Pulsação

20 Clarity


Notas iniciais
Okay, estava assistindo Hey Arnold enquanto terminava de escrever esse capítulo e admito que chorei. Era um episódio que mostrava Torvald e Arnold e eu já estava chorosa com o final da fic. Estou sofrida, me apaixonei ainda mais pelos personagens ao decorrer deste quase um ano de fanfic. Não foram muitos capítulos, mas dediquei tudo que pude neles. Tive leitores maravilhosos, comentários sensacionais e quantidade de favoritos ainda me surpreende. Não tenho como agradecer a todos que leram e acompanharam, vocês são demais! Bom, o nome do capítulo é da música do Zedd ft. Foxes, que é na minha opinião ótima para esse momento. Leiam e aproveitem!

Nos dias que se seguiram Helga não pôde mais ver Torvald, seu pai já tinha sido muito bondoso domingo e segunda. Arnold e Helga ainda estavam um pouco distantes, o que não evitava que se encontrassem várias vezes no armário do zelador. Helga estava incomodada com o tempo que Arnold e Joy estavam passando juntos, mas se esforçou para não brigar com ele por isso. Estavam juntos de verdade a só uma semana e meia, não queria estragar tudo. Quinta-feira de tarde Helga estava sozinha em seu quarto quando viu de relance alguém na janela. Arnold? Não... Ele poderia entrar se quisesse. Era Torvald!
–Não abre mais! — Helga falou articulado para Torvald entender
–Vem aqui — Ele chamou e desceu as escadas de incêndio
Helga correu para fora de casa e ele estava lá, parado em frente sua casa com uma rosa na mão.
–O que está fazendo aqui? — Ela perguntou.
–Precisava te ver. — Ele já não parecia mais um morto vivo. As olheiras ainda eram grandes, mas vê-lo em suas roupas habituais era um alívio
–Quando saiu do hospital? — ela fechou a porta atrás de si e desceu os degraus até ele
–Hoje. Duas horas atrás para ser mais preciso — Ele sorriu
–Você se sente bem?
–Sim. Eu vim pedir desculpa — estendeu a rosa para ela
–Desculpa por? — Ela pegou a rosa.
–Você sabe porque. — eles se calaram por alguns segundos. Helga analisou a rosa e a cheirou. — Você está bem? Parece abatida
–Tô sim — Ela respondeu e sentou-se na escada em frente sua casa
–Onde está o Arnold? — Ele sentou ao lado dela
–Os pais dele estão aqui, ele está com eles. — Ela suspirou
–Ele anda ocupado então
–Sim, porque?
–Quero te levar pra jantar Helga, como amigos.
–Sabe que não posso sair Torvald. Acho que meu pai nunca mais confiará em mim. — A porta se abriu atrás deles. Apenas Helga se virou para olhar.
–Helga. — Sua mãe chamou calma. — Seu pai vai chegar a qualquer momento, é melhor entrar.
–Tudo bem. — Helga se levantou, Torvald também. — Miriam, este é Torvald, Torvald esta é minha mãe Miriam
–Muito prazer dona Miriam — Torvald falou e sorriu
–Olá Torvald. — Miriam sabia quem ele era, sabia que era o garoto que Big Bob encontrou no quarto de Helga.
–Até mais Helga.
Helga acenou para ele e entrou em casa junto com a mãe.

A noite pouco antes do jantar a campainha soou. Ouviu seu pai chamá-la do piso de baixo e desceu correndo. Estava de pijamas, descabelada.
–Este garoto veio te buscar para jantar. — Big Bob falou muito insatisfeito.
Estavam um ao lado do outro no hall de entrada. Torvald com os cabelos penteados para trás, estava de jeans novos e de blazer preto. Helga jamais imaginaria vê-lo vestido assim. Estava usando sapatos ao invés dos coturnos. Estava segurando flores. Helga ficou parada ao pé da escada, ainda perplexa. Miriam veio da cozinha e também se surpreendeu. Torvald desejou boa noite a Miriam e estendeu as flores.
–Boa noite. — Ela pegou as as flores. Um pequeno vasinho com flores pequenininhas e rosadas.
–Talvez um dia a senhora perdoe meu passado ruim. — Miriam não sorriu, apenas voltou para a cozinha
–Eu posso sair para jantar com ele? — Helga perguntou a Big Bob
–Pode, mas quero você em casa até as 23h. — Ele falou olhando para Torvald e não para Helga.
O queixo da garota caiu, a surpresa por seu pai permitir era grande, mas não perderia tempo. Subiu para se arrumar e ouviu seu pai perguntando a Torvald se ele trabalhava. Helga tomou um banho rápido, colocou um vestido preto, parecia mais uma grande camiseta justa, e all star preto. Não poderia demorar, deixar Torvald com Big Bob nunca daria certo. Borrifou um pouco de perfume, ao sair do quarto Miriam estava a esperando no corredor.
–Esse vai ficar bonito em você — Tinha um pequeno prendedor nas mão, um bico de pato com um laço cor de rosa de tecido. — Eu comprei pra você há muitos anos, quando usava aquele laço imenso na cabeça, antes de ter me tornado a mãe terrível que eu era. — Quase escorreu uma lágrima.
–Obrigada Mir... Mãe. — Helga precisava ajudá-la, dizer que seu esforço estava valendo a pena. Miriam prendeu a lateral de Helga que não era raspada. Helga estava toda de preto, exceto pelo laço cor de rosa.
Mãe e filha trocaram um sorriso cumplice. Para Helga era só outra noite com Torvald, para seus pais era o primeiro garoto a tirá-la de casa. Respirou fundo e desceu as escadas, estava apreensiva, não queria que Big Bob e Torvald brigassem. Surpreendeu-a o fato de que os dois estavam tranquilos, pareciam bem à vontade.
–Laço bonito. — Torvald elogiou sem saber que essa frase era uma facada no coração de Helga. Ela hesitou por um momento, lembrou-se de Arnold chamando-a de laço bonito quando eram muito pequenos. Precisou de um momento para voltar ao presente.
–Bom, é isso. — Big Bob levantou-se da poltrona. — Antes das onze, Torvald
–Sim, senhor. — Não era só impressão, os dois estavam realmente bem à vontade.
–Obrigada pelo elogio. — Helga finalmente conseguiu falar. Esboçou um sorriso. — Até depois Bob.
Torvald se despediu dos pais de Helga e saíram. Helga procurou pela moto, mas ela não estava em lugar nenhum. Torvald tirou uma chave do bolso, apertou o alarme e um carro preto do outro lado da rua piscou. Eles atravessaram a rua e entraram no carro.
–Um amigo meu me emprestou. — Torvald falou quando Helga fechou a porta
–O que há de errado com sua moto? — Helga perguntou puxando o cinto de segurança
–Nada. Só que não fica bonito levar uma garota para jantar numa moto. — Ele sorriu maroto e colocou o cinto. — Fora o fato de que seus pais já devem conhecer o barulho da minha moto, precisava tirar essa imagem deles.

Chegaram ao restaurante em dez minutos. Assim que entraram Helga desejava muito estar de saltos e não de tênis. Não era um restaurante muito chique, mas chegava muito perto. A mesa deles já estava reservada, um garçom os ajudou a sentar à mesa.
–Torvald porque tudo isso? — Ela perguntou ajeitando o guardanapo no colo
–Precisava compensar você Helga, mesmo que a gente não fique junto.
Helga quis perguntar de onde ele tinha dinheiro, mas já imaginava de onde. Não queria usufruir dos lucros que ele obtinha com as drogas, mas por um momento não falaria nada. Torvald tomou uma atitude consciente e não bebeu nada alcoólico, Helga acompanhou. Ambos pediram frutos do mar como prato principal.
–O que você fez para ficar tão à vontade com meu pai? — Helga perguntou enquanto tentava decifrar como comer o que estava em seu prato
–Esportes. Sempre me disse que seu pai ficava grudado na televisão e gritando. Só poderia ser por esportes. Por sorte temos o mesmo vício, o Hóquei.
–Uau. Você realmente pensou em todos os detalhes hoje. — Helga decidiu colocar a comida de uma vez na boca
–Desde que você deixou o hospital na segunda... Desde aquele momento eu comecei a pensar nisso. O que precisaria resolver, com quem precisaria falar. Muitas pessoas me deviam favores. Consegui o carro, a reserva e comprei o blazer. — falou presunçoso
–Ir na minha casa de tarde estava planejado?
–Sim, eu queria ver como você estava comigo. Não poderia conquistar seu pai e você ainda estar chateada comigo.
–Eu não fico brava com você, eu te conheço, sei o seu jeito. — Sua tática de não olhar a comida antes de comer estava funcionando, frutos do mar eram nojentos de se ver, porém deliciosos para comer.
–Sei que conhece, mas eu precisava me desculpar. Você avisou Arnold que estaria comigo?
–Não — Helga respondeu de boca cheia e Torvald riu
–Porque?
–Porque... — Helga limpou a boca no guardanapo. — Porque não falo com ele desde cedo. Ele anda meio distante, muito ocupado.
–Que droga. — Torvald não estava sendo sarcástico, nem irritante em relação a Arnold. Parecia realmente mais maduro
–Essa experiência de quase morte mudou você.
–Digamos que sim.
–Estou absurdamente feliz com isso — Helga abriu um sorriso genuíno pra ele
–Você não tem noção do quanto é linda, tem? — Torvald falou num ato impensado, Helga corou e achou que ele logo se arrependeria de ter aberto a boca.
–Obrigada.

Após a sobremesa Torvald pediu a conta, pagou em dinheiro e foram embora. Helga parecia iluminada, estava sorridente e feliz. Torvald estacionou na porta de Helga vinte minutos antes do prazo máximo.
–Aqui está. — Ele falou desligando o carro
–Chegamos cedo ainda.
–Melhor assim, Bob ficará mais feliz — Torvald piscou para ela
–T. — Helga o chamou e fitou o espelho retrovisor. — Você vai voltar para o colégio?
–Não sei ainda Helga.
–Não desista de estudar, só te peço isso. — Helga virou-se para olhá-lo e ele estava perto demais.
Ela se aproximou do rosto dele até sentir sua respiração, ele não se moveu, não iria fazer nada. Helga queria tanto beijá-lo, sentia tanta falta dele. Pensava nisso e pensava em Arnold, o relicário pesando por debaixo do vestido. Por quê os dois tinham que ser tão perfeitos? Helga não resistiu e avançou para Torvald o beijando. Ele retribuiu, ela subiu no colo dele com dificuldade, e continuou o beijando. Torvald segurou-a pelos braços e se afastou.
–Não está pensando direito Helga. Só está chateada com Arnold. — Uma lágrima escorreu pelo rosto da garota. — Fez isso comigo na festa de Rhonda, estava chateada comigo e ficou com ele. Pare de joguinhos Helga, vai acabar se afundando.
Helga saiu de cima dele sentindo-se humilhada. Como era possível? De onde tinha vindo este Torvald? Porque ele era assim tão bondoso agora, porque não antes? Helga abriu a porta do carro, respirou fundo, segurou o choro que estava por vir.
–Boa noite Helga — Torvald estava sorrindo
–Boa noite T., obrigada pelo jantar — ela tentou sorrir
–Obrigada por aceitar — Como ele podia ser tão bonito, tão cavalheiro, tão atencioso e ao mesmo tempo tão perigoso?
Helga fechou a porta do carro e entrou em casa. Seus pais estavam de pé no hall de entrada esperando-a. Provavelmente tinham ouvido o carro quando chegou.
–E então querida? — Miriam perguntou
–Tudo foi muito bom — Helga forçou um grande sorriso. — Chegamos ainda antes do prazo. — Falou olhando para Bob que apenas acenou com a cabeça e voltou para a sala.
–Que bom querida. Talvez eu o tenha julgado de maneira errada.
–Talvez — Helga forçou um último sorriso
Desejou boa noite aos pais e subiu para o quarto. Sua cabeça estava confusa. Antes Arnold era bom pra ela e Torvald ruim. Agora ela já não sabia mais separá-los desta maneira. Ambos vinham se mostrando cavalheiros, ambos conquistaram seus pais, ambos mostraram o quanto se importavam com Helga. Agora Helga era a laço bonito para os dois. Queria gritar e chorar, mas sabia que isso não resolveria nada.

Sexta-feira Helga foi para aula normalmente, não contou para ninguém sobre Torvald, não queria mais confusão. Arnold estava a semana toda falando de seus pais e de Joy, Helga já tinha passado de ciúme a apenas incômodo e irritação. O sinal para a última aula do dia soou, Arnold e Helga eram os últimos no corredor e ele não calava a boca. Helga irritada o puxou pela camisa até o armário do zelador. Não queria mais ouvir Arnold, eles tinham a última aula juntos, desejava Arnold, mas o Arnold de antes e ele só vinha com sexo.
–Estou sem nenhuma camisinha amor, essa semana foi muito atarefada pra nós — ele riu
–Não tem problema, resolvo isso depois — Helga se apressou para beijá-lo.
Helga não acreditava que tinha se cansado de Arnold, mas tinha se cansado de Arnold. Enquanto seus pais estivessem aqui, enquanto Joy estivesse... Ele estava muito distante. Ou talvez fosse Helga, talvez Helga estivesse impaciente com ele, Helga estava sendo a namorada ruim que não se esforçou para conhecer os sogros. A namorada ruim que nem sequer tinha ciúme da ex. Estava tão imersa em seus próprios problemas, que não se concentrava nos do namorado. Talvez Helga simplesmente não servisse para namorar ninguém. Precisava tirar Torvald da cabeça, mas o fato de não poder tê-lo a deixava louca. Tudo que não se pode ter se quer ainda mais. Arnold gozou. Já tinham perdido grande parte da aula, decidiram ir embora.
–Você está bem amor? — ele perguntou quando saíram do colégio — Parece meio doente. — Doente da cabeça só se fosse.
–Não dormi bem, acho que é isso. — Ela esboçou um sorriso.
No meio do caminho os pais de Arnold ligaram, estavam indo a algum passeio empolgante e o chamaram. Arnold como sempre convidou Helga, mas por conta do castigo já sabia que a namorada não poderia ir. Arnold nem a acompanhou até em casa e isso a fez seguir um rumo diferente. Não sabia se tinha sido sem querer ou se era proposital, mas estava indo ao casebre. Era o mesmo, nada tinha mudado em um mês. Por dentro parecia mais limpo e organizado do que o normal, estava vazio. Nenhuma garrafa de bebida, nenhum copo sujo, nenhuma droga, nada. Talvez já tivessem o abandonado. Seguiu para o quarto e Torvald estava lá. Era óbvio que ela esperava encontrar ele, mas não sabia se ele ainda usava o casebre como casa. Torvald estava dormindo, na cama onde tinham transado da última vez. Helga queria aquilo de novo, queria Torvald a possuindo de novo. Fazia menos de uma hora que tinha transado com Arnold, mas isso não a impediu de querer Torvald.
Helga deitou-se com o moreno, acariciando o rosto, pescoço, então o peitoral, desenhando círculos em todo o corpo dele com os dedos. Ele começou a se remexer na cama, ela colou o corpo no dele. Ela se inclinou e o beijou.
–Helga? — Ele abriu o olhos devagar e então se assustou, se distanciou e se sentou. — O que está fazendo? — Ela se sentou também
–Eu quero você.
–Nós já falamos sobre isso ontem
–Não tem nada com o Arnold, eu é que sou uma péssima namorada, porque amo você. — Ela falou de uma só vez sem pensar
–Helga...
–Não T.! Por favor, só uma vez, estou com saudade de estar com você!
–Helga, você vai se afundar... — Ela colocou o indicador na frente da boca dele
–Por favor!
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Ele avançou em direção a Helga e a beijou intensamente. Ela já tirou a blusa, Torvald que já estava nu, ajudou-a a tirar o resto das roupas, Helga rapidamente atirou o relicário ao chão. Ele deitou sobre o corpo dela, era tão bom sentir o corpo dele sobre o dela, ele beijava o pescoço dela devagar fazendo com que a garota tivesse diversos arrepios por todo o corpo. Desceu o corpo dela todo a beijando. Chegou a vagina e a abocanhou. Helga gemeu alto, só ao primeiro toque já se inundou em tesão. Continuou chupando Helga, ela arqueava as costas em tesão, segurava o lençol com força. Torvald colocou um dedo nela e brincando vagarosamente voltou o rosto a altura do rosto dela. Ela já se contorcia, gemia, tinha arrepios. Tirou a mão dele, empurrou ele para o lado e subiu nele, já encaixando o pau duro nela. Sentiu ele entrando e o prazer dominou seu corpo, cavalgava nele, mais e mais rápido, gemendo mais e mais. Torvald massageava seus seios, estimulava os bicos dos peitos. De cavalgada a rebolado, rebolou no pau dele umas três vezes. Ele aos poucos se levantou até que estivessem os dois quase sentados. Saiu debaixo dela, deixou-a de quatro e começou a estocar forte. A primeira assustou Helga, dava para senti-lo inteiro, a cada estocada parecia aumentar o prazer. A loira gemia alto a cada estocada, o prazer era absurdo, sentia ele indo e vindo, indo e vindo. Uma última estocada e ela gemeu alto, ele gozou dentro dela. Eles chegaram ao ápice juntos, gozaram juntos. A sensação era única, o corpo todo de Helga se manifestava, tudo tremia, tudo explodia em satisfação. Ele deitou ao lado dela suado e ela sorriu.
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Ficaram pouco tempo deitados, Helga precisava correr pra casa e T. tinha seus problemas para resolver. Trocaram poucas palavras enquanto se vestiam e iam embora do casebre cada um para um lado. Tinha sido uma transa sem amor, apenas sexo e isso devia deixar Helga menos culpada, mas não deixava. Todo o caminho até chegar em casa ficou apertando o relicário e chorando. Como pudera fazer isso com Arnold? Helga estava satisfeita estivera realmente com saudade de Torvald, mas se sentindo um lixo por não conseguir ser a namorada que Arnold merecia que ela fosse. Correu para casa, Big Bob já devia ter ligado para casa para saber se ela estava lá, provavelmente já estava furioso.
–Miriam, desculpe. Eu vim andando com Torvald, viemos devagar... — Helga gritou assim que entrou em casa, torcendo para que a mentira funcionasse
–Tudo bem querida. — Miriam falou saindo da cozinha. — Seu pai ainda não ligou atrás de você. Eu não conto pra ele do seu atraso. — Miriam piscou para ela
–Obrigada Mi... Mãe. — Helga agradeceu aliviada.

Helga continuava sentindo-se culpada. Arnold não merecia que ela fizesse isso com ele. Se ela não conseguia se manter longe de Torvald, talvez não devesse namorar com Arnold. Ligou pra ele para contar o ocorrido, mas não teve coragem. Ele contou empolgado sobre o passeio que tinha feito com os pais, falou rápido e prometeu passar o dia seguinte com ela. No dia seguinte ela seria franca com ele, no dia seguinte contaria que era sim a vagabunda que seu pai achava que era. Que não conseguiria ser namorada dele, que ela não merecia alguém tão bom com ela. Era sua última noite como namorada de Arnold e tudo o que ela queria era poder dormir com ele, dormir abraçada nele, só uma vez.

Helga dormiu sozinha e chorando, acordou com o rosto inchado. Ajudou a mãe a limpar a casa e a fazer o almoço, fazia de tudo para ocupar a cabeça. A cada cinco minutos ela apertava o relicário e sentia uma vontade imensa de chorar. Tinha combinado com Arnold que ele passaria em sua casa no final da tarde, mas ela não aguentaria até lá. Convenceu Big Bob a deixá-la sair de casa e foi até Arnold.
–Boa tarde Phill. — Helga forçou um sorriso
–Oi garotinha. — Era visível o quanto Phill desgostava dela.
–Arnold está? — Helga continuou a forçar um sorriso
–Pode subir ao quarto dele. — O velhinho falou e abriu espaço para ela passar.
–Obrigada. — Ela passou apressada.
Não queria esbarrar em ninguém no meio do caminho, então seguiu quase correndo até o final do corredor, onde puxou a corda que descia as escadas do quarto de Arnold. Ouviu uma música baixa, a mesma que eles ouviram quando ficaram juntos ali. Subiu as escadas devagar, repassando mentalmente tudo o que diria. Helga já estava quase chorando, enfiou a cabeça para dentro do quarto e o que viu a surpreendeu. Joy e Arnold se amassando no sofá dele, era tão intenso que Helga quase podia sentir o calor que fluía deles. Não se permitiu chorar. Tirou o relicário do pescoço e derrubou-o no último degrau. O colar caiu com um baque surdo, o casal não ouviria. Helga desceu as escadas sem olhar pra trás, calma e aparentemente serena. Saiu da pensão sem que ninguém a visse e só quando já estava na rua, desabou a chorar. Seguiu todo seu caminho chorando tanto até soluçar. Não era só ela que estava distante, não era só ela a namorada ruim, não era só ela o problema. Talvez esse fosse o destino, nunca deixar Arnold e Helga juntos. Talvez Arnold estivesse traindo Helga desde que Joy viera, talvez ele fosse pior do que Helga. A garota chegou em casa e não teve coragem de entrar, sentou nos degraus na porta de casa ainda chorando. Da primeira vez que Arnold pedira a ela que deixasse Torvald por ele, Helga perguntou a Arnold quem garantia que se a Joy voltasse que eles não ficariam juntos. Helga sempre soube que era só a distração de Arnold, só o ajudava a esquecer de Joy. Assim como Helga fazia com ele, ela o amava, mas ainda pensava em Torvald.
Alguns minutos se passaram e Helga se controlou. Aos poucos foi respirando fundo até se acalmar. Agora pensava em Torvald, no quanto tinha mudado, no quanto se esforçava para fazê-la feliz. Era isso, o destino dela era Torvald, independente do quão perigoso ele fosse.
–Torvald? — Helga ligou para ele.
–Estava pensando em você baixinha, estou passando aí. Precisamos conversar. — Ele falou ao mesmo tempo meigo e sério.
–Ok. Estou do lado de fora já, venha logo. — precisava abraçá-lo, sentir seu carinho.
–Estou indo.
Não sabia o que Torvald precisava conversar com ela, mas não se preocupava, só queria vê-lo. Alguns minutos se passaram e ele apareceu. Parou sua moto próximo dela.
–Hey — Ela chamou, tentou sorrir
–O que aconteceu? — Ele mal tinha olhado para ela e já sabia que algo ruim tinha acontecido
–Nada. Depois falamos sobre isso. — Ela se levantou e foi até ele. — Precisa conversar comigo?
–Sim. — Ele respondeu sério. Seus olhos já não brilhavam, seu rosto não tinha nenhuma expressão. Helga começou a se preocupar.
–Estou indo embora. — ele disse assim, sem mais nem menos
–Como assim? — Helga perguntou assustada
–Não é mais seguro ficar aqui Helga. Preciso ir embora.
–Está fugindo?! — Helga já estava em pânico. Por isso ele estava tão bondoso, por isso tinha a levado pra sair... Por isso não resistiu quando ela tentou transar com ele, porque sabia que seria a última vez. Helga sentiu seu coração apertar.
–Não Helga...
–Pra onde você está indo? — A ideia de Torvald partindo era desesperadora e Helga voltou a chorar
–Para a casa de um irmão, minha mãe me aconselhou a ir pra lá. Veja só, falei com minha mãe — Ele forçou um sorriso
–Vai fazer o quê? Onde ele mora? — Helga se aproximou dele e o segurou pela jaqueta de couro
–Numa cidade de interior, não fica tão longe. Uns 280km daqui...
–Vai fazer o quê? — Ela perguntou chacoalhando ele
–Acalme-se Helga. Ele tem uma empresa lá, estou me ajeitando, mas preciso sair daqui. — Helga o soltou
–Vai ficar lá quanto tempo?
–O quanto for necessário. Por enquanto acho que essa distância basta, mas não pode contar a ninguém Helga. Apenas você e minha mãe sabem.
–Não contarei. — falou soluçando. -Você acha que volta?
–Não sei Helga.
Ela o abraçou forte, como se isso o fizesse ficar. Ele retribuiu o abraço, ela sentia-se tão bem com ele a envolvendo. Era surreal a ideia de não tê-lo. Eles se distanciaram, ela segurou o choro, ele limpou as lágrimas do rosto dela.
–Me leve com você! — Apelou
–Não posso Helga, você precisa terminar de estudar, ser alguém na vida. Você agora tem Arnold com você, ele vai cuidar de você. — Helga explodiu em lágrimas.
–Não tenho, ele está com a ex dele. — Helga falou em meio ao choro
–Sinto muito Helga. — Ele a abraçou de novo.
–Me leva! — falou soluçando
–Se controle Helga. — Ele se soltou do abraço. — Você vai ficar bem, é a pessoa mais forte que conheço.
–Não sou não. — falou manhosa
–Preciso ir baixinha, tenho que pegar minhas coisas com minha mãe e ir embora.
–Uhum — ela murmurou baixinho
–Me promete que vai se cuidar — Ela só assentiu com a cabeça. Ele beijou-lhe a testa e foi até a moto.
–Me leva. — Ela pediu uma última vez
–Agora seu caminho está livre Helga, sem preocupações. Vai achar outro cara pra você, alguém que a faça mais feliz do que eu e Arnold. Deseje-me sorte Helga. — Ele colocou o capacete. — A gente ainda vai se ver por aí Helga luv. — Com essas palavras ditas ele se foi em sua moto. Aquela moto que Helga andara tanto, aquela moto que os levara a tantas emoções. O barulho da moto se distanciando, o barulho que fazia seu coração bater mais rápido.
Ficou sentada por horas chorando na frente de casa. Tinha perdido os dois de uma só vez. Ficou esperando que Torvald voltasse para buscá-la ou que Arnold viesse pedir perdão, mas nada aconteceu. Big Bob ouviu o choro estérico de Helga e a carregou para dentro de casa, literalmente, ele teve que pegá-la no colo. Ela ficou trancada no quarto chorando tanto que sua mãe já estava desesperada.

Próximo das oito horas da noite Helga já tinha se controlado, mas não tinha saído do quarto ainda quando ouviu Big Bob chamando.
–Olga! — ele gritava do piso de baixo
–Que é?! — Ela também gritava
–Aquele moleque está aqui! — ele gritou de volta e Helga sentiu seu coração parar, prendeu a respiração. Quem estava lá?

Notas finais
Terminou com tudo que tinha direito, sexo, amor e sofrimento hehe. Quem voltou? Me contem nos comentários quem procurou por Helga. Espero que tenham gostado do capítulo, espero que tenham gostado da fanfic, espero não ter chateado vocês com nada e espero vocês para lerem futuras fanfics ;) Hey Arnold
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!