Psycho Killer
34 Capítulo Trinta e Três
Notas iniciais
Capítulo Trinta e Três
Alec estava em seu quarto no castelo, enquanto Renesmee foi para o seu. Pelo que Heidi lhes informou assim que deixaram as vistas de Aro e Caius, o jatinho dos Volturi — que não surpreendeu nem um pouco a nova integrante do clã — já estava esperando para levá-los imediatamente para os Estados Unidos. Aproveitando os últimos minutos que tinha, antes de partir, Renesmee escrevia uma carta para seu pai.
Esperava mesmo que voltasse com vida daquela missão, não apenas um corpo frio pronto para ser enterrado. Ainda assim, ela não tinha absoluta certeza de que isso aconteceria, além do mais, o pai e o restante de sua família ainda estavam fora caçando, não teria tempo de se despedir de nenhum deles.
“Papai,
Eu sei que quando estiver lendo esta carta, você estará bem furioso por eu ter ido embora sem uma despedida face a face, mas espero que entenda que o tempo não estava sendo um bom amigo para mim. Mantenha a calma, tudo bem?
Ficarei bem, sei que Maria tem um exército, é uma vampira antiga. Porém, eu sei me virar. Sério, poderia fazer isso sozinha, sem nenhuma necessidade de Alec me auxiliar.
Então, relaxe. Logo mais eu voltarei. Quem sabe estarei de volta antes mesmo de o senhor conseguir falar todos os xingamentos existentes por ter descoberto minha ida para os Estados Unidos.
Quero lhe dizer, mais uma vez o quanto o amo, papai. Obrigada por tudo, durante toda minha vida foi uma base para mim. Repasse meu amor e gratidão para o resto da família. Não os vejo desde a cerimônia que me tornou uma Volturi, mas quero que todos saibam que eu sempre serei uma Cullen em meu coração.
Prometo manter meu coração batendo, papai. Juro que nada do que o senhor, ou minha mãe, fizeram para me manter segura e salva anos atrás vai ser em vão.
Eu voltarei. E, então poderá xingar-me pessoalmente por ter saído sem um adeus formal.
De sua eterna filha, Renesmee C. C. Volturi”
Renesmee selou a carta, usando o selo com brasão dos Volturi para isso. Colocou o envelope sobre a mesinha, o deixando a vista para quando seu pai aparecesse ali. No mesmo momento, Lucy saiu de seu armário, carregando uma pequena mochila para ela.
— Itens básicos! — Jogou a bolsa para Renesmee, que prontamente a amparou. — Tem um cartão de crédito em um dos bolsos, se o perder Alec saberá como reaver outro, mas de qualquer forma achei que você precisaria sair daqui com algumas coisas, levando em conta que é metade humana.
— Obrigada Lucy! — Renesmee agradeceu, já tinha se vestido com roupas mais confortáveis para a viagem e, para a luta que encontraria em seu país de origem.
— Prometa voltar, Renesmee — Lucy pediu, seu rosto sendo tomado por uma expressão preocupada. — Já perdi Jane, não posso perder mais ninguém. E, sei que se algo lhe acontecer, perderei Alec também. Não deixe isso acontecer, por favor. Eu matei cada membro da minha família, estou farta de conviver com a dor da perda.
— Vou voltar, Alec também — Renesmee proclamou, segurando na mão de Lucy. — Prometa-me que manterá minha família a salvo? Eu não sei o que esperar de Aro, muito menos de Caius.
— Cuidarei deles. — Lucy assentiu, puxando Renesmee para um abraço.
Uma batida na porta as despertou, lá estava Alec, as encarando.
— Hora de ir Renesmee, temos uns vampiros para matar.
***
As longas catorze horas de voo no jatinho foram terríveis para Renesmee, ela e Alec conversavam bem pouco, ele parecia muito mais focado no livro de magia que tinha trazido consigo para a viagem. Enquanto isso, ela permanecia quieta, tentando dormir o máximo possível, ou se recordar de como deveria atacar os inimigos.
— Por que está tão focado nesse livro? — perguntou para Alec, sentado diante dela.
— Por nada. — Ele deu de ombros, mas sem tirar os olhos do grosso livro antigo em suas mãos. — Só estou vendo os feitiços, talvez minha mente esteja em busca de um que possa anular a profecia.
— Eu posso nem estar grávida ainda — Renesmee afirmou. — Não é hora de pensar no futuro bebê, Alec. Estamos indo para uma missão suicida.
— Maria? — Alec revirou os olhos. — Acha mesmo que ela representa um perigo? Eu poderia cuidar dela e do exército muito bem sozinho, a conheço, quando em outra época criou outro exercito, acredito que foi depois de Jasper a deixar, é só uma maluca. Acredite, fácil de contornar. Se quiser pode ficar no hotel descansando, em menos de uma hora vou até você.
— Parecia preocupado no castelo, quando Aro me escolheu para essa missão.
— Ele acreditou? Acha que caiu no que falei? Ou foi exagerado demais? — Alec a encarou.
— Você estava fingindo? — perguntou surpresa.
— Sim — Alec confirmou, fechando o livro. — Agora que decidi manter Aro longe de minha mente, preciso que ele acredite apenas no que falo.
— Bom, eu acreditei que estava preocupado comigo, então acredito que ele também. — Renesmee não estava nada contente pela preocupação dele ter sido falsa.
— Renesmee, vai ficar emburrada com isso? — Alec se curvou, colocando suas mãos sobre os joelhos dela, dando um sorriso debochado.
— Você é um ser cruel, Alec Volturi! — Renesmee deu um tapa em cada mão dele. — Mas entendo seu ponto de vista.
— Não se ache excluída, ainda continuo preocupado com você por todo o resto. — Alec levou uma de suas mãos até o rosto dela, o afagando com cuidado.
Renesmee assentiu, se inclinando para beijá-lo.
— O que faremos com Maria?
— Eu usarei meu poder sobre todos do exército dela, você pode se divertir arrancando a cabeça deles enquanto isso. — Alec sorriu, um sorriso que se refletiu no rosto de sua cantante.
— Teremos algum tempo, até encontrá-la no hotel abandonado que Heidi nos disse que ela está, não é? — Renesmee perguntou, calculando o tempo de viagem, mais fuso-horário. Chegariam a Dallas, cidade onde Maria estava, por volta das quatro da tarde e só poderiam sair de lá quando o Sol tivesse ido embora.
— O que está planejando? — Alec segurou na mão dela.
— Passar esse tempo com você na cama. Bom plano, não é?
— Não, péssimo plano — Alec falou, fazendo com que ela arregalasse os olhos. — Iremos treinar seu poder, você precisa fazê-lo funcionar a distância. Se conseguir, deixo que me leve para a cama, Cantante. — Piscou para ela.
***
Duas poltronas tinham sido jogadas no chão e, no meio da bagunça que se formava no quarto Renesmee estava pronta para atirar um copo contra a parede. Foi impedida de quebrar o vidro por Alec, que chegou a parede antes do copo e o deteu de quebrar.
— Precisa se controlar, Renesmee — falou em um tom calmo, o que só aumentava a raiva dela.
— Estamos há horas aqui, Alec! — Renesmee exclamou. — E, nada de conseguir colocar um pensamento qualquer na sua cabeça a distância. Onde estamos querendo chegar? Já não tínhamos passado dessa fase de forçar meu poder a se expandir?
— Você já conseguiu isso antes, Renesmee — Alec falou, devolvendo o copo ao seu lugar, então se aproximando dela. — Só não está se concentrando o suficiente.
Ela o encarou com raiva e, se ele não a conhecesse também até mesmo poderia ficar com medo da híbrida.
— Podemos tentar isso outra hora? Já anoiteceu, devemos ir atrás de Maria e o exército dela.
Alec cedeu, já estava mesmo na hora de irem lidar com Maria. Tinham se trancafiado naquele quarto de hotel desde o momento que chegaram a cidade, foi complicado para ele fugir do Sol em plena cidade no Sul, mas conseguiu aquilo muito bem sem que nenhum humano desconfiasse dele.
— Certeza de que não quer ficar aqui? — perguntou para Renesmee, pegando o seu manto e o dela.
— Não me irrite, Alec. — Ela puxou o manto da mão dele. — Não ficarei como uma inútil trancada aqui dentro.
O Renegado apenas sorriu, sem falar mais nada que realmente pudesse irritá-la. Renesmee jogou os óculos escuros para ele, que prontamente o colocou no rosto, então os dois saíram do quarto. Saíram sem chamar muita atenção, ou pelo menos evitando chamar o máximo de atenção, deixando os mantos para serem colocados apenas quando estivessem fora dos olhares humanos.
Seguiram para uma rua lateral ao hotel, para então vestirem seus mantos e se puseram a correr até o local de esconderijo de Maria. O hotel abandonado que ela tinha como seu lar, ficava afastado do centro da cidade, em uma aérea bem desértica da cidade. Diminuíram a velocidade quando estavam próximos, Alec não parecia muito contente em ter Renesmee ali, mas não falou nada.
Eles já tinham uma tática de ataque: nada de rendição. Por na ser a primeira vez que Maria se envolvia com problemas em relação aos Volturi, nenhuma rendição seria dada a ela. Alec iria usar seu poder sobre todos, enquanto Renesmee o ajudaria matar cada membro do exército de Maria.
Os dois diminuíram os passos enquanto chegavam ao hotel onde Maria estava, logo na entrada um grupo de pelo menos dez vampiros ofertava a primeira linha de segurança. Antes mesmo deles pensarem em correr até Alec e Renesmee, o vampiro usou seu poder contra eles, os fazendo cair no chão, sem nenhum de seus sentidos.
Renesmee, que parecia animada com a ideia de matar alguém, praticamente saltitou até o grupo de vampiros, os liquidando rapidamente. Lançou um sorriso vitorioso para Alec, que apenas assentiu quando viu que ela tinha conseguido realizar aquela primeira missão com êxito, jogando um isqueiro e uma garrafinha de álcool para que ela ateasse fogo nos corpos.
Dentro do hotel um grupo muito maior de vampiros, alguns deles em posição de ataque, outros procurando misericórdia por parte dos Volturi. Alec não esperou que nenhum deles dissesse mais nada, logo usando seu poder para detê-los. Sentia falta de sua irmã naqueles momentos de combate, Jane gostava de debochar, torturar e só então exterminar o inimigo.
Renesmee precisou de ajuda daquela vez para dar conta de todos os vampiros, Alec contou pelo menos cinquenta ali no hall do hotel. Então, os dois andaram pelos dez andares do hotel de Maria, mas ela não estava em lugar nenhum.
— Onde acha que ela se enfiou? — Renesmee perguntou quando retornaram ao hall do hotel, a pira com corpo ainda queimava.
Antes que Alec pudesse responder, Maria surgiu na entrada do hotel. Usando um vestido branco que lhe dava uma expressão fantasmagórica, com uma expressão assassina no rosto.
— Olá sobrinha de Jasper! — Maria exclamou. — Olá Volturi.
— Maria, dá última vez minha irmã e eu não deixamos claro o suficiente que o próximo exército que criasse te levaria a morte? — Alec questionou, ficando na frente de Renesmee. — E achou mesmo que com pouco mais de cinquenta vampiros conseguiria ser o suficiente para nos deter? Para deter Eleanor? Você é tão ingênua, Maria. — Riu, Renesmee sorriu também, suas mãos coçavam para arrancar a cabeça dela.
Maria aproximou-se, as mãos atrás do corpo e um sorriso no rosto. Olhou para Renesmee, então se voltou para Alec.
— Deter Eleanor? Não querido, Volturi. Algo que não sou é ingênua, eu nunca entraria em uma disputa com ela, muito menos com Violet, estou aqui a serviço das duas.
Alec não teve tempo de fazer nada, muito menos Renesmee. As mãos de Maria saíram de trás de seu corpo e ela injetou algo no braço dele. Alec simplesmente caiu no chão, contorcendo-se de dor, enquanto seu braço parecia queimar e a dor alastrava-se por todo seu corpo.
Renesmee soltou um grito desesperado, enquanto Maria gargalhava. Ela queria ajudar Alec, ainda que não soubesse o que fazer, mas o ódio que sentiu pela outra vampira foi tão grande que o deixou para trás, correndo atrás da outra para o exterior do hotel.
Maria ainda ria, divertindo-se do desespero de Renesmee. Até que a ruiva muniu-se de todas as forças que tinha, correndo tão rápido quanto seu pai, conseguindo derrubar a vampira no chão.
— O que você fez com ele, sua desgraçada? — questionou, prendendo Maria debaixo de si.
— Fiz apenas um favorzinho para Eleanor. — Maria tentou se soltar, mas Renesmee deu um soco nela, em seguida pressionando sua garganta. — É uma porção, usada nos tempos medievais para matar vampiros, magia negra. A bruxa aliada a Eleanor mandou que eu a usasse em seu namoradinho, agora que a Mestiça deitou-se com o Renegado, ele não tem mais serventia alguma.
Renesmee não a esperou dizer mais nada, pressionando a cabeça de Maria tão forte em suas mãos, que a mesma se despedaçou ali. Ainda munida do isqueiro e álcool, ela ateou fogo no corpo dela, querendo que a vampira apodrecesse no inferno.
Voltou para dentro do hotel, onde Alec ainda queimava como na noite que tinha se transformado em vampiro. Ele gritava alto, sem conseguir controlar toda aquela dor.
— Alec, não, por favor! — Renesmee implorou, o corpo todo trêmulo desabou ao lado do dele.
Ela tinha tanto medo de ser morta naquela missão que não pensou que Alec poderia ser um alvo também.
— Alec, não me deixe. — Renesmee beijou os lábios dele, sua mente a transportando para pouco tempo antes, quando era Jacob morrendo em seus braços. — Deve haver algo que possamos fazer, essa droga de porção nem deve ser verdadeira. — O puxou para seu colo.
— Ela é — Alec murmurou entre a dor. — Marcus contou para mim que viu dezenas de vampiros sendo envenenados por bruxos com isso, mas nunca pensei que pudesse ser real.
— Há algo que possamos fazer? — Renesmee perguntou aos prantos, enquanto a sensação de que algo o queimava tomava conta do peito de Alec.
— Jane falava que tinha um feitiço no livro, o mesmo que contem a profecia, que podia refazer o efeito da poção. — Os lábios dele tremiam, enquanto seu peito parecia ser devorado por forças.
Estava alucinando, ouvindo ao longe a voz de sua mãe gritando por ele. Estava de volta a fogueira que quase o matou quando humano.
— Quanto tempo temos? Podemos tentar achar algum bruxo para realizar o feitiço — Renesmee começou a falar, suas lágrimas caindo sobre o rosto de Alec.
— Não há tempo, em uma hora estarei morto — Alec disse, sentindo as mãos dela pressionarem seu rosto.
— Você não vai morrer, Alec! — Ela gritou, socando o chão, causando uma fissura ali.
— Sofia — Alec voltou a falar, sendo interrompido por mais uma leva da poção agindo em seu corpo, o queimando por dentro. — Sofia disse para Jane e eu, quando a encontramos, que nós dois ainda tínhamos poderes bruxos, que só não sabíamos os usar.
Renesmee não pode deixar de ser surpreendida ao ouvir aquilo.
— Eu pensei que ao se transformar em vampiro os perderia.
— Não segundo ela. — Alec contorceu-se mais. — Eu posso tentar, não sei se dará certo, mas posso. Preciso que volte para o hotel, procure pela página com algum feitiço que tenha o nome Inversigi, nunca o li, mas Jane dizia que ele revertia o efeito da porção.
— Tudo bem, eu trarei o livro até você.
— Não, você não entende, não dará tempo. Preciso que mande seus pensamentos para mim, enquanto lê o livro.
— Sabe que eu não consigo. — Renesmee choramingou, desolada.
— Consegue sim. — Alec insistiu, Renesmee beijou os lábios dele, então correu para longe do hotel abandonado.
A ida até o hotel onde estavam hospedados foi muito mais longa do que o esperado, fosse pelas lágrimas tapando sua visão. Quando chegou lá, com cerca de vinte minutos para poder encontrar o feitiço certo e conseguir colocá-lo na mente de Alec, Renesmee ignorou os olhares humanos para seu estado e andou apressadamente até seu quarto.
Não foi difícil encontrar o livro, mas localizar o feitiço foi. Eram palavras estranhas e, mesmo que ela soubesse pelo menos dez línguas, todas aprendidas com êxito junto dos Cullen, não sabia nada do que estava escrito ali.
Até que por fim, a palavra dita por Alec, surgiu no meio de tantas outras. Ela respirou fundo, contendo o choro, concentrando-se em todas as outras palavras que vinham depois daquela, então pensando em Alec, desejando que mesmo a toda aquela distância, que o vampiro conseguisse ter acesso aos seus pensamentos.
Ela passou minutos assim, deixando tudo fora de sua mente. Concentrando-se apenas no feitiço de palavras estranhas e numa conexão que implorava para estar sendo feita com a mente de Alec. Em algum momento, sentiu seu nariz sangrando, como tinha ocorrido quando tentou expandir seus pensamentos até Bella, foi quando Renesmee desistiu, desabando no chão, o rosto pregado no tapete, enquanto chorava desesperadamente.
Não aguentava mais perder ninguém, porém a ideia de perder Alec era pior. Principalmente depois deles terem dormindo juntos, ela questionava-se como seria se ele não tivesse resistido e se ela estivesse esperando a criança da profecia.
Exausta, fraca por ter se esforçado tanto, Renesmee apagou. Era um desmaio, nada de sonhos, nem mesmo com o rosto de Alec.
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