Psycho Killer
42 Capítulo Quarenta e Um
Notas iniciais
Capítulo Quarenta e Um
Ela era pequenina, branca como a neve que cobriu o chão durante dezembro e janeiro, os olhos azuis claros como o céu em um dia ensolarado, os cabelos ruivos imitavam faíscas de fogo, em seu rosto sardas imitavam constelações em uma noite estrelada. Ela era linda, tão linda e perfeita que a mãe e o pai podiam passar horas e horas só a admirando.
— Ela tem seu nariz — Renesmee comentou com a voz suave, olhando para a menina deitada entre ela e Alec.
— A testa é sua. — Alec sorriu para Renesmee.
— A testa? Estou lisonjeada, minha filha tem minha testa, é mais do que podia pedir. — Renesmee sorriu de volta para ele. — Os olhos? A mãe da minha mãe tem olhos claros, mas não dessa cor e, pelo pouco que papai se lembra, o pai dele tinha olhos castanhos e a mãe verde. Não foi de mim que ela herdou.
— De mim. — Alec sussurrou, voltando a olhar para Charlotte que dormia tranquilamente em uma roupinha com estampa de coelho que Lucy tinha comprado da última vez que saiu para caçar. — Minha mãe, Jane e eu tínhamos esse mesmo tom de azul.
Renesmee esticou a mão para tocar no rosto dele.
— Fico feliz com isso, que um pouco dela está aqui conosco.
— Eu te amo. — Alec inclinou-se para beijar Renesmee, então se curvou sobre a garotinha dando um beijo na testa dela, que respirou mais fundo com o contato. — Amo você também, Charlotte.
A híbrida tentou conter as lágrimas, mas logo elas estavam rolando por seu rosto. Alec logo percebeu, ficando confuso com aquilo.
— O que foi? Está com dor?
— Não literalmente — Renesmee tocou nos pés de Charlotte cobertos por um sapatinho de pano, Lucy tinha montado um armário inteiro para ela com todas suas compras de quando ia caçar. — Como alguém pode querer matá-la?
Alec ficou tenso com a fala de Renesmee.
— Eu não quero perdê-la.
— Não vai, ninguém irá tocar nela.
Uma batida na porta chamou a atenção deles, então Harry, Jane e Lucy entraram. Lucy vinha com uma câmera, o que fez Renesmee se questionar quanto tempo ela passava fazendo compras enquanto deveria estar caçando.
— Ei, podemos entrar? — Lucy perguntou.
— Tecnicamente já entraram — Alec brincou, ganhando um tapa no braço de Renesmee, que recebeu um lencinho de Jane, que piscou para ela.
— Ela é tão fofinha, que vontade de morder! — Harry disse, vendo Charlotte pela primeira vez. Renesmee pegou Charlotte em seu colo, Alec se colocou praticamente na frente das duas. — Não, não nesse sentido — Harry se corrigiu imediatamente. — Eu nunca faria nada com ela, sabe disso Alec — falou sério.
Renesmee respirou aliviada.
— Sem comentários que envolvam alguém bebendo o sangue da minha filha, por favor — ela pediu. — E, Lucy, fotos? Ela praticamente acabou de nascer.
— Eu sei, mas ela é linda e merece todas as fotos do mundo e, por favor, olhe só para você! — Lucy apontou para Renesmee. — Acabou de ter um bebê e continua sendo essa híbrida bonitona que é.
— Continua mesmo — Alec beijou Renesmee por um instante.
— Além do mais — Lucy voltou a falar — Você precisa enviar fotos e mais fotos para sua família, eles devem estar loucos para ver Lô.
— Lô? — Renesmee arqueou a sobrancelha.
— Sim, eu amo o nome Charlotte, é clássico e tudo o mais, mas Lô combina muito. É curtinho, fofinho...
— Adorável — Jane concordou. — Um bom apelido, eu gostei.
— Lô — Renesmee beijou a bochecha da filha, que acordou, revelando os olhos azuis herdados do pai.
Fotos e mais fotos foram tiradas, até que anoiteceu e Alec expulsou todos do quarto. Renesmee também já tinha conversado com toda sua família, um longo tempo onde cada um falou um pouco sobre Charlotte.
Carlisle disse que ela era exatamente do tamanho de um bebê humana normal, mas que seu crescimento deveria ser bastante rápido na primeira semana. Esme falou que não via a hora de tê-la por perto para ensiná-la a fazer mil coisas, desenhar, pintar, plantar. Emmett disse que ela tinha cara de lutadora. Jasper falou que ela parecia a pessoa mais tranquila da família. Alice elogiou a roupinha de coelhinhos e prometeu um guarda roupa muito maior quando Charlotte fosse para junto da família. Rosalie pediu desculpas a Nessie, mas falou que a filha era um bebê muito mais bonito do que ela já foi.
Edward disse:
— Eu amo você, Nessie. Amo sua filha. Vocês duas são tão importantes para mim.
E Bella disse:
— Renesmee? Você vai ser uma grande mãe, eu estou orgulhosa, pequena cutucadora.
Renesmee andava pelo quarto com Charlotte no colo, a garotinha já dormia em seu colo, mas parecia tão confortável ali que a híbrida não queria a chocar colocando de volta na cama. Fora isso, ter Lô junto de si era uma forma de saber que tudo estava bem.
— Ela não chora e, dorme tão fácil, isso é normal? — Alec perguntou.
— Eu não chorava e, dormia bem. E, olha que nos primeiros dias mamãe estava passando por sua transformação — Renesmee falou, analisando cada fio de cabelo de Charlotte. — Ela consegue ser completamente ruiva, eu só tenho o cabelo acobreado, é encantadora, não é mesmo?
— Sim. — Alec foi até ela. — Que tal me deixá-la segurar um pouco? — Estendeu as mãos para pegar Charlotte, Renesmee hesitou. — Cantante, sou eu, não precisa ter medo.
— Não estou com medo. — Renesmee suspirou. — Mas eu acho que se tirá-la dos meus braços, tudo que é de mal vai acontecer.
— Não vai, fique tranquila.
A híbrida concordou com um aceno de cabeça, deslocando Charlotte para os braços de Alec.
— Cuidado com a cabeça, você nunca deve ter segurado um bebê antes — ela disse nervosa, o ajudando a colocar Charlotte em uma boa posição.
— Você também não — Alec acusou.
— É, tudo bem, não. Mas não vamos falar sobre, eu não a deixei cair.
— Eu também, não — Alec olhou sugestivamente para Charlotte em seus braços, que se encontrava muito bem, ainda dormindo. — Calma, okay? Eu sou totalmente inexperiente, nos dois somos, mas vamos cuidar de tudo muito bem.
Renesmee beijou a cabeça de Lô, então beijou Alec.
— Você precisa descansar.
— Eu preciso mesmo. — Ela não o contrariou, para sua surpresa. — Estou mais exausta do que quando Eleanor me...
— Não, não lembre daquele dia — Alec pediu. — Nem daquela maluca, não hoje. Só durma Nessie, descanse. Amanhã Charlotte continuará aqui, segura, prometo. Eu não a deixarei um só minuto até que você assuma o posto.
***
Renesmee acordou em um sobressalto, sentando na cama e deparando-se com o quarto vazio. Ainda tonta por ter acabado de despertar, saiu correndo do quarto, nervosa e angustiada por não ver Charlotte, até que encontrou a garota na sala, junto do pai e dos outros.
— Tudo bem? — Jane perguntou, notando a expressão de pavor no rosto de Renesmee.
— Eu não a vi, fiquei morrendo de medo. — Renesmee foi até Alec, que mantinha Lô em seus braços.
— Não se preocupe, ela não saiu dos braços de Alec um só instante. Na verdade acho que a coitadinha já está enjoada da cara do pai — Jane disse.
— Oi meu bebê, você cresceu bastante! — Renesmee exclamou, não havia surpresa em sua voz, ela sabia que aquilo aconteceria
Charlotte tinha de fato crescido naquelas horas, assumindo o tamanho de um bebê de quase duas semanas. Ainda assim, Renesmee continuava a achando tão linda quanto antes, na verdade mais.
— Falei com Carlisle — Alec disse, passando Charlotte para os braços ágeis de Renesmee, que aconchegou a menina em seu peito, a garotinha se distraiu com o cabelo da mãe, o puxando. — Ele fez os cálculos, disse que ela deve crescer cerca de três meses por semana.
— Um ano por mês, animador — Harry falou. — Ela estará uma adolescente ano que vem.
— Meu crescimento diminui, o dela também deve — Renesmee falou. — Você não vai ser uma adolescente em um ano, né bebê? Eu ainda tenho um coração batendo, não aguentaria tanto estresse.
— A profecia — Lucy murmurou. — Ela pode se romper com o fim do crescimento dela? — Renesmee apertou mais Lô contra seu peito, a mantendo protegida ali ao ouvir falar da profecia.
— Acho que não funciona assim — Jane confessou.
— Devemos falar com Margot — Alec falou, mesmo que aquilo não parecesse o animar.
— Eu vou chamá-la — Jane levantou-se do sofá, saindo da casa em seguida.
— Por mais quanto tempo ficaremos aqui? — Renesmee perguntou a Alec.
— Mais algumas semanas — ele falou, afagando as costas dela. — Por que não vai até o sofá matar as saudades de Lucy e devolve Charlotte para mim?
— Você pode estar com ela enquanto eu durmo, deixe-me ter meu tempo, Volturi — Renesmee disse, indo até o sofá, mas continuando com Charlotte em seus braços, porém, foi só sentar-se ao lado de Lucy que a garota pareceu interessada em ir até a outra vampira.
— Oh, que linda! — Lucy exclamou quando Charlotte esticou-se para ela, prontamente a loira a pegou em seus braços, passando a brincar com ela. — Parece que ela prefere a mim, sinto muito, pais são chatos.
Renesmee revirou os olhos, sentindo-se traída pela própria filha.
— Ela precisa se alimentar — falou para Alec.
— Você deu de mamar ontem, não dormiu por tanto tempo quanto pensa...Ah sim, sangue. — Alec percebeu do que Renesmee falava.
— Sobraram bolsas de sangue, estão na cozinha — Harry disse, fazendo caretas para Lô, que parecia se divertir. — Acho que é o suficiente para elas.
— Okay, vamos lá Alec — Renesmee chamou por ele, que pareceu surpreso, assim como Harry e Lucy. — O quê?
— Você, vai deixar Charlotte sozinha conosco?
— Vocês estão aqui porque confiamos, não é? — Renesmee sorriu de Harry para Lucy. — Além do mais, eu estou na cozinha, chegaria até qualquer um na sala em questão de segundos. Mas, não tentem fazê-la dizer qualquer palavra que não seja mamãe.
Alec segurou na mão de Renesmee, então os dois foram até a cozinha. Ele colocava sangue para Charlotte em uma mamadeira, o que era extremamente macabro, enquanto Renesmee colocava para si em um copo, o que não ficava muito atrás em ser estranho.
Ela bebeu o sangue por um momento esquecendo-se de tudo, estava faminta depois de todo o trabalho de parto no dia anterior, mas assim que o sangue entrou em contato com seu corpo, sentiu-se melhor.
— Ela ainda não manifestou nenhum poder — Alec murmurou, recuperando a atenção de Renesmee.
— Você acha que ela não tem nenhum?
— Não, ela certamente tem — Alec disse, encarando a mamadeira. — É o que me assusta, quando ela o usar.
— Espero que seja algo mais útil do que o meu.
— Seu poder é útil, Renesmee.
— É, vamos dizer que sim. — Renesmee deu de ombros. — Vamos logo, não quero fazer isso enquanto Margot estiver aqui.
Alec recuperou Lô dos braços de Lucy, então deu o sangue a ela. A garotinha o bebeu tão ligeiramente como a mãe e o próprio pai faziam. Depois de alimentada, Renesmee a pegou, principalmente por ouvir Margot se aproximando da casa junto de Sofia e Jane.
As bruxas logo entraram e Jane não fez menção de sair de perto delas, Lucy e Harry também se colocaram de pé, ficando estrategicamente perto das saídas da sala. Alec se posicionou atrás de Renesmee, segurando no braço dela que sustentava Charlotte.
— Ah, a criança! — Margot sorriu, o que parecia um sorriso doce, para Charlotte. — Ela é muito linda.
— Mas não foi para elogiá-la que nos chamaram aqui, não foi? — Sofia disse.
— Não — Alec negou. — Nós queríamos perguntar, se devido ao fato de Charlotte ser uma híbrida como Renesmee, que em alguns anos terá seu crescimento interrompido, a profecia pode acabar com o crescimento dela.
Sofia soltou uma risada, cheia de deboche.
— Há coisas sobre a profecia que não podem ser entendidas tão literalmente — Margot disse. — A profecia cita uma criança, mas ela poderá ser morta mesmo daqui a cem anos que o ritual de poder ainda funcionará. Charlotte sempre estará em perigo.
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