Push

1 I - Even when it gets tough


Notas iniciais
http://bimedeiros.blogspot.com/2011/03/do-you-know-when-push-comes-to-shove.html
- Deixe eu te ajudar... Elizabeth deslizou os dedos pelos cabelos de Neal enquanto ele abotoava sua camisa. - Você vai me ajudar, ou não? Os dois riram. Neal passou um braço pela cintura de Elizabeth, a trazendo para perto. Ela tirou as mãos dos cabelos dele e entrelaçou os dedos atrás de sua nuca. Deram um beijo rápido. - Eu tenho que ir, Lizzie, mesmo. - Eu sei. — Ela beijou sua face. — Peter logo estará retornando... - Nunca mais de faça vir aqui. Eu gosto de Perter. - Desculpe, mas não dava para esperar... — Ela separou dele, buscando a gravata que estava jogada ao chão. — E vai dizer que não foi algo emocionante? - Ahh, claro. Mas está falando com um ladrão profissional. Adrenalina tem de sobra no que faço. - Ex-ladrão. — Ela corrigiu, entregando-lhe a gravata — Você é consultor do FBI agora. - Não é o que isso indica. — Ele levantou um pouco a barra da calça, fazendo aparecer o localizador que piscava timidamente. - Está certo. O senhor ladrão está me roubando aos poucos de Peter, também. - Hey Lizzie, nem comece. - Você acho que é fácil? — Ela começou a dar o nó na gravata de Neal enquanto ele arrumava o cabelo às cegar — É nessa cama que vou dormir com ele. E ele vai querer fazer amor e eu não vou poder dizer "desculpe querido, estou com dor de cabeça". Eu quero a separação! - Não é justo com Peter, depois de tudo que ele fez, saber que a esposa estava o traindo com o cara em que ele depositou confiança. - Como você pode falar isso tão tranquilamente. - É que é muito simples. Um dia Peter vai saber e vai ser terrível, nós dois sabemos disso. — Ele fez uma pausa, botando o terno e abotoando-o depois. — Mas vai ser menos terrível se eu não for para a cadeia, não acha? - É claro Neal, mas... - Já tivemos essa conversa, Elizabeth. Neal utilizou seu nome e ela não deixou isso passar despercebido. Desviou o olhar para a cama desarrumada em uma plena tarde de terça-feira. Suspirou. Não há jeito de lutar contra Neal Caffrey. Ele sempre vencia e sempre estava certo. - Tudo bem, tudo bem... - Você tem que aguentar, certo? — Ele pegou seu chapéu e pôs na cabeça — Eu vou ficar com você, eu vou enfrentar tudo com você, mas tu tens que aguentar. - Neal... - Você fez a escolha, não fez? - Fiz, mas... — Ela esperou que ele fosse falar algo, mas ele apenas aguardou a fala dela — Tudo bem, tudo bem. - São só mais seis meses. — Ele chegou próximo a ela, mas não a beijou. — E poderemos ficar juntos. - Eu sei. Ela fechou os olhos, seus lábios quase tocando os deles, mas apenas os hálitos se encontraram. Esperou calmamente, mas quando abriu os olhos, ele não estava mais ali. Neal desceu as escadas com um sorriso no rosto. Tinha um confiança tão grande que não seria pego junto a Elizabeth que era capaz de mentir, ali, na cara dura para Peter sobre o que estava fazendo. Abriu a porta e deixou a brisa fria de começo de inverno cortar sua pele. Desejou um cachecol e luvas, ou Lizzie. O importante era manter-se quente. Deu um passo para frente e seu localizador emitiu um bipe. Resistiu a tentação de arrancar aquilo da sua perna e correr para longe, mas apenas ficou parado. Olhou para cima e viu Elizabeth na janela. Neal indicou o localizador e deu os ombros. Ela deu os ombros também e saiu. No segundo seguinte seu celular toca. Peter. - Hey, Peter. - Neal, o que você está fazendo aí? - Nossa, quanta desconfiança... Não gosto quando você fica brincando com o meu localizador. - E eu não gosto quando você vai na minha casa sem mim e não sem me avisar. - Alguém precisa passear com o cachorro, você anda muito ocupado. - Ando sim, e você tem que estar comigo. Temos uma história difícil aqui. - E quando temos algo fácil? — Neal começou a andar, com uma mão segurando o celular junto ao ouvido e outra no bolso -Fale mais sobre isso. - Roubo do Relógio de Alee. - Relógio de Alee? Isso não é importante, quem vai querer aquilo? - O problema é que isso está indicando a um assassinato. - Perfeito, não cuidamos disso. Posso ir pra casa? - O Senhor é um dos suspeitos. - Novamente, não posso trabalhar no caso. - Você é o caso. - Eu não roubei nada, Peter. — Neal parou na calçada abruptamente — Eu nunca roubaria o Relógio de Alee. Aquele negócio não é bonito e muito menos útil. - Mas é valioso. - Desde quando eu roubo apenas por dinheiro? Tem que valer a pena, você sabe como sou. - Terá que explicar isso para o Agente Booth, de Washington. - Washington? Como isso foi para aqui em Nova York? - Precisaram do auxílio da equipe forense do Jeffersonian. Jeffersonian significa assassinato. Isso tudo significa Agente Especial Seeley Booth. - Sou suspeito de assassinato? - Eu não brinco com seu localizador, agora corre para o escritório. Peter desligou o celular. Neal ainda não acreditava nisso, parecia tudo ser apenas uma brincadeira de muito mal gosto. Enfiou a mão com o celular no bolso, procurando um lugar quente. Queria ir para a casa, mas essa história parecia sutilmente mais importante.