Punklove
22 E depois o mundo se apagou...
Notas iniciais
Depois da noite na escola, Peter e Stiles voltaram para a casa dos Stilinski depois de terem passado no consultório veterinário para falar com Deaton, o único que teria o equipamento necessário pra descobrir o que tinha dentro do spray de Kate. Quando eles voltaram para casa os dois acabaram contando o que aconteceu para o Xerife. Eles não foram dormir e acabaram ficando sentados à mesa da cozinha para discutir qual seria o curso da ação. O Xerife não fez perguntas sobre a noite dos dois, já que ele não queria saber de nada, mas ele se prostrou a ajudar.
“Acônito, cinza da montanha e outras partículas que nós não conseguimos descobrir, mas que eu tenho certeza que são cabelos da Kate. Eu sei que ela teve que colocar alguma parte dela pra atração que o Derek sente por ela aconteça. Ela tá envenenando ele aos poucos, em excrementos tão pequenos que ninguém sente, nem ele. Mas o sistema nervoso dele se altera aos poucos e…” Stiles parou de falar e olhou para o pai e para Peter.
“Nós temos que terminar isso logo. Enquanto o Stiles estava com o Deaton eu conversei pelo telefone com o Chris e ele confirmou que as balas são da família deles. Ele ainda disse que iria ter uma conversa com a irmã sobre isso, essa noite, mas eu não faço ideia do que vai acontecer entre eles dois. Se a Kate foi tão longe pra conseguir conquistar o Derek, eu não sei se ela vai parar assim tão fácil.” Peter falou, nervoso.
O Xerife olhou para seu namorado e depois para o filho.
“Então nós temos que primeiro esperar pela resposta do Chris, certo?” O Xerife perguntou. Peter e Stiles assentiram. “Depois disso a gente vai atrás da Kate. Nós ainda não temos como definir que foi ela, mas as balas presentes na sala dela na escola são uma ótima evidência pra colocar a mulher no caminho da cadeia pelo assassinato dos lobos. Agora, esse lance todo com o Derek nós não temos como fazer nada, pelo menos não legalmente.” O homem completou.
“O único jeito então é agir ilegalmente.” Stiles falou. Peter assentiu. John apenas suspirou. “Eu sei pai, a gente não pode sair por aí caçando as pessoas que fazem mal pra gente ou pra quem a gente ama, mas a Kate não pode ficar livre e sair ameaçando o mundo afora. A gente precisa fazer alguma coisa pra prender ela.”
“Eu sei Stiles, a gente…” O Xerife parou quando o telefone dele tocou. O homem suspirou por um segundo antes de atender. “Sim? Claro. Quando?” O Xerife levantou da mesa, apressado. Peter olhou com os olhos arregalados para John ao ouvir o que se passava no telefone e saiu correndo pela porta da cozinha. “Eu estou indo.” Completou o Xerife apenas olhando para a porta de onde Peter havia saído correndo.
Stiles não fazia ideia do que tinha acontecido, mas ele sentiu um aperto no peito.
“O que aconteceu, pai?”
“A casa dos Hale tá pegando fogo. E aparentemente nenhum deles pode sair de lá de dentro.”
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Eu não sei exatamente o que eu senti naquela hora, mas o meu coração se apertou no peito de uma forma que eu achei que iria morrer naquele segundo. Ver o Peter sair correndo de casa já me deixou com alarmes soando na minha mente e as palavras do meu pai fizeram tudo piorar ainda mais.
Eu apenas saí correndo e nem olhei para trás.
Enquanto meu pai foi para o carro da polícia eu voei para o meu Jipe, nem trocando palavras com ele. Meu pai deveria saber que naquele momento eu não iria conseguir me controlar, eu não iria parar por nada. Agora, como eu iria chegar até a casa dos Hale para salvar eles? Ou tentar achar uma maneira de salvar eles, pois eu nem sabia o motivo de eles não poderem sair de casa. Será que alguém tinha feito uma linha de cinza da montanha em volta da casa?
Dentro de mim eu tinha certeza que aquilo tudo era obra da Kate. Era mais do que óbvio na verdade. Poucas horas depois de termos invadido a sala dela e descoberto que ela tinha as balas que haviam matado os lobos na floresta e logo depois de Peter confirmar que Chris iria ter uma conversa com ela, a mulher não tinha perdido tempo. Ela provavelmente deveria saber que a sala dela havia sido invadida, ainda mais porque ela guardava balas lá dentro. Mas será que o Chris já tinha falado com ela e ela decidiu agir no impulso? Ou ela só ficou sabendo das balas e decidiu seguir com o plano? Ou pior, tudo que eu e o Peter tínhamos feito não adiantou em nada porque nós não conseguimos descobrir o que era o plano dela antes da mulher o realizar.
E aquilo era verdade, não era? Tudo que a gente tinha feito não havia valido de nada, porque no final das contas a casa dos Hale estava pegando fogo e os lobos não poderiam sair de lá. Como que eu iria salvar eles? Eu não poderia deixar o Derek morrer, não depois de tudo que eu tinha passado com ele. Eu tinha que achar uma maneira de consertar as coisas. Eu tinha voltado para Beacon Hills para ter uma vida normal, mas o Derek fez aquilo virar de ponta cabeça, transformando as coisas e me deixando sem chão. Eu não poderia deixar ele...
Acelerei o meu Jipe e ele ia ganhando cada vez mais velocidade. Eu já conseguia ver um clarão no céu vindo da floresta, e também via as luzes piscantes do carro do meu pai correndo atrás de mim. Ainda parecia longe, quase inalcançável, mas eu sabia que tinha que dar tudo de mim. Os lobisomens eram fortes, mas nem eu sabia o quanto eles poderiam durar.
E eu tinha que salvar o Derek. Eu precisava salvar ele.
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O Jipe de Stiles deslizou na brita quando ele chegou em frente a casa dos Hale. A maior parte do lugar já tinha pegado fogo, com apenas um pouco do térreo e da fachada ainda de pé. Chamas crepitavam por algumas janelas. Peter estava ajoelhado perto da porta, gritando para os que estavam lá dentro. Willian estava abraçado com ele, os dois homens desolados. Stiles sabia que o pai e os bombeiros estavam a caminho, mas ele tinha que agir.
Ele correu ao encontro dos dois.
“Porque eles não podem sair?” Stiles pediu. Peter estava transfigurado com seu olhar para o fogo, então foi Willian que respondeu.
“Cinza da montanha trancando todas as passagens, junto com acônito nas maçanetas. Eu consegui sair, mas os outros... Eu não sei quem poderia ter feito isso.” Willian se desmanchou em lágrimas quando terminou a frase.
Stiles mal ouviu aquilo, apenas correndo para a frente da porta.
Ele respirou fundo. Stiles sabia como trabalhar com cinza da montanha, mesmo que ele estivesse fora de forma. O problema de tudo era se concentrar pra fazer aquilo funcionar, e no momento se concentrar estava difícil. Infelizmente não era qualquer humano que poderia quebrar uma barreira como aquela, e mesmo druidas e emissários precisavam ser experientes para conseguir fazer aquilo rápido.
O fogo surgindo da casa era escaldante e Stiles viu a necessidade de fazer o seu melhor. E rápido.
Ele fechou os olhos, respirou fundo, mas nada acontecia. Ele não conseguia sentir os poderes, não conseguia sentir nada. Pela primeira vez ele ouviu um grito lá de dentro, que se repetiu ali fora com os clamores de Peter. Eles estavam assistindo um massacre na frente deles e ninguém conseguia fazer nada.
Por um segundo Stiles queria destruir a Kate em mil pedaços e fazer cada um deles pegar fogo e explodir, e ele queria fazer tudo aquilo enquanto a mulher ainda estivesse viva, pois ela tinha que sofrer. Ela tinha que sofrer por tudo que estava fazendo. Ele não tinha confirmação de que ela era a culpada pelo incêndio, mas só havia uma pessoa naquele lugar com loucura para fazer aquilo. Ele sentia isso profundamente em seu corpo. E a raiva dele era grande. Stiles queria matar alguém — queria destruir a Kate. Mas ele não queria que ninguém que estivesse naquela casa morresse.
Ele apertou os olhos com mais força ainda, abriu os braços para a porta na frente dele e sugou o ar com toda a força que tinha. Num segundo o mundo se calou e tudo parou, como se o universo todo pausasse por aquele instante. Stiles quase conseguiu ouvir as moléculas do ar se chocando e o fogo crepitava lentamente em seus ouvidos por aquele momento. Um grito horroroso de dor vindo da floresta soou num segundo e no instante seguinte a porta da frente se abriu sozinha, ao mesmo tempo em que ele sentiu o poder emanando dos braços. Ele conseguia sentir as barreiras se levantando das portas e janelas, enquanto ele segurava tudo no ar. O fogo parecia aumentar ainda mais com a porta aberta, mas ele continuou com os olhos fechados.
“Saiam daí.” Stiles gritou ao alto de seus pulmões. Ele precisava de muita força para segurar as barreiras abertas e por isso ele foi aos poucos se agachando no chão. Ele quase conseguia sentir o sangue secando de suas veias e saindo junto com seus poderes. Mesmo de olhos fechados ele sentia pessoas passando em volta dele.
Mas Stiles não parou. Ele continuou. Ele não ouvia mais nada, não sentia mais nada. Nada.
Ele só sabia tinha que salvar a todos os lobos.
E tinha que salvar o Derek. Era só isso que importava.
Derek precisava viver, nem que o Stiles tivesse que dar a sua vida por ele.
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Assim que a porta da frente se abriu Derek viu a sua família começar a correr pela casa, um atrás do outro tentando se salvar. Ele não fazia ideia de como tudo aquilo aconteceu, como eles ficaram presos dentro da casa e como a Kate colocou fogo em tudo, mas ele tinha sentido que a visita da Kate na noite passado parecia suspeita demais, especialmente quando ela quis sair dali da casa dele do nada.
Os pais de Derek tinham ficado meio desconfiados com a mulher, mas o Derek sabia que ela era… perfeita. Bom, até o momento em que ela acendeu a casa deles em chamas e começou a rir dos lobos presos lá dentro, antes de sair correndo pela floresta.
A culpa que ele sentiu ao ver a mulher que ele achava que amava correr enquanto ele ficaria ali dentro para morrer ao lado de sua família o devorava. Mas então surgiu o Stiles, correndo para salva ele. Surgiu aquele homem que tinha ficado com o Derek por um mês, tinha dado de um pouco de tudo para ele, tinha sido um amigo, um companheiro. Até um namorado. Eles tiveram dias incríveis juntos e agora as coisas pareciam fazer sentido pra ele.
Como o Derek poderia ter esquecido o Stiles assim rápido? Ele poderia apostar que tinha algo a ver com a Kate. E Derek queria morrer por ter colocado a sua família em risco. Ele queria que ninguém mais pudesse ver ele, porque mais uma vez ele tinha provado ser um idiota. Ele tinha sido enganado por alguém e todo o sofrimento que ele e a família estavam passando era só por culpa dele.
Todos os lobos saíram da casa o mais rápido possível, com Derek ficando para trás para ter certeza que todos saíssem. A mãe dele quase brigou com ele, mas ele garantiu que iria sair também. Assim que Isaac correu pela porta, o último lobo a ficar com ele, o Derek correu também. As memórias de tudo que ele havia feito naquela casa, todas as coisas boas que ele e a família tinham vivido, as festas de aniversários, as luas cheias, os jantares em família, tudo passou pela mente dele em flashes. E Derek queria chorar, mas continuou correndo.
Ele só parou seus pés quando viu Stiles na área da frente da casa dele, em frente à porta.
Derek só parou porque ele não conseguia passar pelo homem sem notar ele. O coração dele se apertou. O homem estava ajoelhado e seus olhos estavam fechados. Do nariz dele sangue escorria rapidamente e dos seus braços estendidos pequenos cortes se abriam com o tempo. Stiles parecia estar se concentrando ao máximo e Derek conseguia ver nas feições do homem a vontade de salvar a todos. Derek conseguia ver como Stiles estava dando tudo de si por Derek.
Pena que ele teve apenas um segundo para olhar para Stiles antes de ouvir um barulho forte de madeira se partindo. Uma das vigas da casa havia se quebrado e tudo estava vindo abaixo.
Derek só teve um milésimo para agir.
E depois o mundo se apagou...
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