Psycho Killer
22 Capítulo Vinte e Um
Notas iniciais
Capítulo Vinte e Um
A cidade era atrativa, isso era inegável. E, para Renesmee, deixar o castelo foi como ganhar sua liberdade. Era bom saber que fora dos altos muros, do local rodeado por vampiros e de toda a tensão que estava sobre o lugar, havia uma cidade que poderia resgatá-la de todo aquele clima pesado.
Alec e ela caminhavam lado a lado pelas ruas estreitas, com a mestiça se deliciando com um sorvete. Renesmee preferia sangue a comida humana, mas era irresistível e impossível não gostar de sorvete, principalmente quando aquilo a remetia quando sua mãe — Bella — a levava para tomar o melhor sorvete em Seattle.
— Você está ridículo usando óculos escuros de noite — Renesmee disse para Alec, o olhando pelo canto do olho, mais concentrada no doce em suas mãos.
— Ou era isso, ou lentes de contato e eu as odeio — ele resmungou. — Claro que sempre tem a opção andar por ai com meus olhos vermelhos expostos, mas acho que as pessoas não aceitariam mais isso depois de tanto tempo que se passou do Halloween .
— É, tem razão, eles iam querer te queimar vivo por ser uma aberração — Renesmee falou, sem perceber o que tinha dito, o que foi suficiente para Alec parar de andar, atrapalhando a passagem das pessoas na calçada. — Vamos Alec, você disse que iria me mostrar a cidade inteira — Renesmee insistiu, segurando na manga da camisa dele.
Alec mal prestava atenção no que Renesmee dizia, só conseguia se lembrar de quando era um humano e foi acusado de bruxaria. A fogueira alta que colocaram ele e a irmã, os gritos enfurecidos dos moradores do vilarejo que moravam, seu pai sendo morto por tentar lhes libertar e o choro alto de sua mãe, que clamava por misericórdia aos filhos.
— Alec, o que foi? — ela perguntou, notando que tinha algo de errado com ele.
— Nada, ande! — ele ordenou, dando passos rápidos, saindo bem a frente de Renesmee, que teve que praticamente correr para segui-lo.
Os dois ficaram quietos por um tempo, mas não foi preciso de muito para que a híbrida voltasse a se sentir em paz — ao menos parcialmente — por estar circulando por ai. Tudo bem que não tão livremente, uma vez que estava com Alec, mas não se sentia como se estivesse sendo escoltada por soldados.
— Aquilo é uma fonte de desejos? — Renesmee perguntou, logo depois de acabar seu sorvete e os dois chegarem a uma praça central da cidade.
— É — Alec respondeu, fazendo uma careta para o aglomerado de pessoas que se juntavam ao redor da fonte. — Não me diga que vai querer ir lá, Cullen, isso é ridículo até mesmo para você.
— Sou uma turista, vou fazer atividades de turistas — ela proclamou, se afastando dele com um sorriso gigantesco no rosto.
Renesmee pegou uma moeda no bolso, se colocou de costas para a fonte e jogou a mesma lá, desejando uma única coisa. Ter sua mãe de volta.
Alec foi até ela, fazendo uma careta para cada humano que esbarrava nele. Ainda que soubesse que Eleanor era maluca, ele não podia deixar de concordar com ela que um mundo onde os humanos e seus problemas tolos fossem rebaixados, talvez fosse de fato um lugar melhor.
— Vamos sair daqui, está cheio demais.
— Você é muito chato, Alec! — Renesmee exclamou. — Tome. — Colocou uma moeda na mão dele, faça um desejo, quem sabe um que você deixe de ser tão irritante.
— Cala a boca. — Ele bufou, mas jogou a moeda na fonte, desejando que Renesmee escolhesse não participar daquela batalha.
— O que desejou? — perguntou curiosa para ele.
— Desejos não podem ser revelados, Cantante — Alec respondeu.
Tudo em seguida aconteceu tão rápido, que nem mesmo Renesmee sendo metade vampira conseguiu acompanhar. Um carro que cruzava a rua paralela a praça perdeu o controle, invadindo o local cheio de pessoas e atropelando algumas, isso sem falar nas que caíram tentando esquivar do impacto do veículo.
A única reação de Alec ali foi segurar nos braços de Renesmee, a mantendo presa a ele, incapacitada de se soltar. Um banho de sangue tomou conta do lugar, o que deixou a híbrida louca.
Ela estava desde que tinha sido encontrada por Alec sem beber sangue, isso já fazia cerca de três dias e para quem estava se alimentando diariamente em abundância, era uma prova de controle estar exposta a tanto sangue fresco. Quando ela encontrou as bolsas de sangue no castelo Volturi, o cheiro não lhe foi tão aterrorizante, mas ali, pega de surpresa, com tantas pessoas feridas, tudo que ela queria era atacar.
— Solte-me Volturi! — Renesmee se debatia nos braços dele, tentando chegar a qualquer pessoa vitima do atropelamento. — Deixe-me ir.
— Não Renesmee, se controle — Alec exigiu, apertando ainda mais suas mãos em volta dos braços dela. — Você não pode se alimentar dessas pessoas, irá nos expor.
— Mas eu estou com sede. — Ela jogou seu corpo contra o dele, vendo por cima do ombro do Volturi, um homem que tinha se machucado estava a pouca distância dos dois, com o braço sangrando.
— Você não pode Renesmee! — Alec soltou os braços dela rapidamente, para abraçá-la. — Eu vou te tirar daqui, mas preciso que você prometa não atacar ninguém.
— Não posso prometer isso, eu preciso de sangue — Renesmee murmurou, voltando-se a debater nos braços de Alec.
— Pense na sua mãe, Renesmee, ela não gostaria de te ver matando mais humanos.
— Mamãe não pode me controlar como controla a si mesma! — Renesmee exclamou enfurecida.
Então ele a beijou, era a única forma que conhecia capaz de distraí-la, era o que sempre a fazia perder o controle da própria mente. Foi o ato necessário e preciso para que ela se desligasse das pessoas sangrando ao seu redor, ficando apenas concentrada no beijo e quando este acabou, Renesmee estava mais calma.
— Pronta para sair daqui? — ele perguntou, ainda mantendo suas mãos ao redor do corpo dela.
— Sim — ela sussurrou, sentindo seu corpo ficar um pouco mais leve.
Alec soltou Renesmee, preparado para detê-la caso ela não resistisse, mas ela resistiu. Segurou na mão dela, a guiando para longe da praça, bem no momento que as ambulâncias chegavam para socorrer os feridos.
Andaram rapidamente, ainda que não em velocidade vampiresca, para chegarem ao castelo Volturi. Renesmee odiava que seu descontrole tivesse resultado na interrupção brusca de seu passeio, que tinha sido feito justamente para que ela se esquecesse de tudo um pouco.
Assim que ela e Alec cruzaram a porta principal do castelo, Jacob apareceu, seguido por Edward que não parecia muito contente. O quileute fez uma careta para a mão de Renesmee unida a do vampiro, não pensou duas vezes em partir para cima dele, o afastando da Cullen.
Alec não precisou mais do que um empurrão para tirar Jacob de cima de si, o lobisomem estava prestes a se transformar, quando Renesmee gritou com ele.
— Não Jacob, mantenha-se na sua forma humana, estou falando sério! — Segurou no braço dele, o tirando de perto de Alec.
— Você é muito atrevido, cão — Alec disse para Jacob, limpando suas roupas que ficaram sujas ao cair no chão. — Eu deveria contratar um adestrador para te manter na linha? Sente, deite, role! — provocou, Edward não conteve uma risada ao ouvir aquilo, ganhando um olhar feio de Renesmee.
— O que você estava fazendo com esse vampiro, Renesmee? — Jacob indagou furioso. — Você fez aquilo, claramente passou mal porque até sangrou e saiu do castelo sozinha com ele. — Apontou para Alec.
— Acredite, Renesmee estava mais segura comigo do que com você, cãozinho. — Alec cruzou os braços, lançando um sorriso debochado para o mesmo. — Como você a protegeria? Fazendo xixi na perna das pessoas?
Jacob tentou mais uma vez chegar até Alec, mas Renesmee conseguiu segurá-lo no lugar. Edward, assim como o próprio Alec, não puderam deixar de perceber que a híbrida estava sabendo usar sua força muito melhor.
— Onde você estava? — Jane apareceu ali, jogando uma capa em cima do irmão. — Temos uma missão especial, vamos sair agora mesmo.
— Temos? — Alec perguntou confuso, vestindo sua capa e jogando os óculos escuros no bolso da mesma. — Vamos levar o cãozinho ao veterinário?
— Não, mas seria uma boa ideia. — Jane lançou um olhar enojado para Jacob. — Aro nos pediu para ir buscar sua namoradinha.
— O quê? — Renesmee não conteve a pergunta de sair de sua boca, recebendo quatro pares de olhares julgadores, então desviou o próprio olhar para o chão de pedraria do castelo.
— Aro quer que escoltemos Sofia e mãe dela para cá, temos de ir até elas agora mesmo.
— Claro — Alec concordou, acenando a cabeça positivamente, saindo novamente do castelo, lançando um rápido olhar a Nessie, que não viu por ainda estar encarando o chão.
Quando ouviu Jane sair também, Renesmee levantou o olhar soltando do braço de Jacob e encarando o pai, com uma pergunta em sua mente.
Quem é Sofia?
— Uma bruxa — Edward respondeu, parecendo chocado com algo, tinha lido os pensamentos de Alec, na verdade o vampiro tinha praticamente gritado seus pensamentos para o vampiro. Mas, ele não tinha coragem de contar para Renesmee o que descobriu, não quando aquilo colocava o futuro dela em perigo.
***
Eleanor observava da torre mais alta do palácio, os vampiros aliados a ela nos campos que envolviam o castelo, eles lutavam entre si. Estavam treinando para todas as batalhas que sabiam que viriam a seguir, aquilo deixava a vampira em êxtase, tudo que ela queria era ver seus seguidores destruindo todos que estavam contra ela.
Uma batida na porta despertou a vampira, fazendo com que ela desviasse o olhar dos vampiros e entrasse no quarto onde estava. Ordenou que Aaron entrasse, então logo o vampiro estava ali, esbanjando um sorriso que era tão confiante que até mesmo Eleanor repudiava.
— O que foi Aaron? — questionou. — Eu queria ficar um pouco sozinha, esse dia está sendo tão entediante, nem mesmo repudiar da pobrezinha Cullen foi tão bacana quanto imaginei que seria.
— Então anime-se Imperatriz, a noticia que eu trago é maravilhosa! — Aaron exclamou, segurando nas mãos de Eleanor.
— Ora, ora, não me diga que os Volturi tentaram um ataque surpresa, eles sempre foram tão cautelosos, não acredito que sejam capazes de fazer isso.
— Não, eles realmente não são — Aaron concordou. — Mas Violet está chegando, em alguns minutos estará aqui conosco.
Os olhos de Eleanor, vermelhos, brilharam. A menção do nome de Violet a fez ficar em êxtase, era a melhor noticia que Aaron poderia ter lhe dado.
— Aonde? Onde ela está? — Eleanor correu para a sacada do quarto, ignorando a cena dos vampiros lutando que apreciava instantes antes.
— Ela está na floresta, está cada vez mais próxima — Aaron respondeu, indo atrás de Eleanor. — Conhece Violet, ela gosta de entradas triunfais.
Eleanor riu, sentindo-se muito bem em saber que Violet logo estaria ali.
Os dois passaram algum tempo em silêncio, encarando a entrada da floresta as margens do castelo, esperando pela primeira aparição de Violet. Então ela surgiu, os longos cabelos loiros estavam soltos e esvoaçantes, conforme ela caminhava, eles faziam um movimento de acordo com a direção do ar.
Os vampiros nos campos pararam a luta para vê-la, não eram tolos, souberam imediatamente o que Violet era, assim como sabiam o que era o grupo que a seguia. E Eleanor sorriu, logo Violet entrou no castelo e pouquíssimo tempo depois estava junto a Aaron e a Imperatriz no quarto.
— Olá Imperatriz! — Violet fez uma reverência para Eleanor, que a ignorou, para abraçá-la.
— Finalmente você chegou, Violet! — Eleanor exclamou. — Eu precisava da minha bruxa preferida para que as brincadeiras dessem inicio.
— Oh isso é bom. — Violet piscou para Eleanor. — Vamos tacar fogo em alguns vampiros, começando pelos gêmeos bruxos e a mestiça.
Eleanor, naquele momento ignorou a menção à Jane e Alec Volturi, como a Renesmee Cullen. O fato de estar de novo reunida a Violet era a única coisa que lhe importava, então ignorando tudo e todos, a vampira beijou a bruxa. Ela podia querer todos os outros bruxos mortos, mas não Violet, não o amor de sua vida.
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