Putrefy
1 Capítulo 1- O Pária
Notas iniciais
As unhas pontiagudas furavam a pele, um pequeno filete de sangue escorria e descia lentamente delineando o contorno do braço. Seus olhos eram dois oceanos, cheios de culpa, luxuria e mesmo assim ainda era coberto pela podridão.
‘’—Você não precisa fazer isso! Você NÃO TEM que fazer isso. ’’
A garganta coçou e um pequeno sorriso brotou em seus lábios, era impossível não se divertir com a situação.
‘’— Você tem razão, eu não tenho que fazer isso. Eu quero fazer isso. Eu deveria ter feito isso há muito tempo. ‘’
O cheiro era nauseante e insuportável.
A parede velha e mofada continuava do mesmo jeito que estava há cinco minutos, embolorada e verde. O cheiro continuava o mesmo de algumas horas atrás, fedia a mijo, excremento e bolor. A torneira continuava pingando da mesma maneira que pingava há algumas semanas. O lugar era o mesmo cubículo imundo e deprimente de dez anos atrás, e nada tinha mudado. Nem mesmo o homem que esteve habitando o local.
Exceto o fato que essa era a ultima vez que ele teria que ficar preso nesse lugar esquecido por Deus, ele sabia que logo aquelas celas pesadas de metal enferrujado iriam se abrir e ele estaria alguns passos de ser o que? Liberdade era uma palavra muito vaga, ninguém era livre para fazer o que bem entendesse e ele sabia muito bem disso. Apenas alguns passos de ser mais um rato solto e perdido na grande roda que continuava a girar conhecida como ‘sociedade’.
Há quanto tempo ele estava encarando aquela parede escura, manchada, embolorada, fétida e descascada? Ele não sabia dizer se eram minutos, horas, dias ou semanas. Deus... Se fossem semanas, seus olhos ardiam e coçavam, deveriam ser semanas, pois ele nem se lembrava do que era dormir, do que ter uma boa noite de sono deitado em um colchão decente e não uma porcaria de uma montanha de jornais amassados fedorentos, enrolado em um pano cheio de piolhos que tinham a audácia de chamar ‘cama’. Um pensamento passou por sua cabeça, há quanto tempo ele não sentia o calor de uma mulher? Deitar-se com um corpo quente se aninhando ao seu, o cheiro de estrogênio que só as mulheres tinham a pele macia encostando delicadamente no seu peito, os cabelos macios e cheirosos, ele nem sabia mais que gosto uma mulher tinha. Ele nem sabia mais como era estar dentro de uma mulher e por sorte também não sabia como era estar dentro de um homem, em tempos desesperados pessoas tomam atitudes desesperadas, mas ele não era esse tipo de pessoa não tinha chegado á esse ponto, esse lugar era um inferno, mas o segredo era manter a cabeça erguida e tentar conservar um pouco de dignidade que ainda restasse dentro de si, fazer esse tipo de coisa seria o fim da picada.
E a merda do tempo continuava congelada, as horas não passavam, e se passavam ele nem tinha como contar, pois o acesso a um relógio fora negado há anos, aqueles malditos filhos da puta não queriam que você tivesse contato com qualquer resquício do mundo normal, e contar as horas era um privilegio que fora revogado para pessoas como ele. Apenas para se lembrar que dentro deste pedaço de merda você não é um ser humano, você perdeu sua identidade, você não passa de uma estatística, de um páreo. Você é apenas um número.
—405673! Levante a sua bunda preguiçosa daí! Vamos nós não temos o dia todo, ou tá querendo ficar mais um pouco ai?— A voz era forte como um trovão e vinha do outro lado da cela.
O homem piscou os olhos, aquilo era real? Finalmente a hora tão esperada tinha chegado?
—Hey princesa, não me faça falar de novo, se você não levantar logo daí eu vou entrar nessa porra de cela e meter um chute tão forte nesse seu par de bolas, que elas vão sair pela sua goela maldita na hora do café da manhã! ANDA SE MEXA!— O sotaque sulista e cuspido era perceptível.
O guarda continuava fitando-o com desprezo, como se ele fosse uma barata que tinha caído na sua sopa. Rey se levantou e foi até a grade, colocou as mãos no espaço para que o guarda pudesse tirar as algemas, apesar de ser um homem livre ele ainda estava dentro de uma penitenciaria, sendo assim ainda era considerado como uma pessoa, quais eram as palavras que adoravam usar para descrevê-lo? Volátil e perigoso.
O guarda abriu a cela, o velho portãozinho rangia enquanto o homem o puxava e Rey olhou para o imenso corredor branco, cheio de celas com pobres almas atormentadas como a dele, apesar de tudo ele poderia dizer que tinha sorte de sair desse lugar praticamente inteiro. O guarda se chamava Tim, ou Tom algo do tipo, Rey nunca se lembrava quais eram os nomes desses cretinos, para ele todos esses homens em uniforme azul tinha um único propósito: atazanar sua estadia na Penitenciaria de Louisiana e fazer com que fosse o mais desagradável possível. Eles não eram o tipo de gente que se poderia considerar acolhedora e hospitaleira.
Rey sentia um misto de sensações inexplicáveis enquanto passava por aqueles corredores, o mesmo que ele passeava algemado para ser jogado de volta a sua cela depois do banho de sol, ou depois de fazer suas tarefas na penitenciaria, agora ele andava de cabeça erguida, sem ter medo do que poderiam tentar fazer com ele enquanto dormia, sem ter os pulsos doloridos e algemados, apenas caminhava de mãos livres, olhando com uma certa melancolia para os outros detentos que estavam ainda sonolentos acordando em suas respectivas celas, alguns deles nunca iriam sair de lá, Rey tinha que admitir que apesar de tudo ele podia ser considerado um homem de sorte, pois seu dia tinha finalmente chegado.
O homem de uniforme azul o acompanhou até o balcão. Entregou-lhe um pacote marrom.
—405673, como mesmo você se chama? Espere não me fale, o suspense está me matando, deixa eu ver. — O guarda mascava ruidosamente um chiclete. Passou os olhos pela ficha de Rey. — James Furnier, nossa eu nem sabia que você tinha um nome de gente, depois de tantos anos fica difícil se lembrar que você também tem um nome não é mesmo 405673? Quero dizer, James. —O guarda deu um sorriso forçado e os outros guardas que estavam por perto o acompanharam nas gargalhadas. Rey não achou nenhuma graça. Depois de alguns minutos rindo da piada sem graça, ele continuou. — Tome, pegue essa merda. Sua roupa está ai dentro, apesar desse uniforme laranja ficar uma graça em você, você vai ter que nos devolver, seus amigos também precisam de roupas. A roupa que você veio no dia que pegamos você foi jogada fora, não dá pra sair da cadeia sujo de sangue não é mesmo? A não ser que você queira voltar aqui pra dentro de novo. —Mais gargalhadas ecoaram pelo quarto. O guarda roliço ria tanto que seus queixos, ele era tão gordo que tinha mais de um, tremiam enquanto ele ria, era realmente uma visão perturbadora — O estado te deu uma camisa e uma calça jeans, e pensando bem. —O guarda abriu o embrulho e Rey ficou pensando se isso não era uma violação de privacidade. Mas resolveu não falar nada a respeito — Essa merda é boa demais pra um sujeito como você, por mim vocês poderiam sair daqui dentro da cueca de vocês, mas não, o estado acha que vocês merecem um par de roupas boas e porra! Essa merda é melhor que as roupas que eu tenho. Enfim quem sou eu pra julgar certo? Só cumpro ordens, alguns dos seus pertences também estão ai dentro, mas anda de facas e canivetes certo companheiro? Caso você queira se meter em encrencas de novo, nós sempre vamos ter um lugarzinho especial para você. — O guarda apontou o dedo indicador para Rey e fez um barulho com os lábios como se fosse uma imitação de um revolver. Rey teve vontade de pegar a caneta que estava em cima da pesa e enfiar nos olhos do desgraçado. —Muito bem, você se troca, assina alguns papeis de dá o fora daqui. Agora anda logo que eu cansei de olhar para a sua cara feia. — Era algo irônico vindo de um homem roliço, careca e suado enfiado na farda azul. Rey não procurava não se olhar muito no espelho, mas sabia que sua aparência era um pouco melhor que a daquele cara.
Rey pegou o embrulho de papel, dentro tinha uma camisa xadrez vermelha e preta, uma calça jeans azul e um par de sapatos, todos o dobro do seu tamanho, ele iria parecer a porra de um boneco de posto de gasolina inflável saindo daquele lugar, mas pelo menos era melhor do que andar de cueca por ai. Seu velho relógio também estava dentro da sacola, e pelo incrível que parece ainda funcionava apontando a hora 06h45min da manhã. Sua carteira, seus óculos escuros, a chave do seu caminhão, ele nem sabia se ainda tinha o caminhão. Na realidade ele nem sabia como estava o mundo lá fora dez anos depois. Não tinha certeza se queria descobrir. Tocou a velha carteira de couro, seus documentos estavam lá dentro, olhou para o compartimento de dinheiro e tinha alguns trocados, esse realmente devia ser seu dia de sorte. Abriu o compartimento secreto e uma foto pequena, amassada e amarelada estava guardada, Rey quase nem se lembrava dessa foto, Amélia estava parada na frente da varanda, com as crianças no colo sorrindo, um riso tão bonito e amigável, era uma pena as coisas não continuarem bonitas e agradáveis.
Depois de se trocar e assinar uma tonelada de papeis, Rey era um homem livre. O sol estava nascendo e assim que saiu pela porta de fora da penitenciaria seus olhos lacrimejaram não se lembrava quando fora a ultima vez que tinha visto o sol nascer. O cheiro da manhã tomou conta dos seus pulmões, o cheiro era de café, cigarro, urina e lama.
Rey colocou os óculos escuros modelo de aviador, conforme andava tinha que segurar a calça pelo passador de cintos para que ela não caísse, o tamanho que tinham lhe dado era umas três vezes maior que ele. Coçou o bigode que ele tinha cultivado dentro da prisão, na esperança de dar um ar um pouco mais ameaçador, talvez tivesse funcionado, pois ele nunca tinha sido fodido no chuveiro por um afro americano tatuado. Rey foi até o portão, olhou uma ultima vez para a penitenciaria e torceu para que nunca mais tivesse que voltar para aquele lugar.
Era isso, agora ele era um homem livre. Mas o que fazer?
Ele tinha alguns trocados no bolso, a chave de um caminhão que nem sabia se ainda existia, e uma angustia no peito, por uma pequena fração de segundo pensou se o aceitariam de volta lá dentro. Rey deu risada da idéia estúpida, tudo o que ele precisava era de um maço de cigarros, uma cerveja gelada e um chapéu, porque aquele sol da manhã estava cozinhando suas idéias.
Rey foi até um bar próximo e comprou um engradado de cerveja, era uma marca vagabunda, mas pelo amor de Deus, fazia dez anos que ele não sentia o sabor da cevada na língua, a cócega do liquido amarelo descendo pela garganta, ele precisava daquilo mais do que precisava de oxigênio. Também comprou um maço de cigarros, esse vicio ele alimentava todos os dias na penitenciaria, sempre trocando por uma coisa ou outra como podia, se adaptando as regras lá dentro, era até comprá-los com dinheiro vivo, no mundo lá fora o dinheiro tinha um valor totalmente diferente.
Abriu a lata suada e tomou de uma só vez todo o conteúdo, aquela cerveja era vagabunda e aguada, mas no momento era a melhor coisa que ele já tinha tomado em toda a sua vida. Logo depois ascendeu o cigarro e deu uma boa tragada, deixando a nicotina ferrar com todo o seu pulmão. O vendedor do bar o olhava assustado. Rey arrotou.
—Caramba! Nunca vi uma pessoa matar uma cerveja assim tão rápido, rapaz se você estivesse com sede eu poderia ter te dado água.
Rey balançou a cabeça e sorriu.
—Não era com sede de água que eu tava. —Rey disse transparecendo seu sotaque tão sulista quanto todos daquela maldita cidadezinha. Hey aquele telefone ali funciona? — Rey disse apontando para o telefone publico preso na parede.
—Com uma ficha funciona sim, são dois dólares e ciquenta. — O homenzinho disse sem prestar muita atenção em Rey, olhando para a TV que passava alguma partida de futebol.
—Eu comprei cerveja e cigarros, não tem como você quebrar essa?
—Você poderia comprar meu saco, que a única coisa que eu poderia quebrar seria a sua cara. Já disse, são dois dólares e cinqüenta centavos, se você quiser usar a porcaria do telefone me dá o dinheiro que eu te dou a ficha, parece mágica, mas não é.
—Mas eu comprei uma porção de coisas aqui. — Rey argumentou.
—Você tem retardo mental ou algo assim? SÃO DOIS DOLARES E CINQUENTA CENTAVOS. Se você quiser usar a porra do telefone vai ter que comprar a merda da ficha, se vai ficar me perturbando é melhor dar o fora daqui, eu não faço caridade.
O cara não ia se dobrar, Rey sentiu vontade de cuspir na cara daquele velho nojento, quebrar um copo e capar ele. Mas ele tinha acabado de sair da cadeia e não queria voltar tão cedo. Abriu a carteira, seu dinheiro já estava desfeito, pegou a merda dos dois dólares e cinqüenta e jogou no balcão. O homem pegou a ficha e colocou na mão de Rey.
—Foi tão difícil assim? Caiu o seu cu? Mão de vaca do caralho... —O velho continuava resmungando, Rey deu as costas e foi até o telefone.
Ele tinha só uma ficha e não queria desperdiçá-la. Ele esperava que Amélia ainda tivesse o mesmo número de telefone. Em todos os anos que ele ficou preso ela não foi uma maldita vez visitá-lo, só algumas poucas vezes que a vizinha levava as crianças para que ele pudesse vê-los, mas foram tantas vezes que dava para contar com uma só mão e deixar três dedos fechados.
Rey pegou a pequena ficha de metal e a olhou, estava amassada e velha, a colocou dentro do buraco e discou os números. Deu linha, Rey tragou o cigarro e soltou a fumaça, enquanto esperava alguém atender. Uma voz feminina atendeu do outro lado da linha.
—Alô? — Amélia disse.
—Amélia sou eu. — Rey não tinha certeza se ela sabia de quem se tratava.
—Puta merda, o que é que você quer?
—Eu queria ver as crianças.
Ela bufou do outro lado da linha.
—Eu já cansei de dizer que não vou levar elas ai pra ver você, cadeia não é lugar para elas, que inferno James!
—Eu não estou mais na cadeia.
Um silêncio constrangedor tomou conta, se ela demorasse muito para responder o tempo e a ficha de Rey iriam acabar. Rey podia ouvir as crianças brincando no fundo, sentiu seu coração apertar mais um pouco.
—Ótimo, agora eu preciso arrumar a porra de uma ordem de restrição. Não quero você rondando a MINHA casa, e não quero você perto dos MEUS filhos, você entendeu seu filho da mãe?
Rey fechou o punho.
—Eu só fui parar naquele lugar por sua culpa sua piranha se você não tivesse... — Rey escutou o barulho de Amélia batendo o telefone. — PUTA DESGRAÇADA! Restrinja isso aqui!— Rey disse apertando o testículo e esmurrou a parede, na hora se arrependeu de ter feito isso quando a dor o atingiu como se tivesse batido na ponta de uma faca.
—Calminha campeão, se você está afim de brigar saia da merda do meu estabelecimento, você tá pensando o que? Que pode ir entrando aqui e ir esmurrando minha parede e ficar gritando? Eu não ligo pro que essa puta louca fez pra você, mas você não está na porra de um circo.
Rey sentiu o sangue subir para o rosto. Foi pisando duro até o velho que arregalou os olhos assim que Rey se aproximou dele. Rey o pegou pelo colarinho sujo da camisa e o jogou contra o balcão de bebidas, os clientes que estavam no bar não deram muita atenção, talvez fosse normal esse tipo de coisa acontecendo naquele lugar. As bebidas se quebraram e caindo no chão, o cheiro de álcool impregnou o ar. O velho estava com os olhos tão arregalados que pareciam que iam saltar do rosto a qualquer momento.
Rey continuou segurando o velho pelo colarinho.
—Eu só não corto essa sua garganta mole porque da ultima vez que o sangue de uma pessoa escorreu pelas minhas mãos eu fiquei dez anos atrás das grades, está me entendendo seu velho idiota? — Rey disse entre os dentes. Sentiu um cheiro de merda, o velho tinha se cagado.
O velho apenas assentiu com a cabeça, estava tão branco que parecia uma folha de papel. Rey sentiu a veia do pescoço pulsar, ele devia dar o fora dali e recobrar o juízo. Largou o velho, pegou o maço de cigarros o colocou no bolso e o engradado de cerveja e correu para fora dali.
Correu antes que o velho perdesse o medo e ligasse para a policia, ou sacasse uma espingarda de algum lugar e enfiasse uma bala no meio dos olhos de Rey.
Rey passou o resto do dia andando sem rumo, mas ele sabia muito bem para onde queria ir, ele tinha que ir atrás do que era seu. Ele tinha que saber o que aconteceu com seu caminhão e tinha que dar uma olhada em seus filhos. Dirigiu-se para a casa de Amélia.
A casa continuava a mesma, a mesma cerca de madeira, ela ainda morava perto do pântano, ele esperava pelo menos que ela continuasse naquela casa. O varal com as roupas penduradas tinha vestidos, roupas de criança e roupas masculinas, era obvio que aquela vagabunda tinha arrumado um par de calças.
Rey abriu o portãozinho e foi entrando, algumas galinhas ciscavam no chão, brinquedos quebrados e embalagens vazias decoravam o chão junto com algumas guimbas de cigarro. A porta feita de tela para evitar os insetos estava aberta, Rey aproveitou a deixa e entrou.
Amélia estava encostada na pia descascando algum alimento e assim que ouviu os passos virou para trás com a faca na mão apontando para Rey, ele não estava surpreso.
—Mas o que diabos você está fazendo aqui? Eu não disse para você ficar longe da minha casa?
—Eu tinha que ver as crianças, é o meu direito. A onde está Carollyn e James Jr? —Rey disse se sentando perto da mesa e pegando uma banana.
—Dê o fora da minha propriedade seu desgraçado! Não me faça chamar a policia para você, de novo. — Amélia disse ainda apontando a faca.
—Eu quero ver meus filhos e quero o meu caminhão.
Amélia deu um riso nervoso. Ela estava bem envelhecida, com os cabelos desgrenhados louros presos em um coque e o avental sujo.
—Seu o que? Você não tem nada aqui, saia da minha propriedade agora, o Billy está chegando e vai meter um tiro na sua bunda magra!
—Billy? Esse é o nome do seu macho novo? Enquanto eu não ver os meus filhos eu não vou sair daqui e enquanto você não me der o meu caminhão eu também não vou sair, a onde ele está? Não me faça perder a paciência com você mulher.
—Eu não vou deixar meus filhos perto de um criminoso! — Ela disse quase sussurrando, por medo das crianças ouvirem a gritaria.
—Criminoso você quer mesmo falar do passado? — Rey disse de boca cheia mastigando a fruta. — As crianças sabem por que o pai delas foi preso ein? Sua vagabund... — Rey escutou pequenos passos vindo do outro cômodo, Carollyn e James Jr vieram em passos lentos na direção dele. Eles estavam bem maiores do que ele se lembrava, quando ele foi preso ela tinha três anos e ele um, agora ela tinha treze e ele onze.
—Crianças, não vão dar um abraço no seu velho pai? Rey disse estendendo os braços. Amélia escondeu a faca dentro do avental.
As crianças foram com receio para perto dele e Rey as abraçou afagando-as em seu braço.
—Jesus Cristo, como vocês cresceram! Quando eu sai daqui vocês eram um toco de gente.
—A mamãe disse que você não ia voltar mais, e que o Tio Billy ia tomar conta da gente daqui pra frente. — A menina disse e o menino concordou coma cabeça, ambos era loiros e sardentos.
—Sua mãe fala demais, eu estava com muita saudade de vocês sabiam?
—Está na hora de vocês irem para a escola, se não se apressarem vão perder o ônibus, vamos logo! — Amélia disse tocando as crianças para longe de Rey que fechou o sorriso no rosto.
As crianças deram um beijo de despedida em Rey ainda meio receosas e saíram. Amélia tirou a faca do avental.
—Guarde essa porcaria Amy, a onde está meu caminhão, anda logo.
Amélia ergue a sobrancelha.
—Não me chame de Amy seu porco. Se eu te dar o caminhão você some das nossas vidas e nunca mais volta?
—Eu preciso ver meus filhos e... —Rey sabia que não adiantava enganar a si mesmo, as crianças era dois completos estranhos para ele, que só se lembravam de visitar o pai no dia de ação de graças em uma mesa com o pai algemado. — Me dá logo a porcaria do caminhão que eu saio daqui.
—Ele está no galpão lá no fundo, Billy é mecânico e sempre veio cuidando dele, depois eu arrumo uma desculpa pra ele, pegue essa porcaria e nunca mais apareça aqui.
Rey pegou seu velho chapéu de cowboy que estava ainda guardado no banco do caminho e foi o que ele fez, pegou o caminhão e saiu dali. Alugou um pequeno quarto imundo (não tão sujo quando a cadeia) e passou a noite lá, ele precisava arrumar um emprego pois seu dinheiro estava contado, ele estava sobrevivendo a base de cigarros, cerveja e salgadinhos da maquina de doces do motel.
Uma noite, Rey estava fumando na varanda do motel, mais uma noite quente de verão em Louisiana, o ar cheirava a peixe podre e cigarro, devia ser por causa do pântano que ficava ali perto. Olhando para as pequenas casas, Rey viu uma luz brilhante saindo de uma casa, as luzes eram vermelhas e roxas. Um velho fumava um cachimbo sentado em uma cadeira de balaço.
—O que é aquela luz? — Rey perguntou.
O velho tossiu.
—É a Boca do Inferno.
—É o que? — Rey perguntou intrigado.
—É uma casa dessas que as mulheres tiram a roupa por dinheiro.
—Você quer dizer um strip-clube?
O velho soltou um riso no meio da tosse.
—Se um bando de vadias se roçando em um poste pra alguns marmanjos com o cu cheio de bebidas pode ser chamado de um strip-clube, então sim, isso é um clube de strip-tease.
Rey colocou a mão na carteira, não tinha muito dinheiro, e seria tolice gastar o pouco que tinha com isso, mas a idéia era tentadora. E fazia uma década que ele não via uma boceta. Ou um par de tetas.
Antes de se dar conta ele estava na frente da Boca do Inferno, como diziam as luzes de néon estampadas. Pagou o segurança na porta por uma mixaria, pelo preço que ele pagou aquelas mulheres deviam ter apenas um par de dentes na boca. E entrou no lugar.
A Boca do Inferno era quente e abafada, a música era extremamente alta, com sorte você conseguiria ver as garotas dançando sob a nuvem de fumaça de cigarros que pairava sob o ar. Rey se sentou em uma cadeira na ponta da pista de dança e ficou observando as garotas se pendurarem no mastro, enquanto tiravam a roupa lentamente, revelando o corpo. Alguns tinham tatuagens em lugares que não batia sol, outras tinham marcas de biquíni, cicatrizes, pelo preço que ele tinha pagado até não era tão ruim. Nenhuma chamou sua atenção, talvez quando uma coisa fica tempo demais abaixada demora para subir.
Uma voz saiu dos altos falantes, era uma voz masculina e falava:
—Ela é Suja, Podre, Imunda e Deliciosa, cavalheiros, a Boca do Inferno apresenta orgulhosamente Cherry Pie!
As luzes diminuíram e uma música agitada começou a tocar. PLAY
Luzes vermelhas saiam do palco e uma fumaça levantava pelo palco. Uma mulher alta e magra saiu de trás das cortinas. Ela usava um corselete preto justo que faziam os seios ficarem comprimidos, Rey jurou ver algumas cerejas desenhadas nele. Ela usava uma calcinha fio dental vermelha e saltos pretos com spikes nele. Ela andava pelo palco com uma pose de durona e marchando durante a música. Se aproximou do poste de dança e começou a se esfregar nele.
She's my cherry pie
Cool drink of water
Such a sweet surprise
Tastes so good
Make a grown man cry
Sweet Cherry Pie
A mulher se pendurou no poste fazendo os longos cabelos negros tocarem o chão, enquanto ela ficava de ponta cabeça no palco, enquanto subia e descia, subindo e descendo. Rey sentiu outra coisa subir deixando as calças mais apertadas.
Aparentemente todos ao seu lado estavam hipnotizados, os homens não conversavam mais entre si, estavam todos vidrados vendo o show, a mulher tinha um olhar sensual e ao mesmo tempo angelical. Rey sentiu a temperatura subir.
She's my cherry pie
Put a smile on your face
Ten miles wide
Looks so good
Bring a tear to your eye
Sweet cherry pie
Yeah sweet cherry pie
Era impossível ignorá-la, ela mantinha todas as atenções do local para ela e aparentemente ela gostava disso, pois dava gargalhadas enquanto dançava. Rey viu a mulher mexer os lábios cantarolando a letra da música, ela não estava dançando para aqueles homens babões, ela estava dançando para si mesma e aproveitando a melodia.
A mulher se aproximou de Rey, que estava com um sorriso bobo estampado no rosto, Rey não tinha se dado conta, mas estava com os braços na pista e jogando o pouco de dinheiro que ainda restava no palco. A misteriosa stripper se aproximou e colocou o salto no peito de Jay, afastando-o bruscamente do palco.
Ela colocou a mão dentro do espartilho e tirou uma coisa brilhante, Rey observou com mais atenção e viu que era uma adaga. Ela ergueu a faca e passou pela língua, obviamente aquilo ali não tinha corte, era tão cega quanto todos que estavam hipnotizados naquele lugar jogando tudo o que tinham na carteira em cima do palco. Alguns homens tiravam o relógio de seus pulsos e o colocavam no meio da passarela.
A mulher ergueu a faca e a desceu lentamente pelo peito, rasgando o espartilho com a adaga, revelando os seios fartos, antes que Rey notasse estava com a mão dentro das calças aliviando a tensão. Enquanto a mulher rasgava a peça de roupa um filete de sangue falso escorria pelo seu peito, descendo em linha reta, passando pelo umbigo de indo até a virilha, onde a mulher passou a adaga pela tira do fio dental e o rasgou, ergueu a calcinha e a jogou como um estilingue na direção de Rey, a calcinha caiu diretamente em seu colo, Rey usou a mão livre para pegá-la. Todos vibravam, e a mulher piscou para ele.
A música acabou a mulher saiu rebolando do palco. A voz voltou a ecoar pelos alto falantes.
—Cavalheiros, uma salva de palmas para Cherry Pie!— E instantaneamente o lugar arrebentava em aplausos. Enquanto as palmas eclodiam Rey teve que parar o trabalho manual antes que manchasse a sua calça.
—Quem é ela? — Rey perguntou ao homem ao seu lado.
O homem nem se virou para o lado de Rey.
—Ela é um anjo na terra. —O homem disse.
—Como é o nome dela?
—Cherry Pie, você nunca veio aqui? Ela só se apresenta de quintas feiras, e única coisa que dá lucro pra essa pocilga.
—E ela faz dança no colo? —Rey perguntou.
O homem fumava um charuto, riu soltando a fumaça na cara de Rey.
—Faz, mas tem uma lista de espera, e a coisa mais cara desse lugar, eu estou a algumas semanas esperando chegar a minha vez, ela é ‘especial’ entende? Dizem que a boceta dela tem gosto de torta de cereja.
Tudo o que Rey precisava era de dinheiro e paciência, e ele não tinha nenhum dos dois.
Na semana seguinte Rey sondou o motel em que ficava, observou o movimento, viu que todo o dinheiro dos hospedes ficava guardado na caixa registradora na recepção, e que quando o dono não ficava lá sua filha adolescente que ficava Rey também notou que ela não era muito cuidada e que deixava o caixa sozinho para ir dar uns amassos com um hospede do outro quarto, e foi em uma dessas saídas que Rey pegou algumas notas do caixa, ele não se orgulhava disso, mas ele precisava de dinheiro e rápido. E foi assim que ele colocou seu nome na ‘lista de espera’ da Boca do Inferno, esperando o dia em que seria selecionado para receber uma dança no colo de Cherry Pie, o que ele não sabia é que lista de espera significa molhar a mão do gerente do clube com dinheiro, só assim para acelerar as coisas como um cliente lhe disse outra noite. Depois de alguns subornos e mais algumas passadas no caixa do motel, Rey finalmente foi selecionado para a tal dança, era bom todo aquele risco valer a pena.
O levaram para um quarto privado com uma luz rosa que piscava, tinha um sofá de couro e uma garrafa de sidra barata. Rey tirou o chapéu e o colocou ao seu lado, parecia um adolescente prestes a ver uma mulher nua pela primeira vez, estava animado e até suando.
Uma música lenta começou a tocar e a morena entrou na sala. Sua pele branca brilhava devido a quantidade de glitter corporal que tinha no corpo, ela usava uma calcinha minúscula preta e um sutiã preto com várias tiras da mesma cor que caiam sob a barriga. E claro, os habituais saltos.
—Cowboy já sabe as regras? Não pode tocar, pode apenas olhar, alguma gracinha e eu chamo os seguranças, ter uma ereção é normal, gozar em mim enquanto eu estiver dançando não é por isso segure os seus nadadores. Entendido? — Mesmo falando tamanhas obscenidades a voz dela era leve e delicada. Rey não prestou a mínima atenção no que ela dizia, seus lábios apenas se moviam lentamente enquanto ela gesticulava e falava.
A mulher começou a dançar colocando as mãos em volta do pescoço de Rey e se sentou no seu colo enquanto rebolava nele, ela cheirava a torta caseira. Jogava o cabelo em Rey, evitava contato visual, mas Rey não tirava os olhos dos olhos dela, eles eram verdes com um pequeno tom azulado no meio. Ela o estava ignorando totalmente, era apenas um trabalho.
—Faz muito tempo que você faz isso? —Rey tentou quebrar o gelo enquanto ela estava sentada em cima dele de costas se esfregando.
—Você é bem curioso não acha paizinho? Feche os olhos e aproveite a dança.
Rey sorriu.
—O que um cara como eu faria para sair com uma moça como você?
A mulher se levantou e parou na hora.
—Eu não sou uma prostituta, se te falaram que eu sou passaram informação errada certo paizinho? — Ela tinha o semblante fechado, porém sua voz ainda era doce.
—Não! Não é disso que eu tô falando, sair eu digo pra comer alguma coisa, beber uma cerveja? — Rey tentou se justificar.
A mulher franziu o cenho.
—Primeiro eu não saio com clientes, e segundo você não tem o dinheiro suficiente para me bancar, docinho — Ela disse pegando as roupas no chão.
—Eu consegui pagar uma dança com você. — Rey disse com um sorriso amarelo.
—Você estava de pau duro antes de eu sentar no seu colo, desculpa paizinho, mas não vai rolar. —Cherry Pie disse saindo do quarto. Rey ignorou tudo o que ela disse, a maneira como as silabas saiam de sua boca, como ela pronunciava docilmente ‘paizinho’ era excitante e encantador.
Nas semanas seguintes foi à mesma coisa, Rey continuava entupindo aquele lugar de dinheiro que ele tirava do motel, o pessoal do motel não devia ser muito inteligente pra não dar falta do dinheiro. Para conseguir uma dança com Cherry, e quando conseguia, ela era sempre o mais evasiva possível.
—Qual o seu nome? — Ele perguntou certa vez.
—Cherry Pie, você não ouviu nos altos falantes cowboy? —Ela perguntou em tom de deboche enquanto estava agachada com a bunda para cima dançando próxima ao rosto de Rey.
—Seu nome de verdade, você não pode ter nascido com esse nome. É Chérie que fala, igual aos franceses?
—Eu já disse, Cherry Pie, é um nome único não acha paizinho? Não têm muitas por ai no mundo. — Ela disse enfiando o rosto de Rey no meio dos seios para que ele parasse de tagarelar.
Em outra ocasião ele tornou a perguntar.
—Quando nós vamos sair?
—Assim que eu sair dessa sala, quando a musica acabar. —Ela disse jogando o cabelo na cara dele. —Eu saio por aquela porta e vou viver a minha vida, e você depois a sua. Pare de ser chato paizinho querido. — A morena falou entre risinhos.
Rey deitava-se todas as noites em sua cama dura e nojenta do motel (porém perto do projeto de colchão disponibilizado na cadeia, aquilo era equivalente a uma king size) em suas horas mais solitárias se lembrava da mulher, ela tinha um olhar melancólico, parecia até triste, e ao mesmo tempo encantador e fugaz, lábios carnudos, olhos expressivos como um desenho animado, o nariz fino e perfeito, o corpo perfeito, quadris largos, não tinha seios muito avantajados, talvez estivesse trabalhando para fazer uma plástica futura, quais fossem as razões ela era muito boa no que fazia, era simplesmente linda. Antes de perceber Rey estava aliviando a tensão com as mãos, ele faria de tudo para poder tê-la nem que fosse por alguns segundos.
Todas as noites quando Rey ia para a cama ele se convencia de que não ia mais furtar o caixa miserável para entupir a stripper de dinheiro, e todo final de tarde ele se via com a mão cheia com alguns trocados que ele pegava e indo em direção ai inferno, A Boca do Inferno.
Rey estava sentado de novo no sofá preto de couro na sala particular esperando a mulher entrar. Ele ouviu o som dos saltos dela se aproximando, sentiu o coração acelerar, aquilo era patético ele se sentia um estudante colegial cheio de espinhas e excitação.
A porta se abriu, ela trajava uma calcinha vermelha combinando com o sutiã coberto de lantejoulas e botas de cowboy. Assim que ela o viu seu um amável sorriso, Rey sentiu alguma coisa dentro de si morrer.
—Paizinho! Vai acabar virando nosso cliente número um. Você é dono de algum empório? Sempre deixa boas gorjetas, é rico e eu não sabia? — Ela disse se sentando no colo dele e se movendo lentamente ao som da música country que tocava. Seu olhar era cheio de malicia.
—O que eu posso fazer para podermos sair um dia? — Rey tornou a perguntar.
Ela virou o rosto inclinando e ficando a centímetros de Rey, ela cheirava a torta caseira.
—Mas você é um achado não é mesmo? Já disse que não vou sair com você paizinho, você precisa tirar essas idéias da cabeça.
Rey queria tirar as calças e montar nela.
—Qualquer coisa. — Ele repetiu hipnotizado. Ele tinha vontade de chorar.
—Que coisa? — Ela perguntou confusa.
—Eu faria qualquer coisa para você. — Ele tornou a repetir e deu ênfase. — Qualquer coisa.
Ela riu ruidosamente.
—Você é louco sabia? Se você soubesse com quem está lidando não ficava com essas idéias na cabeça. Bom paizinho acabou nossa hora vou indo. Quem sabe na próxima vez. Mas é bom saber que você é uma pessoa... — Ela se inclinou próxima ao ouvido dele. — Disposta a ajudar.
Rey sentiu um calafrio passar pelo corpo, ela tinha uma olhar reptiliano, escondia algo atrás dos lindos olhos verdes. Ele ainda não sabia o que era. Tudo que é doce demais tem algo de amargo por trás.
Essa era a última vez, Rey disse a si mesmo indo em direção do bar e pedindo uma dose de uísque, ele não ia mais gastar dinheiro ali, isso era sujo e era loucura. Não valia a pena o risco que ele estava correndo por ela. Cinco doses de uísque depois e um maço de cigarros ele tinha vontade de ir à sala que ela ficava entretendo os homens e tirá-la de lá a força. Isso era um sinal de que ele precisava sair daquele lugar imediatamente.
—Nós vamos fechar companheiro, acho melhor você pegar a estrada. — O barman disse cutucando Rey que estava babando em cima do balcão.
—O que cê disse? — Rey disse cambaleando.
O barman revirou os olhos, ele provavelmente estava cansado de babacas como Rey, Rey olhou para o relógio estava amanhecendo ele nem tinha notado a hora passar, colocou as mãos no bolso e estavam vazios, mais uma noite de dinheiro perdido.
—Não estou a fim de te tirar daqui à força cara, levanta e sai daqui logo que eu tenho que limpar essa merda ainda.
Rey concordou era justo, se levantou, não se lembrava de quanto tinha bebido suas pernas estavam tremulas, e cambaleando, sentia o chão se aproximando cada vez mais de sua face, ele espalmou a parede para não cair. Abrindo a porta da boate o sol estava despontando no horizonte, Rey sentiu uma tontura, seu estomago embrulhou, a garganta ficou apertada, e antes que se desse conta estava vomitando ruidosamente no chão.
Rey limpou a boca com a palma da mão, colocou os óculos escuros que estavam no bolso, e ascendeu um cigarro para tirar o gosto amargo da boca.
O mundo ainda girava tudo girava, ele não sabia como iria conseguir pegar o caminhão e voltar para casa. Ele foi em direção ao veiculo, assim que se aproximou a porta abriu. Merda tinha alguém dentro do carro, se fossem roubar aquela velharia ele não teria nenhuma chance de revidar, não no estado em que se encontrava.
Rey parou no meio fio e observou um par de botas de cowboy descer do veiculo, ele deveria estar muito bêbado.
—Paizinho, que bom que você chegou! — Cherry disse com um sorriso estampado no rosto.
—O que você esta fazendo ai moça? —Rey sabia isso só significava uma coisa, ela ia dar pra ele. Foi impossível não sorrir.
Ela foi andando até a parte de trás do veiculo, e como um cão obediente Rey a seguiu, talvez ela fosse lhe dar uma chupada.
Ela se se encostou à lona do caminhão e a ergueu, Rey notou um gotejar, quando olhou para baixo as mãos dela estavam ensangüentadas, que diabos estava acontecendo.
—Você disse que faria qualquer coisa por mim não é, paizinho?
—Qualquer coisa... — Ele entoou confuso.
—Bem, nós temos um pequeno probleminha. — Ela disse erguendo a lona e revelando o corpo de um homem dentro do caminhão de Rey. Rey sabia que tudo tinha conseqüência, que quando se toca a escuridão e lhe dá acesso, ela lhe toca de volta.
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