Notas iniciais
Olá pessoal, desculpa a demora estou com um terrível bloqueio mental. Espero que gostem dessa att ;) ps: viram que graças a linda da Liz (♥) temos a fic agora na interativa: http://putrefyfic.tumblr.com/ Espero que gostem e boa leitura :)

Sete anos atrás...

—Desça já aqui! — Ela gritava com a voz rouca e esganiçada.

Sua voz era um tormento, seu grito interno era uma suplica que ninguém poderia ouvir. Correu pelo pequeno quarto e se escondeu embaixo da cama. Ali estaria protegida de todo o mal.

A voz abafada ecoava por trás da porta.

—Não me faça falar de novo, venha já aqui! — O timbre estava ecoando cada vez mais longe, era quase como se não existisse. Se ela fechasse os olhos e rezasse ao bom Deus tudo isso iria acabar, e não iria existir de verdade.

Ela podia ouvir com o pequeno rosto colado no assoalho gelado de madeira os sons do andar debaixo da casa, ouvia os passos desconcertados da mulher, conseguia sentir que ela estava ficando sem paciência. Oh não! Ela fica muito brava quando sua paciência vai embora...

—Olha eu não se porque ela está se comportando assim hoje, deve ser a mudança do tempo, o senhor sabe como essas coisas podem afetar. — A voz vinha por entre os vãos da madeira, ela podia sentir o pequeno riso sem graça e constrangido no tom dela.

—Você conversou com ela? — Agora ela ouvia uma segunda voz, era aguda como um trovão era pesada e carregada. Não era uma voz gentil tampouco suave, era grossa e fazia com que seu corpo liberasse calafrios da cabeça até os pequeninos dedos dos pés. Se o mal tivesse voz seria assim.

—Eu venho falando com ela faz tempo, não sei porque ela tá com essas graças. EU NÃO VOU FALAR DE NOVO, DESÇA LOGO DAÍ E SEJA UMA MENINA BOAZINHA! VENHA FALAR OLÁ! — A voz feminina era estridente enquanto a mulher gritava.

Fechou os olhos com força e agarrou a pequena boneca encardida de pano, ela era feita com retalhos de roupas velhas e cheirava a bolor, fora um presente de sua avó. Ela a amava com todo o seu pequeno coração. Apertou os olhos com tamanha força que via pequenos pontos luminosos no escuro, como as estrelas que subiam no céu todas as noites, pequeninas e brilhantes, dançando na sua frente, convidando-a para brincar. Se ficasse bem quietinha iriam se esquecer que ela estava ali. Iriam ignorar sua presença.

—CARMEN! PARE DE FAZER BIRRA, SE VOCÊ NÃO SAIR DESSA PORCARIA DE QUARTO AGORA, EU VOU SUBIR AI E BATER TANTO EM VOCÊ QUE SUA BUNDA VAI ENTRAR PRA DENTRO! Desculpe-me por isso, eu realmente não sei por que ela está assim hoje, geralmente ela não é assim...

—Veja bem, a senhora tinha me dito coisas tão boas dela, espero não ter me enganado.

—Não! Tudo o que eu disse pro senhor era verdade, eu não menti. Ela não é assim! QUE DROGA CARMEN MOVA SEU TRASEIRO PRA CÁ AGORA! Oh meu Deus, não sei por que ela me faz passar essa vergonha, eu faço de tudo por essa menina.

As vozes se silenciaram, eles deviam estar conversando sobre alguma coisa de adultos sem importância, logo eles esqueceriam que ela estava ali, oh sim, logo eles nem iriam lembrar que ela estava lá.

—Logo ela se cansa de ser insolente e vem aqui. Er... então o senhor quer mais café?

—Oh sim claro eu adoraria, se me permite dizer nunca tomei um café tão bom quanto esse.

—Oh não diga isso, não é nada de mais, mas, que bom que o senhor gostou.

Viu? Eles se entreteram em suas conversas adultas e se esqueceram da menina embaixo da cama, ninguém mais iria se lembrar que ela estava lá...

—Estou sentindo um cheiro maravilhoso, o que é isso?

—Oh, é minha torta de cereja, ela está quase pronta, a Carmen adora essa receita, é a preferida dela, assim que eu a servir com um pouco de sorvete de creme ela vai descer correndo daquele quarto, eu posso garantir isso ao senhor.

—Pois bem, o que acha de ir chamá-la? —A voz de trovão ecoou novamente pela madeira, oh não! Ela estava subindo, ela podia ouvir os passos nas escadas, abraçou a boneca com todas as suas forças e rezou, rezou ao Bom Deus que a tirasse de lá, que a transportasse milagrosamente para um lugar bem longe, um lugar lindo e ensolarado, bem longe de tudo isso, rezou com todo o fervor que uma criança de onze anos poderia ter.

—Querido Deus... — Ela sussurrou baixinho entre as lagrimas quentes. — Eu prometo que vou ser uma menina melhor, não vou roubar mais, não vou mentir, vou ser boazinha. Por favor, meu Deus, me tire daqui, me leve pra bem longe, para muito, muito longe. Eu suplico.

A porta rangeu com o som da mãe abrindo-a. A porta não tinha tranca, apenas o baú que a menina tinha empurrado contra a porta para mantê-la fechada. Ouviu os passos se aproximando. Viu os sapatos gastos beges da mãe se aproximando da cama. Sentiu uma mão gelada tocar seu braço.

—O que você está fazendo ai embaixo? Vai sujar todo o seu vestido novo menina! Anda saia logo daí! Você sabe o trabalho que eu tive pra te arrumar e te deixar apresentável, sua sujinha?

Ela virou o rosto para outro lado.

—Eu acabei de tirar a sua torta preferida do forno, anda. — A mãe se inclinou e ergueu sua sobrancelha cor de fuligem. Sussurrou como dois confidentes que compartilham um segredo. — Não estrague tudo o que eu tive tanto trabalho para arrumar, ou você saí daí por bem, ou eu vou puxar você pelos cabelos. Não me teste menina.

Não era uma boa idéia contrariar a mãe. Com muito custo à menina saiu debaixo da cama. A mãe a estudou com os olhos.

—Meu Deus o que eu fiz para merecer uma menina assim? Olhe para você? — A mãe disse mostrando-a ao espelho que tinha no quarto, perto da prateleira com os ursinhos de pelúcia e o papel de parede rosa decorado com gatinhos. — Toda imunda e desalinhada de ficar debaixo dessa cama. — Ela disse batendo com a costa da mão no vestido para tirar a poeira, a menina piscava com cada tapa. — Está toda descabelada, espere ele ir embora e eu e você vamos ter uma conversinha menina! Toda suja e imprestável! — A mãe puxava seus cabelos cor de caramelo, enquanto arrumava a pequena trança divida em marias-chiquinhas.

—Vamos anda logo, você se lembra do que eu disse certo?— a menina apenas assentiu. — Você vai se comportar como uma mocinha, porque é isso o que você é. Você está me entendendo? —a menina balançou a cabeça — Não vai fazer mal-criação, vai responder apenas quando te perguntarem alguma coisa. Lembre-se o Bom Deus gostava das menininhas obedientes, principalmente daquelas que obedecem a suas mães. Você não quer desapontá-lo, quer? Responda-me quando eu falo com você.

—S-sim mamãe. — A menina disse segurando o choro.

—Ótimo, lembre-se que na vida precisamos fazer provações, certo? Precisamos passar por provas que o Senhor nos coloca para sermos pessoas melhores, isso é sabido, está escrito na bíblia e tudo. Você está agradando á Deus hoje, e pessoas boas vão para céu, você quer ir para o céu não é mesmo? Ou você quer passar o resto da eternidade queimando no inferno? A escolha é sua, eu já tenho o meu lugar reservado ao lado de Deus. — A mãe disse enquanto terminava de trançar os cabelos da menina.

—Eu quero ser boazinha mamãe, eu quero ir para o céu. —Ela disse olhando para os pés descalços no chão.

—Muito bem, então vamos descer e comer uma fatia de torta...

Lentamente a menina acompanhou em pequenos passos a mãe pela velha escada de madeira, que rangia a cada pisada, a casa era toda velha e precária, com certeza ratos moravam no subsolo. Qualquer dia o chão iria desabar e elas se encontrariam em uma cratera gigante coberta por ratos. Só o pensamento enviava calafrios á espinha de Carmen.

Carmen parou na ponta dos pés á porta da cozinha. Sentiu o aroma doce e inebriante da torta, isso fez com que sua barriga roncasse, ela estava se sentindo estranha e engraçada a semana toda, mal conseguia comer, os tremores tinham voltado, e os desejos... Eles não iam embora. Eram tão brilhantes e tão vívidos.

—Ora ora, aqui está ela?Como você está se sentindo hoje Carmen? Sua mãe me disse que você estava meio indisposta. —O homem de preto deu um sorriso amável. Ele tinha o nariz comprido e o queixo pontudo. Dentes alinhados como um tubarão e uma sobrancelha que um dia fora loira combinando com os cabelos grisalhos. Carmen conhecia aquele homem...

—Ela só estava fazendo graça, Padre McDirt, birra de criança, mas eu já conversei com ela, não é mesmo, Carmen? Venha aqui se sentar que eu vou servir a torta. —A mãe deu sua melhor voz apaziguadora.

Carmen sentiu as maçãs do rosto pegarem fogo, não entendia o que o Padre estava fazendo ali, fora da igreja. Ela sabia que ele e mamãe eram amigos, pois todos os domingos depois dos sermões ela ia ter longas conversas com ele na sala da sacristia ‘conversas de adultos’ como sua mãe sempre frisava, enquanto ela brincava de pisar nas pequenas formigas no sol. Ou ficava observando o vitral da igreja contra a luz do dia, era tão colorido e instigador. Não tanto quanto o castiçal de metal, e todos aqueles crucifixos, e cálices metálicos que tinham dispostos pela igreja, eram tantos, tão brilhantes e chamativos, e ainda sim tantas peças. Ninguém precisava de tantos cálices assim...

—Venha pequena Carmen. Sente-se aqui ao meu lado. — O Padre disse indicando a cadeira vazia ao seu lado na mesa. Ele balançava as pernas cruzadas na batina.

Assim que se aproximou Carmen foi quase cegada com o reflexo do longo crucifixo no pescoço do homem. Era tão lindo e encantador, seu brilho era hipnotizante.

—Quente, quente quente! —A mãe disse rapidamente assoprando os dedos ao retirar a torta redonda de dentro do forno. Pegou uma espátula de prata, uma linda espátula que brilhava, enquanto cortava uma generosa porção e servia ao Padre. Ele prontamente deu uma grande garfada e enfiou a torta na boca sem assoprar. O calor não parecia feri-lo.

Carmen delicadamente deu uma mordiscada em sua fatia, depois de assoprá-la é claro. Era doce e azedo. Do jeito que ela gostava.

—Oh que cabeça minha, deixe-me me pegar o sorvete de creme, são tantas coisas para fazer... E oh céus o tempo está fechando e eu não recolhi as roupas do varal... São tantas... E eu preciso de... Mas antes eu tenho que ir lá ao... Oh céus! —Sua mãe falava aceleradamente que não conseguia completar uma frase se quer, Carmen encarava o prato e subiu os olhos. Sua mãe estava tensa e suava. O Padre a fitava com os olhos cinzentos. O rosto de Carmen queimava.

—Hmm Senhora Mortenson, tinha razão. Sua torta é fenomenal. Nunca provei uma iguaria tão gostosa quanto essa. — Ele disse usando o polegar para limpar as migalhas que caiam do canto da boca enquanto falava.

Sua mãe ficou vermelha como um tomate.

—Ora Padre McDirt, o senhor pode me chamar de Ruth. Ela não tem nada demais é simples e. Oh Céus... Eu preciso ir ao mercado para comprar... E olha a hora... Mas eu ainda nem...

—Antes de a senhora ir fazer seja lá o que for que vai fazer. — O Padre disse gesticulando as mãos no ar. — Ela já sangrou? — Carmen não entendeu quem era ela. E o que isso significava.

—Oh Céus, não. Graças ao bom Deus ainda não. — A mãe disse nervosa.

—Ótimo. Pois bem, acho melhor a senhora se apressar para não atrasar-se não é mesmo? — Ele disse com um sorriso no rosto.

—Sim claro. Carmen por favor, vá com o bom Padre McDirt lá para cima. — A mãe disse enquanto pendurava o avental sujo na pia.

—Fazer o que? Mas eu ainda to comendo. A onde a senhora vai? — A menina perguntou confusa.

—Apenas faça o que eu disse menina insolente! Não se preocupe Padre, ela é um amorzinho apesar de ser muito enxerida. —A mãe disse dando as costas e saindo.

A menina entrelaçou as mãos no colo. Fitou os pés descalços no chão. Tinha comido a torta quente demais e sua barriga doía. Sentia os olhos do Padre postos em si.

—Sua mãe me disse que você tem uma coleção de bichinhos de pelúcia, não gostaria de mostrá-los a mim, Carmen? — O Padre perguntou com um largo sorriso.

—Não! — Carmen disse sem tirar os olhos do prato.

—Oh não? Tudo bem então. —O Padre disse retornando o silencio constrangedor por alguns minutos.

—Quer saber de uma coisa pequena Carmen? — Ele gostava de repetir o nome dela.

—Não... — Ela disse baixinho. Ele a ignorou completamente.

—Você sabe de quem eu sou um amigo muito próximo? Não sabe, não é mesmo? Pois bem, eu sou muito amigo Daquele Lá de Cima — Ele disse apontando para o teto. Carmen não sabia se tinha ratos no forro também. Provavelmente sim, a casa estava infestada. — E como eu sou uma pessoa muita próxima Dele, devo te avisar que Ele ano gosta de menininhas desobedientes, certo? Ele vai ficar muito triste se você não se comportar, assim como a sua mãe pediu, não é mesmo? Acho que seria uma boa idéia irmos ao se quarto rezar por seus pecados.

Ele tinha razão, Carmen não queria irritar O Cara Lá de Cima. A onde quer que Cima fosse. Levantou-se da mesa e deu a mão para o Bom Padre. O encorajando-a a seguir até seu quarto. Afinal de contas, que mal teria rezarem um pouco? Sua mãe a fazia rezar o tempo todo.

Ele a seguiu, sendo conduzido até o quartinho da menina, a onde entraram e dera de cara com os bichinhos de pelúcia, que os observavam do alto da prateleira. Ursinhos coloridos e empoeirados.

—Que quarto adorável que você tem minha criança. — O Padre disse esfregando uma mão na outra. — Então, você gosta de rezar? — Ele disse passando a mão pela trança da menina.

Ela balançou a cabeça confirmando.

—Muito bem. — Ele disse tocando o ombro dela. — Eu também gosto muito de rezar, rezar é uma das coisas que eu sei fazer de melhor. — Ele colocou as tranças da menina nas costas, tirando-as da frente do corpo. — E posso afirmar que sou muito bom nisso. —Ele disse desfazendo as tranças dela — Não é uma coisa que você adquire da noite para o dia, oh não. — Ele soltou o cabelo da menina e percorreu o dedo pelo pequeno nariz dela. O toque dele levantava arrepios gelados em seu corpo. — Não é uma coisa que fica presa na sua mente. — Ele tocou a cabeça dela. — Tampouco pode ser decorada e repetida, assim como sua mãe deve ter te ensinado a rezar todas as noites. — Ele disse passando o longo polegar nos lábios rosados da menina. —É algo que deve ser sentindo, algo que vem de dentro. — Ele percorreu os dedos no pescoço, descendo até o peito púbere de onze anos da menina. Colocou a mão do lado esquerdo, a onde seu coração batia acelerado. —A oração vem de nossos corações. — Ele desceu a mão até o umbigo de Carmen, ela não entendia o que ele estava fazendo. — Vure-se. — Com a voz suave ele pediu. Ele era um Padre ela não podia questioná-lo ele iria ensiná-la a rezar e sabia como fazer isso. Obedientemente Carmen virou-se. Ele percorreu os dedos pela fileira de botões no vestido xadrezado da menina. Abriu o primeiro botão e fez isso com os demais. — Você precisa sentir-se mais próxima do Senhor, e eu estou aqui apenas para auxiliá-la em sua jornada minha criança.

Assim que ele desabotoou o vestinho passou a mão pelas costas magras da menina. Carmen sentiu os pêlos da nuca se eriçarem.

—Tire o vestido. — Ele pediu. Ela não entendia qual era a necessidade disso. Sentiu as lagrimas começarem a coçar em seus olhos.

—Shh shh. — Ele disse acariciando suas costas. — Faça o que eu pedi e deite-se na cama.

Carmen tirou o vestido e se aproximou da cama. Sentia a perna tremula enquanto andava. Afundou-se na cama. Fez a menção de pegar uma coberta para cobrir os pequenos seios, que tinham apontado cedo demais.

—Não, não. Está muito quente para cobertas. — Ele a repreendeu. — Tire devagar a sua calcinha agora. — Ele pediu sem tirar os olhos dela.

Carmen não queria fazer isso. Não queria ter que fazer isso. Não estava se sentindo bem. Sentia o estomago rodar dentro de sua barriga. Como se mil larvas a comessem por dentro.

—Vamos Carmen, eu estou esperando. Você não quer fazer isso direito? Eu pedi para que você tirasse a sua calcinha. Ou você prefere que eu a tire para você? É isso? — Ele disse coçando o queixo pontudo.

Ela não queria que ele a tocasse. Com muito custo puxou a pequena calcinha rendada para baixo até tirá-la, expondo seu delicado sexo. Seus pequenos pelos púberes estavam apontando. Contra a luz tinha a coloração clara.

—Gosto assim. Você esta colaborando muito. Estou muito orgulhoso de você, Carmen. — Padre McDirte tirou os sapatos e subiu na cama. Ele ainda usava a batina preta com a cruz de prata pendurada sem eu pescoço. Carmen não queria olhá-lo no rosto. Ela sabia que se você olha para o mal, ele olha diretamente para você.

Focou os olhos na cruz que se movia enquanto ele se aproximava.

Ela tentou se encolher na cama, ele colocou a mão quente sob seu pequeno joelho. Aproximou-se dela e seu um largo sorriso. Ele tinha pedaços de torta presos entre seus dentes. Carmen sentia o rosto coçar, colocou a mão na face e pôde sentir as lágrimas que desciam de seus olhos. Ele afastou as penas delas e deitou-se por cima. Ela podia sentir o peso do homem sobre si. Ela focou os olhos na cruz. Podia ver o reflexo de si mesma no artefato de metal. Ele movia alguma coisa na batina que ela não queria ver o que era. Via seus olhos molhados de lágrimas no reflexo e sua boca curvada. Sua imagem a assustava.

—Se você ficar bem quietinha, isso não vai doer nada. Eu juro por Deus. — O padre disse.

Carmen não entendeu o que ele quis dizer, até que sentiu o dedo indicador tocando-lhe suas partes intimas. Ele fazia um movimento estranho friccionando a pele para os lados em um movimento circular. Não sabia por que ele estava fazendo isso. No começo ela fazia isso devagar, até ir mais rápido. Como um soluço que vem do nada ele colocou um dedo dentro dela. Era como espetar o dedo em mil agulhas. O atrito dos dedos dele em sua pele era como uma lixa. Doia. Ele disse que não ia doer, mas isso era uma mentira. Sentiu uma pontada junto com o lampejo de dor. Fechou os olhos. Pensou em um campo ensolarado, queria ser teletransportada para o seu lugar feliz. Ele tirou o dedo de dentro dela. Graças a Deus foi tudo o que ela teve tempo de pensar.

Ele subiu a mão até seu seio, apertou o pequeno mamilo rosado. Sentiu um beliscão e a pele se retrasar. Doeu ainda mais quando ele o torceu e o colocou na boca. Carmen ergueu a cabeça e olhou para cima. Viu os ursinhos de pelúcia a vigiando. Seus olhos de plásticos a julgavam.

Sentiu algo quente entre as pernas, ele movia o membro viril na entrada de sua vagina. Fazendo força para invadi-la. Engoliu um grito assim que ele entrou lentamente. Sentiu-se rasgada ao meio. Um misto de pânico e dor. Uma dor indescritível como nunca tinha sentido antes. Ardia e latejava assim que ele fazia força e se movimentava para frente e para trás.

Era como esfregar uma lixa na pele, ele ia com mais força. Atreveu-se a abrir os olhos e viu que ele a encarava enquanto pequenas gotas de suor se acumulavam em sua testa. Se ela pensasse em outras coisas não ia sentir a dor. Tentava ignorá-la, enquanto ele se movia com força. Sentia toda a sua vagina doer, era como se ela não fosse feita para isso. Era muito pequena, não tinha como caber dentro dela. Cada vez que ele tirava de dentro dela, doía mais do que quando ele colocava de novo. Ouviu um barulho estranho. Ela estava soluçando com o choro preso dentro da garganta. Sentiu a perna coçar, algo quente estava escorrendo entre suas coxas.

—Oh meu Deus! Sim, sim! Não vê como rezamos bem? —Ele disse fazendo pressão em cima da garota. Ela sentiu algo escorregadio entrar em si. Assim que ele terminou e saiu de dentro dela, virando-se ao lado ergueu a cabeça com curiosidade. O lençol branco estava manchado de vermelho, a mesma cor da geléia de cereja. Mamãe não ia gostar dessa bagunça.

—Você rezou muito bem Carmen. — Ele disse ofegante. — Agora deite de bruços que eu vou rezar de um jeito diferente. — Ele disse. Quando ela tentou se mexer sua barriga doeu como se um punhal fosse cravado na pele. Se tivesse sido apunhalada por uma faca doeria menos...

Sete anos depois...

Assim que o Padre McDirt terminou de comer o seu rabo se levantou da cama. Abotoou o colarinho e olhou para Cherry que jazia largada na velha cama.

—Vamos Carmen, devolva a minha cruz. Eu vi quando você a tirou do meu pescoço.

Ela permaneceu em silencio.

—Eu tenho uma missa para rezar. Anda logo e me dá a porcaria do crucifixo. Podemos fazer isso do jeito fácil que seria você me devolvendo-o. Ou o difícil, eu chamando a policia e comentando também o sumiço de castiçais e taças da igreja local. Você quem sabe.

Cherry se levantou cobrindo a nudez com o lençol.

—Faça isso, e eu conto como você me violentou várias vezes, seu velho pervertido e nojento.

Ele ergueu uma sobrancelha.

—Essa é uma cidade pequena, todos conhecem o bom Padre da paróquia. Aquele que ajuda á todos e está sempre a disposição de ouvir os fiéis. E todos conhecem a vadiazinha que trabalha se esfregando em um bar. Em quem eles vão acreditar? — Ele se aproximou e estendeu a mão.

Cherry puxou a contra gosto o crucifixo, tocando o metal gelado debaixo do travesseiro e o entregou ao padre. Ele passou a mão na cabeça dela.

—Boa garota. Se me permite preciso ir embora. Mesma hora semana que vem? — Ele perguntou deixando o quarto.

—Eu não sou a porra de uma prostituta, seu velho nojento. — Ela se enrolou nas cobertas, deitou o rosto no travesseiro e soltou um grito abafado preso na garganta. Gritou até seus pulmões cansarem e adormeceu.

Acordou com o barulho da mãe falando sozinha no andar debaixo. Carmen não dormia, apenas sonhava. Sonhava com o pântano e com um enorme jacaré branco que a puxava para dentro da água. Levantou-se. Colocou um vestido branco com bolinhas azuis e desceu.

Sua mãe estava ajoelhada na sala com um terço na mão. Rezava desde que Cherry havia nascido, e ela nunca se lembrava porque a mãe rezava tanto. Sendo que coisas boas nunca aconteciam. Ela não acreditava mais em orações. Não acreditava mais em nada.

—A onde você vai? —A mãe indagou enquanto ela abria a porta da sala.

—Vou sair por ai, hoje faço dezoito anos, não quero passar mais dezoito dentro de casa.

—Eu vou rezar por você, Carmen. Para que você se torne uma pessoa melhor. O Padre saiu daqui chateado com alguma coisa que você fez e...

—Guarde suas orações para você. Elas não me servem de nada. — Carmen disse deixando a casa.

Era o dia de seu aniversario, mais um dia comum, em um ano comum, em uma vida patética e chata. Ela precisava de um pouco de ação. Precisava que as coisas fossem diferentes, desesperadamente precisava mudar de vida.

Foi até a mercearia que tinha no final da rua. O velho que sempre a atendia vendendo pão não estava lá. O filho dele estava em seu lugar hoje. Isso poderia ser interessante, ela pensou assim que entrou no estabelecimento. Ele estava fatiando presunto com um facão.

—Bom dia! — Ela disse entrando devagar.

O menino a encarou.

—B-bom dia moça. — Ele disse gaguejando olhando para as pernas desnudas. Ele não devia ver muito disso. Largou o que estava fazendo para dar-lhe atenção completa.

—Onde está o Sr. Johnson? — Ela perguntou enrolando o cabelo com os dedos.

—Ele teve que ir à distribuidora comprar mantimentos. — Ele disse fitando os seios dela á mostra no vestido. Seus olhos estavam estrábicos. Ele era patético e previsível.

—É bom ver uma cara nova por aqui, dá um novo ar não acha? Como é seu nome mesmo? — Ela perguntou se debruçando no balcão.

—Ke-Kevin. — Ele disse lutando com as palavras.

—Então Kevin, tem pão fresco hoje? Kevin é um nome engraçado não acha? Não é muito família por aqui. — Uma música country tocava de fundo no rádio falando sobre uma mulher que tinha ido embora.

—Eu acho que não, se você diz. —Ele disse babando.

—Então, Kevin? — Ela perguntou subindo no balcão.

—Então o que? Você não devia subir ai moça, meu pai não vai gostar... — Ele já era velho e barbado o suficiente para se preocupar com o que o pai dizia.

—Então, cadê o pão, Kevin? Não seja tão careta. —Ela disse sentando no balcão e passando a perna nele — Regras foram feitas para serem quebradas.

—Não acho que você devia fazer isso... E... Você não deveria entrar aqui... Se meu pai entrar. — Ele disse se afastando.

Ela pulou do balcão e foi se aproximando dele. Conforme ele andava para trás.

—Mas o seu pai não está aqui. E de imaginar que ele, ou algum cliente pode entrar por aquela porta a qualquer momento não torna tudo mais... Excitante? Não acha? — Ela disse mordiscando o lábio.

—Acho que sim, mas acho que você devia sair daqui. Isso não seria legal. — Ele encostou-se à prateleira.

Cherry puxou o vestido pela nuca. Revelando o corpo nu. O rapaz arregalou os olhos em um tamanho cômico.

—E isso, você acha legal? — Ela disse entre risinhos.

Ele agachou e pegou o vestido dela.

—Você tem que se vestir depressa. Se alguém entrar aqui isso não vai prestar, moça.

Cherry franziu o cenho.

—Qual é o problema? Você nunca viu uma mulher nua? Não tem dentes lá embaixo... Oh! Já sei!— Ela fez um biquinho. — Você me acha feia, não é isso?

Ele balançou a cabeça sem tirar os olhos dela.

—Não! Que isso moça. — Ele deu um riso envergonhado. — Eu acho você muito bonita, muito bonita mesmo. Mas isso não está certo. Você precisa se vestir e sair daqui.

Cherry pegou a mão esquerda dele e colocou em cima de seu seio.

—Sinta. Vamos! Não é bom? Não é agradável ao toque? Eu sei que você gosta. Não minta. — Ela falou com olhos provocativos. O rapaz suava e assentiu, ela notou o volume nas calças dele. Se ela continuasse com isso ela ia gozar sem ela ter feito nada.

—Não faça isso... — Ele implorou.

—Fazer o que? Eu não estou fazendo nada. Seu pau está implorando para ser chupado. Eu não posso ignorar a isso. — Ela disse se agachando. Abriu o zíper da calça dele e o pau do rapaz escapou para fora. Era rosa e brilhava.

Ela colocou o lábio inferior e fez um pequeno movimento circular com a língua, Kevin gemeu e olhou para cima.

Kevin gritou e olhou para baixo. Cherry estava com o cutelo de cortar o presunto, o mesmo que Kevin tinha deixado largado em cima do balcão sozinho, ensangüentado. Ele gritava desesperadamente. Fora um único golpe. Liso e rápido. Assim que ele ergueu os olhos ela passou o facão no membro do cara. Decepando-o de uma só vez. O sangue esguichava devido ao número de veias que se localizava naquele local. Limpou o sangue do rosto, enquanto o observava cair no chão gritando. Cherry levantou-se. Colocou o cutelo em cima do balcão. Vestiu o vestido e pegou na mão de Kevin. A abriu e colocou seu pênis dentro dela.

—Você está com o pau na mão. Literalmente. Você tinha razão, não é certo dar confiança para estranhos. Foi uma pena que você não ouviu seu pai e me deixou entrar dentro desse balcão. — Ela disse saindo de trás do balcão, Kevin não gritava mais, tinha perdido sangue demais para isso. Era besteira terminar seus últimos minutos de vida gritando.

Cherry pegou uma sacola de papel e colocou o pão. Aproveitou e colocou o cutelo dentro. Ele era feito de aço inox e brilhava muito. Era extremamente chamativo o que era um grande atrativo para ela.

Não estava com vontade de ir para casa. Hoje era seu dia e ela tinha que aproveitá-lo. Não queria ir para o trabalho também. Merecia um dia de folga e não estava com humor ou paciência para agüentar Karl e os outros clientes a assediando e torrando sua paciência.

Já tinha tido diversão o suficiente para uma manhã. Queria ir visitar sua avó, mas ela morava muito longe e não estava com vontade de andar. Na realidade não estava com vontade de fazer nada. Apenas deita-se na grama e ficar largada pelo resto do dia.

E foi o que ela fez, passeou pelos pastos e estradas da pequena cidade, encontrou uma linha de trem com alguns dentes de leão que cresciam ao lado e deitou. Nenhum trem iria ousar passar por cima dela. Ou assim ela esperava enquanto assoprava a planta ao vento. Pesando na vida que tinha e como seria interessante ter dinheiro e sucesso. Isso faria sua vida soar um pouco menos... Vazia.

Não importava o que fazia nada a preenchia verdadeiramente por dentro, ou lhe trazia satisfação verdadeira. Estava ficando sem criatividade ou vontade de inovar as coisas. Se ao menos ela tivesse alguém estúpido o suficiente para fazer as coisas para ela, tudo seria tão fácil...

Foi nesse momento que ela se deu conta que tinha o idiota perfeito. Uma pessoa disposta a realizar seus caprichos. Um ser humano estúpido o suficiente para cair em suas mentiras e realizar o que ela desejasse. Um homem capaz de cometer atrocidades por ela. Ele era a sua chave, e ele seria sua escapatória. Ela esteve tão atormentava por demônios passados que se esqueceu que ele poderia ajudá-la a mudar de vida. Se ela fosse dar o golpe perfeito em algum idiota rico, ela precisaria de alguém mais estúpido ainda para ajudá-la.

Levantou-se. Esqueceu a porra dos sapatos nos trilhos, quando fez a menção de voltar para pegá-los uma luz quase a cegou, levantando seu vestido com o vento. O trem passou como uma bala de revolver. Rápido demais, depressa e alucinante. Se ela tivesse hesitado por um segundo a mais, teria tornando uma mancha vermelha nos trilhos.

Poderia chamar isso de sorte.

Sorte para ela, azar para os outros. Ela ainda continuava viva. E com idéias erradas na cabeça.

Correu o mais depressa que seus pés descalços permitiram até chegar ao motel fuleiro que Rey estava ‘hospedado’. Ela precisava de sua ajuda novamente. E ele não poderia negar.

Já era quase noite. O sol estava se ponto no horizonte alaranjado. Bateu na porta com o nó dos dedos.

Três vezes e nada.

Olhou no estacionamento e o caminhão estava lá, então isso significava que ele estava ali dentro. Porque diabos não abria a maldita porta?

Foi até a recepção. Tocou a companhia. Uma mulher corpulenta saiu de trás de uma porta de madeira.

—Que é? — Ela perguntou com toda a hospitalidade quem uma mulher feia poderia ter.

—Eu vim visitar meu pai, ele está no quarto 301, mas ficou trancado por dentro, você tem uma chave reserva para me dar?

—Maldito hospede idiota! — A mulher resmungou. Pegou a chave e entregou para Cherry.

Cherry voltou até a porta e a abriu.

O quarto cheirava a bebida, urina e vômito.

— Paizinho? — Ela perguntou entrando. Olhou para baixo e Rey estava largado sem roupa, em uma poça de urina. Com a boca coberta por vomito de barriga para cima.

—Merda! — Cherry disse se aproximando do homem que estava de barriga para cima coberto de vômito. O cutucou com o pé e ele começou a tossir.

Agachou-se e virou o homem para o lado. Ele terminou de tossir e vomitar no carpete. Abriu os olhos cansados e a olhou. Viu um brilho em seu olhar.

—Cherry? Você é real? — Ele perguntou.

—Paizinho! Hoje é meu aniversário, vim te fazer uma surpresa. — Ela disse sorrindo.

Ele abriu um sorriso sujo.

—Parabéns então! — Ele disse tossindo novamente antes de desmaiar.

Notas finais
E ai gostaram ou odiaram? Não deixem de comentar. Bjs e até a próxima.