Notas iniciais
Nos vemos nas notas...

Capítulo 36.

25ª Semana...

- Droga! – Resmunguei. Eu amo meu bebê como jamais amei nada em toda minha vida, mas não ter uma roupa que caiba é um dos momentos críticos da gestação. Já estou na vigésima quinta semana e sinto como se carregasse o mundo nas costas.

Sentei na cama e imediatamente a sensação de conforto me tomou. O sono chegou. Nunca fui tão preguiçosa. Já aconteceu até de eu dormir em plena aula. Isso sem contar minhas saídas constantes para ir até o banheiro. E essas andanças está cada vez mais complicadas...

- Você já se deitou?

- Damon! Por Louise, me faça uma massagem?

- Sua chantagista! Você só coloca o nome da minha princesa no meio porque sabe que não resisto. Bells, seus pés parecem dois bolos!

- Eu sei. Estou inchando de novo e isso acaba comigo. Mal estou conseguindo entrar na sala. E falta muito tempo ainda para a Lô estar entre nós.

- O tempo vai passar voando, você vai ver. Será o suficiente para nos organizarmos e nos mudar.

- Você tem razão. Oh, isso é tão bom, Damon. Suas mãos são mágicas...

- Que tal uma sopinha de legumes para o jantar? É bom você comer algo leve.

- Pode ser. Mas com torradas. Só sopa eu não como.

- Certo, senhorita exigente.

...

- Vamos, o jantar já está pronto.

- Eu dormi?

- Dormiu. Até roncar você roncou.

- Ah, vá a merda! Eu não ronco.

...

- Tia, que cara é essa?

- Cara de abandono, você não vê? Essa casa vai ficar vazia sem vocês. Como vou acordar e não ver esse barrigão comendo os farelos de biscoito na cozinha?

Sorri. Minha tia era a rainha do drama.

- Ei, tia, pare com isso. Vou morar há duas ruas daqui e venho almoçar com a senhora todos os dias. Só que a gente precisa do nosso cantinho. Ajeitar o quartinho da Lô. Algo nosso. E aqui, estamos impedindo um pouco, tirando sua privacidade, seus encontros...

- Não me venha com essa desculpa. O que não falta no Rio de Janeiro é motel.

- Vai ser melhor. Será nosso recomeço. E eu também sentirei a sua falta.

Ela fez aquela carinha de cachorro pidão. Por um lado eu entendia a minha tia. Ela é meio solitária. Nossa presença meio que ocupou um espaço em sua vida, em sua casa...

- Preciso dormir. Amanhã tenho audiência. Você sabe que sou contra, mas sei que é o melhor, afinal vocês são um casal e vão ter um filho. O momento é mágico. Mas, eu estarei lá de xereta.

Damon resolveu se meter na conversa.

- Oh, por favor, Zaza. Esteja mesmo. Odeio perder noites de sono.

- Ah, seu safado. Para fazer você perde até mesmo a madrugada. Agora, na hora de cuidar e colocar para dormir você quer fugir. É ruim, hein...

Rimos. Minha tia era uma fera e tanto no mundo jurídico, assim como dentro de casa. E, se tinha algo que a estressava era homem folgado. Não é à toa que é uma solteirona convicta.

...

- Deita aqui, Bells, e me diz uma coisa. As provas acabam amanhã mesmo?

Assenti.

- Isso é bom. Porque na sexta nós teremos ultrassom, e no sábado começamos a nossa mudança. O quarto da Lô fica por minha conta. Você só vai vê-lo quando estiver pronto. Será uma surpresa.

- Ah não. Você sabe que eu odeio surpresa. Mas, vou tentar me conter.

Fiz minha cara de muxoxo.

- Bella, preciso te falar uma coisa. Não se irrite.

- FALA!

- Bells, você já observou que você está engordando muito?

- Por favor, Damon, de novo não. Eu sei. Eu me olho no espelho, está bem. Mas eu ando comendo pouquíssimo. Só coisas leves. E meu peso não para de aumentar. Eu não sei o que pode ser...

- Calma baby. Conversaremos com a Dra. Jeane. E quem sabe você não inicia um exercício para pelo menos manter o peso.

- Vou ficar baranga.

- Ei, não chore. Eu te pago uma lipo depois do parto. Assim você continuará linda. Pare de pensar besteiras. O bebê sente.

- Não é besteira. É a realidade.

- Que tal um filminho para relaxar?

- Desenho, por favor. Aquela comédia romântica daquele dia me fez soluçar de tanto chorar.

- Oh, e agora você virou uma piriguete dramática.

- Piriguete é a mãe!

- Estou brincando, meu bem. Venha, coloque os pés para cima. Para esse inchaço diminuir...

No fim deu no mesmo. Assistimos O Rei Leão e eu chorei feito uma boba. É muito triste ver o Simba sem ninguém.

Percebi que tínhamos muita coisa em comum. Somos sozinhos. Mas, no fim, ele pelo menos teve sua família de volta. E eu, estava formando a minha.

Não me arrependo muito das coisas que me aconteceram. Afinal, agora vou ser mãe. Conhecer o significado literal da palavra amor. Tenho meu bebê, minha tia e meu anjo da guarda particular.

No consultório...

Já estávamos há alguns minutos encarando a médica e ela permanecia séria, olhando meus exames. Eu estava preocupada e Damon quase tendo um AVC ao meu lado.

- Não tenho boas notícias, Bella...

- O que houve? É grave? Vou perder minha filha? – Eu perguntava aflita, a adrenalina correndo por minhas veias.

- Escute bem, Bella. Venho, desde o início da gestação, te alertando sobre seu peso. Você é uma gestante jovem e excedeu muito durante a gestação. Seus exames de fato me preocupam. Seus níveis de açúcar estão altos demais. O aconselhável seriam 100 mg e sua glicose atingiu o pico de 320 mg. É com muito pesar, querida, que eu te informo que a partir de hoje você é uma gestante diabética. E, como os níveis estão muito altos, só me resta uma solução. Vou te receitar insulina, para controle da glicemia. Até o final da gestação. Só depois poderei avaliar melhor o seu quadro. Pode ser um diabete gestacional, que dura somente a gravidez, ou de fato você pode ter se tornado diabética.

- Oh... isso não pode estar acontecendo. Isso pode fazer algum mal à Louise?

- Bem, serei sincera. Grávidas com diabete são enquadradas no grupo de risco. Então, a partir de agora, sua gravidez é de alto risco. Uma vez que você também tem o problema arterial... Mas, não se preocupe. Siga à risca as minhas recomendações. A dieta ficará mais rigorosa. Nada de doces. Use adoçante. Pratique exercícios físicos. Se você controlar direitinho, provavelmente não teremos um parto prematuro.

- Ela vai andar na linha, doutora. Eu prometo. Confesso que estou muito assustado, mas tudo vai dar certo.

- Estou com medo – falei com a voz embargada.

- Não há necessidade desse medo. Como eu disse, siga as orientações. Talvez as aplicações lhe deixem um pouco deprimida, mas vou lhe ensinar como fazer. Algumas pessoas preferem elas mesmas fazerem a aplicação da insulina.

- Não! Por Deus! Dra. Jeane, eu não vou conseguir. Já basta eu ter que ser furada todo santo dia. Eu jamais vou conseguir me furar.

- Ei, sei que é um procedimento doloroso. Mas, pense em sua filha. Já que você acha que não vai conseguir, vou ensinar ao papai aqui.

- Sou todo ouvidos, Dra.

- Bom, estou receitando dois tipos de insulina para ela. De início será duas doses, uma no café da manhã e outra após o jantar. Se ela não reagir aumentaremos a dose. É preferível que a insulina seja aplicada diretamente na barriga...

- NÃO! ISSO NÃO! Aí já é demais! Eu vou levar agulhadas na barriga? E a minha filha? E eu? É sofrimento demais será que ela não vê?

- Calma, Bella. Eu disse que é aconselhável. Quando você ficar arroxeada você pode optar pelos braços. A insulina é subcutânea, não atinge o músculo. Sem falar que a agulha é pequena. Você já está com a gestação avançada. Logo isso acabará e se você seguir a dieta e obtivermos resultado, vou diminuir a dose. Pense no seu bem-estar. E no bem-estar de seu bebê.

Saímos do consultório em silêncio. Eu, em profunda tristeza porque daqui por diante seria mutilada todos os dias. E Damon de cabeça baixa, pensativo. Mas, meus esforços valeriam a pena. Eu morreria se preciso fosse por minha Louise.

- Você entende por que me preocupo tanto? Por que cuido de você? Sei que vai ser doloroso, mas temos um objetivo. Esse bebê é nossa força. Então, não desmotive, por favor. Não quero esses olhos castanhos tristes. Mas, confesso não ter coragem de aplicar a insulina em você. É difícil para mim. Vou contratar uma enfermeira. É até bom, porque depois do parto ela nos ajudará. Fique tranquila. Nada nesse mundo vai fazer mal à nossa Lô.

- Estou com medo de morrer, Damon.

- Pare de dizer besteira, sua tonta. Ninguém falou em morte. E eu te proíbo de morrer. Temos uma menina para criar. Pare de ser covarde. Quero te dizer uma coisa.

- Fale qualquer coisa. O que eu ouvir hoje é lucro. Depois de tudo que aconteceu...

- Bells, nem sei como te dizer. Mas hoje, com o que a médica disse, o medo me assolou, baby. Não seria o caso de você contar para ele onde está?

- Ele nunca vai saber nada sobre mim, Damon. Você está me ouvindo? Nem que eu morra! Prometa que ele e Louise nunca se conhecerão! Edward não merece nem meu ódio, quem dirá minha compaixão. Ele fez suas escolhas, e eu as minhas. Somos incompatíveis. Vidas diferentes. E assim será. Vamos, me prometa!

- Bells, não me peça isso. Estamos falando sério, do futuro...

- Damon, você prometeu que ia me ajudar. Que estaria ao meu lado e que faria tudo por mim. Se eu morrer você não pode deixar que minha filha fique com ele e seja criada por uma qualquer. Vamos, Damon, me prometa!

- Prometo proteger você e Louise com minha própria vida. E você, sua chata, não morrerá antes de mim. Pare com esse assunto agourento e vamos para sua primeira aplicação.

- Você terá coragem?

- Só hoje. Amanhã mesmo contratarei uma enfermeira. Também não me sinto bem com isso, baby. Mas, vamos superar.

Damon saiu e voltou com uma parafernália. Tinha algodão, álcool, seringas, e a temida insulina. Ele começou a ler em voz alta as instruções médicas, colocou o líquido na seringa e veio em minha direção.

- Nervosa?

- O que você acha? Vou levar uma espetada na barriga.

- Por Deus, Bells. Relaxe. Não está sendo fácil para mim também.

Com as mãos trêmulas ele passou o algodão umedecido com álcool no local da minha barriga indicado pela médica, e me furou com a fina agulha. Não foi uma dor insuportável, e sim desconfortável. Meu bebê deu um chute leve, como quem desaprovava o procedimento, e eu deixei que lágrimas caíssem dos meus olhos, pois aquilo ainda se repetiria.

- O que temos para o jantar? – Perguntei já sentindo a sensação de fome se apoderar de mim.

- Duas torradas com queijo branco light e uma xícara de chá de cidreira.

- Sim, e o jantar?

- Bells, esse é o jantar.

- Você só pode estar de brincadeira! Estou com fome! Você quer me matar, por acaso?

- Bells, você está diabética. Está de dieta. Só pode consumir 1.200 calorias por dia. Então, pare de show. Ou isso ou 2 conchas de sopa de legumes, e sem sal.

- Que nojo! Eu não costumo comer restos de comida.

- Bells, não vamos brigar. Mais tarde te deixo comer salada de frutas. Agora, é hora da mudança de hábito.

No início não entendi muito bem as palavras da minha médica. Mas, não tem como não entrar em depressão quando você é furada duas vezes por dia. E ainda é obrigada a passar fome extrema. E o pior, meu peso não baixava. E isso me rendia horas e horas de choro.

Damon contratou Mara, a enfermeira babá. Ela tem mãos de anjo e eu mal sentia as aplicações. Passou a me fazer companhia e às vezes me animava. Contava histórias, fazia sanduíches naturais e tentava levantar minha autoestima. Eu estava péssima. Tínhamos acabado de nos mudar e eu mal saía da cama, tamanha era minha desmotivação.

Resolvi voltar às aulas, pois a vida continua. E eu precisava ter forças. Logo meu bebê estaria comigo e esse pesadelo acabaria. Comecei a fazer ioga e retomei a hidroginástica. Às vezes, ao entardecer, Mara me acompanhava em uma caminhada leve pelo calçadão de Copacabana. Sua companhia era muito agradável.

No início achei desnecessária sua contratação, mas com a fama de modelo de Damon, suas viagens passaram a ser mais frequentes. No fim das contas, eu tinha uma agradável companhia.

- Sabe, Sra. Isabella, esse apartamento é lindo. Mas, está muito impessoal.

- O que quer dizer com isso, Mara?

- Ora, ele veio mobiliado, mas a Sra. não deu seu toque pessoal.

- Fiquei doente, depressiva, como você me viu quando me conheceu. Estive desmotivada. Estou voltando para o mundo aos poucos. Mas, você tem razão. Vamos ao shopping, quero comprar algumas coisas para decorar meu novo lar.

Passamos a tarde no shopping. Claro que, como cão fiel que Mara é, me obrigou a parar um pouco e lanchar. Me animei, mas animação de grávida diabética dura pouco. Comi um sanduíche de ricota e tomei um suco de laranja, sem açúcar ou adoçante, somente gelo.

Praguejei contra minha enfermeira babá, mas ela pareceu não se importar. Comprei lençóis do meu gosto, decoração para o lavabo e banheiros, um tapete para a sala, vasos, uma louça que chamou minha atenção, almofadas... Coisas aparentemente simples, mas que dariam outra vida ao meu lar.

Não resisti e comprei adesivos da Hello Kitty para colar no boxe do banheiro da minha filha. Eram alegres. Alguns quadros também ganharam a minha atenção. No fim da tarde, eu já tinha gasto uma boa quantia de dinheiro. Bendito sejam os Salvatore e sua gorda pensão mensal.

Tivemos que fretar um carro grande para que fosse possível levar tudo que compramos. Eu sabia que Damon ficaria feliz em me ver saindo de casa, aproveitando o dia, sorrindo. Ultimamente ele mal dormia de tanta preocupação comigo. Eu já estava beirando o sétimo mês de gestação e o medo de que tudo saísse do controle nos apavorava.

Na hora do jantar os homens contratados já colocavam a última caixa no meio da sala. Jantei uma sopa rala, que era minha mais nova refeição nas últimas semanas. Eu já não reclamava mais.

Fomos aos poucos desempacotando as coisas e arrumando-as em seus devidos lugares. À meia-noite o apartamento frio e todo pintado de branco tinha se transformado num lar aconchegante. A sala ganhou um tapete indiano e o sofá almofadas coloridas. No centro, um vaso colorido com flores artificiais que de tão bem-feitas pareciam naturais enfeitava a mesa.

A cozinha ganhou louça digna de cinema, com muitas panelas e porcelana. Tudo requintado. Aqueles pequenos detalhes fizeram-me lembrar de minha mãe. Ela sempre foi detalhista.

Suspirei. Não queria que a melancolia me abatesse. Passou. Eu tenho uma nova chance e dessa vez a estou encarando como um recomeço.

- Querida, cheguei...

Do quarto eu ouvi o grito de empolgação de Damon. Era sempre assim. Se dependesse dele acordaria todo o prédio para dizer que sua ilustre esposa havia retornado.

Acabei rindo, um riso fácil, gostoso. A presença dele me deixava feliz. Ele sempre fazia de tudo para me deixar feliz, e eu o amava muito por isso.

- Ei, Bells, fiquei com medo de ter entrado no apê errado. Amei tudo, baby! Agora sim está a nossa cara!

- Fico feliz! Passei uma tarde agradável no shopping. Já estava mais do que na hora de sair de casa, ver gente, respirar um ar...

- Fez muito bem, baby. E minha bebê, como está? Dando muitas cambalhotas?

- Você não imagina o quanto! Mas, me conte. Como foi sua viagem?

- Querida, quase te traí com uma linda italiana. Mama mia, era muito linda aquela morena...

- E por que você não investiu sério nela? Sabe que não ligo. Quero que seja feliz e me preocupo com você.

- Enquanto esse coração... – falou colocando a mão em cima do meu peito, onde se encontra meu coração — ...estiver sem rumo e com ódio, não posso viver minha vida. Tenho fé que você vai voltar a ser a Bella por quem um dia eu me apaixonei.

- Damon, essa Bella morreu. Eu já te disse isso.

- E eu acredito em vida após a morte, baby. Agora venha, quero te mostrar o que eu trouxe.

Se tinha uma coisa que Damon sabia fazer, e muito bem, era me emocionar. Ele trouxe uma mala repleta de roupinhas e sapatinhos para bebê. E algumas batas para mim. Fiquei feito boba olhando tudo, cada detalhe. As roupinhas eram europeias, coisa fina, todas em tons de rosa pastel. Tudo tão meigo que dava até vontade de ter logo meu bebê para vê-la ali dentro. Gesticulando dentro das roupinhas e me fazendo perder a noção do tempo, amando incondicionalmente a melhor parte de mim.

...

Estava deitada em minha cama, envolta em lençóis macios acariciando meu ventre dilatado e conversando com meu bebê. Do nada, como um pressentimento, senti uma vibração, arrepios e correntes elétricas imaginárias. Algo que eriçou todos os pelos do meu corpo. Fiquei estática, sem entender o que era aquilo tudo.

Procurei respirar e aos poucos fui me acalmando. O melhor mesmo era dormir, ainda que a estranha sensação tivesse se apoderado de mim.

Em meu sonho, tudo era tão colorido e mágico. Estava com meu bebê no colo, mas não conseguia ver seu rostinho. E isso me deixou melancólica.

Acariciei a pele do bebê, senti seu cheiro característico e me animei. Até cantei cantigas de ninar. Mas, o que me surpreendia era minha capacidade de amar tanto aquele ser misterioso que estava em meus braços.

Do nada, tudo a minha volta começou a ficar vermelho, quente. Eu ate conseguia sentir as gotas de suor. Meu corpo começou a reagir de forma estranha.

Quando dei por mim, o bebê já não estava mais em meus braços. Desesperada e aos gritos consegui acordar. Eu não deveria ter feito isso.

- OMG! O que... o que você está fazendo aqui?

- Você realmente achou que eu nunca a encontraria, Bella?

- Saia da minha casa. Agora! Onde está Damon?

- Eu só vou embora depois de pegar e levar o que é meu.

- E o que seria? Que eu saiba não há nada seu aqui...

- Tem esse bebê – disse com as mãos espalmadas sobre meu ventre –, e tem a sua sanidade – disse tocando minha intimidade.

- Como ousa? Saia daqui, Edward. Você não faz mais parte da minha vida. Suma!

- Como não? Você dorme pensando em mim. E acorda do mesmo jeito.

Disse com seus lábios próximos ao meu ouvido, descendo beijos pelo meu ombro.

Quando dei por mim, estava somente de calcinha sobre a cama, e Edward usava uma tentadora gravata prateada. Aquilo o deixou tão másculo, que foi como um baque em minha libido. Como resistir se ele estava ali para simplesmente fazer com que eu caísse em tentação?...

Seus lábios, quentes como o vapor saído de uma chaleira, torturavam meus seios inchados e sensíveis. Eles estavam maiores e isso pareceu agradá-lo. Por um momento me perguntei o que houve com Damon. O que Edward fez com ele para chegar até mim? Céus! Eu estou perdida!

- Sabe, Bella. Vou castigá-la até você aprender que nunca mais deve fugir de mim. Só eu tenho o poder de te deixar fora do eixo. Só eu mexo com a sua mente e o seu coração. Aprenda de uma vez por todas que você é minha, e de mais ninguém.

Dizendo isso suas mãos exploraram minha intimidade com vontade. Eu estava tão excitada que mal conseguia me conter, mal conseguia pensar. Me deixei levar. Nem me lembro de como ele tirou minha calcinha. Deixei que fizesse o que quisesse comigo. Depois, só depois eu o colocaria para fora de minha vida novamente.

- Você está tão excitada. O que diria se pulássemos as preliminares e fôssemos ao que interessa?

- A proposta me parece perfeita.

Só depois que consegui falar foi que olhei para ele. Estava mais lindo do que nunca, com seu cabelo sexy e revoltoso, os lábios chamando os meus e, o melhor, nu, como veio ao mundo. Excitado e esperando por meu comando.

Deveria mandá-lo embora. Ele me traiu. Não me merece. Mas, como recusar essa proposta tentadora? Eu sou fraca, principalmente quando o pecado é da carne.

- Pare de me olhar e faça logo o que você veio fazer...

- Bella, foi tudo um engano. Não era eu. Você sabe que eu morreria por você. Sinto sua falta. Volte.

Ainda pude sentir quando seu pênis pressionou minha entrada, jogando-me no lago do paraíso.

- Dona Bella? Dona Bella, você está me ouvindo?

Quem diabos está nos atrapalhando? Será que não percebe que estou tentando transar com o meu ex aqui?

- Ela não reage, Damon. Estou preocupada. Ela está em transe.

- BELLA, PARA DE PALHAÇADA E ABRE A PORRA DOS OLHOS!

Como assim, abrir os olhos? Eu vou abrir é minhas pernas...

Meu corpo estava sendo chacoalhado e eu me senti cair em outra dimensão, até que finalmente consegui abrir meus olhos.

- POR QUE DIABOS ME ACORDARAM? POR QUÊ? POR QUÊ?

- Está surtando, Bella?

- Não, seu idiota. Eu estava tendo o melhor sonho do mundo! Arg! Preciso, ou melhor, tenho necessidade de voltar a dormir.

- É hora da insulina, Bells.

- Maldição! Eu preciso voltar a dormir!

15 minutos depois...

- Vai. Me conta logo que sonho foi esse que te deixou assim, atacada.

- Foi um sonho bobo, coisa minha.

- Hum? Então agora temos segredos?

- Se eu contar você vai me zoar a semana toda.

- Coloca para fora.

- Sonhei que o Edward aparecia nu e me provocava sexualmente falando. E, na hora em que ele me comeria, me pegaria de jeito, a Mara e o Damon empata foda apareceram e atrapalharam meu lance. Feliz?

Damon passou vários minutos roxo, de tanto que riu da minha cara. Fiquei puta com sua insensibilidade. Poxa, eu estou grávida, sensível, com a libido lá em marte e não tenho com quem aliviar. E nem tem como, com uma barriga tão grande. Daí, quando tenho a oportunidade de gozar, mesmo em sonho, me atrapalham. Estou pagando meus pecados na Terra, fato!

- Vou ao banco.

- Há essa hora, Damon?

- Bells, são 18 horas e estou precisando de dinheiro. Além disso, preciso pagar umas contas, ir à feira para comprar as coisas para você. Talvez eu volte a viajar.

- Agora é sempre assim. Eu vivo abandonada.

- E a Mara? Eu a contratei para te fazer companhia.

- Mas eu sinto a sua falta.

- Vamos. Levanta essa bunda gorda daí. Vamos ao banco e depois, que tal jantarmos fora? Nunca mais fizemos um programa a dois.

- Primeiro, minha bunda não é gorda, e sim a bunda de uma gestante. E, segundo, vou amar sair de casa. Me sinto prisioneira. Espere que vou calçar meus chinelos.

Havia um caixa eletrônico há poucos metros de onde morávamos. Fomos caminhando e conversando. Damon me contava cada detalhe de sua viagem como modelo e as coisas mais bizarras que aconteciam. Dei muitas gargalhadas.

Mesmo que minha vida tenha estado meio sombria, eu me permitia sorrir e imaginar que logo estaria com meu bebê nos braços. Eu já beirava o oitavo mês e acredito que Damon continuava sendo o mais ansioso de todos.

Entramos tranquilamente na cabine do caixa eletrônico e rapidamente Damon inseriu ser cartão e começou a fazer as transações.

- Vai demorar?

- Não, por quê?

- Quero fazer xixi.

- Segura. Só falta sacar o dinheiro da semana.

- Você vai sacar tudo isso?

Perguntei vendo os dígitos que ele digitava.

- Sim. Tenho que pagar a Mara, o condomínio, o pessoal que estava decorando o quartinho da Lô, deixar dinheiro com você. Sou um homem de família, Bells.

Ele respondeu gracejando.

- Vamos logo. Quero fazer xixi e comer pizza.

- Fugindo da dieta, Bells?

- Uma vez na vida não vai me matar, Sr. Salvatore.

- Odeio quando me chama assim.

Saímos da cabine sorrindo, mas nosso sorriso morreu quando vimos o indivíduo com roupa maltrapilha e uma meia calça ocultando seu rosto. Ele tremia e era ameaçador. Mas, o pior de tudo era a arma de fogo em sua mão.

- Passa a grana, playboy. Passa a grana e nada vai te acontecer.

- Calma. Eu vou passar.

- Entrega logo o dinheiro para ele, Damon.

Quando dei por mim, estava gritando com Damon em inglês, o que só despertou a ganância do assaltante.

- Ei, gringo, entra nessa cabine e me passa tudo o que tem na sua conta.

- O que eu tenho está em minhas mãos. Pegue o dinheiro e pode ir.

- Oh playboy, quem foi que disse que você manda em mim?

- Não estou mandando, é uma sugestão.

- Damon, entrega logo esse dinheiro. Quero ir para casa.

Meu corpo tremia de medo.

- Manda essa puta calar a boca que eu não entendo ingres não.

- Olha lá como fala dela, seu desqualificado. Ela está grávida, você é cego?

Como se fosse a luz no fim do túnel, uma viatura da polícia se aproximou e provavelmente percebeu que estávamos sendo assaltados. Cantando vitória antes do tempo, Damon resolvi em hora imprópria fazer deboche.

- Está vendo, favelado? Você perdeu tempo papeando conosco e agora vai ser preso e mofar na cadeia, seu marginal.

Daí em diante tudo aconteceu muito rápido. O desespero nos olhos do assaltante... O modo como Damon ficou na minha frente, me protegendo... A polícia se aproximando... As mãos trêmulas e frustradas do delinquente... E sua decisão. Embora ele não tenha conseguido finalizar o assalto, sua decisão estava tomada.

Com fúria nos olhos, ele apertou o gatilho, mirando em minha direção. Agindo como um escudo, vi claramente Damon se jogando na minha frente, a bala atravessando o peito do meu anjo particular...

Damon ainda conseguia me surpreender. Ali, caído em meus braços, eu não estava só perdendo a melhor parte de mim. Estava simplesmente não mais existindo...



Notas finais
Oiiiiii galera e aii alguem vivo???
tbm estou chocada comigo mesma rsrs Damonzinho morrendo é sofrimento demais não é mesmo? rsrs
genteee quero muitoo a opinião de vocês se gostaram ou não do capitulo e o sonho o que foi aquilo??
quero agradecer a recomendação da Lanyee, amore espero sua Mp
meninas comentem e recomendem, tenho o maior prazer em escrever PD pra vocês, proximo cap talvez demore um pouco, estou no fim da facu, espero compreensão de vcs.
amooo muitoo e apreciem sem moderação rsrs ♥