Psycho Killer
23 Capítulo Vinte e Dois
Notas iniciais
Capítulo Vinte e Dois
Os dias se arrastaram para a híbrida depois da partida de Jane e Alec, que foram buscar a bruxa Sofia e sua mãe. Renesmee tentou treinar na manhã seguinte com Jasper e Emmett, mas foi proibida a voltar ao centro de treinamento depois que em um ataque de Emmett, seu pé esquerdo quebrou.
Tratava-se de uma fratura simples, segundo Carlisle, iria precisar de alguns dias para que o pé dela voltasse ao normal mesmo que ela fosse metade vampira, mas nada tão extenso. Ainda assim Edward Cullen, se aliando a Jacob Black, fizeram com que a garota não fosse permitida de deixar seu quarto no castelo.
Aquela pseudo prisão praticamente levou Renesmee a loucura, passar o dia inteiro naquele quarto e com o pé engessado seguindo ordens expressas do pai, lhe fazia sentir impotente. Passou todo aquele tempo desenhando, na companhia da família ou de Jacob. Ela nunca ficava sozinha e a única Volturi que viu naquele período foi Lucy, mas só uma vez e por questão de minutos.
— Você não para de desenhar — Jacob comentou enquanto Renesmee terminava um desenho, era a fonte de desejos na praça em Volterra. O local de sangue, mas o mesmo local que Alec tinha a beijado pela última vez.
— O que quer que eu faça, Jake? — ela perguntou, sem desviar o olhar do desenho. — Estou presa nesse quarto desde quarta-feira de manhã e já é sábado de madrugada, estou enlouquecendo. Não sei o que está acontecendo fora dessas paredes, você não me diz nada, minha família não me diz nada. Eu não faço ideia de como mamãe possa estar. Estou sem treinar para combates corporais e meu poder continua estacionado na mesma insignificância de sempre.
— Seu poder não é insignificante — Jacob disse.
— Posso ser muito mais que uma híbrida, Jacob, mas não vou poder crescer se você e toda minha família continuarem me tratando como uma princesa de conto de fadas — Renesmee falou, mas não disse mais nada, estava farta daquela conversa. — Já está tarde, você deveria ir para seu hotel.
— Odeio aquele lugar, é solitário lá — Jacob reclamou. — Se você pudesse ir comigo.
— Isso seria contra o procedimento de me manter prisioneira nessa fortaleza — Renesmee murmurou, espalhando o grafite do lápis com a ponta do dedo. — Ainda acho que você deveria não vir amanhã, este lugar estará cheio de vampiros.
— É apenas um baile patético — Jacob grunhiu. — Além do mais quem seria seu par senão eu?
Renesmee preferiu não responder que seria Alec, até porque não tinha certeza se isso ainda seria mantido. Primeiro porque ele ainda não tinha voltado da busca a Sofia, a bruxa que Aro parecia interessado demais ao ponto de mandar dois de seus melhores vampiros buscá-la. Segundo porque se ele aparecesse com a tal bruxa, ela seria a companhia dele, uma vez que Jane tinha se referido a ela como namorada do Volturi.
A ponta do lápis quebrou devido a força que Renesmee exerceu nele ao pensar em Alec. Irritada, jogou o caderno e os lápis no chão, assustando Jacob.
— Você parece descontrolada — ele falou.
— É, estou mesmo. — Renesmee revirou os olhos. — Sabe o que me ajudaria? — Ela se curvou em direção a ele, tentando parecer sexy, mas tendo certeza de que o gesso em seu pé lhe impedia daquilo.
— O quê?
— Se você trancasse aquela porta e passasse o restante da noite comigo.
— Seu pai nos mataria.
— Vale a pena correr o risco — Renesmee sussurrou, aproximando-se da boca de Jacob, então o beijou.
Ele correspondeu, podia ser cuidadoso com Renesmee, mas não era feito de ferro. Puxou a garota para seu colo, fazendo com que ela sentasse ali, o que fez com que ambos gemessem. Renesmee deu um sorriso malicioso, sentindo-se finalmente bem pela primeira vez desde que foi obrigada a ficar presa naquele quarto.
O gesso não foi um empate para que ela continuasse sobre Jacob, movimentando seu corpo sobre o dele, nem para que Renesmee rasgasse a blusa dele com pouco trabalho. O corpo quente do quileute sobre o dela era perfeito para a híbrida, ali ela podia sentir todo o poder do imprinting agindo sobre os dois. Ela amava Jacob, isso era inegável.
— Vá com calma, Ness. — Jacob arfou, quando ela voltou a beijar a boca dele.
— Tente me impedir — Renesmee disse contra os lábios dele, para retomar o beijo.
Em um gesto mais agressivo, aconteceu. O que era para ser apenas uma mordiscada indefesa, se tornou muito mais e algo pior. Renesmee mordeu o lábio de Jacob com força suficiente para fazê-lo sangrar, então algo nela despertou. O lado assassina que matou aquela garotinha em Forks, então fez com que ela matasse mais de vinte pessoas durante sua fuga.
— Renesmee, não... — Jacob começou a falar, mas Renesmee já estava agarrando o pescoço dele, cravando seus dentes ali e bebendo do sangue do lobo. Era delicioso, o melhor sangue que ela já tinha provado e parar parecia impossível.
O quileute tentava se soltar dela, mas Renesmee não estava mais tão fraca quanto a híbrida que deixou Forks. Ela sabia aplicar sua força vampiresca muito melhor, assim como o desejo de sangue a deixava mais insana, principalmente quando estava se alimentando.
Então, sem que ela se desse conta, foi jogada para longe do corpo de Jacob. Pensou que tinha sido ele que conseguiu afastá-la, mas quando levantou a cabeça, tirando o cabelo do rosto, viu Alec parado perto de sua cama, a encarando com uma expressão furiosa.
— Sai cãozinho — ordenou para Jacob, que estava chocado, pressionando a mão no pescoço ensanguentado.
— Renesmee...Você...Me mordeu — gaguejou, sem conseguir crer que aquela garotinha que ele sempre teve como indefesa tinha feito aquilo.
A boca e queixo de Renesmee, estavam repletos de sangue, e mesmo que parte dela estivesse bastante envergonhada por aquilo, a outra comemorava por ter se alimentado.
— Saía! — Alec gritou para Jacob, jogando os destroços da camiseta do mesmo para ele. Do lado de fora do quarto os Cullen estavam reunidos, mas assim que o Black deixou o quarto, o Volturi os trancou do lado de fora, e com Jacob ferido, todos saíram dali para ajudá-lo.
— Oi Alec! — Renesmee sorriu para ele, se levantou do chão, passando a mão pelo rosto sujo de sangue. — Acho que me pegou em péssima hora.
— Não devia ter feito isso, Renesmee! — Alec segurou no braço dela, a arrastando em direção ao banheiro, a colocando diante da pia para que ela se limpasse.
— Só estava me divertindo com meu namorado, nada demais. — Renesmee tirou o sangue de seu rosto.
— Você se alimentou de Jacob — Alec falou pausadamente.
— Isso é errado? Ele é humano e tem um sangue delicioso, talvez seja meu Cantante.
Alec respirou fundo, tentando encontrar uma calma que não tinha desde que Renesmee cruzou seu caminho naquela boate em Londres.
— Escute, você está insana no momento porque tem sangue humano fresco em seu corpo, é como tomar álcool para um humano. Mas quando o efeito imediato passar, você vai se arrepender e muito do que fez.
— É, quem sabe — ela disse. — No momento só estou me sentindo maravilhosa. — Gargalhou.
— O que aconteceu com seu pé, Renesmee? — Alec indagou, vendo o gesso no pé dela.
— Um treino mal sucedido — Renesmee se queixou, abaixando-se e arrancando o gesso de si. — Bem melhor agora. — Sorriu vendo o pé livre. — Onde esteve? Por que demorou tanto a voltar? Você era o único que conseguia debater com meu pai, ele me trancou nesse quarto e perdi dias sem poder treinar.
— Sofia estava longe, mas isso não é da sua conta — Alec respondeu. — Vá dormir Renesmee, amanhã você vai ter muito o que lidar com sua consciência pesada por ter mordido seu cãozinho.
— Você não é meu pai, Volturi! — Renesmee exclamou, então sorriu maliciosamente para ele. — Na verdade, que bom que não é, isso me permite ter pensamentos sujos com você, Alexander — sussurrou o nome dele, tocando no peito do mesmo.
Alec apenas emitiu um som de desaprovação, então segurou Renesmee e jogou o corpo dela por cima de seu ombro. Ainda que ela tenha protestado, não foi nada difícil tirá-la do banheiro e levá-la para o interior do quarto, onde a jogou de volta na cama.
— Durma, Cantante!
— Alec? — Renesmee segurou na mão dele, já com os olhos fechados e mostrando-se estar totalmente entregue a sonolência. — Eu senti sua falta, não se afaste mais de mim.
Alec beijou a testa dela, sabendo que para ele também tinha sido terrível ficar longe de Renesmee.
***
Já se passava do meio dia quando Renesmee deu os primeiros sinais de que iria acordar, Rosalie que velava o sono da sobrinha, levantou-se da cadeira, levando consigo a bandeja com comida. Sentou-se na beirada da cama da híbrida, dando um sorriso gigantesco ao ver a garota abrir os olhos.
Por acordar e logo dar de cara com Rosalie, ainda mais com esta sorrindo e segurando uma bandeja recheada de comida, Renesmee ficou confusa. Sentou, tirando o cabelo que insistia cair em seus olhos.
— O que foi? — Renesmee perguntou para a tia.
— Você é uma garotinha que me dá tanto orgulho, Renesmee. — Rosalie segurou a bandeja com só uma mão, para poder tirar o cabelo que voltou a cair sobre os olhos da híbrida.
— Do que está falando?
Renesmee estava confusa, mas aos poucos se lembrava do que tinha feito na noite anterior. Atacado Jacob, seu namorado. Tinha bebido do sangue dele e se não fosse por Alec Volturi ela não teria parado, aquilo era péssimo e culpa dominou a Cullen.
— Tia, por favor, me diga que estou delirando, que não bebi o sangue de Jacob na última noite — Renesmee pediu em um fio de voz.
— Ah, você bebeu sim. — O sorriso no rosto de Rosalie ficou mais largo ainda. — Na verdade acho que estou um pouco chateada com você, por que não nos poupou de conviver com aquele fedor de cão e o matou de uma vez?
— Tia! — Renesmee exclamou irritada, não só com Rosalie, mas consigo mesma. — O que eu fiz foi tão errado, Jacob deve estar me odiando. Mamãe me mataria se soubesse que eu o ataquei, além do mais, eu bebi sangue humano, o que não deveria ter feito. Não mesmo, principalmente depois de todas as mortes que provoquei desde que deixei Forks.
Rosalie suspirou, deixou a bandeja sobre a cama e se voltou para a sobrinha.
— Tudo bem, você pode ter errado querida, mas não se julgue tanto. Você é metade vampira, sei que às vezes todos nós te tratamos como uma simples humana indefesa, mas a questão é que sabemos que você tem os mesmos desejos por sangue que nós. Renesmee, você nunca escolheu ser vegetariana, apenas cresceu num meio assim e achou isso o certo. Eu considero essa a forma correta de continuar vivendo como vampira, poupando vidas humanas, mas você não é obrigada a achar o mesmo. Seus pais, eu, todos nós gostaríamos muito que você se mantivesse vegetariana, mas não podemos te obrigar a isso.
— Eu não quero matar mais ninguém, tia — Renesmee choramingou, engatinhando até Rosalie, que prontamente a abraçou. — Poderia ter matado Jacob, nunca me perdoaria por isso, amo ele, não poderia matar o homem que amo.
Rosalie afagou o cabelo de Renesmee, beijando o topo da cabeça da híbrida.
— Se ele te ama, vai entender também o que você está passando, Renesmee — Rosalie falou. — Jacob sempre soube que você era metade vampira, não pode tratar isso como se só tivesse descoberto quando seus dentes estavam afundados no pescoço dele.
— Por que tudo está dando tanto errado? — Renesmee perguntou, voltando a se sentar para encarar o rosto de Rosalie.
— A vida não é simples. — Rosalie suspirou. — Nem quando se é um vampiro. Todos temos nossos demônios a enfrentar.
— Parece que estou enfrentando cem demônios juntos. — Renesmee limpou as lágrimas de seu rosto.
— Quer ir embora, Renesmee? — Rosalie perguntou, pegando Renesmee de surpresa.
— Como assim?
— Quer deixar esse castelo? Essa batalha e tudo de lado? Eu posso fugir pelo mundo todo com você, voltaremos quando tudo acabar. Ninguém vai chegar até nós, ficaremos a salvo.
— Não, eu não quero isso! — Renesmee respondeu prontamente, fazendo Rosalie voltar a sorrir.
— Então você está pronta para enfrentar até mil demônios, querida. — Segurou na mão de Renesmee. — Você nunca foi fraca Renesmee, na verdade acho que esse é o problema para todos nós. Uma meia humana, meia vampira. Sei que não é a única de sua espécie, mas é alguém rara. O que te torna especial, como também nos faz ter dificuldades de te compreender. Mas você é incrível e vai provar para qualquer um que duvide de sua capacidade, que pode encarar todos os males que assombrem seu caminho.
Renesmee voltou a abraçar Rosalie, sentindo-se um pouquinho melhor.
— Como Jacob está? Como ele ficou depois que saiu daqui? — Renesmee perguntou, recebendo de Rosalie um revirar de olhos e a bandeja de comida. — Não estou com fome.
— Não perguntei se estava com fome, estou mandando você comer. — A fala de Rosalie fez com que Renesmee começasse a comer. — Quanto a Jacob, ele parecia transtornado depois do ataque, mas já era de se esperar. Esme e Carlisle foram com ele para o hotel, o cachorro está bem, você pode ser metade vampira, mas não tem veneno, logo ele não foi prejudicado. É sério, não se preocupe com Jacob, ele vai ficar irritadinho, mas no fundo não vai te culpar.
— E ele vem para o baile? — Renesmee perguntou, comendo algumas uvas, não estava com fome, mas a ansiedade lhe fazia comer.
— Claro que ele vem — Rosalie respondeu, soltando uma risadinha. — Na verdade acho que Jacob está mais furioso por você aparentar estar próxima de Alec, do que por ter o mordido.
— Isso é ruim — Renesmee disse.
— Bom, não tão ruim quanto Alice em um dia de festa, prepare-se para ela nos enlouquecendo. — Rose levantou da cama. — Vou sair para caçar com Emm e Jasper, mas estarei aqui para o baile, quem sabe para ver você beber todo o sangue do Black.
— Isso não é engraçado — Renesmee reclamou.
— Ah querida, acredite, é muito engraçado. — Rose riu, saindo do quarto em seguida.
Renesmee deixou a comida de lado, então seguiu para o banheiro que tinha em seu quarto no castelo. Ainda podia se lembrar de ter estado ali com Alec na noite passada, como dele falando que ela não devia ter bebido do sangue de Jacob, mas não lembrava mais detalhes daquela noite.
Tomou um banho quente e demorado, apreciando aqueles minutos sozinha que podia tentar relaxar o máximo possível. Sabia que em algum momento iria ter que sair de lá e encarar todos os problemas, mas até lá só queria que a água fosse forte suficiente para levá-la pelo ralo.
Enrolou-se em um roupão quando percebeu que já estava lá dentro por mais de uma hora, ainda tinha um baile para ir aquela noite, não podia se dar ao luxo de ficar lá pelo resto da eternidade. Aquela festa era importante para que os Volturi tivessem aliados contra Eleanor, logo era uma forma dos Cullen também terem aliados, então um meio de estarem mais fortalecidos para resgatar Bella.
Renesmee estava analisando os desenhos que tinha feito durante os dias que ficou presa no quarto, quando a porta do mesmo abriu. Uma mulher de cabelos ruivos, só que mais escuros do que os de Renesmee, como uma garota que devia ter uns vinte anos, de cabelos negros, entraram ali.
— Ora essa, finalmente podemos lhe conhecer, cara Renesmee! — a mais velha disse, estalando os dedos, o que fez a porta atrás de si fechar. Renesmee arregalou os olhos, agarrando o caderno de desenhos, com medo.
— Mamãe, é feio não se apresentar — a mais nova falou, dando um sorriso doce, que para Renesmee parecia falso. — Somos Sofia e Margot Klosk. — Ela andou até Renesmee. — É ela, não é mamãe? — Sofia perguntou para Margot, sem tirar os olhos da híbrida.
— Sim. — Margot sorriu para Renesmee também. — Finalmente encontramos a mestiça.
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