Psycho Killer
40 Capítulo Trinta e Nove
Notas iniciais
Capítulo Trinta e Nove
Renesmee sorriu para mais uma discussão entre Harry e Lucy, aparentemente a vampira tinha pego o vampiro roubando mais uma vez no jogo de cartas. A híbrida se perguntava o porque de Lucy continuar jogando, se toda vez ela acusava o outro de roubo, mas, de qualquer forma, ver os dois se estranhando era divertido.
— Você não pode pegar duas cartas de uma vez, Harry! — Lucy exclamou, guardando as cartas na caixinha onde tinham encontrado.
No sofá, Renesmee sorriu ainda mais, ajeitando a manta sobre seu corpo. Era manhã de Natal, o frio era imenso e a neve do lado de fora da casa não cooperava em nada. Ela deixou o livro que lia de lado, deixando suas mãos repousarem sobre sua barriga, que estava claramente maior, o bebê já se mexia muito mais e seu coração podia ser ouvido por todos os vampiros.
— Lucy, somos vampiros, sério que está preocupada com um roubo de cartas? É tolo, coisa de humanos. — Harry revirou os olhos.
— Ele é um péssimo exemplo! — Lucy virou-se para Renesmee. — Quando o bebê nascer Harry não tomará conta dele um dia sequer.
— Você vai ser babá eternamente dele? — Renesmee perguntou, aconchegando-se melhor ao sofá.
— Sim, eu não me importo, contanto que essa criatura. — Apontou para Harry. — Não encha a cabeça dessa criança com ensinamentos errados. Além do mais, eu sou a melhor tia que o bebê pode ter.
— Tecnicamente eu sou a única, tia! — Jane exclamou, entrando na sala junto de Alec, eles tinham saído para caçar na noite anterior.
— Ei, finalmente! — Renesmee pulou do sofá, correndo até Alec.
— Lhe trouxe um presente de natal — ele falou, com um sorriso travesso no rosto, tirando algo de uma mochila. — Bolsas de sangue.
Renesmee gargalhou, grata pelo presente.
— Obrigada! — Não era seguro que ela saísse para caçar, então estava sendo mantida por bolsas de sangue que os outros traziam para ela quando voltavam de suas caçadas, elas nem queria imaginar como eles estavam roubando o posto do hospital mais próximo dali.
— Vou colocar em um copo para você. — Lucy pegou as bolsas de sangue da mão de Alec, mas antes que ela pudesse dar um passo, Jane fez com que aparecesse um copo diante dela, flutuando no ar. — Pare de se gabar, Jane! — Lucy bufou, colocando o sangue no copo. — Nem todo mundo pode ficar conjurando copos no ar.
— Desculpe. — Jane riu, mas não era um pedido de desculpas tão real assim. — Estou animada com toda essa história de magia. — Foi se sentar no sofá, Lucy entregou o copo com sangue para Nessie, que prontamente começou a beber.
— Como tem sido os treinos? — Harry perguntou, vendo a careta no rosto de Alec, Renesmee sabia que ele não estava gostando nada daquilo. Fazia alguns dias que os gêmeos passavam horas e mais horas na companhia de Margot e Sofia praticando, Jane era a que mais falava sobre a prática de magia, mas Alec não dizia uma palavra, nem mesmo para sua Cantante.
— Bem, Alec tem sido teimoso — Jane disse, fazendo o irmão bufar. — Ele podia ser muito melhor se não ficasse a todo instante reclamando.
— Alec, você precisa se concentrar nisso, é para o bem do bebê — Nessie sussurrou para ele, tirando o copo que antes continha sangue de perto de si.
— Eu sei. — Foi tudo que ele disse.
— Mas enfim — Jane retornou a falar. — Aprendemos um pouco sobre porções ontem...
— E você está se sentindo em um livro do Harry Potter? — Lucy provocou, fazendo Harry rir.
— Não seja idiota, Lucy — Jane bufou. — Não é nada disso, além do mais, eu não gosto tanto assim de porções, os feitiços são mais legais.
— Pelo menos não ficamos cansados como Sofia e Margot — Alec disse, ninguém falou nada, o deixando continuar. — Praticar magia os cansa, eles não são indestrutíveis como nós, então se forçam muito, acabam fracos.
— Nós não! — Jane completou com um sorriso demoníaco no rosto. — Eleanor não terá como nos vencer, Violet então? Nem em seus sonhos.
— Mas Violet pratica magia negra, sem pudores nenhum. É por isso que ela consegue neutralizar nossos poderes, mas demanda muito poder da parte dela — Alec sentou ao lado da irmã. — E, Margot até mesmo admitiu para nós que é uma das bruxas mais poderosas que já conheceu.
— Ninguém irá nos vencer, irmão — Jane proclamou. — Derrubaremos qualquer um que entrar em nosso caminho.
— Agora ela está mais para Voldemort — Harry cochichou para Lucy, que riu baixinho. Jane fez com que o copo que antes Renesmee tomava o sangue, voasse até a testa de Harry.
— Quem sabe você não consegue uma cicatriz igual a do Harry Potter, babaca!
***
Estavam na metade de Janeiro e o frio continuava intenso, Renesmee sentia saudade da família, de Forks e, principalmente de liberdade. Não que estivesse completamente trancafiada dentro da casa que estava residindo na aldeia, ela podia sair, mas não tinha o que fazer ali.
Leu tantos livros, que só a ideia de ler mais um lhe cansava. Estava sentindo-se inútil, sem ter o que fazer. Sentia saudades de treinar, mas não podia com a barriga crescendo mais a cada dia e, já conseguia colocar seus pensamentos na cabeça de quem quisesse a distância.
Enquanto isso, Alec e Jane continuavam praticando magia todo dia. Jane claramente muito mais empenhada do que o irmão, enquanto Alec continuava tendo suas aversões a todo aquele mundo.
Naquele tarde, que a neve baixou um pouco. Jane e Alec estavam treinando no bosque com Sofia e Margot e, Renesmee convenceu Lucy e Harry a irem até lá com ela. Mas, a híbrida se arrependeu no momento que pôs os pés para fora da casa.
Os bruxos a odiavam, isso era certo. Porém, não era o que mais a incomodava, o que lhe deixava mal era ver o modo como eles olhavam para a barriga dela, onde seu bebê crescia.
Tinha nojo, repulsa, ódio dirigidos a criança. Ela podia ouvir os murmúrios muito bem.
— Criança amaldiçoada.
— Só irá trazer desgraças para o mundo.
— A humanidade irá entrar em um caos sem volta quando esse monstro nascer.
Renesmee queria arrancar a cabeça de cada um deles, ou melhor, os colocar em uma fogueira como fizeram com Jane e Alec no passado, mas não podia. Não podia lutar grávida, não podia lutar contra bruxos sozinha, muito menos colocar a segurança de Lucy e Harry em perigo. Nem deixar Alec maluco com alguma escolha errada.
Então, ela apenas continuou andando, de cabeça erguida e passos firmes.
Alec e Jane estavam praticando feitiços simples aquele dia, o vampiro acreditava que era por conta de Margot estar visivelmente cansada e Sofia dispersa demais para lhes ensinarem algo mais grandioso. Ele estava se concentrando, quando sentiu o cheiro de Renesmee, então parou. Jane também sentiu e revirou os olhos sorrindo, o irmão entendeu, nem mesmo eles conseguiriam conter a híbrida.
— O que está fazendo aqui? — Margot inquiriu nada contente quando viu Renesmee surgir entre as árvores, junto de Harry e Lucy.
— Eu não aguento mais ficar trancada dentro daquela casa — Renesmee se manifestou. — Queria ver um pouco do treino.
— Talvez esse não seja o melhor lugar para você, volte para casa — Sofia aconselhou.
— Eu vou ficar. — Renesmee sorriu para ela, sentando-se no chão coberto por neve do bosque, Lucy sentou-se ao lado dela e Harry do outro.
— Que seja. — Margot respirou fundo. — Sofia, você termina o treinamento hoje, preciso resolver algumas coisas — ela disse, caminhando em direção a aldeia.
— Podemos treinar com Harry, aquele feitiço para impedir que ele saia do lugar — Alec disse a Sofia.
— Não sei se gostei muito disso, sabe? Eu gosto de poder me mover — Harry falou tenso.
— O feitiço que me manteve presa na sacada? Naquele dia do baile? — Renesmee perguntou a Alec. — Quando Eleanor foi me atacar.
— Sim — Alec confirmou, tentando não pensar em quando tinha encontrado Renesmee ali, sangrando, machucada, vulnerável.
— Vamos Harry! — Jane chamou por ele, contrariado, o vampiro levantou-se, caminhando até eles.
— O que eu faço?
— Só fique parado um instante — Alec disse, fechando os olhos, as mãos estavam voltadas para a terra, murmurou algumas palavras que Renesmee não entendeu e alguns segundos depois ele abriu os olhos. — Tente chegar até mim — disse para Harry, que tentou sair do lugar, mas era como se estivesse preso em uma caixa de vidro.
— Isso é bacana, mas vampiros podem ter claustrofobia?
— Desfaça o feitiço, Jane — Sofia falou. — Vamos ver o quão forte foi o feitiço de seu irmão.
Jane se concentrou como Alec, mas levou um tempo muito menor para desfazer o feitiço, então Harry pode se mover até os gêmeos.
— Você é fraco, Alec — Sofia disse, no mesmo momento Renesmee se colocou de pé. — Não será um bom inimigo para Violet, ela o derrotará facilmente.
— Alec está se esforçando! — Renesmee gritou para Sofia. — Não pode esperar que em algumas semanas ele saiba tudo. Senão fosse pelos seus ancestrais, ele nem estaria precisando praticar magia, mas não, foram eles que colocaram uma profecia nas costas dele. Uma profecia que vai fazer quem for louco por poder querer matar nosso bebê!
— Renesmee...
— Não Alec, me deixe falar! — Renesmee insistiu. — Sofia precisa ouvir.
— Não, quem precisa ouvir é você — Sofia aproximou-se dela, Lucy colocou-se diante Renesmee, mas mesmo assim a bruxa continuou falando. — A profecia pode ter sido dita a Alec, mil anos atrás, mas ela também diz respeito a você, Mestiça. Ele é um vampiro com poderes bruxos, o que é errado, nojento para nossa espécie e você, é uma vampira com características humanas. Ambos misturam a maldição de ser um vampiro com o que tem de mais puro como ser humano, como ter poderes vindos da natureza no caso bruxo. O bebê de vocês é tão amaldiçoado e errado como vocês, mas se querem o proteger mesmo assim, tem de se esforçarem. Violet e Eleanor não serão as únicas que irão querer matar a criança.
Renesmee tremia, de frio, de raiva e de medo.
Sofia a encarou uma última vez, então afastou-se, mas antes de sumir entre as árvores em direção a aldeia, falou:
— É uma menina, ela nascerá no décimo terceiro dia do segundo mês.
Alec e Renesmee se entreolharam, mas não havia felicidade ali, não quando sabiam que assim que aquela menina nascesse, correria mais perigo do que nunca.
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