Psycho Pass High School
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Escorregando pela parede do ginásio, Kougami parecia desesperado (não que desse pra ver, em todo caso.)
“Meu primeiro encontro com ela... A primeira vez que fico sozinho com ela... ARRUINADOS!!!!”
Enquanto o moreno quase chorava de frustração, Akane remexia os dedos nervosa, olhando para um ponto fixo onde achava que o homem estava. Não estava olhando na direção errada não. Só mover uns 45° e ela estaria olhando para ele.
– Hm... Kougami-san? — começou, tropeçando um pouco nas palavras.
Interrompido de sua lamentação, Kougami engoliu em seco.
– Sim...?
A garota demorou um pouco para responder.
– Por que seus amigos nos prenderiam aqui?
Silêncio.
– Porque eles são uns otários – o outro respondeu, demonstrando total irritação sobre o caso – E também porque eles sabem que eu g – QUE EU SOU UMA BOA PESSOA — gritou, todo vermelho e pulando. Akane soltou um gritinho — E ELES QUEREM ME ZOAR. SÓ ISSO. OK
Enquanto a garota recuava uns passos, concordando e muito assustada daquela explosão toda, o que o Shinya fez foi só soltar um gemido triste e quase querer se atirar num rio.
“Eu to estragando ainda mais...”
– – –
Sasayama ria abafadamente contra uma fresta que havia na parede do ginásio. Os gritos de Kougami quase fizeram-o mijar nas calças de tanto que tentou controlar a gargalhada. Não que isso fosse muito digno. Se não se aliviasse sabia que faltava pouco pra se molhar totalmente...
Ginoza parecia totalmente afoito.
– Mas que coisa foi essa? — sussurrou, histérico – Isso não tá sendo encontro, isso tá piorando ainda mais a vergonha do Kougami e daqui a pouco eles vão terminar calados e a gente vai se ferrar quando saírem dali!
Tudo o que recebeu foi um revirar de olhos do outro e um Kagari ignorando-o.
– Relaxa – falou o Mitsuru – Isso é por pouco tempo. Logo logo vão estar abraçadinhos e aos beijos! — acrescentou, quase ronronando com o pensamento.
Kagari soltou um ruído lamentoso.
– Não trouxe minha câmera com visão noturna! Eu queria tanto gravar isso... — chorou – Nosso Ko virando homem!
Enquanto Sasayama concordava entretido, Ginoza apenas bufou.
“Já to sentindo os socos que vou receber mais tarde.”
– – –
Minutos de silêncio estranho depois, Akane já estava tremendo que nem uma vara verde e Kougami pareceu de algum modo perceber.
– Algum problema? — indagou.
Akane soltou um risinho que devia ser engraçado, mas soou totalmente horrível.
– Eu... Não gosto muito de escuro... Sabe...
Kougami trincou os dentes, subitamente furioso.
– Aqueles inconsequentes! — rugiu – Quando eu encontrar eles... Eles vão implorar por misericórdia... – totalmente se interrompendo quando escutou um gemido de medo da garota, Kougami diminuiu o tom para um pedido afável – Desculpe. Você não deve estar se sentindo bem. Vem... Cá. Vem cá. Acho que se ficar do meu lado pode se sentir mais segura.
Morrendo de vergonha, a garota concordou numa voz fininha e lentamente se postou ao lado do moreno, os dois agora sentados lado a lado. Seus braços se roçavam levemente, o que já bastava para o homem se sentir no paraíso e mesmo assim querer pular de um prédio.
E para a garota, além de ser uma mistura incontrolável de nervosismo e apreciação, o pavor pela escuridão completa começou a diminuir.
– – –
– Eu vou morrer – declarou o ruivo, jogado no chão.
– Eu também – concordou o de cabelos curtíssimos, sentado e com uma face de terror.
Ginoza apena encarou-os com um certo desprezo e ajeitou os óculos.
– Eu avisei.
– – –
Depois de mais um pares de minutos sem conversa e o medo de Akane quase sumido, ela sorriu.
– Sabe, Kougami-san.
– Hm? — respondeu ele.
– Eu estou me sentindo muito melhor – declarou, feliz – Obrigada.
Com uma dor no coração que veio em forma de flecha pela voz da outra e pela fofura que aquilo fora, o homem apenas concordou rapidamente.
– Que bom – acrescentou, mais calmo – Não vai demorar muito e vamos sair daqui, então fique tranquila.
A menina ficou quieta.
– Eu não quero sair daqui – soltou, de repente.
Kougami soltou uma exclamação surpresa.
– O que? Por quê?
Ela se mexeu um pouco para frente e torceu os dedos ainda mais.
– Eu... Me sinto bem aqui, mesmo com o escuro. Eu gosto de estar com você – explicou. E nos poucos segundos que o homem ficou perplexo e sem resposta, ela se soltou – Eu gosto realmente muito de estar com você! De falar com você, quando a gente conversa. Você é tão legal. E engraçado! Não fica me cantando que nem os outros, é muito gentil. Kougami-san... Eu realmente... Eu...
– Sim... – ele respondeu, indo instintivamente para mais perto da garota, sendo que ela também o fazia – Você...?
E eles chegaram tão perto sem perceber que faziam que seus narizes se encostaram e muito levemente seus lábios também.
– – –
Ouvindo o berro ensurdecedor que quase tremeu o ginásio, Ginoza gritou também.
– O que houve?! O que aconteceu?! MEU DEUS DO CÉU, ELES ESTÃO MORTOS?
Levantando de imediato, Sasayama mesmo assustado encarou Ginoza com incredulidade.
– Mas de onde você tirou isso? Eles só gritaram... O Ko, na verdade... – começou a andar de um lado para outro, incomodado – Será que eles estão bem?
– Provavelmente não – Kagari respondeu, a orelha colada na fresta.
– – –
– ME DESCULPE! — implorou Kougami, quase vinte metros afastado de Akane – Foi sem querer, eu juro! Eu não quis me aproveitar, eu só fui muito pro lado e não sabia que estava tão perto...
– T-Tudo bem... — riu ela, quase infartando. O toque dos lábios dele ainda permanecia na memória dela, mesmo que o acontecimento durou poucos segundos antes de ele sair correndo – Ta tudo bem...
– Sério... Me desculpe. Foi sem querer.
Akane arrumou os cabelos num gesto involuntário para se acalmar e suspirou, tentando manter a compostura quase perdida naqueles instantes mais maravilhosos da sua vida.
– Já disse que está tudo bem, Kougami-san. Não tem problema me beijar.
Silêncio.
– NÃO FOI ISSO QUE EU QUIS DIZER! – gritou ela – Nã-não foi...
– O-ok... – recebeu como resposta.
Com o que parecia mais um bilhão de minutos em que Shinya finalmente se sentou novamente ao seu lado, mas agora com uma distância razoável entre eles, Akane começou a sentir novamente o pavor subir pelo peito.
Sentindo outra vez as tremulações dela, Kougami perguntou se estava tudo bem.
– Sim... É só o escuro de novo.
Hesitante, ele aproximou e seus braços se tocaram novamente. Porém, daquela vez não foi o suficiente. Pega por uma coragem inclinada pelo medo, Akane segurou sua mão.
Expirando com o gesto, Kougami sentiu um calor subir pelo rosto. Mesmo com a vergonha, não soltou.
– Se não se importar... Acho que isso vai me ajudar. Por favor – pediu ela, hesitante.
– Tudo bem – recebeu como resposta.
Ficaram novamente quietos, mas agora confortáveis. Lentamente Akane fechou os olhos e um sorriso escapou dos lábios, o mesmo que aconteceu com Shinya.
– – –
Irritada com a demora de Akane e temerosa que algo acontecera com a amiga, Yuuki saiu do seu quarto que dividia com esta e se pôs pelo corredor.
Não demorou muito e viu os três colegas espiando ao lado da porta do ginásio. Curiosa e desconfiada, mas sem vontade de falar com eles, ela seguiu outro rumo e encontrou a porta auxilar que havia para o local.
– Será que Akane ficou trancada aqui dentro? — perguntou para si mesma – Quem sabe. Vou dar uma espiada.
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