A Uchiha era a personificação do pecado e há tempos já não tinha mais dúvidas disso.

Inojin percorreu a curta distância com passos lentos indo em direção da cama e o par de olhos água-marinha passeou sobre o corpo dela ansiando cada pedaço.

As pérolas negra brilhantes o acompanhavam, com sensualidade deslizava as pequenas e finas mãos em si própria, sussurrava o nome do rapaz o clamando com volúpia.

O interior do loiro queimava e ardia como se estivesse nas portas do inferno.

Viu as pequenas gotas suor caírem no rosto firme da morena e sentiu a própria excitação aumentar ainda mais.

A Uchiha consciente, ou não, tinha o dom de trazer a torna o pior lado de Inojin.

Era um ser animalesco sempre sedento pela morena.

Inojin fitou o suor cair no pescoço fino dividido entre beijar aquela pele branca ou sufocar aquela bruxa que o atormentava.

Sentou-se na cama e levou as mãos de encontro às madeixas pretas as agarrando em um punhado.

— Por que você faz isso comigo, Uchiha? — o loiro perguntou roucamente mirando os pontos negros estreitos.

— O que?

— Me provoca...

O loiro viu os longos cílios piscarem e uma gargalhada maldosa sair dela.

— Você não teria entrado neste quarto se não desejasse isso tanto quanto eu— Sarada murmurava levando as pontas dos dedos até o rosto de Inojin— Eu sei que sente falta do toque— o acariciou— dos nossos beijos— levou os lábios até o pescoço do rapaz— da união de nossos corpos...

Inojin sabia que havia um fundo de verdade naquelas palavras. Gostava de sentir o prazer das novidades que a garota proporcionava e da sensação de perigo.

Mas...

— Mas não posso mais...

Antes que terminasse a sentença, Sarada segurou firmemente o rosto dele forçando-o a mirá-la.

— Por mais que você negue, uma parte sua sempre irá me querer— a morena falou aproximando-se perigosamente da boca do loiro— No fundo nós sabemos que você não é o príncipe encantado que Hima imagina e que futuramente ela sempre o deixará em segundo plano.

Ela o beijou.

Inojin sentiu os lábios ávidos e provocativos querendo passagem e cedeu, deixando as línguas se unirem desejosas, sentia o gosto de malte se destacar, as mãos deles foram de encontro à pele quente.

Mas ao sentir as mãos dela indo em direção ao cós da calça dele, algo o refreou.

Sabia que se prosseguisse era o mesmo que se atirar em um precipício.

Afastou a morena bruscamente levantando-se.

Andou rapidamente até a porta, tinha que sair daquele local, antes que o desejo louco por ela se apoderasse novamente.

— Inojin, se você sair por essa porta poderá perder a última oportunidade de estamos juntos novamente— a morena falou altivamente.

O loiro sentia os olhos negros furiosos em si.

Saiu do quarto sem olhar para trás.

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Quando Inojin acordou na manhã seguinte com uma forte enxaqueca, acompanhado de uma moleza e boca seca o atormentava.

Mas, o seu maior problema não estava nos resquícios da bebedeira, era algo maior que infligirá a sua alma.

Ter a consciência que por muito consumou uma traição o machucava, a honra que tanto prezava estava quebrada.

Sentia-se um hipócrita por beijar a Uchiha.

E por ainda desejar a morena.

E perguntava-se se teria a coragem de olhar sua pequena azulada nos olhos sem que a culpa estivesse estampada.

Preparou-se sofrido para o almoço com família Uzumaki, questionou-se se teria a coragem de revelar para a amada tudo o que se passava.

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O Sol morno e o céu com nuvens branca como algodão deixava o dia ainda mais belo que anterior.

Uma grande mesa de madeira foi colocada nos fundos ao lado do novo jardim dos Uzumakis, sobre ela havia diversos quitutes como bolo, pudim, trouxinhas de camarão e o famoso rámen feitos especialmente pela Hinata Uzumaki.

Fazia poucos minutos que Inojin havia chegado, até aquele instante não encontrará um momento propício para falar a sós com a Himawari.

No meio da correria com os preparativos, ele ajudava a mãe de Hima colocando os sucos na mesa.

Himawari arrumava os lugares na mesa e Boruto levava os pratos fumegantes.

Após o pequeno trabalho em equipe a mesa estava posta.

Inojin sentiu um leve tremor nas pernas ao que o lugar preparado especialmente para ele ficava justamente ao lado do nanadaime.

Mas depois de experimentar a comida saborosa e se entreter com as conversas casuais, ele se acalmou.

Inojin deixou seus olhos claros recair sobre Hima ao seu lado, ela estava feliz falando com mãe algo sobre um novo tratamento no setor pediátrico e as mãos deles se mantiveram entrelaçadas encima da mesa.

— Inojin— o hokage chamou a sua atenção.

Inojin se desviou de Hima e encarou as esferas azuis, quase iguais da amada, do líder da vila.

— Naruto-sama.

—Inojin não precisa de formalidade, você já é praticamente um membro da família— comentou risonho— e conhecendo seus pais quero deixar claro que estou muito contente com a escolha de Himawari.

—Obrigado, Naruto-sam...Naruto— Inojin respondeu sem-graça.

Um grande sorriso se desenhou no rosto de Naruto acompanhado de um brilho amável nos olhos.

— Saiba Inojin, estou deixando em suas mãos o meu maior tesouro.

O rapaz sentiu uma facada o atravessar.

— Eu sei, nanadaime.

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O almoço tinha terminado tranquilamente.

E finalmente, Inojin e Himawari estavam sozinhos no jardim.

— Mamãe pede desculpas por não ter dado tanta atenção para o convidado especial do dia, mas ela pavorosa com os preparativos da viagem do Boruto.

Inojin a fitou risonho.

—Sua família é adorável— o loiro falou com sinceridade.

Um doce sorriso se desenhou na face meiga, o par de esferas azuis o encarava cintilando encantadores.

— Amor, me diga o que você queria falar?— Himawari questionou curiosa.

Inojin acariciou os fios índigos que tanto amava, mirou o sorriso sincero que adoçava o seu dia e as duas pedras azuis preciosas que acalmava os seus pensamentos.

Já havia quase perdido ela uma vez.

E por mais hipócrita que soasse....

Ele sabia que não suportaria vê a decepção desenhada no rosto de seu anjo.

—Você a melhor coisa que me apareceu nesta vida, Himawari— o loiro murmurou, sabendo que era a mais pura verdade.

Com sorriso indo de orelha a orelha, Hima o beijou ternamente.

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Inojin descobriu que nunca teria a coragem necessária para declarar a verdade para Himawari, mas ele sabia que algo precisava ser feito.

Naquela manhã de segunda-feira, ele entrou no escritório com passos decididos a procura da morena.

Em sua cabeça o plano já estava traçado, iria pedir para Uchiha apagar aquela história e recomeçar a amizade deles do zero.

Mas, se nada funcionasse, sua carta com o pedido de transferência de setor estava pronta.

Ele não cederia mais aos encantos da morena, por mais que o seu interior se revirava sempre que via.

Inojin sentou na cadeira e começou o próprio trabalho enquanto a esperava.

Fitou o relógio pendurado na parede, a morena estava atrasada 15 minutos.

O loiro ficou chocado, e um pouco preocupado, ao constatar que havia se passado mais de uma hora.

Inojin percorreu o escritório a procura dela, encontrando apenas o Shikadai arrumando as pastas na sala de arquivos.

— Cadê a Uchiha, Shikadai?— Inojin questionou mais ansioso do que deveria.

Shikadai continuava enumerando as pasta.

—Você não soube? Ela e Boruto foram transferidos para a nova central de inteligência.

O espanto era visível nos olhos verdes de Inojin.

—Qual central?

O par de esmeraldas encarava o loiro seriamente.

— Por onde anda a sua cabeça, Inojin?— Shikadai irritado continuou— É uma central única que concentra as informações de inteligência das cinco nações para combater os rebeldes em Iwa. Caso você não tenha visto, há meses eu e a Sarada, estávamos fazendo transferências de arquivos.

Bem, aquilo ao menos explicava em parte o sumiço dos dois.

— E aonde fica a central?

Shikadai soltou um bufado aborrecido.

— Em Suna, demorou para o Shinki concordar. Sarada e eu perdemos o festival negociando— Shikadai rodava os olhos rememorando— E olha que pensei que seria fácil, meu primo tem uma queda por Sara desde o exame chunin...

Uma parte de Inojin estava feliz por saber que ela estava longe e outra se sentia mal pelos pensamentos maldosos que teve relacionado com a Uchiha.

—E falando em meu primo, espero que a Sarada não comente nada sobre o desafio, é capaz daquele doido me trucidar— comentou moreno chateado—Nunca tive nada com aquela problemática e espero que ela não me traga problemas...

Sim, o ciúme que sentia pela a Uchiha conseguia distorcer bem a realidade dos fatos...

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Quando o dia finalmente terminou, Inojin conseguiu chegar em casa mais leve.

Saber que a Uchiha estava longe trazia um frescor para si e conseguia pensar com mais naturalidade.

O medo de perder Hima por algum ato inconseqüente se abrandou.

O loiro estranhou ao sentir a frente fria invadir o apartamento, fechou a varanda se deparando com um pequeno vaso de flor de ervilha doce.

Os dois sabiam o significado daquela pequena flor lilás.

E era o jeito da morena declarar, por fim, a sua despedida.

Notas finais
Flor de ervilha doce (Suitopi) significa despedida. Então, o que acharam?