Puro Desejo
37 Capítulo 37
Notas iniciais
Capítulo 37
Skyfall- ADELE
TRADUÇAO
O Céu Cai
Este é o fim
Segure a respiração e conte até dez
Sinta a Terra se mexer e então
Ouça meu coração explodir novamente
Pois este é o fim
Eu me afoguei e sonhei este momento
Tão atrasado, eu devo a eles
Emocionada, fui levada
Deixe o céu cair
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
E iremos encarar a tudo
Juntos
Deixe o céu cair
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
E iremos encarar a tudo juntos
Ao cair do céu
Ao cair do céu
Na queda do céu é onde começamos
Separados por mil milhas e polos
Onde mundos colidem e dias são escuros
Pode ter meu número
Pode tirar meu nome
Mas você nunca terá meu coração
Deixe o céu cair
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
E iremos encarar a tudo
Juntos
Deixe o céu cair
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
E iremos encarar a tudo juntos
Ao cair do céu
Ao cair do céu
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
Ao cair do céu
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
Onde você vai, eu vou
O que você vê, eu vejo
Sei que nunca serei eu
Sem a segurança
De seus braços amorosos
Me mantendo longe do perigo
Coloque sua mão na minha
E estaremos de pé
Deixe o céu cair
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
E iremos encarar a tudo
Juntos
Deixe o céu cair
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
E iremos encarar a tudo
Juntos
Ao cair do céu
Deixe o céu cair
Estaremos de pé, orgulhosos
Ao cair do céu
PV Narrador e Bella
Naquele comecinho de noite Copacabana presenciou mais um fatídico acontecimento. Os civis, mais uma vez, foram vítimas da marginalidade. A desigualdade e a má distribuição de renda do país, em conjunto com a falta de política organizada, faz com que cada vez mais famílias sejam minoradas em virtude da violência. Foi com este pensamento, além do pesar, que o paramédico olhava para o jovem turista baleado no peito, que tinha os batimentos cardíacos fracos e grande perda de sangue. Sem falar na outra ambulância, onde uma mulher grávida lutava por sua vida e de seu bebê.
A sirene das ambulâncias soava alto demais, exigindo passagem pelas ruas, correndo contra o tempo.
Bella não foi atingida pelo tiro, mas o susto pelo qual passou mexeu demais com ela. Seu organismo entrou em colapso. O medo, o estresse, a angústia e a incerteza não lhe deixaram alternativa a não ser apagar.
Enquanto isso, dentro do jovem rapaz, algo lutava contra o inimigo invisível conhecido como destino. Ele sabia que sua hora ainda não tinha chegado. Elas precisavam dele e ele precisava delas. Ele lutaria contra ele mesmo para viver, porque viver naquele momento era sua única opção.
Zafrina recebeu a notícia de que sua sobrinha e Damon tinham sido baleados num assalto. Assustada com o que poderia acontecer a sua sobrinha, aflita, teve medo de chegar ao hospital e não encontrá-los mais vivos. Naquele momento de angústia, fez o que seu coração achava ser o certo...
Dra. Jeane já estava a postos na entrada do pronto socorro quando as ambulâncias estacionaram. Como obstetra, ela encarregou-se de sua paciente, que passava por um momento delicado. Era notável a apreensão da médica, uma vez que uma gestante diabética não podia sofrer fortes emoções. Levada diretamente a sala de parto para uma melhor análise, constatou-se que o bebê ainda não estava pronto para nascer. Mas, no momento, a vida de mãe e filho era a preocupação.
Horas depois, com exames de sangue e ultrassonografia em mãos, foi possível um parecer mais detalhado sobre o estado de saúde de Bella. Segundo o ultrassom, houve um leve deslocamento da placenta, o que alarmou a médica. Provavelmente Bella caiu na hora do desmaio. Mas não era muito grave. Repouso absoluto resolveria o problema e não colocaria a vida de nenhum dos dois em risco. Mas, os exames de sangue eram alarmantes. A glicose estava no pico, sua alteração com certeza foi em razão do estresse. Sem falar na pressão arterial, o que fez com que a médica, por precaução, mantivesse Bella na unidade de terapia intensiva.
A mente de Bella apagou. Seu corpo sucumbiu, pois a situação foi um choque para a jovem grávida.
No centro cirúrgico, o médico pedia o bisturi para iniciar a cirurgia de retirada da bala. A equipe médica estava preparada para o pior, pois o paciente chegou em estado crítico. Foi preciso uma transfusão de sangue para estabilizar o quadro. Mas, foi quando a pinça encontrou a bala que tudo aconteceu...
Uma parada cardíaca assustou todos os médicos. O corpo do jovem convulsionou e as batidas do coração foram desaparecendo...
O desfibrilador, em potência máxima, trabalhou assiduamente no coração bondoso de Damon por duas longas tentativas. Mas, o jovem coração optou pelo descanso eterno.
- O perdemos. Anotem a hora do óbito – disse o médico.
- É lamentável, doutor. Um menino tão jovem e com uma esposa grávida. Isso sem falar que a bala não alojou no coração.
- É triste mesmo. A violência nesta cidade precisa ser contida para que esse tipo de realidade desapareça. O que é isso?...
Olhando atentamente o monitor e sem acreditar que aquele milagre estava realmente acontecendo, a equipe médica viu, com surpresa, o monitor registrar cada nova batida do coração que fora considerado morto.
- Vamos fechá-lo e levá-lo para a UTI. Esse aqui é forte e já está a salvo – disse o médico, deixando toda a equipe cirúrgica animada.
Em Forks...
- Que cara é essa, Alice? — perguntou Esme aflita em ver a sobrinha com a face banhada por lágrimas.
- Bella está morrendo...
- O QUE? – Dessa vez quem perguntou foi Aro, que estava entrando no recinto.
- Isso mesmo, tio. Bella e Damon levaram um tiro durante um assalto e estão morrendo. Zafrina acabou de ligar.
- NÃO... Diga que é mentira, Alice. – Dizia Esme transtornada.
- Não tia, infelizmente não é. Estou indo ao Brasil. Não podemos perdê-la para sempre.
- Todos nós vamos. Sei que Bella errou, mas ela ainda é nossa filha e não vou suportar perdê-la – disse Aro.
- Vou ligar para o piloto. E ligar também para o Jass.
...
- Lice, por favor, amor. Me diz para onde você vai e como isso aconteceu... não amor, eu prometo que não conto... tenha misericórdia Alice, isso é sério... claro que não quero brigar com você, Alice, eu te amo... preciso de... Alice? Alice? Merda! – exclamou Jasper aborrecido.
- A baixinha continua uma pessoa difícil, Jasper?
- Edward, a coisa é séria. Ela está no aeroporto nesse momento embarcando para algum lugar no mundo. Os Cullen estão viajando em seu jatinho particular.
- Hum, a família real vai tirar umas férias? Aro tem que aproveitar enquanto pode, porque logo o deixarei na miséria.
- Edward, pare com isso. Você sabe que sou contra essa vingança sem fundamento, não sabe?
- Ele tirou tudo de mim, Jasper. Por isso, vou destruí-lo.
- Me responda porque comprou toda aquela área em Forks. Dá para construir uma fábrica em tanto terreno.
- Vou construir minha residência lá. Não haverá um só habitante em Forks que não cobiçará minha casa.
- Isso é desnecessário e fútil. Você sabe disso, não é mesmo?
- Diga-me Jasper. Por que Alice não quis te contar o destino da viagem? – Perguntou Edward mudando de assunto.
- Por sua culpa!
- Minha? Eu não fiz nada com ela. Já pedi desculpas mas ela sequer olha na minha cara. Logo ela, que foi minha amiga por tantos anos.
- Edward, meu amigo, aconteceu uma tragédia. Não sei detalhes porque Alice se recusou a me contar porque eu certamente contaria a você.
- Fale logo, homem. O que aconteceu?
- Não sei direito como aconteceu, mas Damon e Bella foram assaltados e baleados no lugar onde estão morando. E, ao que parece, ambos estão morrendo. Os Cullen viajaram para um provável enterro. Sinto muito.
- O QUE? FALA QUE É MENTIRA, JASPER! – Edward gritava apavorado.
- Eu gostaria que fosse, meu amigo. Mas, você está perdendo Bella para sempre.
- Você vai descobrir onde a Bella está. Eu não posso perdê-la. Mande-a para o melhor hospital do mundo. Não posso viver num mundo no qual ela não exista. E... e o bebê?
- Alice gritou comigo, me xingou e desligou o telefone na minha cara. Só nos resta esperar notícias.
- Não posso esperar, Jasper. Ligue para ela AGORA!
- O telefone está desligado. Sinto muito mesmo, Edward.
- Maldição! Logo agora que tenho um vestígio de onde ela pode estar me acontece isso. Eu não posso perdê-la, Jasper. Morrerei se isso acontecer.
- Vamos manter a calma. Sei que logo Alice vai me ligar. Aí sim teremos notícias. Enquanto isso, só nos resta esperar.
- Minha vida está se transformando rápido demais, Jasper. Administrar os negócios do meu pai não está sendo fácil. Ainda tem minha busca desenfreada por Bella e os meninos. Você acredita que agora Pedro resolveu ser um rebelde sem causa?
- Olha, Edward, até concordo que tudo mudou radicalmente. Não é à toa que estou advogando para você e estou muito feliz em trabalharmos juntos. Quanto aos meninos, velho amigo, você está vacilando e deixando os moleques meio de lado. Só pensa em encontrar a Bells e esquece de viver. Não é bem assim. Mantenha o foco nas crianças e eu prometo que vou convencer Alice a te perdoar.
- Você tem razão. Mas eu não faço por mal. Tento recompensar de todas as formas. Coloquei-os no melhor colégio de Port Angeles. Eles têm motorista, estão matriculados nas aulas de tênis, minha mãe acompanha-os em tudo. Não sei mais o que eles querem de mim.
- Você tem noção do que está falando, Edward? Você está parecendo uma cópia fiel do Aro. Porque, para ele, só as aparências importam. Queria que Bella fosse vista aqui em Forks como um modelo de perfeição e, no primeiro passo em falso que ela deu, foi praticamente apedrejada por ele. Não faça o mesmo com seus filhos. Vou para minha sala.
Sozinho em sua sala, Edward avaliava as palavras de Jasper. Será que ele realmente estava se transformando num péssimo pai? Ele sentia que precisava se organizar melhor, passar mais tempo com os meninos. E, foi com esse pensamento que pegou seu paletó e se dirigiu à porta.
- Gianna, estou indo buscar meus filhos. Anote os recados. Peça que Jasper me ligue quando tiver notícias. Ele sabe sobre o que falo. Até mais...
...
Sabe quando você está em uma dimensão onde sente aquela sensação de estar totalmente preenchida e ao mesmo tempo vazia? Onde um céu escuro se abre diante dos seus olhos e, do nada, cores de todas as tonalidades aparecem encantando e divertindo com formas estranhas? Uma leve lembrança de que não deveria estar nesse lugar estranho, onde eu via coisas sem nexo mas ao mesmo tempo lindas, passa por mim. Minha mente, do nada, começou a trabalhar com força total e flashes dos últimos acontecimentos me atingiram.
Eu sabia que tudo saiu do controle. Sentia uma força sobrenatural, uma vontade descontrolada de chorar, mas nem para isso eu tinha forças. Eu o perdi e, definitivamente, não sei como minha vida terá algum sentido depois disso. Como sorrir sem suas piadas? Como olhar para minha filha sabendo que o responsável por ela ainda estar dentro de mim se foi?
Minha filha... de repente, o medo dobrou de tamanho e expandiu dentro de mim. O que aconteceu realmente e... Louise ainda vive dentro de mim? Minha pulsação disparou e comecei a correr pelo campo onde me encontrava. As cores foram desaparecendo e o medo era o único sentimento que eu conseguia sentir.
- Mantenha a calma, Bella. Você pode me escutar? Tente mexer os dedos, querida.
Minha médica falava comigo. Percebi que estava em um hospital. Com certeza ela pode me dizer como Damon está. O melhor é eu abrir meus olhos.
- Bella, fique calma. Faça apenas o que pedi. Querida, você consegue me escutar? Se sim, aperte minha mão.
Reuni minhas forças e forcei meus dedos a se curvarem sobre os dedos da Dra. Jeane.
- Isso, meu bem. Eu te senti, viu. Fique calma que tudo vai dar certo. Agora, se acalme e volte para nós. abra os olhos...
Mas, onde está essa luz? Olhei ao redor da floresta onde me encontrava e resolvi correr. Quem sabe correndo eu não acho logo a saída. Comecei a correr olhando para todos os lados. E, foi atrás das copas das árvores, que vi uma tímida luz no final de tudo. Tomei fôlego e tentei manter a calma. Comecei a caminhar com passos apressados e a cada passo dado era como se a luz fugisse de mim. Sem pensar, comecei a correr de novo atrás da luz, desesperada. Eu não podia perder a chance de me libertar...
- AAAHHHHHH...
- Acalme-se Bella. Estou aqui. Olhe para mim. Pressão?
- Vinte por dez, Dra. Jeane.
- Bella, mantenha o foco e olhe para mim.
Foi aí que percebi que meus olhos estavam abertos e eu estava de volta. Respirei aliviada, mas com as batidas do coração aceleradas.
- Apliquem losartana na veia. Agora!
10 minutos depois...
- Bella, você pode me ouvir?
- Sim – sussurrei.
- Está mais calma? Quero que me diga se sente algo estranho.
- Eu morri.
- Como?
- Sonhei que estava entre o céu e a terra. Morri, mas consegui voltar, Dra. Jeane.
- Bella, querida, você não morreu. Seu corpo entrou em colapso devido ao susto que você tomou. Mas, quero que me responda. Sente dor em algum lugar?
- Sim. Nas minhas costas e na minha cabeça, eu acho.
- Olhe para mim. Você levou um baque e tanto. Caiu e se machucou. Houve um deslocamento de placenta e, por sorte, você não teve uma hemorragia. Conseguimos manter a situação sob controle. Quanto a cabeça, deve tê-la machucada na queda. Tenho duas notícias para você, uma ruim e uma boa. Qual você quer primeiro?
- A ruim, para a boa compensar no fim.
- Você vai ficar nessa cama de hospital até a trigésima sétima semana. Aí eu poderei realizar a cesariana e trazer Louise ao mundo.
- Ah não, Dra. Quantos dias eu vou ter que ficar presa aqui?
- Mais dez dias Bella. E não resmungue. Estamos na reta final e seu estado é muito delicado. Você teve oscilações da pressão arterial. Não posso permitir que saia desse hospital.
- Mas dez dias presa aqui é muito. Vou surtar de tédio.
- Haverá momentos em que você estará livre para caminhar pelo hospital acompanhada de uma enfermeira.
- Então me diga logo qual é a boa notícia. Já estou ficando agitada, Dra.
- Fique tranquila. Só quero te dizer que Damon está vivo.
- OMG! Jura? Isso é sério, Dra.? Prometa que ele vai voltar para mim.
- Sim, querida. Ele está vivo, mas seu estado ainda é delicado. A bala passou de raspão pelo coração.
De repente as lágrimas banhavam minha face e minha voz estava embargada. No fim tudo deu certo. Deus ouviu minhas preces. Eu não podia perdê-lo. Não saberia como viver sem meu anjo da guarda ao meu lado.
- Posso vê-lo?
- Ainda não. Ele está na UTI. Assim que ele estiver no quarto eu libero as visitas. Mas, lembre-se, nada de emoções fortes.
- Mas que castigo! Vou passar dez dias aqui fazendo o que? Ou melhor, com quem? Me sinto sozinha.
- Quanto a isso não se preocupe. Você terá visitas em cinco minutos.
- Sério? Tia Zafrina está aí?
- Vou chamá-los. Você tem direito a um acompanhante e duas horinhas de visita. Lembre-se, nada de agito, mocinha. Mais tarde a enfermeira virá aplicar a sua insulina.
- Certo. Mas mande me trazer comida, por favor!
- Na hora certa seu lanche virá, sua comilona.
Vi a Dra. Jeane sair e resolvi dar um susto na minha tia. Me ajeitei na cama e fingi que estava dormindo. Assim que ela se aproximar darei um belo susto nela.
De olhos fechados escutei passos. Ou melhor, diversos passos e cochichos. Meu corpo arrepiou-se pressentindo algo de ruim. Meu coração acelerou e senti minha boca seca. Quando eu comecei a ficar nervosa algumas máquinas começaram a apitar e aquilo me alarmou. Algo estranho estava acontecendo.
- Bells?
Cristo do Corcovado. Não é possível. Essa é a voz de Alice ou eu estou sonhando? Sem conseguir mais aguentar abri meus olhos. E o feitiço virou contra o feiticeiro. Ali, na minha frente, não estava a tia em quem eu queria pregar uma peça, e sim minha mãe, meu pai, Alice e minha tia, olhando-me como se eu fosse um milagre sobre a Terra. No final das contas, quem levou o maior susto fui eu...
- FORA DAQUI! EU OS QUERO FORA!
- Calma, Bells, por favor. A médica disse que seu estado é delicado. Não se aborreça.
- O que eles estão fazendo aqui, Alice? Vieram ver se o desejo deles se realizou e eu morri?
- Filha, não diga isso, por favor. Estive aflita o tempo todo. Você é minha única filha, e é muito preciosa. Eu não suportaria perdê-la.
- Não consigo entender essa importância que você diz que tenho para você. Até mesmo porque você não fez nada para me defender. Francamente, me poupem da hipocrisia e voltem para Forks. Eu não os quero aqui.
- Bells, olhe para mim. Somos humanos, e errar é humano. O que eles fizeram foi cruel, mas estão arrependidos. E isso é o que importa. Seu bebê precisa de você e dos avós. Não seja cruel – disse Alice com lágrimas nos olhos.
Encarei as pessoas a minha frente. Meu pai continuava do mesmo jeito imponente, porém com um ar mais cansado. Dolorosamente, mamãe conseguiu me surpreender. Ela já não era mais aquela linda mulher que eu tanto admirei. A beleza ainda continuava no mesmo lugar, mas seu olhar era triste e sua aparência sofrida. Isso apertou meu coração. Nunca pensei que a veria dessa forma tão desleixada.
- Nos deixe a sós, Aro. Preciso conversar com Esme.
- Claro, filha. Vou ver como está Damon e logo mais lhes trago notícias.
Quando ele saiu do quarto um silêncio esmagador nos assolou. Minha maior vontade era de me aninhar nos braços da minha mãe e de lá nunca mais sair. Queria suas mãos em meus cabelos, me consolando. Dizendo que tudo se resolveria.
E, foi como se lesse meus pensamentos, que minha mãe aproximou-me ao seu peito e me consolou, acariciando e sussurrando que tudo ficaria bem.
- Senti sua falta mamãe...
- Eu também, meu anjo. Me perdoe, porque eu mesma não consigo me perdoar.
- Tudo é muito recente ainda. Preciso de tempo para entender tudo. Porque, Esme, eu jamais deixarei de lutar por minha filha.
- Ei, Bellinha, falando em baby, como está essa danadinha aí?
- Não sei ao certo ainda, mas estou em repouso absoluto para que Louise nasça saudável.
- Falando no nascimento dela, você já comprou tudo? Como está o quartinho dela?
- Bom, o quartinho é coisa do Damon, então eu ainda não vi. É uma surpresa.
Cinco dias depois...
- Filha, por favor, pare de escândalo. Você está proibida de ter fortes emoções. Controle-se.
- Eu quero ver o Damon. Está acontecendo alguma coisa. Há cinco dias vocês me enrolam. Deixem-me vê-lo. Chamem a minha médica – eu disse aos berros.
- Bells, filhinha, eu prometo que assim que você tomar café eu falo com os médicos. Nem que eu leve somente o celular para você falar com aquele cabeçudo. Mas, por favor, alimente-se.
- Eu não confio em você, Aro – disse emburrada.
- Eu sei, e não te recrimino por isso. Mas, dou minha palavra de que vocês se falarão hoje.
Nos últimos dias a presença de meus pais mudou tudo ao meu redor, e muito. Eu estava há cinco dias de ter minha filha nos braços e feliz por ter minha mãe por perto. Ela me contou os últimos acontecimentos e deixou claro o desgaste em seu casamento. Me entristeci. Embora meu pai seja como é, nunca os imaginei separados.
Pela primeira vez ele parecia satisfeito e conformado com o fato de eu ser mãe. Até o vi ligeiramente emocionado quando nos acompanhou à minha última ultrassonografia. Louise estava com o dedo na boca, toda folgada dentro de mim. Sorri feito boba olhando a imagem e meu peito doeu, porque ele era peça fundamental nesses momentos. Acho que foi por isso que surtei e comecei uma greve de fome até que permitissem que nos falássemos. Isso estava me angustiando muito.
Mamãe e Alice saíram com minha tia e voltaram cheias de sacolas, além da minha bolsa e a de Louise. Disseram que em casa tudo estava preparado para nos receber. Só me restava esperar esses dias intermináveis passarem.
Aro me trouxe alguns livros e CDs, para tentar me distrair. Sem falar que minhas noites eram animadas por partidas de pôquer. Claro que eu e Alice trapaceávamos e deixávamos meus pais de bolsos vazios.
- O que é isso?
- Ursos, filha. Você não gostou?
- Aro, por que você trouxe ursos para um hospital?
- Bom, filha. Quando você nasceu haviam muitos ursos, e quero que minha neta os tenha também.
Olhei para ele sem acreditar. Eu ainda não tinha assimilado esse aceite repentino do meu pai.
- Não precisava se preocupar...
- Bella, eu errei e não fujo dos meus erros. Agi sem pensar, por raiva. Me senti traído por você. Mas, não posso condená-la quando eu mesmo fui um grande pecador. Eu só quero que seu olhar volte a brilhar e que você volte a me chamar de pai.
- Aro, eu vou ser mãe e aprendi muito nos últimos tempos. Sofri muito, e ainda sofro. Já não guardo tanto rancor, mas vai demorar para eu voltar a chamá-lo de pai. No momento, só consigo suportar sua presença. Não força, por favor.
- Serei paciente. Só não afaste a mim e sua mãe de vocês, filha...
- E a sua promessa, quando será cumprida?
- Ah, sim. Já marquei minha visita hoje. Entregarei o celular para o Damon e vocês se falarão. Mas, será breve, filha. Se os médicos me pegarem estamos ferrados.
- Obrigada, Aro.
- Vim ver como você está, Bella. Todo o hospital está comentando sobre seus escândalos. Você quer conversar?
- Dra. Jeane, por favor, me deixe ver o Damon. Estou angustiada.
- Não posso, Bella. Ele ainda está se recuperando e fortes emoções não lhe farão bem...
- Por favor. Eu me comporto, eu prometo. Mas, tire esse peso do meu coração. Eu preciso vê-lo.
- Vou analisar seu pedido. Mas, por hoje não posso fazer nada. Preciso conversar com o médico dele primeiro e, se ele autorizar, voltamos a conversar. Agora, por favor, volte a comer. Esse bebê precisa ganhar peso para vir ao mundo.
...
- Mamãe, conseguiu falar com o Aro?
- Bells, volte a chamá-lo de pai, filha, por favor.
- Ainda é difícil para mim. Preciso de tempo, já falei. Mas, me fale, e aí?
- Calma. Seu pai disse que assim que estiver sozinho com Damon me ligará.
...
- Filha, alguém quer falar com você.
Mamãe me entregou o celular e as batidas do meu coração dispararam.
- Alô?
- Ei, gravidinha! Você ainda se parece com uma bolota?
- DAMON!
- Não, o Pattinson. Mas, me fala, cuidou direito da minha filha?
- Sim.
Minha voz estava embargada pelo choro. A sensação de falar com ele era inexplicável. Saber que ele estava vivo, ter certeza disso...
- Ei, vai ficar monossilábica? Fala comigo, Bells. Me conta. Está comendo bem? Porque a comida que mandam para cá nem cachorro come.
Sorri com seu comentário.
- Sim, a comida é boa. O quarto está cheio de ursinhos que Aro trouxe. As coisas já estão prontas. Só estamos aguardando a Lo chegar.
- Ei, baby, você está bem com os novos visitantes? Está encarando isso numa boa? – Damon perguntou preocupado.
- Não sei. É uma montanha russa de sensações, Damon. Minha mãe está sempre aqui, e meu coração deixa claro que a quer ao meu lado, já quanto ao Aro, tudo é mais difícil e...
- Ei, baby, vai passar. Não precisa forçar. Mas, sei que no fundo tudo isso te faz bem. Me diga, quando a Lô chega? Preciso estar presente né...
- Isso será meio impossível, né... você está se recuperando. Não vão deixá-lo entrar no centro cirúrgico.
- Me chame de Dada pelo resto da vida se eu perder o nascimento da Lo.
Suas palavras me atingiram em cheio. Ele sempre seria meu anjo protetor.
- Senti tanto medo de perdê-lo. Tudo ficou vazio e sem sentido. Amo muito você e sou egoísta demais para deixar você partir.
- Isso é muito bom de ouvir. Mas, deixa eu te contar uma coisa. Ando fazendo corpo mole. Menina, tem uma enfermeira aqui, o nome dela é Helena, que, sinceramente, Bells... ando pensando seriamente em cortar os pulsos e passar mais uns dias aqui.
- DAMON! SEU DOIDO! – Gritei com ele. Como ele conseguia ser promíscuo nessas horas?
- Bells, eu sei que é ciúme, mas ela me dá banho!
- Você é um cachorro. Eu aqui preocupada e você sassaricando?
- Só te contei para não rolar uma cena de ciúme, gata. Mas, me conta, onde está a pintora de rodapé?
- Alice? Ela foi resolver umas coisas pessoais. Se desentendeu com o Jasper.
- Aquele cara é um santo por aguentá-la. Mas, Bells, e a minha Lo, mexeu muito? Ela perguntou por mim?
- Ela anda agitada e meio sem fome. À noite fica caladona. Acho que sente falta das suas conversas com ela.
- Eu estou bem, querida. Vivo e feliz. Faria tudo de novo se preciso. E, logo, estaremos todos juntos. Me avise a hora da cesárea. Vou colocar esse hospital abaixo se não me liberarem para ver minha Louise chegando ao mundo.
- Eu te amo, Damon.
- Eu também, Bells. Preciso desligar. Está na hora do meu banho. E sabe, né... a enfermeira é bem prestativa...
- Cachorro!
- O que foi, filha? Aconteceu alguma coisa com o Damon?
- Sim, claro que aconteceu. Ele virou um galinha, isso foi o que aconteceu.
- Juro que não entendo essa sintonia toda. Esse amor e ao mesmo tempo essa falta de relacionamento de vocês.
- Mamãe, eu amo o Damon. Mas, é um amor acima do bem e do mal. Não vou destruir isso tentando um relacionamento, porque isso não daria certo entre nós. Entenda, por favor. Somente os Salvatore acham que estamos juntos, o que é uma tremenda mentira.
- Certo, querida. Vocês dois já são adultos o suficiente para saberem o que fazem.
Mais cinco dias depois...
- Espero que nenhum de vocês fique doente nunca mais. A conduta dos dois é vergonhosa.
Dra. Jeane disse com as mãos na cintura, bastante irritada. Damon estava ao meu lado, apoiado em uma muleta, usando aquela camisola típica de hospital. Ele saiu sozinho da UTI quando ficou sabendo que o parto seria hoje. Gritou feito louco, fugiu pelo elevador e invadiu meu quarto. Quando foi encontrado estávamos deitados na mesma cama, sorrindo cúmplices.
Sei que foi muito louca essa atitude, mas eu não aguentava mais de saudade dele. Me sentia vazia. Ele sempre me trazia o riso.
- Damon, você está se recuperando de um tiro. Não posso permitir que você entre num centro cirúrgico. É imprudência total.
- Olha, Dra. Jeane. Eu conheço a Bells desde criança, e nosso amor é antigo. Eu sempre estive ao lado dela em todos os momentos importantes. Sempre fui seu amigo. Ajudei-a no dia em que ela menstruou pela primeira vez. A cacei feito um louco no dia em que o pai dela a expulsou de casa com a roupa do corpo só por descobrir que ela estava grávida. Vim morar em outro país, com uma outra cultura, um outro mundo. Eu apoiei, cuidei, alimentei, sorri e chorei ao lado dessa garota e no final das contas quase morri por ela, ou melhor, por elas. E faria tudo de novo. Esse parto eu não perco por nada, nem que para isso precisem me abrir e me costurar novamente. Serei eu quem cortará o cordão umbilical da Louise. E, não quero mais ladainha. Vamos logo, estou curioso para saber como ela é...
- Tudo bem, Damon. Vou permitir sua entrada no centro cirúrgico. Vá se vestir. E Bella, você vem comigo. Está na hora da anestesia...
E foi ali que a ficha caiu. Eu seria mãe em poucos minutos e tudo mudaria. Começariam os melhores dias da minha vida. Algo dentro de mim dizia que faltava alguém nesse momento, mas meu orgulho e amor feridos enterraram essa sensação dentro de mim, bem fundo...
Notas finais
O damonzinho esta vivo vamos comemorar, resolvi deixa-lo vivo depois de tantas ameaças rsrsrs
a fic ta chegando na reta mais gostosa, proximo cap temos a Louise ai pra gente mimar e quem sabe um reencontro??!?!?! comentem e recomendem façam uma autora feliz :D
quero mandar um super beijo pra Amandinha N que fez uma linda recomendação na fic. amooo muitoo vocês, até a proxima ♥
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