Pulsação
19 Take Her From You
Notas iniciais
–Como você soube que eu estava aqui? — Torvald perguntou a voz ainda rouca
–Sid e Kate estão lá fora, Léo e Jake te encontraram. Ainda estava respirando quando eles chegaram. Você morreu e voltou, seu coração realmente parou! — Helga falou quase sussurrando
–Eu... eu errei a dose... Eu estava louco. — Helga passou a mão no rosto dele
–É um sinal pra você parar! — Ela passava o dedo suave por cima das cicatrizes dele, beijou-lhe a testa
–Helga... Agora não. — ele pediu e tossiu.
–Você ainda está fraco, precisa descansar. Achei que nem acordaria hoje... — Helga se levantou e o relicário saiu de dentro da blusa. Torvald rapidamente pegou-o e abriu. Helga parou ainda inclinada para ele, para não arrebentar a corrente. Um calafrio gelado subiu pela espinha.
–O que é isso? — ele perguntou e então viu a foto dentro. — Oh... Entendo... — Ele soltou o relicário ainda aberto. — Eu mal fui embora e você já desistiu de mim
–Torvald, você desistiu de você! — Helga gritou irritada — Não venha de cobranças pra cima de mim, eu esperei você desistir de tudo, esperei para que pudéssemos ficar juntos. Só que você não o fez, eu fiquei três semanas esperando você no colégio, na rua, do lado de fora da minha janela. Todos os dias torcendo pra que estivesse bem. — Ela suspirou, uma lágrima escorreu
–Helga, eu não vou desistir... — Ele estava mais fraco. A porta do quarto se abriu, os dois controlaram a irritação.
–Mocinha já passou da hora de você ir embora, já acabou o horário de visitas há muito tempo — A enfermeira falou se aproximando de Torvald. Helga se aproximou da porta. — É um milagre você não estar na UTI — Ela falou para Torvald checando a ficha dele
–Tchau Torvald — Helga falou sem olhar para ele. Assim que saiu do quarto ligou para Big Bob.
–Bob, estou indo para casa, ele já acordou.
–Já passou de uma da manhã Helga — Ele falou sonolento
–Desculpe se te acordei — Helga estava chorando de novo
–Estava acordado te esperando, é uma coisa que já fiz muito. Estou indo te buscar.
Helga sentou sozinha perto da porta do hospital, esperando o pai.
Seis dias antes.
Segunda-feira de manhã, Helga estava saindo da primeira aula, ainda não tinha visto Arnold. No dia anterior tinha ficado com ele até o anoitecer quando teve que ir embora de sua casa. Helga já tinha pego outro livro em seu armário quando Arnold apareceu sorrindo.
–Boa dia Helga! — beijou-a suave e então a abraçou.
A garota estava assustada, a princípio não retribuiu o abraço, mas ao ver o corredor todo os encarado, abraçou Arnold forte. Sentiu seu perfume, pousou sua cabeça de leve em seu ombro e pelos segundos onde os corpos se encostaram tudo o que ela conseguia pensar era no quanto queria terminar o que tinham começado no dia anterior. Respirou fundo para sentir seu perfume mais uma vez.
–A princesa ogra enfeitiçou Arnold! — Rhonda gritou ao ouvido de Helga que rapidamente se soltou do abraço. — Corra Arnold, corra enquanto a macumba dela ainda não fez efeito! — Rhonda continuava a debochar.
–Cale a boca Rhonda. — Arnold falou estúpido, estava irritado. Pegou Helga pela mão e a puxou para longe.
–Já é tarde demais! Finalmente todos os anos de devoção de Helga deram algum resultado! — Rhonda continuava a berrar. Arnold respirou fundo e fez círculos na mão de Helga com o polegar.
–Arnold... — Helga chamou incerta quando já estavam longe o suficiente de Rhonda.
–Sim?
–Você tem certeza? — Ela perguntou olhando para o chão
–De quê? — Parecia que ele realmente não sabia do que ela estava falando
–Disso. — Helga ergueu a mão dela que estava com os dedos entrelaçados nos dele
–De andar de mãos dadas? Desculpe Helga. — Ele soltou a mão e recuou.
–Não, não... Eu não me importo com isso, na verdade eu gosto
–Ah... — Aliviado ele pegou novamente a mão dela. — Relaxe Helga, por favor
–Todos estão me olhando de novo. Com você me sinto tão mais vulnerável. — Ela falou baixo
–Porque Helga? — Ele parou no meio do corredor para olhá-la nos olhos
–Parece que ao seu lado eu não estou sendo eu mesma, ao seu lado pareço mais frágil.E é por medo Arnold, medo que a qualquer momento você vá embora e então todos estes olhares estarão novamente rindo de mim. — Ela não conseguia olhar para o rosto dele
–Helga, me ouça. — Ele empurrou o queixo dela pra cima, para olhar para ele. — Eu não vou a lugar nenhum.
–É difícil Arnold
–Eu vou fazer você acreditar em mim. — Helga esboçou um sorriso e voltaram a andar de mãos dadas.
Durante a aula Pheebs não parava de falar que ela estava certa em relação ao destino de Arnold e Helga. Helga queria contar a amiga que estava apreensiva, que mesmo desejando estar ao lado de Arnold o máximo de tempo possível, estava com medo.
Durante a terceira aula do dia Helga não aguentava mais.
H. — Me encontre no armário do zelador
Arnold não respondeu, ela não sabia nem se ele tinha recebido a mensagem, mas resolveu esperá-lo de qualquer maneira. Helga estava a três minutos dentro do armário escuro quando Arnold apareceu. Ele ia falar algo, mas ela o interrompeu e o empurrou contra prateleiras, beijando-o intensamente. Ele retribuia os beijos e parecia já ter entendido o propósito do chamado. Rapidamente colocou a mão por dentro da blusa dela e soltou o sutiã da garota. Ela já se encaixava contra a intimidade dele, enquanto tentava tirar a camiseta dele.
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Ele a puxou pela cintura roçando nela seu pau já duro, beijava rapidamente seu pescoço enquanto abria a calça jeans. Helga tirou a própria camiseta e sutiã, enquanto abria a calça de Arnold, ele tirou a camiseta que Helga não tinha conseguido tirar. Os bicos dos peitos de Helga rijos roçando na pele nua de Arnold já a fazia sentir um tesão absurdo. Beijaram-se mais um pouco apenas roçando os corpos um no outro. Ele abaixou a calça dela, ela tirou de uma vez a calça e a calcinha, já aproveitou para puxar a calça e cueca de Arnold para baixo. Quando o fez se deparou com o pau duro dele. Sem pensar duas vezes o colocou na boca, começou a chupá-lo devagar, estava de joelhos no chão, se apoiando nas prateleiras laterais. Arnold com os braços esticados para os lados, também apoiando-se nas prateleiras, soltava gemidos baixos. Helga se esforçava para continuar, mas a sensação era estranha, como se Arnold tivesse percebido seu desconforto puxou-a para cima. Ela ergueu uma perna na altura da cintura dele, ele segurou firme sua coxa. O pau dele contra sua vagina, mas sem penetrá-la, Arnold passou os dedos por ela vagarosamente até ela soltar um gemido baixo. Empurrou Helga contra as prateleiras, subiu a outra perna dela, encaixou-a bem e então a penetrou. Ela não conseguiu evitar de gemer. Eles movimentavam as pélvis juntos a cada estocada, para frente e para trás, para frente e para trás. Os gemidos sussurrados dos dois, ele apertando forte suas coxas, ela dando leves puxões nos cabelos dele. Até que Arnold soltou um gemido forte e baixo, Helga sentiu o gozo entrar. A princípio se assustou, mas deixou rolar. Um sorriso brotou nos lábios dele, ele desceu Helga. Ela já com os pés no chão o abraçou e sentiu o corpo dele levemente suado. Queria poder ficar assim por horas, apenas sentindo a respiração ofegante dele e a pulsação irregular.
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Helga pegou roupas do chão, uma cueca, uma camiseta e um sutiã. Estendeu a cueca e camiseta de Arnold e vestiu o sutiã. Procurou por sua calça e calcinha e estavam enroladas, desenrolou as duas, vestiu a calcinha, na hora de vestir a calça se desequilibrou e quase bateu a cabeça na porta. Arnold a segurou pela cintura e continuou segurando até ela conseguir abotoar a calça. Terminaram de se vestir, Helga colocou a mão na maçaneta para abrir a porta, mas Arnold a impediu. Pegou a mão dela e colocou no próprio ombro, segurou-a com as duas mãos e deu mais um beijo intenso.
–Me desculpe amor — ele falou meio rouco, Helga achou sexy. Mas, amor? Ela corou de leve, mas ele não poderia ver. Estava muito escuro.
–Pelo quê? — a voz dela também soou um pouco rouca
–Por não usar camisinha, sério mesmo me desculpe! — Ele parecia genuinamente preocupado
–Tudo bem, eu... Eu tomo uma pílula depois — Ela ainda estava encucada com o “amor” . Eles abriram a porta. Helga piscou várias vezes para se acostumar com a luminosidade, esticou o pescoço para ver se o corredor estava vazio e então saiu.
–Se quiser, vou com você comprar. — Ele fechou a porta do armário e pegou-a pela mão.
–Eu posso ir sozinha. — Ela ainda não tinha olhado no rosto dele
–Tudo bem? — Ele perguntou e ouviram o sinal soar.
Ela não respondeu. Correram para suas respectivas salas para pegarem seus materiais.
Depois da aula só Arnold foi para a casa de Helga. No caminho compraram a pílula do dia seguinte para Helga tomar.
Os dois dias seguintes foram iguais, Phoebe continuou tagarelando a respeito do destino, Gerald parecia empolgado com o fato de Arnold e Helga estarem juntos. Helga começou a se descontrair ao lado de Arnold dentro do colégio, os olhares em direção ao casal continuavam. Aconteceram mais visitas ao armário do zelador, pela manhã e pela tarde.
Quinta-feira na hora do almoço Arnold chamou Helga para comerem nas mesas externas.
–Porque estamos aqui Arnold? — Helga perguntava deixando a bandeja em cima da mesa
–Pra aproveitar o dia amor. — Arnold só chamava Helga pelo nome na frente dos pais dela.
–Hm.. — Helga sentou e começou a cutucar a comida, de aspecto nojento, com o garfo. — Gerald e Phoebe não vão sentar conosco?
–Acho que eles vem depois. — Arnold respondeu e comeu seu almoço muito rápido. Helga não conseguiu engolir a gororoba da escola e a deixou de lado. Arnold estava mexendo no celular.
–O quê ta fazendo? — Ela virou o corpo em direção ao dele
–Nada. — Guardou o celular no bolso, virou para ela e deu um beijo suave.
–Você está aprontando alguma coisa, eu sei que está. — Helga falou suave. Ela estava falando muito suave nos últimos dias.
–Talvez — Ele piscou para ela
–Tô com fome — Ela reclamou — Não dá pra encarar esse negócio — Apontou pro prato
–Posso comprar um sanduíche pra você
–Não... — Ela mal tinha terminado de responder quando Gerald apareceu do outro lado da mesa com um imenso buquê de flores do campo. Flores brancas, amarelas, vermelhas, rosas, verdes... Lindas!
Arnold pegou o buquê e Gerald saiu rapidamente. Arnold entregou o buquê para Helga, assim que ela o segurou ele enfiou a mão no bolso e tirou uma caixinha de lá. Helga ainda não conseguia acreditar no buquê de flores, muito menos que haveria outro presente. Era uma caixinha retangular, de joalheria. Poderia ser um colar... Ele abriu a caixinha e tirou de lá um relicário, idêntico ao que ela tinha quando mais nova. Um pouco maior na verdade. Seu coração acelerou, então até do relicário ele sabia... A loira estava sem reação. Arnold estava com um lindo sorriso estampado no rosto. Ele ergueu o relicário, um coração dourado liso e o abriu. Dentro do relicário não uma foto dele, mas uma foto deles que ela nem sequer sabia da existência. Ele se aproximou dela para colocar nela, a garota pousou o buquê sobre a mesa, afastou os cabelos do pescoço para que ele conseguisse manusear o fecho. Assim que ele soltou e ela sentiu o relicário batendo contra seu corpo e uma lágrima escorreu, era lindo. Era tão lindo... A primeira reação que ela teve foi chorar, então pegou o relicário com as mãos trêmulas e o abriu para ver a foto de perto. Uma foto espontânea, Arnold a abraçando por trás, ambos com imensos sorrisos. Helga não sabia dizer nem quando a foto tinha sido tirada, só sabia que era linda. Helga nunca tinha ficado linda numa foto, só nessa. Fechou o relicário e o apertou contra o corpo. Sabia que sua pulsação estava irregular. Levantou e abraçou Arnold com força. Quando se separaram ele perguntou olhando em seus olhos: “Namora comigo?”. Helga desabou em choro e apenas assentiu com a cabeça o abraçando novamente.
Passavam pelo corredor de mãos dadas e a mão livre de Helga com o imenso buquê. Se já os olhavam antes, agora então... Estavam todos literalmente parando para olhar. Laila estava quase rosnando num canto, a inveja era tanta que Helga não pode evitar de rir. Andavam tranquilamente, chamando mais atenção do que qualquer um. Até Rhonda estava sem reação. Helga se sentia no topo novamente.
Sexta-feira a noite tinha uma festa, Helga obviamente não podia ir, mas não proibiu Arnold de ir. Ela ia ficar em casa de pijamas fazendo nada como sempre.
A. — Não vou sem você.
H. — Seus amigos também precisam de um pedaço de você
A. — Outro dia, hoje não quero ir
H. — Ok.
A. — Domingo vou na sua casa te pedir em namoro pros seus pais. Talvez assim Big Bob deixe você sair de casa comigo (:
H. — Não seja louco. Ele só vai se irritar mais.
A. — Eles me amam, vai dar tudo certo amor
H. — Só não piore as coisas pra mim.
Sábado Arnold não foi à casa de Helga, para não irritar Big Bob. Mas eles passaram o dia todo trocando mensagens e telefonemas. O peso do relicário no pescoço fazia ele parecer sempre com ela. Helga andava por aí sorridente, leve, feliz e tranquila, seus pais estavam até estranhando. Helga estava apaixonada e tinha se entregado totalmente à essa paixão.
Domingo pela manhã Helga ligou para Arnold.
–Bom dia amor. — Foi a primeira vez que ela falou
–Bom dia — Ele respondeu com a voz rouca
–Dormiu bem? — Ela perguntou se espreguiçando, ainda deitada na cama
–Aham. — ele respondeu em meio a um bocejo — e você?
–Também. Tem certeza que vem aqui hoje?
–Admito que estou nervoso, mas vou sim. Quero poder passear com você
–Já faz um mês que estou de castigo, talvez ele deixe...
Helga levantou, tomou café-da-manhã, tomou banho, colocou uma roupa bonita e voltou a trocar mensagens com Arnold. Depois das três horas ele parou de responder. Ela achou que ele estava se arrumando para ir a sua casa. Duas horas se passaram e nada de responder nem atender ligações. Se irritou e ligou para a casa dele.
–Alô — A voz de vovô Phill era inconfundível
–Boa tarde Phill, aqui quem fala é a Helga, o Arnold está?
–O Arnold? — Só então Helga ouviu um falatório no fundo, pessoas rindo e falando alto. — Onde está o baixinho? — Phill perguntou se afastando do telefone. Helga continuou ouvindo o falatório por mais alguns segundos
–Sim? — Arnold atendeu sem saber quem estava do outro lado da linha
–Arnold?
–Helga! — O som do falatório diminuiu, ele provavelmente estava abafando o som com as mãos envolta do telefone. — Me desculpe, me desculpe!
–Por que não me atende? O que está acontecendo?
–Helga, a Joy está aqui. — Helga achou que seu coração ia parar. — A Joy, os pais dela,meus pais. Estão todos aqui, por isso essa bagunça aqui. Não vou conseguir sair de casa hoje Helga. — Ele parecia distante.
–Tudo bem são seus pais. — Foi o que Helga conseguiu dizer.
–Eu preciso ir, estão me chamando, prometo que te ligo mais tarde.
Helga permaneceu ainda alguns segundos com o celular na mão, estava chocada. Joy. A Joy! Se jogou na cama e sem saber bem o porquê começou a chorar descontrolada.
Horas depois, lá por oito da noite seu celular toca. Ela correu para atender achando que era Arnold.
SID
–Alô?
–Helga, é o Sid! — Ele falou alto e afobado
–Meu deus o que houve?
–Torvald! — Helga prendeu a respiração.
–O quê aconteceu? — perguntou a voz já trêmula
–Ele está no hospital!
–Sid, me manda o endereço do hospital por mensagem. Estou indo agora!
Ela desligou o telefone. Desesperadamente calçou os tênis, pegou um casaco e correu para o andar de baixo.
–Big Bob, preciso muito sair de casa! Muito, muito, muito! — ao ver seu pavor Miriam tentou segurar a filha
–Não.
–Então eu vou sair mesmo sem sua autorização, me desculpe Bob.
Helga saiu de casa deixando a porta aberta e correu para pegar o ônibus, recebeu a mensagem de Sid. O hospital não era longe.
Ao chegar no hospital viu Sid e Kate sentados num canto. Chegou correndo apavorada.
–O que aconteceu?
–Ele quase se matou — a voz de Kate estava marejada
–Como? Porque? — Helga ainda estava afobada, desesperada — Como ele está?
–Overdose.- Sid respondeu baixo — Não sabemos ainda como ele está, acho que estão fazendo uma lavagem estomacal nele, não sei... -Helga soltou seu peso no assento ao lado de Sid.
–Eu preciso vê-lo — Helga falou mais calma e então seu celular tocou.
BIG BOB
–Oi Bob
–Onde você está Olga? — Bob gritava
–Estou no hospital Bob, um amigo meu está correndo risco de morte — Uma lágrima escorreu e sua voz estava trêmula
–Tudo bem, estou abrindo uma exceção, mas se for mentira... — Ele falou mais calmo porém ameaçador
–Eu não brincaria com isso Bob. Te ligo depois.
Helga estava apavorada.
–A mãe dele está ali — Kate apontou para uma senhora do outro lado da sala
–Coitada... Alguém já falou com ela? — A senhora era baixa, rechonchuda, parecia ter uma descendencia espanhola. Estava com lenço nos cabelos, chinelos de pano e um roupão.
–Uma enfermeira estava com ela até pouco tempo atrás.
Torvald era parecido com a mãe, os mesmos olhos... Ela estava chorando baixo, Helga queria falar com ela, mas não tinha coragem.
Cerca de uma hora depois disseram que a situação de Torvald já era estável e ele estava dormindo no quarto. A mãe dele não quis entrar prar vê-lo, então Helga entrou.
(Aqui é o que ocorreu no começo dos capítulos 17, 18 e no começo desse capítulo)
Segunda-feira Helga não foi para a aula, ela e Big Bob chegaram em casa quase as duas da manhã, então ele permitiu que ela não fosse pra aula. Ficou em casa dormindo e de tarde voltou para o hospital. Arnold encontrou com ela no hospital. Estavam numa situação delicada. Ela no hospital pelo ex e ele hospedando a ex em sua casa.
–Ele é mais meu amigo do que qualquer outra coisa, não tem como não me preocupar com ele — Helga falava enquanto esperava o horário de visita
–Eu e ela somos só amigos agora. Ela vai ficar só mais alguns dias. Meus pais e os pais dela logo vão viajar. — Arnold falava sem olhar diretamente para Helga.
Mesmo com essas afirmações eles continuavam tensos e sem se encostar. Helga estava ao mesmo tempo morrendo de ciúmes e se sentindo culpada por ainda amar Torvald. Sim ela o amava. Tinha se entregado a Arnold, mas não podia simplesmente esquecer Torvald. E agora Arnold estava o tempo todo com a Joy, o medo de ser abandonada aumentava a cada dia. Arnold parecia distante, nem mesmo o peso do relicário no pescoço parecia o mesmo.
–Você já pode entrar mocinha — A enfermeira veio avisar
–Obrigada. — Helga sorriu. — Você vai entrar comigo? — Perguntou para Arnold
–Não acho que seria uma boa ideia. Fico aqui te esperando
–Ok. — Ela falou e caminhou atrás da enfermeira até o quarto
–Ele teve alguns problemas a noite, tiveram que sedá-lo. Está ainda um pouco dopado — A enfermeira avisou e foi para longe
–Oi Torvald. — Helga falou suave
–Hey! — Ele parecia mais tranquilo. O rosto ainda sem vida, meio amarelado. Os olhos fundos, cansados.
–Você falou com sua mãe? — Helga encostou a porta do quarto.
–Ela não quer me ver. Eu sumi Helga, não foi só você que ficou sem notícias.
–Você é louco.
–Quem estiver próximo de mim ou souber onde estou corre riscos também, lembra? — Helga bufou e sentou na cadeira que cochilara na noite anterior
–Vamos falar sobre outra coisa.
–Como estão as coisas com Arnold? — O coração de Helga congelou.
–Tem certeza que quer ouvir?
–Tenho. Quero entender o que aconteceu? — Ele se ajeitou para ficar sentado. — Quer dizer... Eu já sei que ele foi sua paixonite por anos, que ele ter voltado foi um choque... Vocês não estavam se odiando na festa de Sid?
–Então... Eu não sei bem o que aconteceu. Arnold apareceu um dia na minha casa como se nada tivesse acontecido. Jantou com meus pais e então ele se declarou pra mim. — Torvald nem piscava. — Eu relutei um pouco, mas eu sempre gostei dele. — Ela estava nervosa, inquieta na cadeira
–Você o ama? — perguntou sem delongas
–Não sei T. — Helga respondeu chorosa
–O que foi?
–Eu gosto de você também. — Ela encarou o chão
–Helga, vem aqui — Ele abriu os braços para abraçá-la. Ela sentou na ponta da cama e o abraçou desajeitada. — Eu te amo Helga, ter você aqui quando acordei fez com que eu acordasse em relação a isso.
–Você está meio chapado ainda — Helga falou e se afastou. Estava assustada com aquela conversa.
–Estou sim, mas é tudo verdade. Só que não importa você já está com ele, — apontou para o relicário. — eu já perdi.
–Eu... Eu preciso ir Trovald. — Uma lágrima escorreu, não queria deixá-lo triste.
–Eu vou entender se não vier mais me visitar.
–Tchau T. — Helga saiu do quarto controlando o choro.
Ele a amava. Ela amava ele. Respirou fundo e viu Arnold esperando por ela. Ela amava Arnold e Arnold provavelmente a amava também, mas e se Arnold ainda amasse Joy? Helga caminhou até Arnold e esboçou um sorriso.
–Está tudo bem? — Ele perguntou enquanto se levantava
–Ele está melhor — Ela respondeu enquanto caminhavam para fora
–Eu quis dizer, você está bem?
–Sim — ela respondeu sem muita convicção
–Parece abatida, ele fez alguma coisa? — Arnold falou num tom irritado
–Não, ele não fez nada. Só é ruim vê-lo assim.
Arnold acompanhou Helga até em casa, mas não entrou. Deu-lhe um beijo rápido e foi para casa ficar com os pais. Helga gostaria de poder ficar com Arnold mais um pouco, mas precisava entender que Arnold e seus pais passavam meses distantes.
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