Notas iniciais
nos vemos lá embaixo...

Capítulo 39

PV Bella

- Ai... nossa, isso dói muito!

- Eu te disse que era cedo para isso, Bells...

- Cala a boca e coloca isso de vez, Damon!

- Você pensa que é fácil? Eu estou suando aqui, sabia?

- Está me rasgando, sabia? Céus, Damon, isso dói muito mais do que eu poderia imaginar!

- Calma Bells. Estou chegando lá...

- Seja mais rápido, idiota!

- E eu ainda escuto insultos?

- Desculpe, Damon.

De repente, escutamos risos e olhamos em direção à porta. Lá estava ele, lindo, alto e loiro, com um sorriso sacana no rosto.

- Oi amor.

- Sabe, Isabella, qualquer pessoa normal que escutasse esse papo ficaria constrangida. Na certa, pensaria tratar-se de uma foda.

- Poupe-me dos seus comentários desnecessários, Eric. Por que você, que é namorado, não vem aqui colocar essa maldita cinta nela?

- Porque não fui eu quem a presenteou com essa maldita lipoaspiração.

- Era a vontade dela. Eu dei o presente. E isso não é da sua conta.

- Garotos! Parem, por favor. Eric, fiz essa lipo porque EU não estava satisfeita com o meu corpo. Além disso, Damon tinha me prometido isso há bastante tempo. E, só para lembrar, quem manda na minha vida sou EU!

- Ei amor, me desculpe. Só não gosto de vê-la sofrendo – disse Eric se aproximando e me beijando. Retribuí o beijo e de relance vi claramente Damon fazer cara de nojo. Sorri com sua imaturidade.

- Por que não me esperou na sala? Você não precisava me ver sofrendo.

- Eu sei, mas um ser minúsculo me expulsou de lá.

- Louise! Desculpe-me por isso. Você sabe como ela é...

- É, eu sei. Mas hoje ela está mais destemida que o normal.

- É só ciúme, meu bem. Ela te adora.

Do corredor podia-se ouvir os passinhos apressados da minha filha, que estava prestes a completar cinco anos. Ela era o ser mais perfeito do mundo, minha luz natural.

- Mamãe – disse com sua voz dengosa.

- Oi meu amor.

- Tira o Eric daqui?

- Por quê?

- Porque eu não gosto dele.

- LOUISE! – A repreendi.

- Ele não vai ser meu papai. Eu já tenho um. E também tenho o Damonzinho.

- Filha, venha cá. — Ela se aproximou e seu rosto estava ruborizado pela raiva. Seus olhos estavam preparados para uma enxurrada de lágrimas.

- Lô, eu e você já conversamos. A mamãe namora o tio Eric, mas ama muito você. Não misture as coisas.

- Mamãe vai ter bebês com ele? – Arrepiei-me. A pergunta havia me pegado de surpresa.

- Eu não sei filha.

- Se você tiver bebê com ele nunca mais te chamo de mamãe. – Dito isso ela saiu como um furacão do meu quarto, deixando-me assustada.

- LOUISE! Volte aqui... Ai...

- Sente-se Bella. Vai acabar prejudicando a cicatrização de sua cirurgia. Deixe que eu falo com ela.

- Obrigada Damon. – Ele saiu e o silêncio imperou entre eu e Eric.

- Isabella, eu acho que...

- Acalme-se Eric. Minha filha é só uma criança. Não vamos acabar nosso relacionamento por causa das birras dela. Com o tempo ela vai te aceitar. Dê tempo ao tempo.

- Eu sei meu bem. Eu amo as duas e saberei esperar. Preciso ir. Tenho plantão. Te ligo mais tarde...

- Tudo bem, querido. Bom trabalho. – Eric me beijou e saiu, deixando-me sozinha e pensando por que diabos eu comecei esse namoro.

Flashback on

Eu estava em meio a uma crise existencial. Por um lado eu estava plena em minha vida pessoal. Minha filha era saudável, meu emprego era incrível, embora meu chefe fosse bastante carrasco, e meu melhor amigo estava muito bem em seu namoro colorido. Mas, eu estava frustrada. Minha vida sexual estava uma merda. Passei a gravidez frustrada por não ter tido um orgasmo decente e, depois que minha filha nasceu, dediquei-me única e exclusivamente a ela. Virei monja. Agora, com ela mais crescidinha e com os hormônios a todo vapor, meu corpo anda pedindo, ou melhor, gritando... E, foi levada por essas loucuras, que aceitei o convite de minha amiga Jéssica para curtir uma vibe.

Fiquei pasma quando Damon chegou com uma sacola em mãos, e dentro havia um vestido preto curto e bem decotado. Não era vulgar, mas também não era nada recatado. Ele alegou que eu estava necessitada e precisava liberar geral. Passamos horas rindo e, sem ter nada a perder, acabei ligando e marcando de me encontrar com Jéssica na boate.

Tomei um banho, vesti uma lingerie sensual, já que o intuito era eu liberar geral, o vestido e calcei sapatos de salto. Não me olhei no espelho, caso contrário eu desistiria. Fui ao quarto de minha filha e ela já dormia tranquilamente. Beijei sua testa e saí. Encontrei Damon na sala e, como sempre, ele não perdeu a oportunidade de me zoar.

- Colocou camisinhas na porra dessa bolsa?

- Claro. Eu não cometo o mesmo erro duas vezes...

- Ok. Mas, só por garantia, lembre-se que você engordou 35 quilos na gravidez e que tratamento para HIV é desgastante.

- Credo, Damon. Deus me livre! Juro que vou usar camisinha. Se bem que, do jeito que sou corajosa, não vou fazer é nada.

- Vaza daqui, mulher. E, se você não voltar ‘comida’, quero reembolso do vestido.

- Ok, vou indo. E, já sabe. Se minha filha acordar me ligue na mesma hora.

- Nem te escuto, Bells...

Peguei um táxi e fui direto para a boate, mas, chegando lá, comecei a suar frio. Sim, eu perdi um pouco da minha coragem, já não sou mais a mesma. A Bella de antes era decidida e sempre ia à luta. Já essa nova Bella...

Encontrei Jéssica me aguardando na entrada. Entregamos os convites e entramos sem problemas. O lugar era chique, boate de nível, gente bonita, garçons passando com bebidas coloridas. Fomos em direção ao bar e, do nada, voltei a suar frio. Percebendo minha ansiedade Jéssica começou a puxar papo.

- Você está bem?

- Não, acho melhor voltar para casa.

- Mas por quê? Acabamos de chegar, Bella.

- Eu sei, mas ainda não estou pronta para um novo relacionamento.

- Isabella, você tem duas opções. Ou você se entrega e cai na gandaia ou compra um bom vibrador.

- Você tem toda razão Jéssica.

- É isso aí, amiga. Me diz, o que você vai fazer?

- Comprar o vibrador!

- Para Bella! Sua covarde. Você não precisa ficar com ninguém, mas, pelo menos, curta a noite.

- É, você tem razão.

- OMG! Aquele é o juiz Oliver?

- Bem, aparentemente sim. Por quê?

- As más línguas dizem que ele está se separando. Vou lá, não posso perder minha chance...

- Mas ele é corrupto, Jéssica!

- Melhor ainda! Assim não faltará dinheiro em casa... – E assim, a louca saiu, deixando-me sozinha naquela boate enorme.

- Ei, barman, você tem algum drink fantástico?

- Gata, você costuma beber?

- Não muito – fui sincera.

- Então, que tal uma caipirinha de kiwi? É doce e você vai amar.

- Então manda uma dessa!

Quatro drinks depois...

- Ora, ora, se não é a guarda-costas do Christopher.

- Boa noite, Excelência.

- Sem formalidades, Swan. É um prazer vê-la disponível aqui esta noite.

- Estou acompanhada, Excelência – respondi calmamente.

- Por um ser invisível? Tenho a observado a noite toda e não a via acompanhada. Quanta petulância a sua.

- Isso é um problema meu e não seu – resolvi ser grossa.

- Isso mesmo. Mostre suas garras, será melhor. Gosto de desafios, principalmente por saber que no final domarei você em minha cama.

- Como é? Olha, Dr. Oliver, não nos conhecemos e tampouco estou disposta a isso. Meu contato com o senhor é apenas quando nos cruzamos no fórum. Sou assessora concursada do Dr. Christopher, pelo qual tenho grande admiração, além de amizade com sua esposa Miranda. Não quero proximidade com uma pessoa como o senhor. Sua fama não é das melhores e eu, como boa americana, busco sempre o melhor. Não me envolveria com um tipinho como o senhor. Passar bem!

Depois de despejar tudo em cima daquele impertinente, decidi que para mim a noite tinha dado. Peguei minha bolsa, paguei a conta e decidi voltar para casa. Minha noite tinha acabado.

Quando estava em frente à boate esperando um táxi fui praticamente arrastada por dois seguranças.

- Ei, me solta!

- Calada! Você acha que depois de tudo que falou para o chefe sairá ilesa? – Um frio percorreu minha espinha. O cretino do Oliver não engoliria esse fora assim tão facilmente. Pensei em minha vida e em minha filha, apelando para os gritos.

- SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDE! – Fui levada para um beco, na lateral da boate.

- Ora essa, Swan. Primeiro você banca a mulher destemida e agora apela para o socorro?

- Me solte! Você é asqueroso, sabia? Por que não me deixa em paz?

- Porque você é deliciosamente perturbadora.

- Mas não estou disponível! Sabe que além de ter alguém ainda tenho uma filha.

- Sim, eu sei tudo sobre você. O que a torna ainda mais desejável para mim.

- Deixe-me ir, Oliver. Esquecerei esse seu surto.

- Vou fazê-la engolir suas palavras e vou gozar muito dentro de você.

Gelei ante a ameaça. Sem opção, gritei com toda minha força, mas fui silenciada por um tapa. Fechei meus olhos, rogando a Deus que me salvasse daquela enrascada. Foi nesse momento que escutei passos vindo em nossa direção. Meu coração acelerou e ouvi uma discussão entre meu suposto salvador e meu agressor.

- Você não tem jeito mesmo, não é?

- Eu só estava brincando, Eric. Ela me desmoralizou.

- E isso lhe dá o direito de estuprá-la?

- Eu nunca faria isso, primo. Você me conhece.

- Segunda-feira pela manhã mandarei o pedido de sua internação. Não podemos mais permitir esse tipo de coisa. Você precisa de tratamento, e ponto final. E, vocês dois, levem-no para a viatura que está em frente à boate. E não se atrevam a me desobedecer. Oliver, você será preso por tentativa de estupro e internado, como há muito tempo deveria ter acontecido.

- Não Eric. Você não pode fazer isso comigo...

- SAIAM!

Enquanto isso, eu me mantinha ajoelhada no chão, de olhos fechados e tremendo de medo.

- Senhora? Pode me dizer seu nome? Está machucada?

- Não – sussurrei.

- Respire e olhe para mim. – E assim eu fiz. – Sou o delegado Eric Porto. Sou da federal. Peço-lhe desculpas pelo ocorrido. Estava na escolta do juiz Oliver e o perdi de vista. Está se sentindo bem?

- Sim... eu... eu só preciso ir para casa.

- Ainda preciso do seu depoimento.

- Não! Não posso ir a uma delegacia agora. Quero a minha cama em companhia da minha filha.

- Entendo o seu estado. Talvez devêssemos ligar para o seu marido e pedir para que ele a acompanhe até a delegacia.

- Eu não tenho marido. Você viu tudo que aconteceu, não precisa do meu depoimento. Me deixe em paz!

- Acalme-se. Vou deixá-la em casa.

E assim foi. Ele de fato me deixou em casa. Em seguida, explicou a Damon o que tinha acontecido. Damon surtou, gritou e prometeu que eu nunca mais sairia de casa. Levou-me para o quarto e tratou dos trâmites com Eric.

Tive uma noite de sono agitado. Sonhei que Oliver conseguia me machucar. De repente, senti como se uma luz adentrasse meu quarto. Quando abri os olhos me deparei com o par de olhos azuis mais lindos do mundo, olhando-me com cara de zangada.

- Bom dia luz do meu dia. Que carinha é essa?

- Mamãe, o Damonzinho não mi ama.

- Que loucura é essa, meu bem? O Damon ama muito você. O que houve?

- Ele touxi ela pa dormir aqui – disse com os olhos repletos de lágrimas.

- Filha, a Helena é namorada dele. Supere...

- Nunca! Ele não vai ter bebê com ela. Ele vai deixa di mi amar – e começou o berreiro. Gostaria de entender em que momento minha filha se tornou um ser tão possessivo.

- Vamos levantar da cama que a mamãe vai preparar a sua mamadeira.

- Me leva no braço?

- Você não acha que está bem grandinha não?

- Mamãe, eu tô sofrendo, me entenda.

- Cristo! Eu tenho a rainha do drama dentro de casa. Vem cá que a mamãe pega esse chumbinho. — Peguei-a no colo com bastante esforço, porque ela realmente pesava, e fomos para a cozinha, mas parei no meio da sala quando vi Damon conversando com ele.

- O que você faz aqui?

- Preciso do seu depoimento Senhora Swan.

- Eu já disse que é senhorita!

- Oi moço – disse minha princesa.

- Olá. Você é uma princesa?

- Só da mamãe. Poque?

- Porque você é igualzinha a Barbie.

- Você viu, mamãe. Eu sou uma Barbie.

- Vi sim filha. Você é mais linda que aquela boneca.

- Ei Lô, que papo é esse de conversar com estranhos?

- Não se envolve Damonzinho. É lance meu!

- Filha! Não fale assim com o Damon. – Ela se remexeu em meus braços e não tive outra opção a não ser colocá-la no chão.

- Ei, pequena Barbie, não fale assim com o seu papai.

- Ele não é meu papai. Ele era meu amigo. Damonzinho cabou tudo entre a gente – e correu de novo para os meus braços aos prantos.

- O que eu fiz? – Perguntou Damon. Sussurrei ‘Helena’ e ele entendeu tudo.

- Louise, não é nada do que você está pensando. A tia Helena ficou dodói e dormiu aqui. Foi só isso. O padrinho não estava fazendo bebê. Você é a única, meu anjo.

Ela levantou os olhos e perguntou determinada.

- Prometi que jura? – Ele assentiu. – Então manda ela embola agora.

- Não faça isso, Damon. Isso é birra – intervi.

- Faço qualquer coisa se você sorrir para mim. Vem aqui nos meus braços, vamos expulsar a Helena do meu quarto.

Incrédula. Era assim que me sentia. Minutos depois escutávamos os gritos por todo apartamento. A pobre Helena era expulsa, literalmente, do quarto. E, para completar, minha filha tinha em mãos uma pistola d’água, apertando e molhando toda a coitada. Ela fuzilava Damon com o olhar e ele divertia-se em ver minha filha feliz. Olhei para o lado e vi o delegado muito mais incrédulo do que eu em razão da cena que se desenrolava a nossa frente.

- Desculpe-me por isso. Ela é meio possessiva com o Damon. Sabe como é, a coisa da ausência paterna.

- Você é viúva? – Ele mandou na lata.

- É como me sinto.

Acabei dando o maldito depoimento enquanto minha filha estava sentada no colo do delegado acariciando seus cabelos loiros e dizendo que ele era lindo. Damon quase teve um troço ao meu lado. E eu, tentava controlar a crise de riso que queria se apossar de mim.

Depois disso começamos uma deliciosa amizade. Minha filha amava Eric e sempre íamos juntos ao parque. Nossos programas sempre incluíam Louise, mas, semanas depois, com um Damon e uma Helena reconciliados, levaram-na à festinha de aniversário do sobrinho de Helena. Aparentemente elas estavam em uma espécie de trégua, contando que Helena não dormisse em casa. Minha filha parecia aceitar e para ter certeza do acordo ela fazia questão de dormir com o padrinho. Bem feito para ele! Quem manda fazer tudo que Louise quer!

Com o tempo notei que o lance entre eu e o delegado evoluía. Começamos com uma troca de olhares e nos deixamos levar. Quando dei por mim, estava na melhor suíte do Palace sendo tomada por aqueles braços fortes e quentes que Eric possuía. Ele era intenso, apaixonado e muito gostoso. Mas, lá no fundo, sempre faltava algo e meu tolo coração sabia bem o que era...

Flashback off

E agora eu ficava me perguntando por que diabos deixei que nosso relacionamento evoluísse para o namoro. Minha vida transformou-se num inferno quando minha filha descobriu. E o Eric, de príncipe, virou um sapo aos olhos dela. E, para piorar minha situação, Damon adorava colocar lenha na fogueira, falando em irmãozinhos. Só em imaginar ficar grávida novamente meu corpo retesava. Definitivamente não pretendo passar por esse tipo de experiência novamente.

PV Edward

Meu corpo relaxava, mas minha mente não parecia desligar nem mesmo quando estava dormindo. Senti alguém entrar em meu quarto e abrir as cortinas, deixando a luz adentrar e incomodar meus olhos.

- Se não fosse minha mãe, não estaria viva agora...

- Cão que ladra não morde. Levante-se, precisamos conversar.

Levantei-me, ainda cansado. Esse sou eu há anos. Levanto e, como uma máquina, trabalho incansavelmente. Deito-me com um único objetivo em mente: encontrá-las. Tarefa difícil, mas que um dia conseguirei.

Tomei um banho e, depois de minha higiene matinal, já devidamente vestido com um de meus ternos italianos, desci as escadas da minha mansão, que fiz questão de construir aqui em Forks. Possuía diversos quartos, piscinas, salas, quadras esportivas... um palacete digno delas, para quando eu as encontrasse.

Sentei-me à mesa com o café já devidamente servido na varanda da mansão e percebi, pelo semblante de minha mãe, que não receberia notícias boas logo pela manhã.

- O que aconteceu?

- Pegue leve, mas Pedro foi encontrado pichando muros com um bando de moleques de rua nessa madrugada. Sou apenas uma avó preocupada, é você quem tem que disciplinar.

Esperei até que Pedro aparecesse e, assim que se sentou em minha frente, despejei de uma vez.

- QUAL É A MERDA DO SEU PROBLEMA? – Gritei. Ele permaneceu em silêncio, mas encarava-me destemidamente. – Eu passo o dia trabalhando para dar uma vida decente a você e seu irmão e o que recebo em troca? Ingratidão! Não estou criando você para se transformar num marginal. Suas notas estão baixas, você não aparece nas aulas de línguas e de natação. O que diabos quer da sua vida, seu irresponsável?

- Eu quero que você se exploda e leve seu dinheiro junto!

Abalei-me. Ele nunca havia falado comigo daquele jeito. Ele sempre foi tão receptivo. Mas, de uns anos para cá, minha relação com ele só tinha piorado.

- Ah é? E se o dinheiro explodir, como você ficará? Me responda!

- Quando a mamãe era viva não tínhamos dinheiro. Você era pai, um homem que eu admirava. O que você é hoje, Edward Masen? Um idiota que amarga seus dias atrás de uma mulher e uma criança que sequer lembram de você. Desejo que você nunca as encontre!

Foi a deixa. Avancei e o segurei com força. Ele me olhava assustado, minha ira era palpável. Senti os braços de minha mãe me impedindo de fazer uma besteira. Fechei os olhos com força e respirei fundo. Aos poucos a calma foi voltando. Olhei para o meu primogênito, minha cópia, tão mudado, tão frio.

- Também sinto a falta da sua mãe. Não como esposa, mas como alguém com quem eu dividia as minhas responsabilidades. Faço o que faço pelo bem-estar de vocês. Eu os amo. Mas, tente entender. Bella e sua irmã também são importantes em minha vida. Você não vê que seu velho pai sofre?

Ele baixou seus olhos, envergonhado, mas no segundo seguinte já tinha novamente o ar desafiador.

- Eu não quero te odiar, pai.

- Eu também não quero isso, filho.

- Meus amigos são de rua sim, mas eu nunca usei drogas como a vovó pensa.

- Certo, eu acredito em você. Mas, entenda que para sua avó ficar calma o melhor é que façamos alguns exames. Vou pedir para que Alice venha colher o material necessário. E, filho, se algo for encontrado em seu sangue eu ficarei muito zangado.

- Pai, eu só quero uma coisa.

- Peça.

- Você pode ver o meu jogo de beisebol amanhã?

- Sei que das últimas vezes eu falhei, mas eu prometo que amanhã estarei lá.

- Pai, promete que quando a Bella aparecer você vai voltar a ter tempo para a gente?

- Eu sinto muito pela minha ausência, filho. Eu vou tentar, prometo que vou!

Abraçamo-nos e, em seguida, Caius, sonolento, desceu as escadas amparado pela empregada, resmungando por terem atrapalhado seu sono. Eu e Pedro sorrimos com a cena, mas meu sorriso morreu quando percebi que em seus lábios estava a maldita chupeta. Eu precisava manter a calma. Segundo sua psicóloga, Caius voltou a usar a chupeta em reflexo à minha ausência. Do nada, o menino começou a se comportar como um bebê. E hoje, pelo visto, era dia de crise existencial.

- Ei, campeão, que coisa horrorosa é essa na sua boca?

- Minha pepeta.

- Você não acha que já cresceu bastante para isso?

- Não papai. Num quelo joga ela fora. – E o choro começou.

Respirei fundo. Ele ainda é muito criança e sente a falta da mãe. Pelo jeito o problema não sou somente eu, e sim um furacão que colocava até meus filhos no meio.

- Sr. Masen, a senhorita Cullen chegou. – Só em ouvir o nome Cullen meu coração disparava. Era sempre a mesma sensação, de perda.

- Mande Alice entrar e diga que já estou indo.

- Escutem bem os dois. Alice veio pessoalmente colher o sangue de vocês para os exames de rotina.

- Você disse que confiava em mim – disse Pedro, exaltado.

- E confio. Mas, preciso saber como anda aquela anemia do último exame. Não podemos descuidar da saúde, filho. Até eu vou colher sangue para exames de rotina. Em seguida, iremos à empresa porque eu preciso assinar uns papéis. Mas, depois, vamos ao shopping. O que acham?

- Jura pai?

- Claro, filho. Vamos olhar aquele videogame que você tanto fala.

Encontrei Alice na sala e nos cumprimentamos. Nos últimos anos venho reconstruindo, devagar, a nossa amizade. A base é a sinceridade. Sempre fui sincero com ela, principalmente quando digo e repito, todos os dias, que sou louco por Bella e que Renne e Aro tramaram contra nós. A princípio ela defendeu o tio, mas, aos poucos, passei a senti-la mais aberta. E eu, ansioso, conto os dias para que ela me diga onde Bella e minha filha estão. O máximo que já arranquei dela foi uma foto da minha princesa, com um ano. E só, mais nada. Entretanto, resolvi não forçá-la.

- Oi Ed. Que cara é essa?

- Estou no meu limite, Alice. Preciso de sua ajuda e, se preciso for, eu até imploro. Minha vida é uma merda... meus filhos estão passando por problemas... minha mãe desconfia que Pedro esteja usando drogas... Você tem noção do que é isso? E minha vida continua sendo procurar por Bella. Sei que não terei seu perdão, mas tenho o direito de ser pai. Eu me humilho se preciso for, mas me ajude Lice, por favor!

- Ai Ed. Você está me colocando numa situação complicada. Sinto muito por tudo, imagino como esteja se sentindo e até quero ajudá-lo, mas não posso ser leviana com minha prima. Ela sofreu muito por sua causa.

- Só me diga onde ela está. Eu insisto. Tem que haver um jeito de trazê-la de volta.

- Tive uma ideia. Talvez dê certo, mas preciso que todos acreditem que você passará uma temporada fora.

- O que você vai aprontar?

- Depois te conto. Agora, eu preciso ir. Depois te ligo.

Despedimo-nos e fiquei extremamente curioso com o que a baixinha faria para que eu e Bella nos reencontrássemos.

- Ei, pai, a gente ainda vai sair?

- Claro filho. Peça a Carlisle para que tire o Mercedes da garagem e chame seu irmão. Eu mesmo vou dirigindo.

Fomos direto para a empresa, onde eu tinha que assinar alguns documentos. Assim que chegamos encontramos um Jasper eufórico e tremendo.

- Tio Jas tá cum dor de barriga? – Perguntou Caius todo prestativo.

- Não, campeão. O tio está emocionado, só isso.

- O que aconteceu homem? Ganhou na loteria?

- Mais que isso, meu velho amigo. Alice marcou a data do nosso casamento para daqui há dois meses.

- Parabéns, cara. Já não era sem tempo. Foi mais de uma década de namoro – satirizei.

- É, eu sei... Quer a melhor notícia de todas?

- Vocês vão ter um bebê!

- Como você soube?

- Cara, só mesmo uma criança para fazer vocês se casarem.

- E temos uma super surpresa para você!

- E qual seria?

- Em breve você descobrirá. Agora, assine aqui e vá passear com seus filhos.

E assim eu fiz. Assinei alguns contratos e, em seguida fomos ao shopping. Assim que chegamos fui arrastado para a loja de games, onde acabei comprando o videogame que Pedro tanto queria e um notebook para Caius com algumas restrições de navegação na internet. Depois, entramos em algumas lojas de vestuário e deixei os garotos fazerem a festa. Em geral, minha mãe é quem faz esse tipo de programa com eles, mas, no fundo, eu sentia muita falta disso tudo.

Depois, fomos à área de alimentação e nos entupimos de hambúrgueres e muito refrigerante. Acabei deixando, meio que apreensivo, Caius andar na montanha-russa, pois Pedro me garantiu que cuidaria do irmão mais novo. A sensação era tão plena que, por um segundo, me permiti sonhar que um dia estaria nesse mesmo parque contemplando a alegria da minha princesa.

PV Bella

Minha vida, que já é bastante agitada, está uma loucura agora que estou tentando me recuperar da lipo. Meu trabalho me consome, sem falar no fim da faculdade. E, minha filha resolveu tirar o dia para fazer birra.

- Pelo amor de Deus, filha, pare. Eu estou doente e o Damon está trabalhando. Seja compreensiva e vá para o colégio com o Eric.

- Eu num quelo ir. Vou fica e assisti desenho.

- Ah, mas não vai mesmo. Posso saber por que se recusa a ir com o Eric?

- Ele num é meu papai. Você prometeu, mamãe. Pare de briga com eu. Num quelo ele. Eu quelo meu papai de verdade. Quelo foto dele. – Um frio ultrapassou minha espinha. Só em imaginar a cena, Edward e Louise juntos... Fechei os olhos, tentando controlar meu pânico. Ela era só uma criança que sentia, de verdade, a falta do pai. Sou mesmo a pior espécie de ser humano.

- Filha, vem aqui. – Seu corpinho aproximou-se meio receoso e tremendo devido ao choro.

- Não chore, me escute. Seu pai e eu brigamos e eu fui embora. E, por enquanto, o melhor é nos mantermos afastadas. Mas, em breve, você vai vê-lo.

- Prometi que jura?

- Prometo minha vida.

- Como meu papai é? – “A perdição sobre a Terra”, pensei.

- Ele é um excelente pai, querida. E vai amá-la muito. Você tem dois irmãos, sabia? O Pedro e o Caius.

- Ainda bem que é ninino. Senão meu papai não me amaria.

- Você é possessiva demais, princesa. Entenda que no coração de um pai ou de uma mãe não existem diferenças. Não importa quantos filhos existam, serão todos amados da mesma forma.

- Mamãe?

- Oi meu denguinho...

- Eu quero nanana.

- De jeito nenhum. A mamãe operou e acabou o leite. Agora, você vai tomar no copinho. – Pronto, foi só falar e o berreiro começou. – Pode chorar, Louise. Como o Damon mesmo disse sua boca não se rasga com choro, então pode chorar.

Fui saindo do quarto e, de relance, olhei para minha cama. Ela estava lá, chorando meio que sufocada, já atingindo uma tonalidade meio roxa...

- ERIC, SOCORRO! – Num segundo ele apareceu e olhou tudo em volta, percebendo meu desespero. Pegou minha filha nos braços e começou a fazer uma massagem em seu peito. Não obteve resultado. Foi quando ele deu um tapa nas costas de Louise e o choro rompeu o ambiente. Olhei com ira para o meu quase ex-namorado.

- Ela estava entalada. Desculpe.

- Filha, você está bem?

- Quelo Damonzinho. Você tava quelendo me mata pa eu não ve meu papai e esse aí me bateu. Vou contar po vovô.

- Não faça mais isso, por favor. Eu quase morri de desespero. Venha aqui e me abrace agora.

- Vai me da nanana?

- Vou filha, faço qualquer coisa por você. – Sentei-me na poltrona e coloquei-a em meu colo. Meu corpo reclamou na hora, afinal eu estava no meio do pós-operatório. Mas, minha filha estaria sempre em primeiro lugar.

Ficamos alguns minutos nos encarando. Ela acariciava minha orelha, mania que ela tinha desde bebê. Seus olhos azuis transmitiam paz. Tinha plena consciência de que ela estava sendo estragada, mas ela é o mais importante em minha vida. Eu morreria por ela.

- Bella?

- Oi, querido. Coloque ela na cama para mim?

- Claro. Espero que ela não acorde, senão ela me mata.

- Não exagere. Ela te ama, só é ciumenta demais para admitir.

- A propósito, querida, sua prima está no telefone.

- Vou atender na sala...

...

- Ei, Lice, que surpresa boa! Lembrou que eu ainda existo?

- Eu nunca esqueço de você, Bellinha. É que os últimos dias estão complicados para mim. Cadê minha lindinha?

- Está dormindo. Menina, nem te conto! Ela deu um show hoje, me perguntando pelo pai. E acabou passando mal. Pense no desespero que eu fiquei...

- Nossa, Bells, você está precisando dividir essa responsabilidade, sabe? Acho que se o Edward estivesse presente com frequência ajudaria bastante.

- Não quero nenhum vínculo com aquele cafajeste. Agora, me diga, por que me ligou? Para falar dele é que não foi.

- Vou me casar!

- OMG! Sério? Que máximo! Juro que pensei que isso nunca aconteceria.

- Vá à merda, Bella. Estou tão feliz! Será daqui há dois meses. E eu te liguei porque você será a minha madrinha. E não aceito não como resposta.

- Ai, Alice, eu não posso ir para Forks. Você sabe. É tudo muito complicado.

- BELLA! Primeiro, Edward está fora fazendo um tratamento aí. O povo anda dizendo que ele está doente. E, em segundo, eu estou grávida. E você, nem pense em recusar o meu convite para ser madrinha.

- O que ele tem, Alice? Doente de que? É grave?

- Ei, não sei de nada. E qual foi à parte do EU estou grávida que você não entendeu?

- OMG! Lice! Um bebê, que lindo! O Jasper deve estar todo bobo... Prometo que vou me organizar e falar com o meu chefe. Te digo depois se poderei ir ou não.

- Venha com uma semana de antecedência e não me irrite, pois estou grávida. Se você não vier eu não caso! E, diga a Louise que o vestido de daminha dela é espetacular. Preciso desligar, Bella. Vou comer cupcakes. Beijo.

E, lá estava eu, com mais um desafio pela frente. Voltar ao passado. Repaginada, mas tremendo de medo do que o destino pode providenciar para mim nessa volta a Forks...

Notas finais
Oiiiiiiiii pessoal eu estou viva hehehehe
e ai como estãoo, saudades disso tudo, apareceu uma folga e eu escreve esse cap pra vc, antes que me ameacem prox cap teremos um reencontro, preparadas??
e BD2 o que foi AQUILO????? sim eu surtei e todas sabem porque rsrs
quero agradecer o apoio de vocês e as recomendações, só estou meio trsite porque os comentarios estao poucos, comentemmmmmm!!!!!
aqui vai as imagens da Louise e do Eric. nos vemos no prox cap, bejos *--*
LOUISE--> http://www.socoisaboa.com/wp-content/uploads/2012/10/filha-de-tania-mara-e-jaime-monjardim.jpg
ERIC-----> http://www.nextmovie.com/wp-content/uploads/2012/05/ChrisHemsworth300.jpg
dificil escolha entre Ed e Eric não é mesmo rsrsrs