Puro Desejo
38 Capítulo 38
Notas iniciais
Capítulo 38. Recomeço.
Há momentos na vida da gente em que as coisas simplesmente se transformam em privilégio. Como lavar os cabelos, por exemplo. Há dias eu buscava uma brecha em meu horário escasso para essa tarefa, sem êxito. Tive que apelar para o drama. Mamãe comoveu-se e ficou com Louise enquanto eu tomava um demorado e relaxante banho.
Minha Louise veio ao mundo num fim de tarde, enchendo de luz minha vida.
Flashback on
Depois de muito espernear Damon conseguiu entrar no centro cirúrgico comigo. Fui levada a uma sala ao lado, pois o anestesiologista já me esperava, preparado. Confesso que foi um sufoco relaxar enquanto era anestesiada. De repente bate um medo... aquela agulha na coluna. E se ele erra, o que poderá me acontecer?
Fiquei um pouco tensa. Minha médica me alertou acerca da minha pressão e comecei a respirar. Deus me ajudaria e nada sairia errado. Em minutos eu estaria com a razão da minha vida em meus braços. E, foi com esse pensamento, que fui para o centro cirúrgico.
A Dra. Jeane estava bastante animada e conversou comigo durante todo o procedimento. Damon, teimoso como sempre, estava sentado ao meu lado, conversando sobre coisas banais. Mas, era nítido em sua aura que ele estava tão emocionado quanto eu.
Por um momento lembrei-me das palavras de Alice antes de eu ser levada do quarto. Que, independentemente do que “ele” fez, esse momento era para ser nosso. Mas, Edward e eu não existimos mais na mesma frase. É passado. Meu futuro se resume a minha filha e mais ninguém.
Em meio aos meus pensamentos nublados um choro exigente e estridente rompeu o silêncio do ambiente e, antes mesmo que meu cérebro pudesse assimilar, lágrimas de emoção banharam minha face. Eu tinha acabado de trazer ao mundo um ser inocente e dependente de mim. Senti-me amedrontada e poderosa ao mesmo tempo. Amedrontada por saber que eu erraria tentando acertar, que não estava preparada para tanta responsabilidade. Mas, poderosa porque todas as manhãs um ser pequenino sorriria para mim com sinceridade e me amaria gratuita e incondicionalmente. Eu seria sempre sua Mulher Maravilha. E isso me motivava bastante...
Flashback off
Analisando os últimos dias eu só sei dizer uma coisa: é simplesmente impossível definir meu sentimento pelo ser pequenino batizado de Louise. Sou completamente surtada por minha fofinha de olhos azuis e bochechas rosadas. Sou o tipo de mãe babona e não me envergonho em reconhecer. Sou a fã número um da minha filha. Tão linda...
Louise veio ao mundo com 49 centímetros e 4 quilos de pura gostosura. Super cabeluda, mas com cabelos da cor dos meus, graças a Deus. Eu não suportaria ver o tom acobreado todos os dias. Seus olhos azuis eram lindos e enigmáticos.
Damon ficou todo bobo quando a viu. E ficou me atormentando durante dias, afirmando que ele poderia ser o pai dela também. Eu quase o matei. Claro que ela herdou os olhos azuis do meu pai, que ficou todo bobo quando a viu.
Louise é única, um ser mágico, como disse Alice. Ela chegou e iluminou tudo ao nosso redor. Foi como se a noite tivesse virado dia, como se não existissem mais feridas. Eu só pensava em amá-la e protegê-la. Todo meu sofrimento foi anulado diante da felicidade de sua chegada.
Com dez dias de vida eu já era capaz de distinguir algumas de suas características. Nosso vínculo é forte e, mesmo com a tortura da amamentação, nada nos abalou. No início eu sofri muito com a dor, as tonturas e as feridas que surgiram em meus seios. Sem falar na autoestima, que tira férias e nos abandona. Sentia-me gorda e flácida.
De repente, as palavras de Damon fizeram muito sentido para mim. Eu enfiei o pé na jaca literalmente. Foram deliciosos 35 quilos adquiridos.
Durante a noite, quando eu ficava sozinha e todos pensavam que estava descansando, eu me afogava em lágrimas. Ainda me sinto um lixo, mas minha médica me garantiu que voltarei ao normal. Com muito esforço e disciplina, é claro. Mas, meu corpo voltaria a ser o mesmo. E, esse era o meu maior desejo.
Entretanto, quando eu olho para o meu bebê e vejo o quanto ela é dependente de mim, ligo o botão foda-se e o resto que espere. Em meu mundo existe somente Louise Swan, meu bebê de personalidade forte.
Cheguei a essa conclusão quando tive alta e voltei para casa. O serzinho minúsculo não chorava, mas decretava, através de seus berros, que queria atenção. Tudo girava em torno dela, e resolvi colocar limite. Meus pais não passariam a vida toda comigo e seríamos eu e Deus para criá-la. Porque, se depender de Damon, ela ficará cada vez mais mimada e estragada.
Coloquei-a no berço e ninei seu corpinho. Logo ela adormeceu. Mas, foi só eu ligar a babá eletrônica que os berros começaram. A menina gritava como se, no lugar do colchão, houvessem pregos em seu berço. Peguei-a e aninhei em meus braços, mas o choro não cessava. Tentei o peito, mas ela acabou se engasgando. E, eu gritei por minha mãe.
Assim que senti que ela não estava mais em meus braços caí no choro. Eu sou uma péssima mãe. Não sei identificar o que ela quer e o medo começou a me sufocar. Percebi que estava em plena crise de pânico.
- Filha, sente-se aqui. Cuidado com os pontos. Venha, sua mãe está com Louise, mantenha a calma – dizia meu pai ajudando-me a sentar.
- Não sei o que houve. Estou com medo, e se ela estiver doente? Eu não vou suportar vê-la sofrendo – eu dizia aos prantos.
- Não fale besteira, Bella. Errar é humano, e você não tem experiência. Eu e sua mãe também sofremos com você, querida. Não se preocupe, não há de ser nada – meu pai consolava-me.
Alguns minutos depois, mamãe voltou com ela mais calma e com um líquido estranho em sua mamadeira.
- O que ela tem?
- São só cólicas, Bella. É normal nos bebês. Não se preocupe, esse chá vai acalmá-la. Vou ensinar-lhe a forma adequada de segurá-la nesses momentos.
Aliviada por saber que estava tudo bem com minha filha, acabei contando para minha mãe do meu surto. Ela me repreendeu e disse que eu precisava confiar em meu instinto materno. Ainda assim fiquei aflita olhando para o meu pequeno milagre adormecido. Foi a deixa para minha mãe me intimar.
- Que tal você tomar aquele banho relaxante que você tanto queria? Aproveite e lave seus cabelos. Um banho vai te deixar bem mais calma. Depois, você lancha e tenta tirar um cochilo enquanto o pequeno furacão não acorda.
- Nossa, mãe, um banho me parece a melhor coisa do mundo.
- Eu sei bem como é, querida. Quando eu tinha você pequenininha só pensava em banho e cama. Comer sempre vem em último lugar.
No caminho para o banheiro sorri comigo mesma. Eu entrei em pânico por uma coisa banal. Preciso confiar mais em mim, afinal, passei a gravidez lendo um monte de livros que o Damon comprou. Para alguma coisa aquele conhecimento tem que servir.
Livrei-me da camisola, o único tipo de roupa que usava ultimamente e, em seguida, da cinta. Eu não sei o que é mais torturante, se colocar ou tirá-la. Mas, é graças a essa peça que meu corpo está voltando ao normal, aos poucos, conforme desincha. Liguei o chuveiro na temperatura fria, pois a noite carioca estava bastante quente, e entrei com tudo sob ele. O impacto da água fria em meu corpo quente foi arrebatador. A perfeita sensação de liberdade. Eu precisava disso como precisava dormir.
Massageei lentamente o xampu em meus cabelos e enxaguei em seguida. Usei uma máscara que prometia devolver o brilho natural a eles em três minutos. Enquanto isso, ensaboei suavemente meu corpo. Tomar banho é uma coisa tão simples, mas nos últimos dias eu não tinha tempo para nada. Meus banhos eram de gato e, estar ali, entregue à sensação de fresco, me deixava revigorada, com outro humor.
Mas, no final do meu banho, quando a água levava embora a máscara dos meus cabelos, que eu, e acredito que o prédio todo, escutei o som estridente do choro do meu bebê temperamental.
Sem pensar duas vezes coloquei o roupão e saí correndo do boxe, descalça. Fui em direção ao choro da minha filha. Eu li muito sobre instinto materno. Os livros abordavam ser um instinto natural produzido por hormônios e por nosso subconsciente. Esse instinto nos eleva ao patamar de predadoras, pois uma mãe mata, por instinto, para proteger sua cria. E, foi essa a vontade que tive quando vi meu bebê nos braços da visita inapropriada que estava na minha casa naquele momento.
- O que diabos está acontecendo aqui?
A cena era horrorosa, para não dizer coisa pior. Damon, usando somente um roupão, fazia sala para sua “amiga”, a enfermeira Helena, que segurava meu bebê enquanto ele se debatia em seus braços, como se estivesse sendo torturada por ela.
- E aí, Bells. A Helena veio nos visitar e eu peguei a Lô para ela conhecer...
Definitivamente a bala afetou o cérebro daquele alienado. Se ele não morreu no acidente, como de fato não aconteceu, eu o matarei com minhas próprias mãos.
- Você não tinha outra hora para vir? E, por que diabos, acordaram minha filha, que por mais que seja pequena dá um trabalho muito grande para pegar no sono. É muita falta de noção de vocês dois. Agora, meu precioso e desejado sono foi para a casa do...
- BELLA! – Repreendeu minha mãe. – Que coisa feia, filha. Ela é visita, e tratamos bem as visitas.
- Ela é visita desse cachorro e não minha. E você – disse apontando o dedo na cara de Damon – não quero saber se você também está doente. A madrugada é sua. Se eu ouvir choro de criança corto seu pau e jogo fora. Ele não me serve mesmo!
- Isso, desdenha do que já foi seu.
- Boa noite a todos. Eu preciso dormir ou vou ter uma estafa.
A segunda coisa boa que me aconteceu foi dormir. Algo que se tornou raro, porém instantâneo. É só meu corpo entrar em contato com lençóis limpos que minhas pálpebras relaxam e eu literalmente apago. Por pouco tempo, pois embora Damon seja dedicado a Louise são meus seios que ela suga durante a madrugada.
Forks.
- Nada?
- Olha, estou colocando em risco meu namoro de anos por sua causa. Não foi fácil, precisei dar uma canseira na minha baixinha para depois pegar o telefone dela. Mas eu encontrei e, cara, a menininha é muito linda e...
- Para de falar, Jasper. Envelheci anos aqui esperando por você. Me mostre logo.
- Aqui, seu mau agradecido.
E ali, na tela do minúsculo celular, Edward visualizou, pela primeira vez, o ser mais lindo sobre a Terra. Seu milagre, sua metade, a razão por nunca desistir. Por mais que os traços de Bella fossem predominantes na criança, era possível vê-lo nela. Até Caius ela lembrava. Era o ser mais perfeito do mundo. Seus olhos marejaram, principalmente por constatar que a menina herdara os olhos azuis e enigmáticos de sua mãe. Os cabelos cor de chocolate eram idênticos aos de Bella, que ele tanto amava. Mas, o formato do rosto, o nariz e o queixo eram seus. Seu coração bateu com força no peito. A alegria era contagiante, mas a tristeza tinha papel importante naquele momento. O novo homem, rico e vingativo no qual ele se transformara, precisava das duas criaturas que poderiam mudá-lo de volta em sua vida.
- Preciso delas, Jasper. Urgentemente...
- Então... estou amadurecendo a ideia. E Alice aceitou jantar na sua nova casa, como nos velhos tempos. Quem sabe você amolece o coração dela e ela solta algo para você. Porque não tem milagre na Terra que a faça dizer onde Bella está.
- Se for preciso fico de joelhos, mas Alice terá que me dar pistas...
Brasil.
- Tem certeza que vai ser seguro?
- Some daqui, mulher, antes que eu te mate – dizia Damon aos risos.
- Não é fácil para mim. Isso dói, sabia?
E doía mesmo. Meu bebê fez um mês hoje e eu preciso ir à faculdade fazer duas provas finais. Mas, como deixá-la em casa com Damon? Era como arrancar um membro do meu corpo. Meus pais foram embora há duas semanas, deixando-me com meus anseios e cheia de dicas. Embora tivéssemos uma babá, eu fazia questão de cuidar da minha filha. Mas, a ingrata só se acalmava nos braços de Damon. E, ali estava ele, com ela nos braços, usando um vestidinho cor-de-rosa e tiara da mesma cor, com sapatos no estilo boneca, olhando-me curiosa com seus lindos olhos azuis. Os dois estavam na porta a meia hora se despedindo de mim que, como toda mãe de primeira viagem, e boba, estava aos prantos por deixar seu bebê pela primeira vez em casa sozinho.
- Bella, deixa de paranoia. Você deixou leite para que eu a amamente. Você estudou feito uma condenada para essas provas. Você precisa ir. Corta o cordão umbilical e some daqui...
- Promete que se acontecer alguma coisa você me liga?
- Não, Bells. Vou esconder o corpo da menina. É claro que eu ligo. Agora vá, suma, vá de uma vez e deixe de drama senão te levo para o Projac para fazer um teste...
Beijei meu bebê e saí com lágrima nos olhos. Fui cumprimentada pelo porteiro que disse que eu tinha a filha mais linda do prédio. Incrédula, perguntei como ele a viu. Ele respondeu que a babá passeava com ela pela manhã para que tomasse um solzinho. Respirei aliviada. De fato estava ficando paranoica. Acho minha filha tão linda que tenho medo que a roubem de mim. Damon riu de mim por dias quando confessei meus medos.
Falando em paranoia, quase tive um treco quando vacinaram minha filha e fizeram o horrendo teste do pezinho. Ela chorava pedindo socorro, chamando por mim, e eu nada podia fazer para protegê-la. Senti-me péssima, mas depois a pediatra me disse que aquilo tudo era para o bem dela. Mesmo assim, isso não aliviou minha culpa.
Cheguei à faculdade como uma foragida. Eu tinha o plano perfeito. Entrar, fazer a prova e voltar para a minha filha. Simples assim. Mas, quem me dera o meu professor carrasco tivesse essa compaixão de mim. Ele fez uma prova de ferrar. Mas, graças às minhas noites em claro com Louise eu coloquei os estudos em dia. E, nenhum professorzinho iria ter minha cabeça como prêmio.
Três horas depois eu estava de volta em casa, com um dez na nota e com o coração abaixo de zero de tanta saudade, como dizem os brasileiros, do meu bolinho cor-de-rosa, que já pesava 5 quilos e meio de pura gostosura com seu um mês de vida.
O tempo passa rápido de uma maneira que chega a assustar. Ontem mesmo eu a estava trocando quando ela me surpreendeu com um arrebatador sorriso torto. A princípio fiquei maravilhada. Era a primeira vez que ela sorria. Damon até tinha chegado a questionar se ela era antissocial. Mas, aquele sorriso mexeu comigo. Um arrepio percorreu todo meu corpo, como um déjà vu, um presságio de que logo minha vida mudaria novamente.
Cheguei em casa e enquanto procurava as chaves da porta ouvia os berros de minha filha. Desesperada, toquei a campainha desesperadamente até que Mara, minha babá, abriu a porta e eu praticamente passei por cima dela e fui em direção à minha filha. Assim que me aproximei vi a cena mais linda e ao mesmo tempo mais tosca do mundo. Minha Louise estava aos berros porque estava estressada enquanto o tonto do padrinho dela estava todo enrolado para trocar sua fralda.
- Não precisa vir, mamãe urso. Eu e Lô estamos nos entendendo.
- Sei... pensei que seus livros tivessem te ensinado tudo.
- Ninguém é perfeito, Bells. Agora, para de se achar e troca logo esse bezerro barulhento – ele disse sorrindo.
- Não fala assim da minha filha, ela é uma princesa – disse pegando-a e já colocando em meu peito.
- Temperamental, mas não deixa de ser perfeita, não é Louise?
Somente com o som da voz de Damon ela largou meu seio e ficou encarando-o como se o reconhecesse. E, deu seu sorrisinho torto, deixando-o abobalhado.
- Você viu isso, Bells? Ela sorriu para mim, embora...
- Embora o que?
- Foi meio Masen esse sorriso dela. Você não achou?
- Lá vem você de novo. Ela não tem nada dele. Pare de dizer essas coisas. Ela é minha filha...
- Tem sim, Bella. Tem o nariz dele. E acho que a personalidade também.
- Saia daqui, Damon, antes que você me deixe mais nervosa.
Seis meses depois...
Hoje meu bebê está fazendo sete meses, e como em todo seu mêsversário, Damon comprou um bolo. Cantamos parabéns por mais um mês de vida e a enchemos de beijos. Minha princesa era o ser mais dengoso sobre a Terra e nos tinha em volta de seu dedinho. Mas a conexão entre ela e Damon era a coisa mais linda de se ver. O sorriso e os barulhinhos típicos de bebê que ela fazia quando o via enchia meu coração de alegria. Damon, como o bobo palhaço que é, a entretinha muito bem. Depois de várias tentativas ele aprendeu a trocar suas fraldas e até papinha dava. Era um paizão mesmo.
Minha filha mais parecia uma mini modelo. Em seu guarda-roupa já não cabia uma troca de roupa sequer, de tanta roupinha que Damon comprava. Mamãe e Alice também mandavam, sem falar na minha tia Zafrina, que sempre que vinha nos visitar trazia algo para o ser mimado que se encontrava em meus braços mamando. Não consegui cortar o vínculo após os seis meses. Me sentiria uma vilã se fizesse isso. Por isso, resolvi continuar amamentando até que ela optasse por largar o peito, coisa que acho bem difícil. Embora ela ame suas sopinhas e papinhas, o leite materno ainda é o seu xodó. É o seu jeitinho de dizer “mamãe, quero você”. É o nosso momento, do qual nenhuma de nós abre mão. Converso muito com ela, hábito que começou ainda na gestação. É tão gostoso quando ela começa a fazer seus barulhos de bebê, que ninguém entende, mas que é o som mais lindo do mundo.
Aos poucos, fui deixando meu ciúme de lado e permiti que Helena, a “amiga colorida” de Damon, entrasse em nossas vidas. No início foi muito difícil para mim, mas Damon esperou meu tempo. Conversamos bastante. Em momento algum ele nos deixou de lado, e Helena parecia entender a conexão. Além disso, demonstrava amar muito minha filha. Percebi o quão cachorra eu estava sendo, pois se tinha alguém que merecia ser feliz, esse alguém era Damon. Daí em diante, deixamos de ser um casal para virar um trio, como ele mesmo satirizava. O importante era vê-lo feliz, com uma boa pessoa e, o mais importante, que aceitava a mim e a minha filha.
- Segura ela direitinho, Helen, que vou começar...
- O que você está fazendo?
- Tirando fotos da Louise para colocar nas minhas redes sociais.
- NÃO!
Corri em direção a Helena e arranquei minha filha de seus braços. Assustada, ela me olhava sem entender.
- Não quero fotos dela na internet, Damon. Já conversamos sobre isso. Alguém de Forks pode ver...
- Desculpe, Bella, tinha esquecido. Então, deixe-me tirar as fotos. Não vou postá-las em lugar nenhum, só vou mandar para os meus pais por e-mail. Deixa de ser neurótica, Bells.
- Não é neurose, é medo Damon. Desculpe, Helena, mas eu morro de medo que o pai dela me ache. Ainda mais agora, que descobri que ele é um homem rico.
- Tudo bem, Bella. A gente te protege. Agora, devolve a minha filha por osmose.
Sorri e entreguei Louise para Helena. Ela estava alheia a tudo que acontecia a sua volta. O importante para ela era babar seu novo mordedor multicolorido.
Alguns dias atrás Alice me ligou dizendo que teve uma conversa séria com Edward. Segundo ela, ele herdara uma grande fortuna de seu pai e estava disposto a gastá-la para me encontrar. Um frio na barriga me assolou, mas minha prima me deu sua palavra de que nunca contaria, embora ela tivesse voltado a falar com ele normalmente.
Nos últimos tempos ela e Jasper vinham brigando muito por causa de Edward. E, como eles estavam noivos, e pela velha amizade que os três tinham, ela resolveu ceder e voltar a conviver com ele. Mas, decepcionou-o quando afirmou nunca dizer a ele onde estou morando. Disse-lhe que voltar era decisão minha e de mais ninguém.
Disse-me também que Edward tinha mudado muito depois da morte da mulher, que se mantinha convicto em sua viuvez e que sempre perguntava por mim. Mas, o que me assustou mesmo foi a sede de vingança dele que, segundo Alice, estava tentando, a todo custo, levar meu pai à falência.
Esse não é, nem de longe, o Edward que eu conheci. Se bem que acredito nunca tê-lo conhecido verdadeiramente. Nosso final foi um desastre deixando somente mágoas e cicatrizes que eu jamais irei esquecer. Por outro lado, ele me deixou a melhor parte de mim, a bonança depois da tempestade, um amor que não consigo definir. Minha filha. E, ele que não venha querendo medir forças comigo, porque por ela eu sou capas de tudo!
Dois anos e cinco meses depois...
Já dizia o poeta Cazuza: o tempo não para... E, no meu caso, o tempo voava, pois sentada na poltrona do meu quarto eu tento me preparar psicologicamente para o primeiro dia de aula da minha filha. É sempre muito difícil me afasta dela e, enquanto Damon ajeitava seus cabelos castanhos encaracolados, eu tentava segurar as lágrimas.
- Pare de drama, Bells. Pensei que já tinha superado isso.
- Damon, ela é minha filha. Você tem noção que vou passar horas longe dela?
- Bells, apesar dessas horinhas distante, isso é o melhor a ser feito. Nós vamos trabalhar. Nada mais justo que a Lô comece a estudar. Vai ser bom para ela interagir com outras crianças.
- E se ela me esquecer?
- Pare com isso, criatura. Louise é muito apegada a você. Não a deixe apreensiva, hoje é um dia superimportante para ela.
Duas coisas haviam acontecido. Primeira, fui aprovada numa seleção e estava trabalhando como assessora de um famoso juiz. Segunda, e como consequência, resolvemos matricular meu bebê numa escolinha por meio período. E eu, como toda mãe, estava bancando a boba melodramática.
De repente minha princesa encheu minha visão com seu uniforme tradicional, um diadema colorido em sua cabecinha, onde os cabelos encontravam-se entrelaçados e com brilho labial rosa nos lábios. Isso sem falar no jeitinho de criança espevitada que ela herdara por osmose de Damon.
- Ei, princesa, você está tão linda. O que é isso na sua boquinha?
- Brilu mamãe. Damonzinho que deu.
- Damon, pensei que já tivéssemos conversado sobre isso.
- Bells, ela é menina. Estou trabalhando na vaidade dela.
- Manhê, quelu i pa ecola.
- Espere só um pouquinho, princesa. Preciso tirar uma foto para colocar no seu álbum.
Depois de uma dúzia de fotos, levamos Louise para o colégio. Era uma escola primária especializada em ensino americano. Eu e Damon optamos por manter nossa nacionalidade. O uniforme era muito fofo, lembrava o meu no colégio de Forks. Sem falar no conjunto de bolsa e lancheira que Damon comprou para ela. Era tanto rosa que dava até agonia, mas minha filha tinha amado, e era isso que importava. Na verdade, ela parecia ser mais filha de Alice do que minha, de tanto que gostava de cor-de-rosa.
Coloquei minha filha na cadeirinha, no carro. Eu estava suando frio. Tenho medo que ela não se adapte, que a maltratem, que ela sofra bullying, que sofra um acidente... Calma! Respire, Isabella. Acho que devo dar razão a Damon. Sou meio neurótica.
- Manhê!
- Oi meu amor.
- Voxê vai me pegar?
- Sim, meu bem. Assim que sua aula terminar estarei lá. Talvez até antes.
- Bells...
- Calado, Damon. Bebê, você quer que a mamãe fique com você na escolinha?
- Vô vê depois ti digo, manhê.
- Como é?
- É isso aí, Lô. Bells, pare que você já exagerou. Ela vai passar o dia colorindo e brincando. Qual é o problema nisso?
- Eu não estar junto!
Chegamos ao colégio e assim que descemos do carro Louise já pulava feito pipoca, super animada depois que viu a quantidade de crianças que estavam lá. Meu coração apertou e me senti traída, porque meu desejo era que ela pedisse para não ficar, que se aninhasse em meus braços até adormecer.
- Vem manhê. Lá tem escurrega.
- Calma, filha. Respire. Tem certeza que você quer ficar?
- Quelo, mamãe. Tem lanche? – perguntou apontando para a lancheira.
- Tem sim, meu anjinho. Tem suco, sanduíche e frutas.
- Quelo pitiza. Damonzinho disse que meu lanche selia pitiza.
- Certo, amanhã você traz pizza para o lanche. Nós não sabemos se você vai se adaptar mesmo.
- Mamãe, se vim xixi eu faço como?
Era por essas e outras que ainda acho cedo para minha filha se separar de mim. Ela é 100% dependente de mim, assim como sou dela.
- Ei, Lô, é o seguinte. Se der vontade de mijar, chama a professora. Ela vai dar um jeito, beleza?
- É xixi filha, e não mijar – disse fuzilando Damon ao meu lado.
- Bola entar que eu quelo bincar.
Percorremos juntos o longo caminho até o pátio, e depois até a sala onde minha filha ficaria durante o ano letivo. Uma jovem apareceu. Acho que ela é a professora. E, antes mesmo que ela nos cumprimentasse, eu já estava aos prantos, com Damon me beliscando e sussurrando que eu estava dando vexame.
- Sejam bem-vindos. Vocês devem ser a família Salvatore, e essa princesa deve ser Louise Swan Salvatore.
- Sim. Vocês estão mesmo preparados, não é? Ela pode sumir, ou se acidentar. Prometa-me que vai estar sempre de olho nela!
- Não a leve a sério. Sabe como é... ela é mãe de primeira viagem, então esses surtos são normais.
- Filha, vem cá tirar fotinhas na porta da sala.
- Deus, Bella, pare com isso. Vamos logo, se despeça da Lô porque precisamos trabalhar.
Ajoelhei-me em frente à minha menina e acariciei seu rostinho.
- A mamãe te ama, viu. Qualquer coisa peça para a professora me ligar que eu venho. Não chore e divirta-se com os coleguinhas. Vou pensar em você o dia inteiro e...
- Manhê, vai logo. Voxê tá me matano di vegonha. Vai, vai...
A vida é mesmo muito injusta. Eu aqui, me descabelando toda pela criatura que carreguei no ventre por meses, e ela só cobiçando a porcaria de um escorregador. Meu valor é zero mesmo...
...
- Pare de rir, seu idiota!
- Bells, você deu um show! Foi muito mamãe urso, toda cheia de dedos, e no final a Lô te mandou vazar.
- Culpa sua que fica ensinando o que não deve a ela...
- Você exagera. Sufoca a menina, Isabella. Pegue leve.
...
- Manhê. Foi muito bom. Blinquei, tenho coleguinha e comi o lanchinho. E quelo voltar amanhã. E quelo ir pa casa ver o bobo do esponja.
- Hum, então vamos antes que você perca o Bob Esponja.
Durante o caminho até em casa minha filha tagarelava o tempo todo, contando em detalhes como foi o seu dia no colégio e o quanto ela queria voltar.
Senti-me tão traída. Eu, toda preocupada, e ela nem sequer lembrou de mim. Depois, percebi que estava sendo egoísta. Minha filha sempre seria minha filha e o importante era ela ser feliz.
- Não, eu estou enjoado do Bob. Vamos mudar, por favorzinho? Diz que sim, rainha Louise.
- Damonzinho, bola bincar de gigi?
- De novo com isso vocês dois?
- É só uma bincadela mamãe.
- Vou estudar. Daqui há uma hora você pode subir, viu dona Louise? Você tem que dormir.
- Tá mamãe.
PDV Damon
- Espera! Não entendi direito porque o Ken não vai namorar a Barbie.
- Poque a Babi é ofelecida.
- MENINA! Onde você ouviu isso?
- A Mala que falo que a ota namolada do pai dela é ofelecida.
- Sim. E quem lhe deu o direito de repetir isso?
- Damonzinho, voxe ta bigano com eu? – Louise perguntou com os olhinhos cheios de lágrimas. Chantagista mirim!
- Claro que não, minha princesinha. Vem cá e me dá um abração que eu morri de saudade de você hoje.
- Amanhã voxe vai me leva pa tila foto?
- Psiu, fala baixo. Sua mãe não pode saber que eu te levo, senão ela me mata.
A menina era puro talento. Fotografava como ninguém. Os olhos enigmáticos rendiam lindas fotos. Pena que eu não posso usá-las profissionalmente. Afinal, Bella me mataria, sem dúvida.
PDV Bella
Estava distraída com um livro sobre contravenções penais quando senti um corpinho se atirando com tudo na minha cama e sua dona me olhando com olhinhos pidões.
- Olá. O que deseja, senhorita Louise?
- Mamãe, quelo nanana.
- Bebê, eu e você conversamos e combinamos de tentar parar, lembra?
- Não, mamãe. Pu favo, eu quelo.
Seu rostinho já estava banhado em lágrimas. Sem falar na vermelhidão das bochechas. Só em ver isso meu coração partiu em dois.
- Venha cá, meu dengo supremo. Mas, vamos tentar outras vezes, ouviu mocinha? Você já está bem grandinha para ficar mamando.
- O nanana é minha e num vo dá pa ninguém.
- E quem disse que eu vou dar a nanana para alguém?
- Damonzinho dixe que o Elic quer minha nanana.
Definitivamente, eu ainda mato o Damon.
- Ei, Louise, olha para a mamãe. E preste bastante atenção. Eu e o Eric namoramos, mas ninguém no mundo vai tomar o seu lugar. Você é minha e de mais ninguém. Eu nunca deixarei de amar você. E a mamãe deixa você mamar até o dia que você enjoar de mim.
- Te amo mamãe, mas num amo o Elic não.
- E por que todo esse ciúme?
- Ele é meu pai?
- Claro que não, filha.
- Então num posso ama ele. Só meu papai.
Louise disse adormecendo em meus braços e me deixando com o coração partido. Eu nunca parei para pensar que ela sentia a falta do pai. Nunca nem sequer pensei que ela pensava em sua existência e sentia sua falta. E, essa confirmação me assustou. Ela é tão pequena, não entende tanta coisa, mas seu coraçãozinho parece ser mais sábio do que eu poderia imaginar...
Notas finais
nosso baby cullen chegou para esquentar o clima da fic...
percebam que nosso Ed esta proximo demais, será que algo vai acontecer para que esse encontro seja inesquecivel????
bom meninas eu estou em reta final da faculdade daqui pra frente não prometo capitulo quinzenal, vou fazer de tudo, mas não prometo nadinha, proximo cap pv do Ed e novas descobertas....
bj
comentem e recomendam a autora vos agradece ♥
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