Notas iniciais
Esse é um capítulo de ação entre o Peter e o Stiles, e que vai ajudar eles a achar as respostas que eles precisam. =D

“É tudo causado por um spray.” Stiles chegou à mesa de jantar falando. Ele tinha ficado na escola até bem tarde, tentando pegar a Kate e o Derek outra vez, e viu eles se agarrando no estacionamento de novo, e também viu a mulher aplicando o spray pelo ar.

Se fosse qualquer outra coisa, o Stiles não iria ficar curioso pra saber mais sobre aquilo, mas um spray que Kate ficava jogando pelo ar enquanto eles se beijavam, e enquanto o Derek não poderia prestar atenção ao que acontecia em volta dele, só poderia significar alguma coisa: confusão.

“Como?” O Xerife perguntou para o filho. Peter olhou para ele com o olhar atento.

“Hoje eu vi a Kate aplicando um spray no ar em volta dela e do Derek enquanto os dois estavam… se beijando no estacionamento. Eu juro que a minha intenção não era exatamente espionar eles, mas eu vi e acabei flagrando ela com o pequeno frasco na mão e aplicando enquanto ele não conseguia ver nada. Isso não faz muito sentido, alguém aplicar um spray enquanto beija outra pessoa, faz?” Stiles falou aquilo tudo em uma respiração só.

O Xerife ficou calado por um instante e quem falou foi Peter.

“Isso faria sentido, vou confessar. Será que ela não pode ter criado alguma unção ou coisa assim com acônito e cinza da montanha, ou qualquer outra substância mágica? As possibilidades são enormes. E não é assim tão complicado controlar alguém, mas um lobo seria uma das criaturas mais difíceis, devo acrescentar.” Peter disse.

“Por isso mesmo que ela utilizou o spray junto com as conversas dela e vai saber mais o que, sem falar no fato de que o Derek estava fragilizado depois do imprinting, o que deixou ela com sorte grande pra conseguir o fazer comer na mão dela. Ele estava carente, eu consigo imaginar isso, mas tudo mudou muito rápido pra ser uma coisa normal.” Stiles completou, ansioso por conseguir fazer aqueles pensamentos todos fazerem sentido e desvendar o mistério.

O Xerife ergueu uma das mãos.

“Esperem aí, vamos com calma.” Stiles e Peter olharam para ele. “Vocês querem me dizer que uma mulher chegou por aqui há poucas semanas e conseguiu controlar um lobo apenas com a ajuda de um spray e das cantadas dela, dando a sorte de controlar o único lobo que estava fragilizado por causa de um imprinting. Isso não é coincidência demais?” O homem pediu aos outros dois.

Stiles pensou por um momento.

“Nós não mantivemos segredo sobre o imprinting, exatamente, então qualquer pessoa que conhece sobre lobisomens poderia saber.” Ele disse.

“Mas isso não tira o fato de que a Kate nunca apareceu por aqui.” O Xerife disse.

“Mas ela pode muito bem ter conversado com alguém que estava aqui antes dela chegar. Sem falar no fato de que essa troca de professores foi bastante de última hora, não Stiles?” Peter perguntou.

Stiles suspirou.

“Eu não posso dizer que é exatamente uma troca suspeita, afinal ninguém sabia muito sobre o Harris mesmo, além do fato de ele ser uma pessoa insuportável. Isso não significa que ele tenha qualquer ligação com tudo isso.” Stiles falou.

Um silêncio desceu sobre a mesa por um instante.

“Então ainda não sabemos qual é a ligação entre a Kate e uma possível pessoa daqui da cidade, certo?” O Xerife pediu e Stiles e Peter assentiram. “Mas vocês suspeitam que esse líquido que ela esteja usando seja uma das ferramentas para conseguir controlar o Derek.”

Novamente os dois assentiram.

“Mas aí vem a pergunta, por que ela iria assim longe, controlar um adolescente a partir de informações de uma pessoa daqui e o fazer mudar de personalidade, e qual é o objetivo de tudo isso? Uma mulher na idade dela não iria sair por aí apenas querendo um novo namorado, ou pelo menos não faria tanto por um, certo?” O Xerife perguntou.

Stiles e Peter ficaram em silêncio por um instante.

“E se ela tiver alguma ligação com os assassinatos de lobisomens na floresta? Ela é filha de caçadores, afinal...” Stiles ofereceu.

“E qual poderia ser o objetivo dela em matar alguns lobos e virar namorada de outro? Não faz muito sentido pra mim.” O Xerife disse. Peter e Stiles ficaram um pouco decepcionados por não conseguir seguir em frente. “Eu sei que vocês querem achar quem matou os lobos e descobrir o que aconteceu com o Derek, mas será que as duas coisas estão ligadas mesmo? Será que vocês podem tratar isso vindo de uma perspectiva só? Eu também quero saber quem fez isso, mas tentar achar o culpado onde não tem um só faz com que a investigação trave no meio do caminho.”

Stiles assentiu.

“Eu sei, pai. Por um momento eu achei que teria uma ligação maior entre uma coisa e outra.” Disse ele.

“E eu imagino que você queria desvendar isso o mais rápido possível.” O Xerife falou. “Mas no momento em que a gente insiste em apenas um suspeito na história toda, as possibilidades de desvendar o mistério por completo diminuem, pois a gente não quer ver além das nossas próprias expectativas. Talvez agora seja a hora de concentrar no que a Kate está fazendo com o Derek. E o Peter pode conseguir mais informações sobre esses bandos ao redor do país, afinal a gente ainda não sabe de onde esses dois lobos vieram.”

Peter assentiu para John, pequeno sorriso em seu rosto.

“Pode deixar.” Ele disse, antes de virar sua cara para Stiles e mostrar o real sorriso dele, mais maléfico do que o que ele tinha reservado ao Xerife.

Stiles balançou a cabeça.

“Eu vou ver se consigo achar uma maneira de descobrir o que é aquilo que a Kate usa no Derek. Acho que vou ter que invadir a sala dela de novo.” O Xerife olhou com uma sobrancelha levantada para o filho. Stiles apenas levantou os ombros antes de completar. “Eu tenho que descobrir isso. E vou precisar da ajuda do Peter.”

O Xerife suspirou.

“Eu não quero saber de invasões escolares sendo discutidas na minha presença.” O homem disse, se levantando da mesa. “Por isso mesmo eu ali no sofá beber a minha cerveja por uma meia hora e quando o jantar estiver pronto, vocês podem me chamar. Não discutam invasões escolares, tudo bem?” O Xerife pediu, mexendo as sobrancelhas para indicar que ele queria exatamente o contrário daquilo.

Peter e Stiles riram antes de começarem a combinar como eles iriam invadir a sala da Kate.

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O nosso plano seria bastante simples. Tudo iria acontecer à noite. Peter iria desligar a energia da escola durante quinze minutos, tempo necessário para os geradores da escola se ligar e restaurarem todo o sistema, o que faria com que as câmeras na sala da Kate demorassem uns minutos para voltarem a funcionar sem causar grande alarde. Aquilo iria ser só uma pequena queda de energia.

Durante aquele tempo eu teria que invadir a sala da Kate e procurar por algum frasco ou alguma coisa assim — se eu tivesse descoberto sobre esse spray antes de eu invadir a sala dela na primeira vez, eu poderia ter procurado por aquilo. Mas o passado se foi, e eu tinha outra chance para fazer aquilo de novo.

Muita coisa estava em jogo naquele plano. Eu tinha que achar uma resposta para o que estava fazendo o Derek mudar de personalidade — e eu confesso que fiquei bravo comigo mesmo por ter ignorado meus poderes mágicos por algum tempo, pois talvez eu pudesse ter percebido um pouco daquela mudança.

Agora eu tinha voltado a treinar eles de novo, pelo menos. Tinha até feito uma poção para conseguir descobrir onde estavam substâncias mágicas escondidas, uma das poções mais fáceis, mas que iria ajudar a encontrar o spray da Kate e desvendar o que ele era.

Eu também tinha que começar a trabalhar nas runas que iriam cobrir meu corpo, já que eu tinha plena vontade de me aprofundar nos conhecimentos mágicos daqui pra frente. Chega de correr da magia, se meu ex-namorado era um idiota que não gostava desse tipo de coisa, ele tinha que ficar no passado junto com o idiota que deu a bunda pra ele.

O Stiles de agora precisa ser forte e inteligente. E precisa usar de todo o seu conhecimento.

E era isso que eu iria fazer.

–--

Beacon Hills não fazia frio à noite durante os meses de outono, por isso Stiles não precisou se vestir muito para executar a invasão, a não ser uma touca na cabeça dele, para pelo menos disfarçar alguma coisa caso ele fosse visto. Roupas demais iriam atrapalhar, no entanto, pois ele precisava ser ágil.

Stiles estava em frente ao estacionamento da escola, apenas esperando o sinal de Peter, que tinha ido para a casa de máquinas depois de ter dado um pouco de acônito para o guarda daquela parte da escola dormir por um tempo, nada que deixaria ele com danos colaterais — exceto uma caganeira básica, mas quem nunca, né?

No momento em que Peter desligou a luz a escola, as luzes de emergência se ligaram — mas os alarmes e câmeras tinham que esperar o resto dos sistemas eletrônicos voltar antes de reiniciar e era aquele tempo que ele tinha para invadir a sala da Kate.

Stiles correu pela escola, entrando pela porta que Peter tinha aberto pra ele. A sala da Kate não foi difícil de achar e assim que ele entrou nela, Stiles tirou o pó que ele havia preparado no bolso e jogou pelo ar, esperando o brilho funcionar. Dentro de alguns segundos, pontos luminosos se concentraram em dois lugares da sala, uma das gavetas da mesa e uma das portas no armário. Stiles foi para a gaveta antes, procurando em todos os lugares até encontrar um dos frascos de spray. Cuidadosamente ele esguichou o líquido em um pano, longe do seu nariz, e guardou em um de seus bolsos, antes de organizar a gaveta e a fechar de volta.

Depois ele foi até o armário, procurando saber se havia mais frascos por lá.

Não foi exatamente o que ele achou.

O armário estava vazio, mas o brilho da poção de Stiles indicava que havia alguma substância sobrenatural por lá. Ele tentou procurar por um fundo falso lá dentro, mas parecia difícil de ter algo por trás daquilo.

O telefone dele tocou.

“O que foi?” Stiles pediu.

“Já se foram quase quinze minutos, Stiles. A qualquer momento as câmeras voltam a funcionar. Você tem que sair daí.” Peter falou.

“Tá, já vou ir.” Ele disse, nervoso.

Stiles contemplou apenas deixar aquele armário ali, esperando que algum dia ele pudesse invadir outra vez para saber o que tinha lá, mas ele percebeu que não teria outra chance.

Ele respirou fundo, olhando em volta de si. Stiles viu um mastro de bandeira e pensou em uma coisa. Ele colocou a touca para cobrir mais a cabeça dele e foi até o canto da sala, pegando o mastro da bandeira. Com o mastro em mãos ele forçou o fundo do armário — praticamente como um soco — até o fundo ceder.

Stiles encontrou balas de arma lá dentro. Balas artesanais.

Ele nem teve tempo de comemorar o achado, pois o alarme da escola soou.

Com rapidez ele pegou o mastro e quebrou as janelas da sala, bagunçando algumas das classes e a mesa de Kate também. Ele quebrou a pequena janela na porta também e depois saiu correndo pelo corredor, tentando ir para uma das outras saídas da escola. Peter deveria ter dado o elixir para outros guardas, porque nenhum encontrou Stiles.

Quando ele chegou ao Jipe, Peter esperava por ele.

“Você tem sorte que eu envenenei todos os guardas.” O homem falou, xingando Stiles.

“Eu sei, eu só tinha que pegar isso.” Stiles abriu a mão, mostrando as balas que ele encontrou.

“São as mesmas…” Peter começou a falar, apenas para ser interrompido por Stiles.

“Sim. São as mesmas balas encontradas na floresta.” Ele disse, sorrindo. “Eu achei elas no armário da Kate, mas tive que quase quebrar um pedaço da parede pra conseguir pegar algumas.”

“Você quebrou uma parede, Stiles?” Peter olhou para ele incrédulo.

“Bom, eu tive que pensar rápido. Não tinha mais tempo pra sair sem ser notado, eu tive que fingir que eu queria roubar alguma coisa ou pelo menos bagunçar a sala. Assim eles vão achar que um ladrão entrou lá e tentou assaltar a escola, ou coisa assim. Bom, a Kate é que não vai sair por aí dizendo que escondia munição no seu armário dentro da escola.” Stiles falou.

Peter ponderou.

“Você tem razão. Mas eu ainda acho que a gente precisava ter tido mais cuidado. Seu pai vai pirar com tudo isso.”

“Bom, assim que eu entregar as balas pra ele eu acho que ele vai entender exatamente o motivo de eu ter feito isso. Peter, a gente praticamente achou a nossa ligação entre a Kate e o assassinato dos lobos na floresta.” Stiles falou animado. Ele finalmente tinha conseguido provas.

Peter olhou para ele preocupado.

“Você descobriu que a Kate pode ter matado dois lobos. Ótimo. Mas o que isso significa pro Derek? Ela tá manipulando ele pra que fim?” O homem se perguntou.

Stiles suspirou por um instante.

“Não sei. Mas a gente vai ter que descobrir isso logo.” Ele falou, deixando sua mente pensar no garoto que ainda significava tanto pra ele.