Psycho Killer
43 Capítulo Quarenta e Dois
Notas iniciais
Capítulo Quarenta e Dois
Charlotte estava sentadinha no chão, encarando Lucy que encontrava-se de pé diante dela. A vampira estava querendo que a garotinha, que já tinha a aparência de um bebê de quase nove meses, começasse a andar.
Ela ainda não falava, mas era tão exigente — e inteligente — quanto a mãe, então todos ao seu redor conseguiam entender muito bem o que a pequena Charlotte queria, como e quando. Nenhum poder nela havia se manifestado, nem mesmo os bruxos, mesmo que Renesmee insistisse que a menina tinha movido sua mamadeira com sangue com a força do pensamento, mas podia ser uma ilusão da híbrida que gradativamente dormia menos para ficar junto da filha.
— Vamos Lô, eu sei que você consegue, venha até mim.
Lucy insistiu, afastando-se alguns passos de Charlotte, Renesmee observava tudo do outro lado da cozinha, onde preparava comida humana para si e para a pequena garotinha que no momento engatinhava até Lucy. Os dentes de Charlotte ao menos já estavam nascendo, o que significava que ela já mordia, o que dizia que Renesmee tinha de ter muito cuidado para a filha não acabar arrancando seu sangue.
— Não Charlotte, você tem de andar, não engatinhar! — Lucy reclamou, fazendo Lô chorar.
— Pare Lucy, deixe a menina ter seu próprio tempo — Harry entrou na cozinha, tirando Charlotte do chão, o que pareceu ser a melhor parte do dia da menina, que parou de chorar no mesmo instante.
Renesmee sorriu para a filha, revirando os olhos. Alec estava certo, a menina tinha o gênio dela, não queria imaginar como seria quando ela estivesse em uma fase mais temperamental. Mas, ao mesmo tempo era tudo que mais queria ver. Ter Charlotte crescendo, então chegando ao seu auge e tendo a filha para todo o sempre ao seu lado.
— Tudo bem, vem comigo, Lô! — Renesmee foi até Harry, depois de terminar de cozinhar. — Sua tia Lucy é uma tirana — acusou, recebendo uma careta de Lucy, deu um beijo na testa de Lô a encaixando na lateral de seu corpo.
— Deixa eu dar a comida dela — Lucy pediu, enquanto Renesmee pegava o pratinho de Lô.
— E o quê? Vai mandá-la comer sozinha? De garfo e faca? — Renesmee perguntou brincando.
— Só estou a estimulando.
— A menina cresce três meses por semana, acredite, ela não precisa de mais desenvolvimento do que isso — Harry disse. — Alec e Jane ainda estão treinando? Já anoiteceu.
— Sim. — Renesmee suspirou, passando Charlotte para Lucy, a garotinha adorava comer com ela de qualquer forma. — Eu mal vejo a hora de ir embora, não aguento mais ficar nesse lugar.
— É horrível — Lucy disse, era a primeira vez que Renesmee a via reclamar dali. — Pela primeira vez estou sentindo falta de Volterra.
— Pensei que gostasse de Volterra — Harry disse, tirando as palavras da boca de Renesmee.
— Bom, de certa forma eu gosto — Lucy murmurou, dando a primeira colherada de papinha para Lô, que comia com um sorriso de três dentes e várias janelas. — Alec e Jane me salvaram de mim mesma, Aro me deixou ficar mesmo eu sendo uma recém criada descontrolada, mas...Eu não me sinto em casa lá, acho que nunca vou me sentir. Você não pensa o mesmo? — perguntou a Renesmee.
— Eu nasci e cresci em Forks, amo aquele lugar, só que acho que isso foi um dos motivos de ter fugido. Me sentia presa ali, aos costumes da minha família, a tudo. Quando eu fugi, um mundo de oportunidades se abriu. Não posso dizer que Volterra é meu lugar preferido no mundo, mas não posso dizer que o detesto.
— Buenos Aires! — Harry exclamou alto, chamando a atenção das duas. — Você, Lucy, deve ir a Buenos Aires.
— É, devo por quê? — Lucy perguntou, permitindo-se sorrir.
— É um lugar fabuloso.
— É mesmo — Renesmee concordou. — Fui duas vezes.
— Não se preocupe, linda Lucy — Harry falou, sorrindo de forma extremamente empolgada, mas ao mesmo tempo doce. — Eu te levarei para conhecer o mundo todo se quiser. Buenos Aires, Rio de Janeiro, Los Angeles. Vou te mostrar o mundo por uma nova perspectiva e, lhe garanto, você vai se sentir em casa em cada lugar que passarmos.
Lucy encarava Harry, o rosto numa expressão que nem mesmo Renesmee conseguia compreender. A vampira passou a garotinha para a mãe dela, então levantou-se do banco onde estava sentada e foi até Harry, lhe dando um beijo que o pegou de surpresa.
Dando um largo sorriso, Renesmee escapuliu para a sala com Charlotte, deixando os dois sozinhos lá dentro.
— Eu espero por esse beijo desde que nos conhecemos anos atrás — Harry sussurrou quando o beijo chegou ao fim, apoiando sua testa na de Lucy.
— Não sei...Não sei se vou um dia esquecer — ela gaguejou. — Tudo que Aaron fez, tudo que eu fiz. Eu posso nunca me livrar de todos esses demônios, Harry, você é um cara legal, eu adoro você, mas...
— Eu posso ser seu amigo — Harry abriu os olhos, encontrando com os de Lucy. — Eu também gosto de você, mas lhe entendo. Temos a eternidade pela frente, não precisamos apressar nada.
Por favor, Lucy, beije o cara mais uma vez. Não fique com medo, vá!
Renesmee gritou na mente de Lucy.
Então Lucy fez o que a amiga disse. E, foi melhor do que antes. Ela se rendeu, trancando Aaron em seu passado. Deixando a porta aberta para Harry entrar em seu futuro.
***
Duas noites depois, Alec estava com Charlotte no colo, enquanto Renesmee digitava uma mensagem para seus pais, os mantendo inteirados sobre o dia. Ela sempre falava com eles por telefonema, ou por mensagem todo fim do dia.
— Eu quero ir embora — Renesmee disse, fazendo com que Alec parasse de brincar com Charlotte, que puxava os cabelos dele, para olhá-la. — Não aguento mais ficar aqui, Alec. — Ela passou as mãos pelo rosto. — Preciso sair dessa aldeia, eu me sinto em um filme de terror presa aqui, prefiro Volterra. Por favor, vamos embora.
— Cantante. — Alec se levantou da cama, levando Charlotte consigo, a garotinha parecia séria, provavelmente notando o tom na voz do pai. Ajoelhou-se diante Renesmee. — Eu não posso ir ainda, Jane e eu ainda temos muito o que aprender.
— Vamos embora, Alec. — Renesmee tinha lágrimas em seus olhos. — Eu não confio em ficar mais aqui com Lô, eu me sinto presa nessa casa e sei que ela não merece crescer sendo uma prisioneira também. Ela nunca foi lá fora. — A híbrida tocou no rosto da filha, que tinha apoiado a cabeça no ombro do pai. — Não posso nem imaginar como os bruxos reagiriam se a vissem, qualquer um pode atacá-la.
Alec assentiu, entendendo o ponto de vista de Renesmee. Ele depositou um beijo na bochecha de Lô, colocando a menina no colo da mãe.
— Vocês vão embora — afirmou.
— Vocês? Você não quis dizer nós? — Renesmee se levantou da cadeira, uma vez que Alec já tinha se colocado de pé também. — Alec, Charlotte e eu não vamos a lugar algum sem você.
— Sim, vocês vão. — Alec começou a se movimentar pelo quarto, guardando tudo que pertencia as duas dentro da grande mala que tinham ali. — Você está certa, Renesmee, não é seguro para Charlotte aqui. Jane e eu ficaremos para concluir o nosso treinamento, vocês vão embora com Harry e Lucy.
— Não, Alec pare! — Renesmee gritou, segurando no braço de Alec, o detendo de continuar colocando roupas na mala. — Já disse, Charlotte e eu não vamos sem você. Ficaremos juntos, até o final de seu treinamento. Esqueça minhas queixas, são tolas, eu só estou sendo uma garota mimada querendo ir.
— Não, você não está. — Alec segurou no rosto de Renesmee, com o olhar vermelho penetrante. — Não é um mimo, é pelo bem de Charlotte que quer ir embora e, eu concordo, vocês devem ir. Você é uma Volturi, ela é minha filha também. Aro irá lhes dar toda a proteção possível em Volterra. Sua família estará lá, terão mais pessoas para lhes proteger e Charlotte não ficará presa dentro de um lugar cercado por bruxos que a acham um demônio que pode destruir o mundo.
— Alec... — Renesmee começou a chorar para valer, o que fez Charlotte chorar junto dela. Alec pegou a filha no colo, então abraçou Renesmee, consolando as duas ao mesmo tempo.
— Nós prometemos, Cantante — ele disse. — Nós prometemos que pensaríamos em Charlotte primeiro, é o que devemos fazer, ela merece um lugar melhor do que essa aldeia. Estarei com vocês em semanas, eu prometo.
Renesmee concordou, então começaram a arrumar juntos tudo para que saíssem imediatamente dali. Em poucos minutos, Renesmee e Charlotte já estavam prontas para deixarem a aldeia, no meio da noite.
Na sala, Harry, Lucy e Jane claramente já sabiam da escolha feita pelo casal e, os dois primeiros também estavam prontos para partir junto com Charlotte e sua mãe.
— Vocês pegam o carro que viemos. — Alec jogou as chaves para Harry. — Dirija o mais rápido possível até o aeroporto, sem parar, coloquei lentes de contatos na bolsa de Renesmee para você e Lucy. Peguem o primeiro voo para a Itália, falarei com Demetri e os Cullen, eles irão os esperar no aeroporto.
— Não parem, qualquer coisa corram, corram muito — Jane disse. — E não se importem se algum humano os ver, se tiverem de se expor, nós daremos um jeito depois.
— Vai ser tranquilo — Harry disse, tentando soar animado, enquanto Lucy dava sua mão a ele.
Alec assentiu, afastando-se com Charlotte e Renesmee.
— Vocês vão ficar bem — ele prometeu. — Estarei com vocês o mais breve possível. — Alec beijou o rosto de Charlotte, que parecia extremamente séria com tudo aquilo, ainda que fosse apenas um bebê. — Eu amo você, Lô — falou para a menina. — Quando nos reencontrarmos você provavelmente já estará andando, falando, correndo por ai. Tente não enlouquecer sua mãe, tudo bem?
Os olhos de Renesmee voltaram a se encher de lágrimas.
— Não chore, você não pode chorar, Renesmee — Alec sussurrou para ela. — Por favor, por Charlotte, seja forte. Lembra-se quando voltou para Volterra da última vez? É aquela Renesmee determinada que precisa ser agora.
— Eu serei. — Renesmee conteve o choro. — Vou proteger Charlotte, Alec.
— Sei que vai. — Sorriu para sua Cantante, então a beijou. O beijo mais demorado que pode ser trocado naquele momento, com todos apressados e Charlotte nos braços de Nessie. — Eu também amo você.
Te manterei trancado por três dias em um quarto junto de mim quando nos reencontrarmos.
Renesmee disse para Alec em seus pensamentos.
— Vamos — ela disse para Harry e Lucy. — Vocês devem ficar — falou para Jane, que assentiu concordando.
— Eu sei — Alec também concordou atrás dela. — Margot vai ficar irada em saber que vocês foram sem comunicar a ela, temos de estar aqui quando ela descobrir.
— Podem ir — Jane abraçou Charlotte. — Nós cuidaremos de tudo. Nos avisem assim que estiverem no aeroporto, então na Itália e quando chegarem a Volterra.
Renesmee apenas balançou a cabeça, então saiu da casa na frente com Charlotte, sem ter coragem de olhar para Alec, sendo seguida por Lucy e Harry. A híbrida nunca tinha sentido-se tão mal, nem mesmo com a morte de Jacob — o que parecia errado —, mas Alec não era qualquer um, era o pai de sua filha e ela temia nunca mais vê-lo, temia que Charlotte nunca o conhecesse de verdade.
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