Psychosocial
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Mais uma vez muito obrigada por estarem lendo.
xDropdeadx
Capítulo 2
A manhã de sexta amanheceu ensolarada, o que facilitou nossa ida até a parte mais alta da cidade, as montanhas. Geralmente lá fazia mais frio que o normal, mas isso era apenas um detalhe naquele fim de semana.
Já estava dentro do carro junto com Carly e Dorian. Os dois não paravam de conversar um minuto entre si, e aquilo me poupava de ficar puxando assunto ou de jogar conversa fora. Eu tenho que me lembrar de fazer econômias; eu precisava de um carro.
Conforme íamos avançado a serra pela estrada de chão, mais minha ansiedade ia aumentando. É claro que procurei saber para onde estávamos indo. Não tinha condições de cometer assassinatos em lugares movimentados, principalmente quando se tratava de um camping. E fiquei mais aliviada ao saber que por ser novo, não haveria super lotação.Tirando o fato de mais dois carros estarem nos acompanhando, eu ainda me mantinha tranqüila de decidida do que fazer. Só precisava agora montar um plano cuidadosamente para depois colocá-lo em prática perfeitamente. John que aguarde meu próximo livro; mudarei totalmente o enredo.
– Emi, você pode pegar a minha bolsa ai atrás, por favor? — além de ir no mesmo carro que ela, ainda tinha que ficar fazendo favores.
– Claro, querida. — minha sorte era que eu conseguia manter minha pseudo- educação como se ela ainda existisse. Depois o único favor que iriam pedir era para que eu tirasse a faca de suas entranhas.
Os carros já estavam sendo estacionados em um espaço reservado daquele enorme campo. Os rapazes estavam animados, gritavam e bebiam exageradamente. É claro que apesar de eu não conhecer ninguém e não ter o mínimo interesse, eu tinha que fazer a social acompanhando Carly até a recepção.
– Eu acho que não tem ninguém aqui. — falei colando meu rosto no vidro da porta fechada do lugar. — Tem certeza que é o camping certo?
– É o único camping por aqui. Olha, tem um bilhete!
O camping estará fechado este fim de semana, mas de acordo com suas reservas, as seguintes cabanas estarão abertas para vocês. Pedimos desculpas desde então, mas houve imprevistos com nossa supervisão. Espero que se acomodem bem e que se divirtam.
A direção.
– Que tipo de lugar faz isso? — Carly perguntou rindo enquanto pegava novamente sua mochila grande e pesada.
As coisas estavam começando a ficar mais fáceis do que eu esperava. Além de estar com um monte de babacas, o local estava limpo, sem supervisão de ninguém.
Peguei minhas coisas — que não eram muitas — dentro do carro e acompanhei todos até onde ficavam as cabanas. Ótimo, pensei que iria ter que dormir numa barraca em um chão cheio de insetos nojentos. Abrimos o local que dormiríamos sem dificuldades já que as chaves estavam esquematizadas nas fechaduras. Pela minha sorte eu teria um só pra mim.
– O Corey está vindo, ele acabou de ligar. — escutei Dorian se aproximar de mim e de Carly, que por estarmos sem fazer nada, ficamos sentadas em um monte de pedras que ficava por ali.
– Seria ótimo se você apresenta-se ele para a Emi, Dorian. Não sei porque, mas algo me diz que esses dois se darão muito bem. — falou maliciosa enquanto piscava pra mim. Só que me faltava ter que agüentar cupidos elegantes durante um fim de semana inteiro. Tudo que eu menos queria era ter que transar com um idiota para depois ter que matá-lo. Com certeza eu teria que dar fim nele primeiro, antes que alguma coisa dessas acontece-se.
°°°
Já era noite e todos se reuniram lá fora para acender uma fogueira. O fogo perdeu seu principal destaque para as várias garrafas de cervejas que estavam jogadas no chão. Infelizmente nessa parte eu tive que os ajudar. Beber com certeza me faria ficar menos carrancuda, o que o deixaria menos afastados também. Não que fosse fácil reconhecer um psicopata, mas para todos eles esse fim de semana seria daqueles sem regras e normas; seria de pura curtição. E ter no meio deles uma mulher mal humorada, só dificultaria as coisas para o meu próprio lado. Eu tinha que me infiltrar naquela roda de amigos e conquistar a confiança de cada um deles, mesmo que tivesse que fazer coisas contra meu gosto.
Assustei-me com faróis se aproximando. Só que me faltava termos companhias a mais. Então vi que os rapazes se alteraram dizendo que Ele tinha chegado. Me lembrei de Corey, o tal amigo que faltava chegar. Minha pulsação se alterou, rezando para que Carly não armasse nada contra a minha vontade naquela noite, ou melhor, naquele fim de semana. Que pra variar eu faria de tudo para não ser tão longo.
Daquela picape 4x4 saiu um homem não muito alto. Seus cabelos raspados ainda davam para ver que eram loiros, podiam até ser chamado de charme se ele não tivesse duas tatuagens distribuídas uma de cada lado em seu pescoço. Seu riso contagiou todo mundo ali, me deixando apenas calada, esperando sua aproximação.
– Corey, esta é a Emily. Amiga da Carly. — ouvi Dorian me apresentar. Desviei a atenção da minha garrafa de cerveja para analisá-lo.
– Oi Emily. — ele cumprimentou, estendendo sua mão para que eu pegasse.
– Oi Corey. — respondi na mesma entonação, o fazendo sorrir torto.
Passei grande parte da noite sentada ali, me esforçando para interagir com todos. Corey não fazia muita questão de desviar seus olhares de mim, e aquilo estava me deixando desconfortável. Carly que antes se encontrava 'tagalerando do meu lado, havia se juntado ao namorado do outro lado da fogueira, deixando brecha para que seu amigo chegasse perto de quem queria.
– Cerveja? — ele estendeu outra garrafa para mim, percebendo que a minha já estava vazia. A peguei sem ao menos agradecer, o fazendo torcer a cara. — você é tímida, ou não gosta muito de conversar?
– Pode ser a segunda alternativa. — respondi seca dando um gole grande da bebida. — Mas pra ser mais educada com você, vou deixá-lo ficar sentado ai enquanto me enche de perguntas desnecessárias, já que nos veremos apenas este fim de semana mesmo. — ele me olhou surpreso, deixando um riso alto escapar. Não tratou de me responder de imediato; talvez estivesse pensando em alguma resposta a altura, enquanto dava goles largos em sua cerveja.
– Na verdade eu não prefiro prolongar muita conversa, já que nossas intenções são óbvias.
– Suas intenções. — destaquei, o fazendo rir de novo, desta vez negando com a cabeça.
– Eu sei que tipo de mulher você é: é daquelas que não da o braço a torcer, certo?
– Errado. Sou daqueles que reconhece babacas de longe. — respondi ríspida o fazendo engasgar com a cerveja por causa do riso. Decidi ignorar sabendo que com certeza, naquela altura, já estava com um nível elevado de álcool no sangue. Eu tinha que me controlar, a única frase que gritava em minha mente. Eu tinha que manter o controle, ganhar confiança, interagir e não parecer uma anti-social, por mais que eu fosse inteira e extremamente. Corey ainda estava do meu lado, observando os amigos do outro lado da fogueira, como eu.
– Emily, gostei de você. É diferente. — falou por fim, voltando sua atenção a mim.
– É mesmo? — falei arqueando as sobrancelhas. — Adoro o diferente.
– E bipolar. — claro que minha bipolaridade era incontrolável. Amaldiçoei-me por dentro por essa ser a parte que eu menos conseguia esconder. — Não fique tensa, também sou assim às vezes. — continuou firme, voltando a me olhar profundamente. Ele podia me poupar com aqueles olhares. Sempre tive queda por olhares, independente do que representavam. As pessoas podiam falar com apenas um olhar. Uma habilidade incrível do ser humano. — E pensativa. — acrescentou sorrindo.
– Costuma reparar tanto assim nos outros?
– Na verdade não. Eu prefiro conhecê-las por elas mesmas, mas acho que com você vai ser mais difícil. — não pude evitar sorrir junto com ele. — Mas eu gosto de mulheres assim.
Ele era misterioso, umas das conclusões que tinha tirado naquela noite. Apesar de ter conseguido manter uma conversa social agradável com ele, eu não queria conectar nada de minha personalidade com a dele, e apesar disso algo dentro de mim gritava reprovadoramente enquanto aquilo, gritava para que eu voltasse a fazer aquilo que sempre fiz muito bem. Eu tinha que começar colocar em prática meus velhos truques. Eu teria que ceder, o conhecer, o atrair pra mim. Eu o queria, queria matá-lo prazerosamente. Corey tinha se tornado a atração especial daquele fim de semana, meu principal alvo. Algo me dizia que ia ser daqueles jogos interessantes.
Notas finais
Espero os reviews para continuar como sempre.
bjbj
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