Pulso Elevado (Frank Langdon)
3 HORA UM - 07h06min
07h06min
— E você, quem é? – O crachá pendurado no uniforme da mulher que observa Gabriela chegando na enfermaria diz “Dana Evans — Enfermeira Chefe”.
— Gabriela. Gabriela Alves. – Ela responde e estende a mão para cumprimentar a mulher que olha para ela com curiosidade. – Eu ainda não peguei meu crachá. É meu primeiro dia como R2. Você sabe onde posso encontrar o Doutor Robinavich?
— Dana Evans. — Dana aperta a mão de Gabriela e faz um sinal com a cabeça para que ela a siga. — De onde você vem, Gabriela? Espanha?
— Brasil.
As duas caminham pela enfermaria em direção a um dos corredores. O ambiente é menos claustrofóbico do que a sala de espera, mas ali o tempo parece correr em vez de se arrastar. A iluminação é fria e forte e todo mundo aparenta estar focado em tarefas importantes.
— Dr. Robby, novidade. – Dana abre a porta da última sala do corredor e o médico olha rapidamente em direção a elas. Outros residentes estão reunidos ali em volta de um leito cirúrgico, há sangue em suas luvas e o ruído viscoso do aspirador sugando algum fluido corporal contrasta com o bipe agudo do monitor de sinais vitais. – Essa é a Gabriela Alves, ela acabou de chegar do Brasil como R2.
De repente, todos os olhos da sala se voltam para Gabriela. Ela acena discretamente por trás de Dana, recusando-se a dizer qualquer palavra enquanto os residentes ainda a observam.
— Jajá conversamos, dra. Alves, bem-vinda ao poço. -Robby sorri gentilmente por trás da máscara médica. – Dana, você poderia mostrar a ela os armários?
— O que eu não faço por você, meu amigo? – Dana ironiza e parte para o outro lado da enfermaria.
Gabriela a segue e lhe faltam olhos para acompanhar todos os acontecimentos simultâneos do local.
Uma maca irrompe pela porta de ambulâncias trazendo um senhor obeso com uma máscara de oxigênio presa ao rosto.
À sua direita um médico grita algo de dentro de uma das salas e outros médicos correm naquela direção.
Uma criança vestindo apenas uma camiseta e com as nádegas à mostra passa correndo por elas e logo atrás vem a mãe.
À esquerda, mais adiante, um paciente gargalha exageradamente com o olhar típico dos que estão em surto psicótico.
Tudo acontecendo ao mesmo tempo.
Sem parar.
Como se todos ali fizessem parte de um mesmo organismo vivo. Caótico.
— Bem-vinda ao poço, Alves. – Dana se diverte com a expressão no rosto de Gabriela. Ela fala com clareza e tranquilidade, como se tivesse as rédeas daquele caos sob seu comando e nada mais a surpreendesse. – Amanhã você pode passar pela entrada de funcionários, em vez da sala de espera.
Elas chegam até um conjunto de armários com travas eletrônicas e o único disponível está na última fileira.
— Por que ‘poço’? Estou curiosa desde que descobri esse apelido. – Gabriela questiona enquanto coloca mochila enorme no armário e retira alguns equipamentos médicos. – E obrigada pela dica sobre a entrada de funcionários.
— Ao final das quinze horas de plantão você vai saber a resposta. – A enfermeira diz, ainda divertida.
— Dana! Me falaram que você estava aqui. — Uma jovem loira se aproxima das duas. Ela caminha com um entusiasmo quase saltitante. – Estamos precisando de você na sala 13.
— Estou a caminho, Mel. Alves, você pode nos acompanhar e aguardar Robby no posto da enfermaria.
— Eu sou Melissa King, estudante R3, prazer. – A loira estende a mão para Gabriela, que termina de trancar o armário e se levanta para cumprimentá-la. – Pode me chamar de Mel.
Gabriela sorri, sentindo afeição imediata pela energia quase inocente de Melissa.
— Prazer. Gabriela Alves, R2.
— Robby já deve estar vindo ao seu encontro. Ele vai te orientar e te mostrar o nosso local de trabalho, mas você pode sempre contar comigo para dúvidas, ok? Aqui todos se ajudam. – Dana avisa enquanto as três caminham de volta para a parte central da enfermaria.
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