Psychosocial
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Por favor, não me abandonem! D:
- Leitores fantasmas a bordo por aqui. Gente aparece!
Bom, vamos de terceiro capítulo! Espero que gostem. (:
Capítulo 3
Acordei com barulhos vindos de fora. Gritos especificamente. Aqueles idiotas tinham capacidade de beber logo cedo? Abri os olhos lentamente para que minha visão se acostumasse com a claridade excessiva vinda das janelas cobertas por cortinas finas e brancas. Inúteis.
Fui até o banheiro fazer minha higiene matinal enquanto minha mente martelava sobre como iria ser meu dia. Eu já tinha que dar os primeiros passos, e com certeza seriam com esses babacas primeiro.
Sai vendo-os fazer uma partida improvisada de baseball por aquele espaço grande à frente das cabanas. Restos da fogueira da noite passada, junto com as garrafas de cerveja não pareciam os incomodar.
- Bom dia Emi! — escutei Carly gritar esganiçada, enquanto acenava de um lugar desconhecido por mim até então. — Eles deixaram a chave da cozinha também. Já coloquei o café na mesa. Vai lá.- sorri fraco pra ela e avancei para dentro da edícula grande, me deparando com Corey sem camisa, sentado numa enorme mesa que ficava no centro. Só agora eu pude o analisar decentemente, vendo perfeitamente como ele era. Seu tronco era definido, e não era apenas no pescoço que ele tinha tatuagens; ali também havia.
- Se ficar olhando mais um pouco, eu deixo tirar uma foto. — escutei sua voz antipática me interromper daquele transe indesejado. — Bom dia, Emily. — ele sorriu me levantando aqueles costumeiros olhares, me deixando surpresa ao enxergar a verdadeira cor de seus olhos.
- hm, olhos azuis. Está começando melhorar. — respondi ousada, me mantendo superior já que ele sempre lutava por este cargo quando estava perto de mim. Sorri satisfeita ao ver sua cara incrédula. — Bom dia, Corey. — desejei na mesma entonação que havia me feito anteriormente. Sentei-me a mesa, procurando por algo pra comer. Enchi exageradamente uma xícara de café, e vi que seu olhar não desgrudava de mim como na noite anterior.
- Se ficar olhando mais um pouco, eu deixo tirar um foto. — brinquei sarcástica, o fazendo rir baixo.
Vendo que não havia nada mais que eu desejasse comer, peguei a xícara de café e voltei para fora, o deixando me observar curioso. Desta vez sentando-me no degrau que elevava a edícula, acendi um cigarro e o acompanhei com o café. Café e cigarros, nada melhor do que café e cigarros pela manhã, eu garanto.
O vi passar por mim indiferente, se juntando aos amigos para jogar baseball. Tragando precisamente o tabaco fiquei a observá-lo. Ele era diferente, não conseguia ser transparente. Isso era ruim pra mim. Tudo se tornava mais fácil quando eu os tinha nas palmas de minhas mãos. E isso inacreditávelmente não estava acontecendo com ele. Não sei se era por falta de tempo, mas seja o que for, tinha que dar um jeito nisso o mais rápido possível; porque, aliás, eu só tinha hoje e amanhã para fazer o que eu tanto queria, e que planejei a noite inteira.
°°°
Carly não desgrudava do namorado, apenas às vezes vinha conversar comigo. Eu não ligava muito para aquilo, até porque seus tipos de assuntos eram entediantes.
Estávamos todos sentados no gramado curtindo os raios solares refletidos intensamente do céu somente naquela época do ano. Corey tinha maneirado seus olhares, o que me fez agradecer. Carly havia percebido e desde então não parava de falar dele, como se fossemos sair dali namorando ou algo do tipo. Bem, meu objetivo era que nenhum deles saisse com vida dali.
- Eu e o Max estamos indo fazer trilha. Alguém está afim? — vi Timmy, um dos amigos do casal se manifestar. Observei a feição de todos diante daquela proposta, mas o que apenas fizeram foram negar com caretas de preguiça. Vendo aquilo como uma oportunidade, levantei minhas mãos rapidamente, prendendo a atenção de todos a mim. Os dois responsáveis pelo passeio sorriram e fizeram sinal para que eu os seguisse. O fiz, me despedindo de quem ficava. Antes passei pela minha cabana, dando uma desculpa de que pegaria meus óculos de sol. Claro que não foi apenas isso que recolhi. Meu canivete ainda estava com aparência de novo, e aquilo foi animador.
Em pouco tempo já tínhamos adentrado a mata, animados. Porém, meus motivos extremamente distintos dos deles. A pequena trilha de terra que nos guiava para algum lugar desconhecido ia se elevando, nos fazendo perceber que daria no alto da montanha, literalmente.
- Cerveja? — perguntou Max sorrindo enquanto tirava da mochilas três garrafas verdes. Peguei uma da sua mão, a abrindo rapidamente.
Continuamos o caminho, desta vez bebendo e conversando mais empolgados. Eu não sabia se era minha animação interior que estava me fazendo torelá-los, ou se eles eram realmente legais. Mas seja o que fosse, a cada passo que eu dava me distanciando do acampamento, mais meu sangue borbulhava, pedindo para que eu o fizesse logo. Saquei o canivete discretamente do bolso de meu short. Timmy olhou pra mim no mesmo instante, me dizendo algo que foi impossível prestar atenção. Para disfarçar, peguei meu maço de cigarros e acendi um, oferecendo para ambos que aceitaram.
- Isso vai ajudar com os mosquitos. Não estou agüentando mais eles me picando desse jeito! — comentou Max enquanto dava um tapa na nuca, a fim de matar o inseto.
- Deixa que eu dê um jeito nisso. — falei maliciosa, me aproximando e impondo atrás do homem que sorria abobado, enquanto seu amigo apenas analisava a cena confuso. Cravei o canivete em sua costas, ainda com tempo de abafar seu grito com minhas mãos. O mesmo se ajoelhou no chão, tentando tatear as perfurações em suas costas.
- Mas que...- não deixei que Timmy terminasse e antes que ele fugisse, com agilidade e já prática, o mesmo objeto pontiagudo que tinha perfurado seu amigo, estava em sua barriga. Os dois ainda estavam vivos, e eu não queria que morressem lentamente. Apesar de estarmos longe o suficiente do acampamento, ainda corria riscos de que alguém os escutasse gritando por socorro, e aquilo com certeza não iria ser muito bom se acontecesse.
Os vendo gemer de dor no chão e com os rostos empalidecidos diante da grande quantidade de sangue que já tinham perdido, me senti satisfeita, aproveitando cada segundo daquele momento; afinal eu não me lembrava de como era bom aquilo. Para colocar fim nisso de uma vez por todas, cortei suas gargantas para que assim morressem e agonizassem mais rápido. E foi o que aconteceu. Nos próximos segundos eles já estavam mortos, jogados no chão coberto por seus próprios sangues.
Recuperei-me da situação, vendo minhas mãos sujas pelo liquído humano. Peguei uma garrafa de água da mochila dos rapazes, e lavei minhas mãos, logo após fazendo o mesmo com o canivete que voltou para meu bolso. Prendi meus cabelos que haviam sido desprendidos pelos meus movimentos ligeiros, e retomei o caminho de volta para o acampamento, acendendo mais um cigarro em minha boca.
Quando finalmente consegui chegar, vi Corey sentado em frente sua cabana bebendo cerveja. Com o olhar vazio e com a tranqüilidade natural em mim, me aproximei, sentando-me ao seu lado em seguida. Seu olhar não repousou em mim como era esperado que fizesse. Seu olhar se manteve sobre a mata de onde saí, e certo desespero começou se manifestar silenciosamente dentro de mim.
- Cadê os dois? — escutei sua voz soar fraca do meu lado. Apesar da prática, eu tinha que dar meu máximo em não manter minha agitação particular aparente.
- Continuaram a trilha. Eu torci o pé e voltei.- expliquei tentando ser convincente o bastante. O que pareceu realmente ser, já que não especulou nada a mais.
- Me da um cigarro? — pediu me olhando nos olhos, finalmente.
Com um pouco de ousadia, eu mesma coloquei o cigarro em sua boca, acendendo-o com o meu próprio quase ao fim entre meus lábios. Ele não desviou o olhar de meu rosto — que estava tão perto — nem por um segundo. Aquilo tinha me satisfeito. Pelo menos, pela primeira vez, eu pude ler o quê aqueles olhos estavam transmitindo: Desejo.
Notas finais
Principalmente das leitoras que não comentaram no capítulo passado. u.u
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