada perto do pântano ele devia estar desamparado. Sem um ninho, sem ninguém. Carmen tentou pegá-la, mas a cobrinha era rápida demais. Não deixava ser alcançada e muito menos tocada. Ela era quem iria tocar quando quisesse. A garota entendia isso. Apenas ser tocada quando conveniente. Se não prestasse muita atenção passaria despercebida. Ela era tão fina e pequena que poderia ser confundida com uma minhoca.
Em um único golpe ela apanhou o pequeno réptil pela mão. Tinha o corpo branco com manchas amarelas. Em suas pequenas mãos quentes era palpável o contraste com o sangue frio do animal. A cobra passeou por seu braço, desvencilhando de seus dedos magricelos e subindo pelo antebraço, fazendo o contorno até seu pescoço. Carmen fechou os olhos e tudo o que pode ouvir foi o sibilar do invertebrado. Era uma sensação agradável e ela não tinha medo. Era como se uma pertencesse à outra. Delicadamente puxou o animal e colocou dentro do bolso. No fundo ela sabia que a cobra não iria lutar para sair dali, ela estava desamparada e não tinha mais ninguém no mundo a quem recorrer. Era um grande golpe de sorte ter encontrada com Carmen nos arredores do pântano. Um predador rapidamente iria dar fim à vidinha do bebê cobra. Ela ainda não sabia se defender e seria uma presa fácil para animais maiores.
Enquanto caminhava a cobra colocava a cabeça para fora do bolso na tentativa de observar o caminho. Ela não tinha com o que se preocupar, afinal estava indo para casa. Desse dia em diante ela não estaria mais sozinha. A menina não via à hora de mostrar para mamãe que era sim capaz de cuidar de um bichinho. E esse ela não iria colocar no forno ou dar um banho gelado. Esse era bem mais interessante que os outros.
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Um ano e meio atrás...
Ele a fitou de cima a baixo, analisando desde os pés descalços e encardidos até o cabelo bagunçado castanho cor de cobre. A cada piscadela e olhar era como se ele a despisse com os olhos. O homem coçou a barba ruiva com o charuto ainda preso entre os lábios. Seu rosto era impermeável e ela não sabia dizer o que se passava pela cabeça dele. Estava ficando desconfortável ali parada no canto da sala como uma completa idiota. Ele não dizia nada, continuava a soltar a fumaça e a encara pensativo. Pensou se seria mais fácil se tirasse de uma vez o vestido xadrezado vermelho para acabar com o suspense de uma vez. Mas não ia fazer isso. Ainda não.
Tinha sido corajosa o suficiente de ter entrado naquele lugar. Desde que era criança quando a velha mãe á arrastava para a igreja (que ela detestava ir) passavam pela frente daquele local. As luzes de neon vermelhas que piscavam faziam com que seus olhos brilhassem. O cheiro que saia dali de dentro a instigava, sentia como uma mosca atraída para o lixo. Sua mãe sempre passava correndo por ali e virava seu rosto. Era terminantemente proibido olhar para aquele lugar por muito tempo, pois a perversão poderia contaminá-la. Mal ela sabia que já estava há muito tempo contaminada.
E aqui estava ela, dentro de uma sala abafada, com um varal de roupas minúsculas e brilhantes encostadas em um canto. Uma mesa de madeira e um sofá de couro preto perto do pequeno ventilador que só ocupava espaço e não acabava com aquele calor maldito. Desde que ela tinha entrado naquele cubículo a temperatura tinha aumentado significantemente. Ela estava literalmente na Boca do Inferno. Aquilo não a assustava, já tinha se deitado com o diabo inúmeras vezes. Sem nem ter saído de dentro da igreja.
Carl sem-parentesco continuava a fitá-la com os olhos famintos, se não estivesse se sentindo estúpida o suficiente com aquela situação teria saído para fora da sala e mandado ele se foder. Mas precisava do dinheiro. E essa era uma oportunidade única. A pequena caixa preta continuava parada no pé da mesa. Ele a tinha olhado com desdém quando apareceu na porta daquele local perguntando sobre a vaga de emprego. ‘’Não aceitamos crianças. A creche fica do outro lado!’’ ele disse escarrando no pé da porta. Depois de tanto insistir ele a tinha conduzido para dentro daquela salinha imunda para conversarem. Fazia cerca de dez minutos que estava ali parada sendo observada pelo homem com o rosto coberto por sardas de fuligem.
—Muito bem. — Ele falava, mas sua boca não se movia. Era como um ventríloquo. —O que diabos você quer aqui menina, além de fazer com que eu perda meu tempo é claro. — Ele disse delineando um caminho no ar com o charuto.
—Eu quero um emprego. — Ela disse baixinho timidamente.
—Eu não entendi o que você disse. Fale mais alto, menina! — Ele disse em tom de deboche.
—E-eu... Eu disse que vim pelo emprego. — Ela tentou usar toda a simplicidade das palavras lutando para mostrar que estava envergonhada da situação. Ela não estava sentindo vergonha. Na realidade ela não sentia absolutamente nada.
—Nós não estamos contratando faxineiras se é isso que você procura. Sugiro que dê meia volta e volte para o rancho da onde saiu. Eu só lido com profissionais.
Ela engoliu a seco. Olhou para o chão brilhante e para os pés descalços no chão. Tinha saído correndo de casa que se esquecera de colocar os sapatos. Agora era tarde demais para isso.
—Não vim para limpar. Vim pela vaga de dançarina. — Ela por fim disse.
Ele soltou a fumaça em círculos pelo ar e deu uma rouca gargalhada. Riu por tempo demais. Ela se perguntou se tinha contado alguma piada tão engraçada. Será que ele riria tanto assim com o charuto entalado na garganta?
—Ah então você sabe dançar. Desculpa mas caipiras que dançam quadrilha na quermesse da igreja não são um requisito muito procurado por aqui, doçura. Ficar parada com essa cara de boba encarando o chão também não vai servir da nada. Então eu vou perguntar novamente. Você sabe fazer alguma coisa além de em entediar até a morte?
—Eu sei engolir espadas... — Ela deixou escapar. Sua avó tinha crescido em um circo antes de ir morar no meio do pântano. Ela tinha aprendido uma ou duas coisas com a velha Bubba.
Pela primeira vez ele prestou alguma atenção na garota.
—Eu não acho que você realmente entendeu o que seja isso aqui. Isso aqui não é a porra do circo, meu bem. As pessoas não vão pagar pra ver você enfiando a merda de uma espada na goela abaixo. Agora se você está falando desse tipo de espada... — Ele agarrou os testículos pela calça. — Talvez você tenha alguma serventia. Em outro lugar, eu não trabalho com putas.
Ele usava um brinco de argola brilhante na orelha esquerda. A luz refletia conforme ele se mexia hipnotizando a garota. Ela sentiu todo o sangue subir á face.
—Eu não sou uma puta. Sei atirar facas...
Ele se levantou e aproximou-se até a porta abrindo a bruscamente.
—Assim que passar um circo, tenho certeza que você vai ter muito que fazer lá. Mas para mim você não tem serventia docinho. Mova esse seu lindo traseirinho para fora daqui que eu me cansei de você. Esse ramo é apenas para aquelas que realmente sabem fazer isso. Não para pessoas que como você sonham em fazer alguma coisa de útil na sua vidinha. Faça-me um favor, faça um favor a ambos e pare de me fazer perder a porcaria do meu tempo e saia do meu maldito estabelecimento. — Ele apontou para a porta.
—Espere! Tenho mais uma coisa. — Ela disse se aproximando da caixa preta no chão.
Ele revirou os olhos e pigarreou.
—O que foi agora? Qual parte do cai fora você não entendeu? É surda por acaso, menina e... Puta merda! — Ele exclamou vendo-a a tirar a longa cobra amarela e branca de dentro da caixa e a enrolar ao redor do pescoço.
Com o pé desnudo ela empurrou tudo o que tinha em cima da mesa e subiu. A cobra praticamente fez o resto que era movimentar-se ao redor de seu corpo enquanto ela lentamente se movia á batida da música imaginária que existia apenas dentro de sua cabeça. Delineando seu corpo como um mapa o réptil gelado fazia todo o percurso.
Boquiaberto, Carl se aproximou ajoelhando-se no chão para contemplar melhor a visão da mulher que dançava com a cobra no corpo de olhos fechados. Absorvendo o toque gelado á sua pele quente. Ela sabia que estava tão fria por dentro quanto o animal. Esticou o pé empurrando-o para trás. Enquanto lentamente o movia subindo pela clavícula do homem. Ele não falava nada. Estava apenas parado sem nenhuma reação. Ele era mais um do tipo que fala mais do que cumpre. Subiu o pé até o rosto dele e parou com os dedos dentro da boca do homem.
—Isto está bom para você? — Ela perguntou olhando para os olhos cor de gelo do ruivo.
Ele apenas afirmou com o olhar. Não ousou se mover. A cobra desceu pelo corpo da mulher, subindo por sua perna até chegar silvando á poucos centímetros da cara dele. Ele tinha pânico no olhar.
—Tire esse bicho daqui. — Ele lutou para falar com o pé dela dentro de sua boca.
Ela não se moveu. Apenas observou a cobra sibilar próxima ao nariz dele, colocando a língua repetidamente para dentro e fora da boca.
—Quando eu posso começar? —Ela perguntou.
—Hoje a noite se quiser. Salário mais 40% para a casa. As gorjetas são suas. — Uma gota de suor escorreu pela testa do imbecíl.
—Trinta. — Ela manteve a voz firme.
—O que? Está louca eu não posso fazer isso. — Ele tentava falar cuspindo, mas o pé dela dificultava.
—Se eu mover minha perna rápido demais ela te morde. Simples assim. Trinta por cento ou não temos um acordo.
Ele fechou os olhos. A cobra continuava subindo pelo rosto do homem que estremecia.
—Trinta me parece uma quantia razoável. Agora seja boazinha e tire a porra do seu animalzinho de cima de mim.
Ela se agachou e agarrou a cobra.
—Se você fosse mais perceptivo, notaria que ela não tem as presas. Eva não pode te morder, bobinho. Eu mesma as removi quando era criança. Ela nunca me mordeu. Uma pena não poder dizer o mesmo dos humanos.
Ela recolheu seus pertences e saiu vitoriosa da pequena sala.
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Cherry Pie notou que Rey estava extremamente desconfortável com a situação. Com os ombros arqueados na direção do volante, desde que tinham deixado o clube de strip tease ele não tinha pronunciado nenhuma palavra. Talvez ele fosse um pouco tímido e precisasse de um pequeno empurrãozinho.
—Algum problema, paizinho? — Ela perguntou colocando a mão delicadamente sob o joelho do homem. Ele resmungou alguma coisa e continuou olhando para a estrada fixamente.
Ela fez um beicinho e subiu a mão até a coxa do homem, que se mexeu desconfortavelmente no banco do caminhão.
—O que você está planejando, menina?
Ela forçou sua melhor cara de surpresa, e subiu um pouco a mão até a virilha do homem.
—Eu já disse para você, paizinho. Nós vamos ficar fora por alguns dias. Eu tenho algumas coisinhas para resolver. E você disse que iria me ajudar.
Ele limpou a garganta ruidosamente. Ela dançou com os dedos na virilha dele.
—Sim, você já me disse isso. Mas fica... — Ele inspirou fundo com o toque dela. — Por favor, pare. — Ele pediu baixinho. Ela mordeu o lábio inferior e passou a mão no cós da calça de Rey. — Fica... Difícil saber para onde nós... Oh meu deus! Onde nós... Não faça isso, por favor. — Ela continuou a acariciar o jeans do homem que estava com o dobro do tamanho. — Para onde nós estamos indo e... Oh! Você deveria me dizer o caminho. Mas que porra você está fazendo? — O velho caminhão estava andando em zig-zag com o motorista visivelmente perturbado. Ela não se importou e desabotôo a cala do homem. Mais um pouco e o botão iria explodir e arrebentar o vidro do carro.
—Qual é o problema paizinho? Continue dirigindo olhos na estrada. Não preste atenção no que eu estou fazendo. — Ela lambeu o lábio superior e colocou a mão dentro da cueca quente do homem. Não era preciso muito esforço ou imaginação para animá-lo.
Ele fechou os olhos. Isso estava se tornando perigoso o que fazia com que toda a situação ficasse mais excitante.
—Você quer que eu pare? Se quiser é só dizer... — Ela sentiu os pêlos do homem contra sua mão. Começou a acariciar o membro viril de cima a baixo por dentro da calça, que não tinha mais muito espaço. Sentia as veias pulsarem sob sua mão.
—Porque você está fazendo isso... — Ele gemeu. — Por favor... Eu estou dirigindo. Diga-me a onde... Oh meu Deus. — Ele agarrou ao volante como uma pessoa afogada agarra-se á uma bóia salva vidas.
—É só você pedir que eu pare. Diga paizinho, fale que você quer que eu não o toque mais. — Ela aumentou a força investida na mão, apertando-o contra si. O primeiro liquido lubrificante tinha saído melando a sua mão. Mais um pouco e ele iria gozar. Fácil assim.
—Oh sim. — Ele fechou os olhos e o carro saiu um pouco para fora da estrada.
—Fale. Peça que eu paro. Diga que você não quer mais isso.
—Por favor. Ohh sim. Ande logo e... — Antes que ele falasse alguma coisa tinha gozado na mão de Cherry. Ela tirou a mão da calça e a mostrou para Rey.
Pela primeira vez durante a viagem ele virou-se e olhou nos olhos. Seus olhos azuis e opacos, tão brilhantes quando os de um peixe morto. E os olhos gelados verdes inanimados dela. Cherry lambeu os dedos como uma criança que limpa as mãos depois de comer uma sobremesa e o fitou.
—Quando eu lhe fizer uma pergunta, espero que tenha a cortesia de me responder. Não fique emburrado olhando para a estrada. Dê-me atenção. — Ela protestou.
Ele engoliu a seco e assentiu.
—Eu ainda estou esperando uma resposta, paizinho.
—O que foi agora? O que diabos você quer? — A voz dele estava carregada de frustração.
—Calinha ai senhor. Você está muito nervosinho não acha? Eu perguntei qual era o problema de você estar tão sério. Não gosto de pessoas caladas.
Ele riu em escárnio.
—Me desculpe por não ser a merda de uma matraca. Mas você se recusa a me contar a onde estamos indo. Fica só me falando para ‘entrar ai’, ‘virar ali’ e porras desse tipo. A onde diabos estamos indo?
—Eu já disse para você não se preocupar com isso. Apenas dirija. Cristo! Como você é irritadinho.
Ele freou o caminhão bruscamente. Cherry estava sem sinto e foi parar contra o painel.
—O que é isso? Você ficou louco? — Ela gritou.
Ele se virou para ela com o semblante fechado.
—Essa é a porra do MEU carro. Meu caminhão, MINHAS regras. Acho bom você parar de me enrolar e falar pra onde estamos indo ou então você vai descer aqui agora. — Ele cuspia enquanto falava. Queria recuperar a masculinidade que ainda o restava. Ela sentia o gosto dele dentro da boca. Cheirava a ovo cru.
—Não. Eu não tenho que te falar nada paizinho. Eu já disse que tenho coisas a fazer, coisas que podem ser muito lucrativas e você vai me ajudar simples assim. Eu não vou te falar para onde estamos indo, considere uma surpresa, paizinho! E não, você não vai me colocar para fora. — Ela deu de ombros.
Ele ergueu uma sobrancelha e coçou o bigode.
—E como você tem tanta certeza disso?
—Porque você quer-me foder. Simples assim. Você está louco para saber que gosto a minha boceta tem. Aposto que você bate uma pensando em mim, não é mesmo? Se você sonha em saber como é, vai calar essa porra da sua boca que está começando a me irritar e vai dirigir a merda do caminhão. Quer saber? Você tinha razão. Prefiro-o calado do que falando.
Ele estava espantando. Ela pensou em perguntar se ele queria voltar para buscar o queixo que tinha deixado cair na metade do caminho, mas preferiu continuar em silencio. Ela inclinou o banco para trás e fechou os olhos.
—Me desculpe. Eu não quis ofendê-la. — Ele por fim disse.
Ela sorriu. Ele estava ganho.
—Continue dirigindo, daqui uns 100 km têm um motel chamado Foxy se não me engano ou algo do tipo. Você vai parar lá e iremos passar a noite neste local. Boa noite paizinho. Me acorde quando chegarmos. — Ela disse virando-se. Ele continuou a dirigir.
Ela mal tinha fechado os olhos e sentiu a mão quente do homem a sacudindo.
—Cherry. Cherry acorde.
—O que foi? Já chegamos?
—Ainda não. Eu estou ouvindo um barulho estranho.
Ela bufou.
—Me acorde quando chegarmos ao motel. Ignore qualquer barulho que vem de dentro da sua cabeça, paizinho.
—Eu to falando sério. Parece que tem, sei lá. Aquele barulho que as cobras fazem, sabe? — A voz do homem estava aflita.
Ela riu baixinho.
—Você me acordou por causa disso? Oras paizinho. É só a minha cobra Eva, ela está aqui dentro da mala perto no seu pé.
Ele virou-se bruscamente para ela com o rosto empalidecido.
—Não brinque comigo menina. Que merda você está falando?
—Eu já disse. Jesus relaxe. É só uma cobra. Olhos na estrada paizinho! Não quero parar dividida no meio do asfalto.
—Como você me diz agora que tem uma maldita cobra no meu maldito caminhão? Acorde e jogue isso para fora. Agora.
—Cala a boca paizinho, e dirija. Eu gosto mais de você caladinho. Eva é inofensiva. —Mal ele sabia que transportava algo muito pior que uma cobra. Uma mulher sem remorsos.
—Como você não me conta uma coisa dessas? Que tal ‘hey eu tenho a porcaria de uma cobra?’ Que tipo de pessoa tem uma cobra afinal de contas? — Ele reclamava.
—Do tipo que vai enfiar o punho na sua boca se não parar de ser uma marica. Estou brincando paizinho, não fique zangado. Achei melhor não falar nada para você, eu tinha até me esquecido da Eva. Oh olhe! Lá está o motel. Vamos estacionar e entrar. — Ela disse com toda a leviandade que uma pessoa poderia ter dentro de si.
Pouco tempo depois ambos estavam dentro do quartinho simples do motel. Ele a fitou de cima a baixo enquanto ela tirava a caixa com a cobra de dentro da bolsa e a colocava sob a mesa.
—Nós vamos dividir o mesmo quarto? — Ele não conseguia esconder a animação na voz.
—Sim. Não temos dinheiro o suficiente para bancar dois quartos. Não fique todo empolgadinho. Eu vou dormir na cama e você no chão. Não ouse me tocar.
Ele parou perto da porta e olhou para o chão, depois para a cama.
—Ah é? E porque eu vou dormir no chão?
—Porque eu estou pedindo para que você durma no chão. Afinal de contas não seria certo dormirmos juntos. Está tomando-me por uma qualquer? — Ela riu assim que as palavras saíram de sua boca. —Vamos estabelecer algumas regras para que a nossa convivência seja o mais pacífica possível meu querido e velho paizinho. Primeiro: Você não pode me tocar sob hipótese alguma. Isto está terminantemente proibido. Você não encosta um dedo no corpo de Cherry entendeu? — Ela disse tirando o vestido que estava usando e indo em direção ao chuveiro. Ele nem desviou o olhar.
—Mas eu pensei que... Depois de tudo aquilo no carro... — Ele estava visivelmente embaraçado com a situação.
Ela ligou o chuveiro e teve que falar ligeiramente mais alto para que ele pudesse ouvi-la.
—Não. Você está proibido de pensar, deve apenas seguir o que eu digo. O que você pensou estava errado. A não ser que eu diga que podemos ter algum contato, você não pode ficar muito perto de mim. Não me pergunte o motivo. Você simplesmente não pode dormir junto comigo. Não, nós não vamos transar se é isso que você está pensando. — Ela sentiu a água fria escorrer sob o seu corpo. Ela não gostava de tomar banhos quentes. Nem mesmo no inverno.
—Porque não? Não vejo nada de errado nisso. Você tem alguma doença contagiosa? — Ele perguntou intrigado.
Ela podia dizer que tinha uma arma dentro da bolsa e algumas facas. Que se ele encostasse nela seria um eunuco. Preferiu não falar nada disso.
—Porque eu não quero. Porque isso não seria certo. E não importam quais sejam o motivo. A questão é: Você não toca em mim, e você não faz perguntas. Se for bom comigo e posso ser boa com você. — Ela desligou o chuveiro, torceu o cabelo e se enrolou na toalha. Foi até o quarto para se trocar.
Ele continuava parado próximo á cama como uma estátua. Tinha um ar de insatisfeito.
—Veja bem Cherry. Como você deve ter notado eu estive preso por algum tempo. Um bom tempo para falar a verdade sem uma mulher. Eu sou um homem. Você é uma mulher, e uma muito bonita por sinal. Não preciso ser mais claro. — Ele disse tentando se justificar.
Ela rolou os olhos.
—Na hora certa posso pensar no seu caso. Por enquanto talvez você precise de um estimulo. Eu tenho uma cobra. E ela não é a única coisa que eu trago que pode tirar sangue. — Ela tirou a toalha e colocou uma camiseta larga sob o corpo molhado. Ele nem piscava ao observá-la despida. — Entenda como quiser. É assim que as coisas são.
Ele suspirou.
—Se você não quer que eu foda você. Porque fica se mostrando para mim?
—O corpo não é nenhum bicho de sete cabeças que precisa ser escondido. Eu estou muito confortável com o meu paizinho. Não vou mudar meu jeito porque você está com tesão. Você pode bater uma, eu não me importo. Portanto que não toque em mim. Cansei dessa conversa paizinho. — Ela disse apagando a luz do abajur próximo á cama. — Boa noite.
Ela sabia que ele não iria dormir á noite pensando nela. Mas não iria ousar incomodá-la. Ele tinha acabado de sair da cadeia e se cagava de medo de voltar. Tentar um estupro não seria uma idéia muito inteligente. Esperava que ele tivesse um pingo de bom senso.
Ela deitou a cabeça no travesseiro e tentou dormir, o sono dos justos. Daqueles que não tem remorsos. Ela não tinha arrependimentos, remorsos e muito menos sentimentos. O sono viria sem demora. Isso é claro se o imbecil deitado no chão não roncasse. Se ele começasse a roncar ela pensou se seria uma boa idéia dar um tiro no rosto dele.
—Hey Cherry... — Uma voz veio do chão.
—Paizinho, já disse. Vá dormir... — Ela jogou um travesseiro no chão. Talvez ele estivesse reclamando por conta disso.
—Eu só queria saber. O que você fez de bom hoje?
Ela não tinha paciência para esses tipos de conversas.
—Dancei numa para um monte de estranhos. Oh sim você estava lá. — Ela disse na esperança de encerrar o assunto.
—Não isso. Eu sei. Digo, antes de ter ido dançar na boate á noite?
Ela parou por um segundo para pensar a respeito. Colocou a mão em volta do pescoço.
‘’ Ela tinha andando em passos largos. Era como correr, mas sem realmente correr. Tampouco era andar rápido, mas com certeza ela não estava correndo. Não queria correr. Muito menos queria parecer desesperada. Apenas acelerou o ritmo em que andava até chegar dentro da igreja. Não sabia se estava vestida de maneira apropriada com o shorts curto e a camisa florida amarrada na cintura revelando a barriga. Na realidade ela não se importava muito com isso. Apenas continue andando, era tudo o que ela dizia. Agora era tarde demais para voltar atrás. Se fosse capaz de sentir arrependimentos, estaria arrependida até a última célula de seu corpo. Ser isenta de uma consciência não podia ser de todo ruim no final das contas.
A igreja estava vazia como sempre, ninguém se importava em ir para aquele lugar no meio da semana, com certeza apenas o domingo era o único dia mais movimentado. Ela estava do mesmo jeito que sempre estivera. Escura, com a luz do por do sol refletindo pelos vitrais coloridos, formando um arco-íris de cores no topo do altar. A imagem do homem crucificado a acompanhava, julgando-a com seus olhos de madeira.
O cheiro de velas tomou conta de seu nariz, era como se uma vela queimasse dentro de sua cabeça. Procurou ignorar essa distração, pensou se seria apropriado acender uma vela, mas não tinha vontade de fazer isso. Se fosse acender uma vela iria também querer acender um cigarro, e esse definitivamente não era o local mais apropriado para isso. Só mais alguns passos, disse a si mesmo. Você está quase chegando lá. Não sabia por que, mas sentia um pequeno desconforto abdominal.
Os bancos estavam impecavelmente polidos, algum devoto deveria ir lá todos os dias para limpá-lo. Nenhum sinal de poeira pairando no ar, nenhuma marca de mãos engorduradas na madeira. Nenhum cálice de prata fora do lugar. Todos continuavam alinhados em cima da grande mesa de mármore no altar. Todos menos um, este estava sob a posse da mesma em sua casa escondido em sua pequena caixinha de tesouros. Conhecia apenas uma pessoa fanática o suficiente para ir todos os dias limpar aquele lugar imundo. A mesma que havia lhe dado a luz.
No final do corredor, atrás do altar estava a pequena cabine. Cabine certamente não era o termo apropriado, aquele negócio tinha um nome próprio, e, portanto deveria ser chamado pelo mesmo. Confessionário era o nome daquela pequena cabine de madeira, que tinha um banco para o fiel sentar e confessar todas as maldades e angustias que carregava dentro do coração, como se isso fizesse com que se sentisse menos sujo. Muito pelo contrário, ela não se sentia menos suja. Sentia-se mais impura. Afundando cada vez mais na podridão.
A cortina roxa estava fechando, negando o acesso de quem estava dentro do confessionário de ver quem estava vindo por fora, para sentar-se e debulhar-se entre seus pecados. Isso era um bom sinal, aquela cortina só ficava fechada quando o padre estava ali dentro. Ela se aproximou com cautela, não tinha certeza se queria fazer isso, mas sabia no fundo que tinha que ser feito. Ela precisa daquele alívio. Era tão brilhante e claro. Ela precisava possuir aquilo á anos. Se não fosse hoje não seria nunca.
Sentou-se no banco de madeira aveludado em cetim vermelho e limpou a garganta para que sua presença fosse notada. Ele deveria estar dormindo lá dentro.
—Em nome do pai, do filho e do espírito santo. Em que posso ajudá-lo meu filho, ou minha filha. — A voz rouca veio de dentro do confessionário. Ele com certeza não tinha visão de quem estava sentada ali.
—Perdoe-me padre, pois eu tenho pecado. — Ela entoou as palavras decoradas.
—Todos nós pecamos minha filha, isso é o que nos faz humanos. —Ele disse sem nenhuma expressão na voz. Dava para ver como ele amava seu trabalho. —Perfeito é só Aquele que não está mais conosco. Diga-me o que aflige seu pobre coração pecador.
Ela segurou o riso contido no fundo da garganta.
—Oh padre. Eu fiz tantas coisas terríveis, o tipo de coisa que você numa ousou imaginar. Tenho vergonha em proferir meus pecados. Eles são muito profundos e acredito que imperdoáveis.
Ela sentiu um tom de tédio na voz dele.
—Nenhum pecado é imperdoável aos olhos do pai. Conte para mim o que aconteceu com você, minha filha.
Ela tampou a boca para não rir.
—Oh sagrado padre. Estou tão envergonhada. — Ela disse forçando a voz para modificá-la. —Realmente nem sei por onde confessar. Cometi vários pecados terríveis. Fiz coisas que podem ser consideradas muito pecaminosas. Entreguei-me a luxúria, a vaidade e a iria. E o pior de tudo é que eu tento me arrepender... Mas simplesmente não consigo. Consigo sentir ódio, cobiça e os prazeres mais primitivos carnais. Mas não consigo sentir compaixão ou empatia, padre.
Ele bufou ali dentro.
—Isso é algo terrível minha filha. Reze dez ave-marias e vinte pais-nosso que tudo vai ficar bem. Que deus te abençoe minha filha. — Ele disse a cortando.
—Eu ainda não terminei padre. Eu fiz coisas inimagináveis.
—Que tipo de coisas? — Ele perguntou sem realmente se importar com a resposta.
Ela tornou a engrossar a voz para falar de modo estranho.
—Eu roubei, menti e enganei. Manipulei pessoas para ter aquilo que eu quero. Uso meu corpo para ganhar dinheiro. Matei alguns homens, e não foram poucos, no começo achei que não tinha muita importância, mas depois de um tempo... Isso era a única coisa que preenchia o grande vazio que eu tenho dentro de mim. Conheci um homem não muito esperto, disposto a fazer o que quiser. De tudo para mim, padre. E quando eu fico próxima dele, sinto essa vontade, essa sede por sangue crescer. Ele faz com que eu queria fazer coisas más. E isso nem é o pior de tudo, padre. A cereja do bolo, aliás, da torta no caso. É que eu venho deixando um homem que deveria ser considerado ‘santo’ tocar em mim. Oh padre, eu deixo que ele coloque em todos os lugares que quer. E quando ele está chegando quase lá, ele grita o nome de Deus diversas vezes. —Ela soltou o riso que estava preso.
Padre McDirt abriu de supetão a pequena cortina e a olhou com os olhos arregalados.
—O que diabos você está fazendo aqui, Carmen? E se entra algum fiel na igreja.
Ela voltou a rir.
—Qual é o problema santo Padre? Eu não tenho o direito de me confessar? Me pergunto para quem você se confessa depois de vir da minha casa.
Ele encostou o rosto na pequena abertura do confessionário.
—Você perdeu o juízo? Saia daqui agora. Vá embora ande. Você não pode ser vista aqui dentro. Isso não tem graça.
—Sabe o que não tem graça, padre? Você ir á minha casa toda semana e me comer, e com toda semana eu digo, toda semana. Até quando eu estou com o sangue da lua. Você não se importa mesmo disso não é mesmo? E agora quer me expulsar da casa de Deus? Fale a verdade, você estava com saudades de mim, não é mesmo? — Ela colocou a mão pela abertura para tocá-lo. Ele bateu na mão dela.
—Você deve sair daqui imediatamente. Já disse Carmen. Aqui não é lugar para esse tipo de conversa. Pelo amor de Deus, não me faça chamar a policia. O que você veio fazer aqui? Roubar outro artefato de metal da santa igreja?
Ela se levantou e foi até a portinha do confessionário.
—Não vou falar de novo. Se afaste. Você não deveria estar aqui.
—Qual é o problema? Você quer mesmo chamar a policia? Será que eles gostariam de ouvir uma historinha, de como você metia tão fundo em mim, quando eu era uma criança? Mesmo comigo chorando e implorando para que você não parasse, e o senhor dizendo que não ia doer nada? O senhor quer mesmo isso. — Ela abriu a porta. Ele estava suando frio ali dentro.
—Não se aproxime de mim, garota. — Ele tentava fugir dela como o diabo foge da cruz.
—Eu sei que o senhor me quer. Não minta para mim Padre Aleister McDirt. Eu sei que você me deseja. Vamos lá. Vá ser rapidinho. Não vai doer nada eu prometo. — Ela entrou na pequena cabine que mal comportava o padre. Os olhos cor de gelo dele estavam petrificados. Uma gota de suor escorreu pelo queixo pontiagudo dele.
—O que você quer de mim? Saia daqui agora. Eu não estou para brincadeiras.
Ela ergueu a batina dele. Ele estava duro.
—Você não pode negar que me quer. Seu rosto diz uma coisa, mas seu corpo diz outra, querido padre. Não tente fugir de mim. Você mesmo disse que fazemos isso por um bem maior não é mesmo?
Ele tentou argumentar. Ela colocou o dedo sob os lábios dele.
—Shh shh. Não fale nada. Não vou demorar muito eu prometo.
Cherry encostou os lábios nos do padre. Apenas encostou não queria beijá-lo. Sentia certa repulsa ao homem que cheirava a velas e incenso. Ela não tinha dado abertura, não tqueria aquele beijo, mas ele já forçava a língua áspera para dentro de sua boca. Ela não tinha o que fazer, precisava seguir em frente. Afastou os lábios dando espaço para que ele explorasse sua boca. Ele tinha gosto de vinho. O vinho da santa ceia.
Sentiu as mãos dele apertando suas nadegas, ele não era um homem delicado. Suas mãos eram atrozes e a machucavam a cada toque. Ela já estava acostumada com isso.
—Oh sim. Deixe-me tirar isso. — Ele disse abrindo o shorts dela. Ela afastou as pernas brancas para que ele retirasse o shorts e a calcinha. Ela se sentou sob o colo dele. As mãos dele foram diretamente para seus seios. Os seios que ele conhecia antes mesmo de apontarem na puberdade. Colocou a mão dentro da blusa, apertando e puxando o mamilo. Ela sentiu uma pontada de dor. Ele cheirava seu pescoço enquanto afundava em seus cabelos. A barba cerrada dele era como uma erva venenosa na sua pele. Ardia e incomodava.
Ela sentiu a ereção pela batina, ele continuava a apalpar seu corpo, como se nunca o tivesse feito antes, ele era feroz a e a desejava. Queria estar dentro dela mais uma vez. Ela sentia o gosto da bílis na boca.
—Não podemos fazer isso. — Ela disse por mim. Enquanto ele se movia para erguer a batina a cruz que ele carregava de prata no pescoço batia no colo dela. Era brilhante e refletia sua imagem. —Algum fiel pode entrar.
—Que o diabo os carregue. Eu não me importo. — Ele disse a forçando para seu colo. Entrando de uma só vez dentro dela. Como todas as vezes que fora com ele doeu. Sabia que a dor era psicológica, ela não suportava o toque dele. E a cada movimento que ele fazia de entrar e sair dentro dela, com as mãos colocadas sob seu ombro a forçando a descer com mais força, enquanto ele entrava dentro dela, ela sentia as lágrimas brotarem dentro dos olhos. Não tanto por repulsa. Mas pelo fato de que seu corpo a traia, a fazendo sentir-se bem. Sentia prazer em ser possuída por aquele homem nojento.
Ela suava e gemia, enquanto ele grunhia em seu pescoço, ele a mordeu com força para segurar o grito que tinha dentro de si. Ele ia gozar. Merda ela pensou. O sangue da lua há tinha visitado duas semanas atrás, era perigoso que ele derramasse dentro dela. Ela estava fértil como o solo.
—Não padre. Não dentro de mim. A lua se aproxima do ciclo de sangue. — Ela disse tentando se levantar. Ele a segurou com força.
—Não me interessa. Vai ser dentro de você como sempre foi. — Ele disse com a voz abafada. — Se acontecer... Oh Deus! Alguma coisa, você vai dar um jeito. Como deu das outras vezeeees. Oh Deus! Sim! — Antes que ela pudesse protestar era tarde demais, agarrou ao pescoço dele enquanto ele derramava sua semente dentro dela. Puxou o colar de cruz com força, ele estava tão absorto que nem percebeu. Um sorriso brotou vitorioso brotou em seu rosto molhado de lágrimas. ‘’
—Não fiz nada de interessante, paizinho. Agora durma. Teremos um dia agitado amanhã. — Ela disse puxando o colar de crucifixo que tinha em volta do pescoço. Há anos que ela sonhara em tê-lo, e agora ele estava sob sua posse.
Acordou com o som da televisão. Rey estava assistindo o noticiário. Um magnata local que era conhecido como o Rei do Petróleo dava uma entrevista em um programa matinal, falando sobre as ações do dinheiro, e como isso era bom para a economia local, sendo o sujeito mais rico do estado de Louisiana.
—Bom dia paizinho! — Ela disse olhando para Rey que estava encostado na beirada da cama. — Como dormiu?
—Dormi no chão, como você acha? — Ele resmungou.
—Espero que você coloque um sorriso nessa sua cara, hoje vamos fazer algumas coisinhas importantes. Eu tenho um encontro. E depois desse encontro eu e você vamos roubar um banco. — Ela disse com toda a naturalidade do mundo.
Ele ignorou a parte de roubar um banco. Essa palavra não tinha tido tanto destaque na cabeça dele.
—Como assim você tem um encontro? Com que diabos você tem a porra de um encontro?
—Com esse homem da TV. Ele se chama Anton Von-John nunca ouviu falar do magnata do petróleo? É um grande amigo meu. Mas isso não é do seu interesse. Eu disse que nós vamos roubar um banco, paizinho. — Ela tentou voltar a atenção dele para o que realmente importava.
—Mas... Mas você disse que não queria ser tocada... — Ele disse com um murmúrio.
—Oras paizinho, eu não disse que não queria ser tocada. Eu apenas disse que não queria ser tocada por você. — Sua voz era afiada como uma navalha.
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