Psychosocial
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Tenho um leitor fantasma, por favor, deixa apenas um estou acompanhando pra mim saber quem é. Please D:
Bom, enfim! Bem vindas a Psychosocial e façam uma boa leitura!
xDropdeadx
Capitulo 1
Acendi o cigarro preso entre meus lábios com um pouco de dificuldade, já que o vento acompanhado por uma chuva fina passava por mim violentamente. O casaco grande e grosso que eu vestia já não era mais o suficiente para me aquecer naquele lugar. Estar na rua em plena tempestade não é uma idéia muito confortadora, seja pra que for.
– Moça, está tudo bem? — escutei uma voz próxima a mim naquela calçada. Me virei para olhar o rapaz — nem um pouco atraente — do meu lado.
– Não pareço bem? — manter um díalogo decente, uma coisa que eu nunca conseguia fazer.
– Me desculpe se a pergunta a ofendeu, mas é que está no meio da rua e a chuva está ficando forte...
– Então creio que não deva se preocupar. Se estou aqui é porque quero, não?
O rapaz engoliu em seco, esboçando movimentos nos lábios a procura de algo pra dizer, provavelmente. O que não aconteceu. Logo após se afastou de mim, retomando seu caminho anterior, o qual não devia ter parado de seguir.
Nunca entendi essa necessidade que as pessoas sentem de cuidar da vida dos outros o tempo todo. Pode ser o menor gesto em relação a isso, mas todos sempre causam o mesmo efeito.
Mentiras, falsidade, fracasso. Coisas que são impossíveis de não fazer parte da vida de qualquer um que seja. Seja um psicopata ou um empresário. Na verdade ninguém está longe de ser um fracassado. Nem mesmo os superiores — em todos os sentidos. Suas próprias ambições os levaram ao fundo do poço algum dia.
Já vendo que a chuva começara engrossar de um jeito insuportável de se ficar debaixo, corri até o café mais próximo a procura de abrigo e algo quente para tomar, já que eu estava congelando. O cigarro que eu carregava a boca fora praticamente destruído pela água forte que caia do céu; assim como meu cabelo — antes impecavelmente arrumado — estava completamente úmido e embromado.
Adentrei o lugar super movimentado por consequência da própria chuva. Era impossível se sentir confortável em um ambiente daqueles, com a aparência mais de um formigueiro. As pessoas tentavam se decidir entre conversar ou comer, e outras entre o celular e o café que pra variar já esfriava apenas com a demora de seus pensamentos distraídos. Executivos, ternos e gravatas, carros de valores mais elevados do que o salários das pessoas que recolhem seu lixo. Eu lhes apresento a desigualdade social.
– Emily! — escutei alguém me chamar no meio de muitos ali, mas foi em vão a tentativa de achá-la. — Aqui querida. — me virei e finalmente pude ver quem era. Carly Derrosié, uma francesa bem sucedida aqui nos Estados Unidos. Trabalha no mesmo ramo que eu, e conseqüentemente mantemos uma relação social agradável. É claro que eu precisava ganhar a vida de algum jeito, e descobri que apesar de não levar coisas do tipo a sério, sou boa em uma coisa: escrever. Óbvio que minhas escritas não são sobre romances — até porque não tenho capacidade racional e sentimental para isso — mas devo confessar que acho divertido descrever meus assassinatos através de histórias fictícias.
– Oi Carly. O que faz por aqui? — a cumprimentei normalmente.
– Pois é. Estava indo para casa do meu namorado e essa chuva caiu de repente. Vim pra cá me esconder! — disse rindo, se divertindo com a própria situação. Forcei um sorriso, tentando ser o mais simpática possível. — E você, o que faz por esse lado da cidade?
– Estava indo ao escritório do John entregar alguns rascunhos. Idéias novas, sabe como é.
– Sei sim! — mais uma vez riu abertamente, e eu ainda me esforçava com minha pseudo-educação. — Aliás, Emi! Eu estava pra te ligar essa semana.
– É mesmo? — fingi interesse enquanto dava um gole do meu café que tinha acabado de chegar.
– Eu e Dorian estamos juntando um pessoal para ir com a gente até as montanhas esse fim de semana. Tem um camping legal lá. Seria ótimo se você fosse; pode levar quem quiser.
Claro, programação adolescente em pelo mês de Agosto, é talvez ninguém tivesse nada mesmo para fazer.
– Não sei não, Carly. Como eu te disse, estou com umas idéias novas e provavelmente já as colocarei em prática. Não gosto de demorar muito, tenho medo que elas expirem.
– Ah, eu iria gostar muito se você fosse. — disse manhosa.
Como se eu fosse a pessoa mais divertida do mundo. Coitada, não tinha consciência do que estava fazendo. Deve ser porque nunca passamos um tempo considerável juntas.
– Plha, você tem meu celular, telefone e tudo mais. Me liga se resolver alguma coisa, ok? Já vou indo, estou super atrasada! — mais uma vez aquele contato físico desnecessário para se despedir.
Mais um dia nublado em Dez Moines. Eu não suportava a chuva e também odiava o sol. O dia perfeito pra mim era quando a neve caia vagarosamente lá fora, e a cidade ficava em silêncio. O comércio não funcionava direito, as pessoas não funcionavam direito. Pelo menos uma vez na vida ficavam dentro de suas casas apenas assistindo TV, ou até mesmo dormindo. Vulneráveis sem seus interesses ambiciosos.
Você deve estar pensando se sou um ser pacífico. Mas é o que quero que pensem. A verdade é que nunca irei deixar saberem quem eu realmente sou. Tenho capacidade o suficiente de morrer com esse defeito em mim, sem que ninguém saiba. Minha mãe morreu ao me dar a luz; morreu sem saber que deu vida a um ser que tiraria a vida de muitos outros depois. Melhor, com certeza não sentiria orgulho de mim. Já meu pai, eu prefiro não me lembrar de sua face. Só de pensar em ver seu rosto estampado em minha memória mais uma vez meu estômago revira. Esse sim mereceu a faca cravada na barriga. E se você está pensando que fui eu quem fez isso, pode ficar tranqüilo, não foi. Ser um viciado devedor nem está na lista de piores coisas do mundo. Em consequência de acontecimentos trágicos como estes em minha vida, tive que ir para um orfanato com sete anos. Geralmente as pessoas enxergam orfanatos católicos como um refúgio para crianças abandonadas e problemáticas, já que freiras parecem ser tão boazinhas. Mal sabem que essa é a mentira mais horrenda que as pessoas tem capacidade de acreditar. São os seres mais maldosos que eu tinha visto em apenas meus sete anos de vida. Com certeza meu pai tinha perdido sua colocação em primeiro lugar. Elas eram insensíveis e maltratavam as crianças o tempo todo enquanto carregavam crucifixos em seus pescoços.
Paguei minha conta vendo que a chuva tinha cessado. Rapidamente corri até um taxi que estava parado em frente ao semáfaro fechado. Eu só queria chegar em casa o mais rápido possível, tomar um banho e me deitar na minha cama quente. Provavelmente eu não farei isso; eu tinha um livro pra escrever. Desta vez contando a história do pobre namoradinho iludido pela namorada assassina. Ainda me recordo de sua morte lenta. Não foi meu melhor trabalho, mas devo admitir que senti pena dele agonizando em minha frente, pedindo por misericórdia. Devo confessar que me sinto com poder quando os escuto pedindo por suas miseráveis vidas. Se soubessem que não tinham nada a perder, que eram tão inúteis quanto aos seus pedidos, deixariam de lado e morreriam calados.
°°°
Lá estava eu mais vez naquele lugar que dificilmente o sol se superava no céu. Assim como eu, os moradores do Alaska pediam por alguma radiação solar, nem que fosse por cinco segundos. Suas peles incrívelmente brancas eram facilmente confundidas com o gelo que cobria quase tudo naquela cidade. Os trinta dias de noite estavam chegando e logo nem a luz solar mais eles teriam. Você deve estar se perguntando como que uma pessoa consegue morar num lugar desse. A resposta das duas é uma: ou era uma refúgiada ou realmente não tinha condições de sobreviver em uma cidade normal, já que o custo de vida ali era barato.
A única nota digitada até agora. Uma idéia, mas poucas linhas de texto. Eu estava precisando de inspirações, e nunca pensei que uma coisa como essa aconteceria comigo. Acendi meu quinto cigarro daquela hora. Eu estava estressada com a idéia de ter que combater comigo mesma para fazer uma coisa que — particularmente — eu não tinha dúvidas que era boa. Nunca duvidei de minhas habilidades. Distúrbios em minha imaginação — aquela que era tão aberta — eu realmente não estava acreditando. Eu precisava fazer alguma coisa para que aquela história saísse, e para que se encaixasse em meu gênero textual eu teria que matar. Fazia tanto tempo que eu nem me lembrava de como foi a ultima vez que toquei em alguém. Eu precisava o fazer, para o meu bem estar e para meu bem financeiro, claro.
Digitei a sequência de números que estavam escritos em um pedaço pequeno de papel. Fazia muito tempo que estava guardado em minha carteira que até leves rasgos haviam se formado.
– Alô? — escutei sua voz fina do outro lado.
– Oi Carly. Sou eu, Emily.
– Emi! Estava pensando em te ligar agorinha mesmo.
– Astava pensando melhor... Acho que posso ir com vocês. Quando vai ser mesmo?
– Sério? Que ótimo! Não terei que passar o fim de semana inteiro sozinha com um bando de bêbados.
– Só preciso de carona. — acrescentei, a ouvindo empolgada do outro lado.
– Isso não é problema! Você pode vim comigo e o Dorian.
– Ótimo.
Não prolonguei muito a conversa. Com certeza o final de semana iria ser agitado.
Andei até meu quarto tranqüilamente, abrindo a porta do meu guarda- roupas um tanto grande demais para uma solteira. Feito apenas pra mim, ele tinha um fundo falso e lá estava minha bolsa especial; alguns apetrechos vaidosos que eu gostava de usar... Fazia tempo que eu não os via e muito menos os usava. Pois é, nunca pensei que isso seria de menos importância pra mim. É claro que fama não estava em meus objetivos quando me tornei uma escritora, mas conseqüentemente isso aconteceu e eu não pude evitar a reputação recebida. Agora eu fazia sucesso no mercado de escritores e perdia tempo autografando capas e capas de livros. O cansaço me vencia e eu quase me esquecia de quem realmente era. Mas quando a pessoa nasce para fazer uma coisa, independente de tempo, seu vício uma hora volta à tona. E eu estava satisfeita pelo meu ter voltado.
Notas finais
Primeiro capitulo entediante por causa das explicações e etc. A partir do segundo as coisas já começam a ficar melhores ok?
Espero os tão amados reviews para continuar.
:*
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