Psycho Pass High School
1 Capítulo 1
- Hm — retrucou Kougami, desinteressado completamente no assunto que Ginoza insistia em manter (e que ele não fazia ideia do que se tratava) — Ei, que merda o Sasayama está fazendo? — exclamamou, com raiva.
O dito cujo, Sasayama, que agora estava sorrindo abertamente para Kougami, irônico, passava lentamente o braço pelos ombros de Tsunemori Akane, a garota mais inteligente do terceiro ano do ensino médio, e a mais inocente.
- Que tal a gente dar uma saída, hein, Akane? — riu-se o homem, mostrando belos 32 dentes brancos e lustrosos.
Akane se afastou de Sasayama, o encarando séria. Yuuki, sua melhor amiga e ao seu lado, riu.
- Não se deve fazer essas coisas na aula! E o que exatamente você está fazendo aqui? A minha dupla é com a Yuuki!
Resmungando, Sasayama voltou para o lado de um Kougami satisfeito e um Ginoza ignorado e irritado.
- Pelo menos — sussurrou ele, apenas para Kougami — Eu tomo alguma iniciativa, enquanto você fica aí babando que nem um babaca.
Desviando de um soco e rindo de se acabar, Sasayama pegou seus materiais e saiu da aula que acabara de terminar.
Psycho-Pass High School era uma escola de ensino muito reconhecida e respeitada. Grandes mestres e intelectuais se formaram no local, e ela era conhecida por criar pessoas cultas e honestas, jamais perdendo sua humildade criada no recinto. A popularidade do local de ensino era grande e a conquista de vagas era acirrada.
Entretanto, Psycho-Pass High School estava passando por um imprevisto. Um imprevisto chamado "turma 3A". Praticamente todas as encrencas, brigas, discussões e a dor de cabeça da diretoria vinham dessa turma.
Para seu melhor entendimento, leitor, lhe direi as "causas" dessas confusões:
Kougami Shinya*. 18 anos, "bonitão", campeão do torneio de boxe e luta livre das escolas da região e a pessoa mais fumante com boa saúde que você vai ouvir falar na vida.
Mitsuru Sasayama. 18 anos, a histeria da mulherada e o amigo mais fiel e fura olho de Kougami.
Ginoza Nobuchika. 18 anos. Certinho, irritadiço, amante de regras e seguidor dessas. Odeia ser ignorado. Então, meio que odeia Kougami.
Tsumemori Akane. 17 anos, meio tímida e meio extrovertida. Tem uma atração fortíssima por Kougami, mas disfarça pois pensa que vai ser dispensada. Ah, Kougami poderia lamber os pés dela, mas os dois são bem orgulhosos, e obviamente não revelam seus sentimentos.
E o resto do povo você conhecerá em breve.
-
- Kooooo!!!! — exclamou Kagari, subitamente aparecendo ao lado dele, de Sasayama e de Ginoza. Como sempre. — É verdade que tá de rola com a Akane? — riu.
Kougami lhe enviou um olhar que até o diabo se atiraria de um paredão.
- Aaaaah — começou Sasayama, rindo — É sim. Mas não sei porquê ele não pega ela. Ele não é covarde, já tem um bom histórico com as garotas daqui.
Kougami bufou.
- Ela não é qualquer uma. Não vou sair pegando ela.
Sasayama e Kagari levaram as mãos até o rosto e fingiram surpresa, o que deixou Kougami furioso e Ginoza rindo.
- Me deixem em paz! — e saiu.
Kagari coçou a cabeça e se virou para Sasayama.
Sorriram.
-
- Ei, Akane — chamou Yuuki, quando a outra estava penteando seu cabelo recém lavado, no quarto das duas — Esse Sasayama é bem estranho, não acha? — Akane concordou. Yuuki continuou amarrando seu cabelo num rabo de cavalo apertado — Ele é bem amigo do Kougami e fica te dando mole. Sempre achei que o Kougami tivesse uma queda por você.
Akane se atrapalhou e deixou a escova cair no chão, e gritou de perplexidade.
- O q-q-q-q-que?
Yuuki a olhou, confusa.
- Vocês se falam bastante as vezes, tem um bom papo. O Kougami todo mundo sabe que fica se atracando por um período com uma qualquer por aí... E faz 3 anos que estudamos juntos e ele nunca ficou contigo. Acho que tem algum sentimento aí, sabe. Ele parece do tipo meio romântico. Sei lá. — e terminou seu penteado bem satisfeita.
Completamente vermelha, Akane apenas ficou encarando a amiga.
- Não acho que ele goste de mim...
Yuuki exclamou de raiva.
- Ah, Akane! Você não é uma qualquer! Todo mundo te acha engraçada e a maioria dos guris tem um instinto de proteção com você, como se fosse uma irmã menor... Ou o Kougami sente isso, ou ele te ama!
Akane calou-se. Pegou a escova no chão e recomeçou a pentear os cabelos há muito já arrumados.
Alegremente, Yuuki se olhou no espelho e começou a ajeitar a franja.
-
— Ko apaixonado é tão lindo! — exclamou Kagari, deitado no sofá da sala de estar, no dormitório masculino — A Akane é tão boa moça! A GENTE TEM QUE JUNTAR ELES!
Sasayama concordou, sorrindo. Ginoza, meio envergonhado pelo papo, começou:
- Como iríamos fazer isso?
Sasayama bufou.
- Esse que é o problema. Se a gente arrastasse ele pra Akane ele iria nos tapear. Se arrastássemos a Akane ela e ele iriam nos estapear. Tem que ser de um jeito que não envolva contato físico!
- Para nosso próprio bem — refletiu Kagari.
- Ah — fez Ginoza, subitamente inspirado — Seria mais fácil dizer para o Kougami que a Akane pediu para falar com ele tipo no... Ginásio. Falamos isso para ela, mas do outro lado do ginásio. Quando os dois entrarem, a gente fecha e tranca eles e deixa por um tempo.
Sasayama e Kagari o encararam chocados. Ginoza começou a corar.
- Isso é tão clichê... — sussurrou Kagari — Mas pode dar certo! Ok! Vamos fazer isso! — e pulou do sofá — AGORA!
- Já? — indagou Ginoza, surpreso, juntamente com Sasayama.
Kagari riu.
- Ko não pode esperar mais por seu amor desiludido! — e saiu do local, sendo acompanhado instantes depois pelo seus dois amigos.
Kagari Shuusei. 17 anos, extrovertido e dono de um humor irreverente e diferente. Não se sabe de nenhuma relação amorosa que já tivesse, já que é meio estranho pensar nele tendo uma.
-
- Kooougami! — gritou Sasayama, metros de distância do homem que estava fumando despreocupadamente nos arredores do campus — Akane mandou te chamar pra falar com ela!
Kougami, que fumava tranquilamente, se engasgou com o fumo.
- O... Onde?
- No campus — respondeu seu amigo — Ela passou pela a gente faz pouco tempo, e a gente tava vindo te chamar mesmo. Faz uns 7 minutos, acho melhor já ir.
Ajeitando o cabelo desfiado e preto, arrumando o casaco esverdeado e com o capuz de lã e jogando o cigarro no chão, Kougami nervosamente se foi para o local.
Sem mais tardar, os outros 3 saíram correndo atrás de Akane.
-
- AKANEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE.
Assustada, a garota deixou cair a apostila que carregava, no meio do corredor. Viu seus 3 colegas de sala correndo até ela, dois sorrindo de se acabar e um parecendo cansado.
- Kougami te chamou para falar com ele no ginásio. Vá rápido. Ele pediu pra não demorar.
Arregalando os olhos, ela ia falar algo, mas Sasayama retrucou.
- Vai logo garota!
E Akane saiu correndo.
- Ufa — suspirou Kagari, caindo no chão — Espero que dê certo.
O mais velho puxou o ruivo do chão.
- Ainda temos que trancá-los lá. Vamos!
E partiram a correr novamente, com Ginoza quase tendo um ataque do coração.
-
Akane estava parada na escuridão do ginásio, pensando que talvez estivesse atrasada, e que Kougami já tivesse ido embora. O pensamento a fez temer isso, e com com grande alegria que ela o viu entrar no local, na porta oposta de onde ela entrara.
- Oi — recomeçou a mulher, envergonhada.
- Oi — respondeu ele, igualmente vermelho.
E com um baque de risos e passos a porta mais próxima foi fechada e a mais longe revelou 3 rostos risonhos.
- Aproveitem as horas juntos! — fecharam a porta — De nada! — gritaram do lado de fora.
Assustado, Kougami tentou abri-las, mas o esforço foi em vão. Estavam no escuro, sozinhos e trancados. Por sorte a escuridão engolfava-os, porque Akane estava quase prestes a chorar.
- Por que você me chamou aqui para isso? — começou ela, tensa.
Kougami fez um barulho reconhecível de surpresa.
- Mas você é que me chamou.
Akane balançou a cabeça. (mesmo que ele não pudesse ver no escuro)
- Seus amigos me disseram que você queria me ver aqui.
- Ah — respirou Kougami, entendo — Eles também me disseram que você me queria aqui...
O homem socou a parede.
- PORRA, SASAYAMA, KAGARI, GINOZA!
Em resposta, ouviram um grito.
- AEHOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO.
E só restava agora para eles permanecerem juntos por aquele tempo.
Continua.... rç
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