Pulsação

18 High Hopes


Notas iniciais
Gente, eu tento muito postar o mais rápido possível, juro. Já não sei mais o que dizer a não ser muito obrigada a quem continua lendo e acompanhando! O nome do capítulo foi novamente inspirado em uma música, High Hopes do Bruce Springsteen. Boa leitura!

O telefone de Helga tocou e ela acordou assustada quase caindo da cadeira.

BIG BOB

“Céus”

–Alô?

–Olga, cadê você? – Ele gritava

–Estou no hospital ainda Bob – Ela quase sussurrava, olhou de canto de olho para Torvald.

–Ainda? – perguntou indignado

–Só vou esperar ele acordar Bob! – Helga respondeu irritada

–Mais tarde te ligo.

Helga se ajeitou na cadeira, bocejou, coçou os olhos e voltou a olhar o celular.

–Helga? – Uma voz fraca chamou e seu coração veio na boca. Ergueu os olhos e sim, ele estava acordado.

–Seu imbecil. – Ela xingou tão fraco que Torvald não se ofendeu. Ele respirou fundo e deu dois tapinhas na cama, para que ela sentasse ao lado dele.

–O que veio fazer aqui? – Ele perguntou quando ela sentou e Helga ficou, por um momento, sem fala.

–Você quase morreu, eu precisava te ver respirando.

9 dias antes.

Durante o jantar Arnold continuou sendo simpático e amável, mesmo Big Bob sendo grosso com ele. Quanto mais sorrisos e risadas, mais Helga se irritava. No final da noite Big Bob já estava mais receptivo. Após o pavê de sobremesa, Arnold agradeceu mil vezes o jantar, Miriam pediu que ele voltasse mais vezes e Big Bob só acenou com a cabeça.

–Helga, leve seu amigo até a porta. – Miriam pediu enquanto tirava os pratos da mesa.

–Boa noite Helga – Arnold falou satisfeito assim que atravessou a porta

–Tchau Arnold – Ela falou cansada se apoiando na porta aberta

–O que vai fazer nesse final de semana? – Helga o olhou confusa

–Vou ficar trancada em casa, como em todos os outros. – Respondeu seca

–Passe lá em casa! – Ele convidou com naturalidade

–Você não é normal... – Ela fechou a porta na cara do loiro. Não conseguia entender, como ele poderia pensar que ela iria a casa dele? Além de estar de castigo, como ele poderia achar que ela o aturaria por vontade própria?

–Helga! – Big Bob chamou da sala, já estava sentado em sua poltrona assistindo televisão.

–O que é? – perguntou, como sempre, irritada enquanto se aproximava do pai.

–Nas últimas três semanas você me surpreendeu, está estudando e me mostrando resultados. – Ele estendeu a mão com o celular dela e um sorriso involuntário brotou nos lábios da garota. – Por favor, não faça eu me arrepender dessa colher de chá.

Em semanas foi a maior frase de Big Bob para ela. Agarrou o celular, sorrindo, e correu para o quarto. Colocou no carregador e ligou.

15 mensagens não lidas.

Phoebe – Está sem celular? 18 dias atrás.

Phoebe – Ainda está sem celular? 17 dias atrás.

Phoebe – Quando vai pegar esse celular? 15 atrás.

Torvald – Estou vivo. 13 dias atrás

Gerald – Posso estudar na sua casa hoje com Phoebe? 11 dias atrás

Phoebe – Já devolveu seu celular? 11 dias atrás

Kate – Hey Helga, como estão as coisas? 10 dias atrás

Torvald – Ainda estou vivo. 10 dias atrás

Sid – Vamos nos encontrar? 9 dias atrás

Kate – Como estão as coisas? 9 dias atrás

Phoebe – Ainda nada? 8 dias atrás

Arnold – “Sinto sua falta e ninguém pode ver...”. 6 dias atrás

Arnold – Desculpe, estava bêbado. 6 dias atrás

Kate – Sid falou que está de castigo, avise quando puder sair! 5 dias atrás

Phoebe – Recupere seu celular! 3 dias atrás.

Não sabia se ficava chocada com Phoebe impaciente, com Arnold bêbado mandando mensagens, com Torvald mandando mensagem ou com Kate e Sid a procurando.

Helga – Pheebs, peguei o celular!

H. – Kate, ainda estou de castigo, mas recuperei o celular!

H. – Me dizer que ainda está vivo é o mesmo que me dizer que está com saudade?

Depois de enviar a mensagem para T. deitou no chão do quarto e fitou o teto do quarto.

Sábado de tarde enquanto trocava mensagens com Phoebe ouviu a campainha soar, abriu a porta do quarto para ouvir quem era e ficou boquiaberta. Arnold. Fechou a porta e encostou as costas nela. Respirou fundo duas vezes e abriu novamente a porta. Arnold estava subindo as escadas. Ela pensou em deixá-lo para fora do quarto, mas não adiantaria. Apenas se arrastou até a cama. Ele entrou no quarto, perfumado, cabelos penteados, camiseta azul e calças jeans. Encarou Helga, estava com os cabelos embolados num coque que tinha feito na noite anterior, de calça de moletom furada no joelho e camiseta velha de banda. Parecia uma mendiga e ele, por mais que ela não quisesse admitir, parecia um príncipe.

–Como?... O quê? – Ela perguntou chocada

–Você disse que ia ficar trancada em casa, vim fazer companhia. – Ele entrou no quarto e deixou a porta aberta.

–Meu pai... – Ela começou a falar

–Eu pedi permissão pra passar a tarde com você e ele deixou, — sentou ao lado dela na cama. – acho que ele gostou de mim. – sorriu. – Apenas pediu pra deixarmos a porta aberta.

–Porque você veio passar a tarde comigo?

–Porque sim.

Ela bufou. Foi até o closet, escolheu uma calça e uma camiseta e foi tomar banho. Arnold ficou sentado na cama da garota, até que ela voltasse do banho. Helga não conseguia entender a jogada dele, porque ele tinha resolvido grudar nela, será que ele era capaz de fazer tudo isso só pra irritar?

–Ok, o quê vamos fazer? – A loira estava parada na porta do quarto, os cabelos molhados, calça jeans e camiseta lisa branca. – Já entendi que você não vai embora tão cedo.

–Você escolhe.

–Se eu quiser você faz brownie pra mim? – Ela perguntou arqueando uma sobrancelha

–Faço.

–Se eu quiser assistir desenho o dia inteiro?

–Assisto!

–Se eu quiser ficar deitada no chão olhando o teto?

–Olho junto – respondeu rapidamente

–Céus... – Helga suspirou. – Não sei Arnold, eu ia ficar o dia todo na internet fazendo nada.

–Não dá pra você sair nenhum minuto?

–Não. – Ela respondeu resmungando e sentou ao lado dele

–O que foi que você fez?

–Big Bob me proibiu de sair depois da aula, eu fui pro casebre e só apareci no dia seguinte. – lembrou-se da noite que passou com Torvald e sentiu seu peito apertar

–Realmente... Ele já estava irritado e você provocou.

–Se vai ficar me julgando pode ficar quieto! – Ela o olhou. Mesmo irritada com ele, estar ali, a proximidade dos dois... Não conseguia não pensar em beijá-lo. Lembrou-se da mensagem que ele mandou para ela. – Andou bebendo muito?

–Você pegou seu celular? – Ele estava corando

–Sim. – Era bom deixa-lo sem graça

–Só um pouco, você?

–Faz três semanas que não bebo nenhum gole. – Deitou na cama e fitou o teto. Arnold continuou sentado na ponta.

–Faz quanto tempo que não o vê? – O coração apertou.

–Três semanas. Três semanas sem ver, sem ouvir, sem saber se está bem. – Uma lágrima escorreu involuntariamente.

–Três semanas sem vê-lo, três semanas sem beber... – Arnold começou a insinuar que Torvald só fazia mal a ela.

–Três semanas presa em casa! – Ela se sentou bruscamente para encará-lo

–Tem razão. – suspirou derrotado. – Você o ama?

–Eu... – Helga não sabia responder. – Não é da sua conta! – olhou para a janela

–Desculpe.

Ficaram alguns minutos em silêncio. Então Arnold enxergou na estante de Helga os livros dos anuários em que ele não estava. Sentaram os dois no chão e comentaram os anuários. Depois de muitas risadas, desceram e assaram brownies! Helga ignorou tudo o que já tinha acontecido entre eles, só pensou em se divertir, só queria se distrair e parar de sofrer um pouco.

Anoiteceu. Já era hora de Arnold ir pra casa.

–Boa noite Bob! Boa noite Miriam! – Arnold falou se dirigindo até a porta da casa. Helga o seguiu até fora da casa. Encostou a porta atrás de si, para falar com Arnold sem os pais ouvirem.

–Boa noite Arnold. – Helga falou meio sem jeito. Não sabia se continuava ignorando ou se voltava a ficar irritada com ele.

–Boa noite Helga. – Ele sorriu, ela se virou para voltar pra dentro quando ele a chamou de novo. – Helga?

–Sim? – Ela o olhou nos olhos

–Você quer saber por que eu estou aqui, eu não ia te contar, mas não consigo. – A voz dele parecia tremer. – Eu estou aqui por você! – Helga se surpreendeu e fechou a porta atrás de si. – Não importa o que eu faça, eu não consigo não pensar em você. Torvald está fora do jogo, eu precisava tentar uma última vez. – A loira estava com as pernas trêmulas. – Convenci Phoebe e Gerald a me ajudarem, não sabia como me aproximar... – Ele respirou fundo, ela sentia borboletas no estômago. – Eu também me senti magoado, rejeitado... – Ela não conseguia tirar os olhos dele por nenhum segundo. – Não sabia se conseguiria ser tão sincero com você, eu sinto sua falta. Desde que voltei você é a única que eu quero do meu lado. — Os dois se encaram em silêncio por um minuto. Helga queria correr até ele e abraça-lo, sentir que ele era seu. – Não vai falar nada? – ele perguntou inseguro.

–Não ache que ser legal com a minha mãe vai zerar os pontos. – Ela falou e ele riu fraco.

–Tudo bem, não acho. Mas admita que ajudou! – falou mais descontraído e foi a vez de Helga soltar um riso fraco

–Você é maluco. – Ela sorriu

–Maluco por você. – Helga não sabia se estava imaginando coisas, mas parecia que ele estava a ponto de chorar. – Estou muito aliviado por te contar tudo, por ser sincero com você.

–Obrigada, agora não preciso mais me irritar com você. – Ela abriu um pouco a porta atrás de si e Big Bob estava olhando de longe pra ela. – Preciso entrar Arnold

–Eu sei.

–Tchau então. – Ela falou incerta

–Tchau Helga. – Ele falou sorrindo e ela entrou em casa.

Assim que voltou para o quarto, ia ligar para Phoebe e viu uma mensagem no celular.

Arnold – Que vontade de te beijar.

Helga corou. Não fazia sentido corar, já tinha beijado Arnold antes. Já tinha feito bem mais do que isso, mas agora parecia diferente. Era como uma nova paixão, conquistando-a novamente. Não sabia o que responder, queria responder a verdade, que ela também queria beijá-lo. Mas, não queria se apressar e se agarrar nele pra de repente algo acontecer e como sempre eles brigarem e se afastarem. Precisava ser cautelosa, mas não queria... Queria se jogar nos braços de Arnold, beijá-lo, senti-lo. Dormiu imaginando-se nos braços de Arnold.

Domingo Helga acordou e tinham 5 mensagens no celular. Todas de Arnold. Torvald ainda não tinha respondido.

–Estou realmente feliz Helga, acredito que podemos dar certo.

–“If you love me, come on, get involved, feel it rushing through you, from your head to toe”

–“Only miss the sun when it’s starts to snow, only know you love her when you let her go”

–Desculpe por tantas mensagens.

–Será que você não consegue passar a tarde comigo?

Helga suspirou. Sabia o que o pai diria se pedisse para ir à casa de alguém, mas tentaria de qualquer forma. Precisava tentar sair de casa.

–Big Bob, boa dia. – Helga falou entrando na cozinha. Seu pai estava sentado à mesa, com o jornal em mãos e uma xícara de café na mesa a sua frente. – Existe alguma possibilidade – respirou fundo. – de eu passar o dia fora?

–Não. – Ele nem parou para pensar.

–Por que querida? – Miriam perguntou entrando na cozinha.

–Arnold convidou. – Por ser Arnold talvez conseguisse algo com sua mãe. Helga sentou-se a mesa encarando o jornal de Big Bob enquanto ele mudava a página.

–Ele é tão querido... – Miriam falou suave enquanto pegava café

–Não. – Big Bob respondeu seco.

–Me leve até lá, me deixe na porta da casa dele e me pegue lá depois. Te passo o telefone dos avós dele, pode ligar pra lá e me vigiar. – Helga apelava

–Deixe Bob... – Miriam parou atrás dele massageando lhe os ombros

–O quê vão fazer lá, que não podem fazer aqui?

–Nada, é só pra eu sair de casa.

–Não. – Miriam parou de massageá-lo e sentou-se entre eles.

–Ele pode vir aqui então? – Alguma coisa ela tinha que conseguir

–Não.

–Por quê? – Perguntou com voz de criança manhosa

–Porque não, tem gente aqui todos os dias. Deixem meu domingo em paz! – Levantou da cadeira bruscamente, segurou o jornal de qualquer jeito com uma mão, com a outra pegou a xícara de café e foi para a sala.

H. – Não dá. Juro que tentei, juro que queria.

A. – Posso ir aí?

H. – Não

A. – Queria te ver mais um pouco.

H. – Também.

Helga estava no closet, várias roupas jogadas no chão, tentando arrumá-las. Ouviu batidas na janela. Correu até ela e Arnold estava lá.

–Não consigo abrir

–Eu sei – Ela não o ouvia bem, tinha que ler seus lábios. Ele colocou a mão no vidro da janela, Helga colocou a mão sobre a dele. As mãos se encostariam se não fosse o vidro.

–Arnold... – Ela sussurrou, mas não precisava, ele não a ouviria.

Alguns segundos se passaram, ele se afastou e pegou o celular do bolso.

Arnold – Você já me perdoou?

Ela pegou o celular rapidamente, sentou-se na cama e ficou olhando para ele do lado de fora.

H. – Perdoar o quê?
A. – Por ser um babaca com você

H. – Acho que eu também fui meio idiota

H. – Porque pediu ajuda para Gerald?

A. – Porque eu não sabia como chegar em você?

H. – Era só ter falado comigo. Porque foi tão estúpido comigo na festa de Sid?

A. – Foi só um dos meus planos estúpidos pra te conquistar

Arnold estava cabisbaixo

H. – Que plano?

A. – Achei que se, de alguma forma, eu me parecesse com Torvald...

H. – Por favor!

A. – Toda minha gentileza não foi suficiente

H. – O que eu gosto em você é justamente o que é oposto a ele. – Helga digitou a mensagem, mas hesitou em enviar. Após digitar, olhou para Arnold ansioso lá fora, seria justo enviar não seria? Enviou. Ele olhou o celular e um sorriso singelo brotou em seus lábios.

A. – Não sei o que dizer

H. – Não precisa tentar me conquistar. Já o fez a muito tempo.

–Helga? – A loira estava tão concentrada que não ouviu a mãe chegando ao quarto.

–Sim? – Ela virou bruscamente para olhar a mãe

–É o Arnold ali fora? – Helga se virou para a janela e Arnold tinha se abaixado.

–Haaam.... – Helga se enrolou pra responder

–Helga... – Miriam falou repreendendo-a e se foi. Helga correu até a janela e Arnold estava lá, ela sorriu, ele sorriu.

H. – Ela sabe que está aqui

Arnold começou a digitar no celular, mas algo o assustou e ele olhou em direção a rua. Helga grudou o rosto na janela e quis ver o que era, mas não conseguia. Arnold então, sem nem olhar para Helga, seguiu em direção a rua. O que tinha acontecido? Ela sentou na cama e ficou encarando a janela.

H. – Arnold?

–Sua mãe me convidou pra entrar. – Arnold estava na porta o quarto com o celular nas mãos.

A única reação de Helga foi correr para beijá-lo. Não se importou que a porta do quarto estava aberta. Arnold recuou, mas não aguentou e retribuiu o beijo, intenso desde o início. Helga que pediu passagem para a boca de Arnold. Uma de suas mãos nas costas dele e a outra entre seus cabelos, ele apertava sua cintura com as duas mãos. O loiro a empurrou para dentro do quarto e a encostou na parede ao lado da porta. Ele a prensou na parede, os corpos colados, as intimidades se roçaram e Helga já começava a esquentar. Helga beijava o pescoço dele, passando as mãos pelas costas, Arnold mexeu a pélvis e Helga seguiu seu movimento. Ele colocava a mão por dentro da camiseta dela, mordia levemente o lábio dela. A garota encaixou a intimidade na dele, sentiu-o ereto, um calafrio percorreu o corpo, empurrou o corpo contra o dele e o ouvi-o gemer de leve. Continuaram a se beijar e roçar intimidades.

–Helga, vocês estão com fome? — a voz de Miriam vinha do pé da escada. Helga puxou Arnold pelos cabelos para longe dela e colocou a cabeça para fora da porta.

–Não! — respondeu tentando esconder a falta de ar. O coração estava a mil, não mais pela excitação e sim pelo susto.

–Estou assando biscoitos, Arnold disse que gosta — Helga olhou de canto de olho, o garoto estava perto de sua cama, visivelmente ereto, ela riu.

–Quando estiver pronto nos avise — Helga disse e voltou sua atenção para Arnold. Ele tinha sentado e estava tentando esconder a ereção, estava visivelmente corado. Helga sentou-se ao lado dele na cama. — Teremos que resolver isso outra hora

Notas finais
Os dois pedaços de música que Arnold manda para Helga são de ótimas músicas. Sing do Ed Sheeran e Let Her Go do Passenger.