Psychosocial
7 Capítulo 6
Notas iniciais
_ Estou muito feliz em saber que estão gostando de Psychosocial, muito mesmo. (:
Vamos de 6° capítulo!
- espero que gostem.
Capítulo 6
– Só por curiosidade senhores, mas porque desfazer desses carros assim? Eles estão em perfeitas condições. — o dono do desmanche se intrometara — com razão — já que tinhamos praticamente dado os dois carros pra ele.
– Eu comprei algumas terras por aqui, e eles estavam abandonados por lá. Não é de meu interesse tomar posse, então resolvi vendê-los. — Corey explicou, entrelaçando sua mão na minha. Essas aproximidades dele só me fazia ficar preocupada. Eu odiava contato físico de afeto em excesso, e ele provavelmente também. Podia nos poupar de tal tortura.
Despedimos do rapaz educadamente, pegando a estrada novamente, desta vez voltando para a cidade.
– Você quer conhecer a minha casa? — perguntou malicioso. Não me surpreendi com seu convite, mas fiquei desconfiada. Geralmente não levávamos nossos vitímas até o lugar onde vivíamos.
– Claro que sim. — respondi sorridente, vendo o mesmo torcer a boca e levar uma de minhas mãos até sua boca, a beijando docemente em seguida. Seu olhar era de total cuidado com a estrada íngreme de chão que seguíamos, mas seus pensamentos pareciam estar em concentração com outra coisa. Todo aquele mistério que ele carregava em seus olhos, tinha sido dissolvido rapidamente. Eu não sabia se aquilo era um bom ou mau sinal, mas seja o que for, pelo menos eu teria noção de como ele estava reagindo a tudo. Cada passo, cada palavra minha dita, era extremamente analisada por ele. Eu tinha plena consciência disso, mas ele não tinha total de que aquilo também era feito por mim.
– Imaginemos nós dois...- me virei pra ele arqueando a sobrancelha, temendo o que viria a seguir. — Dois psicopatas. — riu — Podíamos nos dar muito bem, não? Quase uma dupla perfeita.
Engoli um seco, não acreditando em nenhuma de suas palavras ditas. Ele se virou pra mim por segundos, esperando alguma resposta ou comentário a respeito. Mas era impossível dar-lhe o que queria de imediato. Eu poderia me arrepender se dissesse sim, porém não havia saídas. Eu nem imaginava qual seria seu tipo de reação se eu descordasse com sua opnião. Ele podia parar o carro ali mesmo, me pegando desprevenida. Então eu não tinha demais alternativas ao não ser aceitar.
– Você não acha um pouco exagerado da sua parte, Corey? Quer dizer, mal nos conhecemos.
– E você acha que isso importa agora, Emily? Matamos todos os nossos amigos juntos. Acho que fizemos o bastante para se preocupar com isso. Nada que o tempo resolva.
– Podemos tentar, Corey. — respondi seca, sentindo seu olhar queimar em cima de mim. Eu não queria parecer entregue, não mais que meu orgulho permitia. Porém fui convincente o bastante para que um sorriso satisfeito aparecesse em seu rosto.
°°°
Adentramos aquele terreno enorme através de um portão de grades. Sua casa era bem diferente do que eu imaginava. Um jardim grande dava boas vindas à entrada, e um chafariz repousava no meio do gramado.
– Gostou? — o escutei perguntar enquanto analisava minha feição com um sorriso sacana. — Está surpresa, Emi?
– Não me surpreendo tão fácil quanto imagina, Corey. — respondi, revidando sua superioridade que tanto me incomodava. Ele riu cabisbaixo, seguindo o caminho feito de pedras brancas em cima da grama.
– Eu já esperava por isso.
Entramos na casa, bem, devo dizer na mansão. Ela era realmente grande, e tão luxuosa quanto parecia ser por fora. A sala era epicamente decorada, o que deixava o ambiente com um charme inconfundível. Não deixei de prestar a atenção nos quadros de artistas famosos alinhados direitamente pelas paredes. As molduras douradas de ambos se destacavam muito bem sobre a tintura alaranjada. Um conjunto de espadas pousavam presas sobre a lareira, e ao lado uma armadura mediaval em tamanho real dava ênfase.
– Wow! Agora me surpreendeu. — confessei, o fazendo sorrir satisfeito.
– Esta casa era do meu avô. Ele deixou em meu nome antes de morrer. A decoração toda foi feira por ele... Mas por favor, não fique desapontada! Também tenho bom gosto. — confessou rindo. — Vem, quero que conheça outra sala.
Ele fez sinal para que eu o seguisse, e o foi o que eu fiz, sem deixar de reparar nos demais cômodos que conseqüentemente passávamos antes de chegar ao desejado. Sua decoração era inteiramente por mobílias de madeira, feitas a serviço braçal, com certeza. A casa era antiga, e Corey aparentemente gostava dessa sensação. Os mínimos detalhes ali eram deslumbrantes. As cortinas longas eram incrivelmente combinadas com as paredes e demais objetos decorativos.
– Agora estou começando a crer que está realmente surpreendida. — escutei sua voz ecoar perto de mim, me fazendo quebrar toda aquela atenção do lugar ao meu redor. — Mas ainda não é tudo. — ele piscou e naturalmente andou até uma porta, que foi aberta através de duas folhas. Logo me deparei com uma sala oval. Ela era inteiramente branca, desde o teto até as paredes e chão. A única coisa destacante e de cor distinta ali, era o piano. Um piano de calda preto que se mantinha silencioso sobre o piso brilhante. Um vaso de rosas brancas recém colhidas pairava sobre ele, com pétalas caídas em sua volta. As enormes janelas foram abertas pelo dono da casa, fazendo com que a luz solar deixasse o ambiente ainda mais claro, intenso. As persianas também brancas esvoaçam de acordo com os movimentos da brisa que entrava fresca entre o cômodo.
– Você toca? — perguntei, como se só aquilo tivesse me despertado interesse.
– Não. Era da minha mãe... — ele respondeu, com os olhos afogados em lembranças, que eu podia jurar que eram dolorosas. — Ela morreu quando eu tinha onze anos. Meu pai a matou. — continuou franzindo o cenho, como se estivesse sentindo dor. Parecia que o mesmo tinha sido tele transportado dali para o seu tão doloroso passado. Eu sabia muito bem como era essa sensação. O coração doía, mas nossa dor passada era a única capaz de nos fazer acreditar que um coração vivo e pulsante ainda se escondia em nosso peito.
Eu não tinha mais dúvidas de que ele era exatamente igual a mim. Em todos os detalhes: olhares, mágoas, vícios, atração, passado, perigosos. Eu podia muito bem me entregar a ele, como tanto queria. Dentro de mim era quase impossível guardar aquela atração fatal que sentia tão irresponsável por ele, e isso conseqüentemente já tinha se transformado em um fato pra mim. Mas eu tinha meus princípios, e dentre eles viver ao lado de uma pessoa era inaceitável. Ainda estava satisfeita por ter conseguia respeitá-los até agora. Eu não podia simplesmente compartilhar tudo sobre mim com alguém que podia ser tão traiçoeiro quanto eu. Eu tinha que me recuperar de minhas recaídas carnais.
Suas mãos envolveram minha cintura, me puxando ainda mais contra si. Seus olhos queimavam sobre mim, desejosos... O só despertava uma batalha em meu interior. As coisas podiam se dar muito bem entre nós, mas minha personalidade era infalível quanto aquele desejo da luxuria. Meu olhar também era profundo contra ele, sugante, porém vázio. Meus interesses e intenções tinham sido afogados dentro de mim, como um gesto inteligente de minha parte.
Seus olhos demonstravam sinceridade, a cada palavra dita. Eu estava em sua frente, em sua casa, e em uma sala que parecia um tanto significativa demais. Ou as coisas tinham realmente saído do seu controle, ou ele estava me testando. E eu tinha que tomar as minhas precauções, e dentre elas: não demonstrar nenhum tipo de emoção, reação, e menos ainda preocupação.
Seus lábios tocaram os meus delicadamente, e logo dei passagem para que ele aprofundasse o contato fisíco. Suas mãos se prendiam firmes em minha cintura, determinadas em não soltá-la tão rápido. Eu já tinha provado dele, mas era um maldito desejo inexplicavelmente insaciável. Minhas ligas inteiras queria seu corpo, nu, sobre o meu a hora que bem entendesse. Suas gotículas de suor misturadas com as minhas toda vez que eu sentia vontade. E tudo isso estava passando dos limites estabelecidos por mim mesma. E o pior de tudo, eu não sabia como reagir diante dessas reações. Eu estava incurralada.
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