Psycho Killer
31 Capítulo Trinta
Notas iniciais
Capítulo Trinta
Renesmee estava decidida, sabia que precisariam de uma aliança com os Volturi para permanecerem de pé. Tinha visto o poder de Eleanor – não só o de transformação, mas o que ela exercia sobre os outros — mais de uma vez, sentiu as consequências, tinha noção de que não poderia combater contra aquilo sozinha, precisaria de aliados e quanto mais, melhor.
Aro Volturi poderia ser desprezível e até mesmo não tão confiável assim, mas se unir a ele era uma das poucas escapatórias que tinha naquele momento. Mesmo aquilo sendo terrível, mesmo aquilo sendo algo que levaria sua família à loucura, mesmo aquilo sendo algo que estava deixando Alec verdadeiramente irritado.
— Você ficou maluca? — Alec a questionou.
— Esse assunto não lhe diz respeito, Alec — Renesmee esclareceu, voltando seu olhar para Aro. — Aceito suas condições, Aro, irei assumir o nome Volturi, então você jurará lealdade e proteção para mim, minha família e Alec.
— Eu não preciso ser protegido! — Alec teimou.
— Não seja estúpido, Volturi. — Renesmee o encarou com raiva. — Acha mesmo que só com seu poder irá conseguir derrotar Eleanor, o exercito de vampiros dela e os bruxos que se aliaram aquela psicopata?
Alec, mais irritado do que antes, deixou a sala onde estavam. A porta batendo era outro indicativo de sua fúria.
— Está até agindo como uma Volturi — Aro disse empolgado. — Aceita mesmo se tornar uma de nós, cara Renesmee?
— Aceito! — Renesmee exclamou. — Mas não tente me trair, Aro, eu não estou poupando mais ninguém. Acredite, não terei receio algum de arrancar sua cabeça e jogá-lo ao fogo.
Aro deu um sorriso triunfante, então estendeu a mão para a até então, Cullen.
— Seja bem vinda à família.
Renesmee gargalhou, desprezando a mão dele.
— Você não tem uma família, Aro, mas tudo bem, se sobreviver ao caos que estamos, quem saiba tenha mais uns bons anos para aprender o conceito de família. — Renesmee saiu da sala também, deixando Aro e sua mão na mesma posição.
***
Renesmee encontrou Alec na biblioteca, logo reconhecendo o livro nas mãos do vampiro, estremeceu por um segundo ao se lembrar da profecia que tinha ali, mas não era momento para conversar sobre aquilo. Caminhou até ele, tirando o livro de suas mãos, o que fez o Volturi a olhar.
— Não aja como uma estrela de Hollywood afetada, Alec — Renesmee ordenou. — Temos muita coisa para fazer, não dá para perder tempo com briguinhas.
— Uma Volturi, sério mesmo, Renesmee? — Alec a ignorou. — Vai vestir nosso manto, sair por ai impedindo recém criados de nos exporem e passar o resto da eternidade servindo à Aro e Caius?
— Vou — Renesmee disse, sem hesitar. — Se isso garantirá a proteção da minha família, a sua e a minha, eu farei tudo isso. Não me importo de usar seus mantos, ficar em missões tomando conta de vampiros estúpidos, muito menos de passar a eternidade servindo aqueles dois. Isso não será nada ao que passei quando Jacob morreu em meus braços, nem a dor que sinto diariamente por ter minha mãe longe, eu nem faço ideia se ela ainda está viva, não finja que não pensa o mesmo sobre Jane.
Alec suspirou, abaixando o olhar para a mesa.
— Jane não é tola, é claro que ela está viva.
— Ótimo, então vamos resgatá-la, com ajuda dos Volturi!
— Jane é uma Volturi, todos que já servem a esse nome estão empenhados em resgatá-la, você não precisa bancar a super heroína para salvar minha irmã.
— Eu já disse, não estou fazendo isso apenas por ela, minha mãe também está presa junto a Eleanor. Minha família corre perigo de ser exterminada um a um até que ela consiga o que quer de mim, e tem você, eu não vou te perder. Ou eu te protejo, ou eu mesma te mato, então aceite a primeira opção.
— Não preciso da sua proteção, Cullen — Alec disse entredentes.
— Não perguntei se precisava, eu vou fazer o necessário para que todos que eu me importo fiquem seguros, isso inclui você. Perdi Jacob por um descuido, deveria ter ficado com ele naquela ilha, ou o levado comigo para caçar, não serei burra novamente. — Renesmee engoliu o choro.
Alec se afastou da mesa, caminhando até uma das janelas que ladeavam a biblioteca.
— Você vai perder seu nome, sua família, vai virar apenas mais uma Volturi que é meramente uma serva. Um peão nas estratégias de Aro e Caius, nem temos mais Marcus como um meio termo, tudo está diferente agora. Eu não vou te deixar fazer isso.
— Eu não pedi sua permissão — Renesmee falou. — Farei isso, Alec, quer você queira ou não. Irei virar uma Volturi, então a não ser que você decida deixar o castelo é bom aprender a conviver com minha nova condição.
— Você não deveria ter voltado — Alec murmurou.
— Há muitas coisas que eu não devia ter feito — Renesmee murmurou também. — Ter matado aquela garotinha, fugido de Forks, ter ficado com você em Londres, ter deixado Jacob sozinho e voltado para esse castelo. Entretanto, eu não posso mudar o passado, o que posso fazer agora é garantir que nada grave ocorra no futuro.
— Você tem falado sobre me proteger, se proteger, mas ainda não percebeu que isso só complicará a situação? — Alec quase gritou a questão. — É tão difícil entender que em séculos, durante toda a eternidade que nos espera Eleanor não vai ser a única que vai querer uma criança vinda de nós dois? A profecia está se espalhando, Renesmee. E uma profecia foi feita para ser cumprida, você não pode ficar tão perto de mim.
— Eu sei. — Renesmee assentiu, quase chorando novamente. — E se essa profecia for cumprida eu matarei e morrerei por essa criança, da mesma forma que farei por você.
Alec se calou, a deixando sair.
***
A conversa com os Cullen foi quase tão ruim quanto a que teve com Alec, mas Renesmee não fraquejou por um segundo que fosse. Ainda que seu pai estivesse quase surtando, Rosalie chorando sem lágrimas e Alice xingando todos os Volturi. A híbrida tinha tomado sua decisão e não voltaria atrás.
— Sua mãe não vai gostar nada disso, Renesmee — Edward disse mais uma vez, Renesmee suspirou, então perdeu o controle.
— Mamãe pode estar morta! — gritou, calando Edward. — Vocês não conseguem pensar isso? Eu não posso ser a única! Não a vemos desde o ataque ao castelo, quando ela tentou se rebelar e ir até mim, Eleanor pode ter a matado, assim como fez com Jacob.
— Eleanor não faria isso, ela tem Bella como uma moeda de troca — Carlisle disse. — Renesmee, você não pode virar uma Volturi.
— Por quê? — questionou a ele. — Eu nem mesmo sou uma Cullen de verdade, você não é meu avô de verdade, eu deveria ser uma Masen como papai foi quando humano, ou uma Swan como mamãe. Que diferença faz se vou virar uma Volturi, eu não estou fazendo isso por odiar vocês, nem por ser uma garotinha mimada, estou provendo segurança para todos nós.
— Você é uma Cullen, todos nós somos — Esme falou, nada contente com a fala de Renesmee.
— E eu vou continuar sendo de alguma forma, o que farei é apenas uma aliança política, minha essência está toda aqui. — Renesmee respirou fundo, indo até o pai, segurando na mão dele. — Eu quero protegê-los, como vocês todos fizeram por mim durante toda minha vida. — Olhou para o resto da família. — Não importa o nome que eu carregue, ou onde eu vá estar depois disso tudo acabar, eu sempre irei os proteger. Não insistam mais para que eu não faça isso, deixem-me seguir o caminho que escolhi.
— Ela vai ter uma eternidade animada, arrancando cabeças, vivendo na Europa, vai ser bacana — Emmett brincou, ainda que até ele estivesse mal por aquilo.
Eu não preciso ser uma Cullen, uma Masen, nem ter qualquer outro nome, para ser sua filha.
Renesmee pensou, só para que Edward soubesse daquilo. Ele a abraçou, sabendo que não teria mais como persuadi-la a não fazer aquilo.
***
Jasper e Emmett passaram o dia treinando com Renesmee no centro de treinamentos, os outros Volturi estavam agitados organizando aquilo que ela sabia ser sua cerimônia para que se tornasse uma Volturi. Ela não viu Alec pelo resto do dia, nem mesmo de relance, mas sabia que ele estava em algum lugar no castelo, só não o procuraria, estava na hora dele ir atrás dela.
Roupas novas tinham sido deixadas no quarto dela quando voltou ao seu quarto no inicio da noite, acompanhas de um bilhete de Aro.
“Espero que suas roupas novas sirvam, cara Renesmee. Todos esperam ansiosamente por sua presença na sala do trono, esta noite irá renascer como uma de nós. Uma bela joia Volturi. Peço que ainda não vista o manto, temos um momento especial para ele.”
As roupas consistiam em um vestido preto sem decote que chegava até seus joelhos, saltos pretos baixos e o manto Volturi. Notando a ausência do colar com o brasão do clã, Renesmee logo soube que o que ela carregava de Alec permaneceria sendo seu, ao menos até o vampiro o pedir de volta.
Não demorou muito para tomar um banho, prender o cabelo em um coque discreto, passar pouca maquiagem e vestir-se com as roupas que lhe foi entregue. Sozinha deixou o quarto, entristecida por Alec não estar ali ao seu encontro, mas seguiu seu caminho com a cabeça erguida.
As portas do salão do trono se abriram para ela, revelando todos os Volturi ali, assim como sua família. Todos sentados em cadeiras, enquanto Caius e Aro estavam em seus tronos, o local tinha sido decorado com cortinas vermelhas e um tapete preto se estendia da entrada ate onde os tronos ficavam, velas iluminavam o local e Renesmee sentiu-se em um verdadeiro castelo medieval.
Evitou procurar por Alec, mas podia sentir o cheiro dele ali, assim como sua presença. Caminhou pelo tapete preto, indo até onde Aro e Caius estavam, já de pé.
— Olá Renesmee! — Caius lançou um sorriso malicioso para a híbrida.
— Meus caros, é com muito prazer que esta noite anunciou que temos uma nova integrante em nossa família — Aro disse, a última palavra falada com um tom sarcástico. — Renesmee hoje deixará de ser uma Cullen para se tornar uma Volturi, ela não será apenas uma aliada, será uma de nós. Ocupará seu lugar neste castelo, participará da guarda e irá proteger e ser protegida por todos nós que carregamos o nome Volturi, devemos lealdade à Renesmee, assim como ela a nós.
— Você aceita ser uma Volturi, Renesmee? — foi Caius quem perguntou.
— Sim — Renesmee respondeu em alto e bom som, ao longe podia ouvir a inquietação de sua família.
— Ajoelhe-se — Aro ordenou, prontamente ela fez aquilo, ele seria seu mestre, deveria seguir suas ordens.
De joelhos, com o olhar fixo no chão, foi quase impossível para Renesmee não conter o choro. Mas, pensou em sua mãe, em Jacob, em toda sua família, não podia sofrer mais, devia fazer aquilo. E Alec invadiu sua mente, deveria protegê-lo também.
— Repita Renesmee — Aro falou. — Eu serei uma Volturi, honrarei o manto que carrego e protegerei o segredo da minha espécie.
— Eu serei uma Volturi, honrarei o manto que carrego e protegerei o segredo da minha espécie — Renesmee repetiu, sentindo um nó em sua garganta.
Ela sentiu quando Caius colocou o manto pesado sobre seu ombro, então Aro ordenou mais algo.
— Levante a cabeça!
Uma única lágrima rolava por seu rosto, mas ela não se sentiu em condições de escondê-la.
— Alec? — Aro o chamou, pegando Renesmee de surpresa, então Alec apareceu, sem emoção alguma em seu rosto, carregando um cálice com sangue humano. — Obrigado, Alec! — Aro agradeceu, Alec deu meia volta, ainda sem expressar qualquer emoção, ou sequer olhar para Renesmee.
— Beba! — foi a vez de Caius ordenar, quando Aro estendeu o cálice diante a híbrida.
Ela quase riu, aquela era a parte mais fácil daquele dia. Envolveu o cálice em sua mão, então, em um longo gole, bebeu todo o sangue que continha ali.
Aro deu um sorriso mais que animado, enquanto Caius parecia enojado.
— Levante-se minha cara. — Aro colocou Renesmee de pé, a virando de frente para os outros. — Contemplem, Renesmee Volturi!
Salva de palmas romperam o salão, mas Renesmee viu que nem sua família, Lucy ou Alec contemplaram aquilo. Na verdade Alec tinha desaparecido, deixado o salão antes de Aro a apresentar como uma Volturi.
Lembrando que se você tentar me trair, eu arranco sua cabeça.
Renesmee pensou, tocando na mão de Aro para que ele lesse aquilo em sua mente.
— Não se eu fizer antes, minha cara — Aro ameaçou baixinho, ainda sorrindo. — Festa, vamos fazer uma festa! — gritou, arrancando gritos empolgados dos que o seguiam.
A híbrida deixou o salão rapidamente, caminhando pelo castelo vazio até seu quarto, queria ficar sozinha. Trancou a porta e estava quase jogando-se na cama quando Alec surgiu do banheiro, caminhou até ela, tirando o manto de seus ombros.
— Desculpe-me, Alec — ela sussurrou, sentindo as mãos dele deslizando pela pele de seus braços despidos por conta do vestido. — Era preciso fazer isso.
Alec deu de ombros, colocando suas mãos no rosto dela.
— Deixe-me te proteger — sussurrou de volta para a Mestiça.
— Podemos cuidar um do outro. — Um sorriso pequeno tomou conta dos lábios dela. — Eu estava falando sério quando falei que não vou te perder. — Fechou os olhos, deixando as lágrimas que segurou por tempo demais tomarem conta de seu rosto. — Não sei o que sente por mim, Alec. Não sei se é só por conta de eu ser sua cantante, ou por essa profecia. Mas sei o que sinto ao seu respeito e não mentirei meus sentimentos a mim mesma — ela disse de olhos fechados.
Alec soltou uma risada abafada, quase dolorida.
— O que sinto por você não é uma ilusão por conta da profecia. — Renesmee tornou a abrir os olhos. — Muito menos pelo desejo que tenho por seu sangue. — Alec encostou seus lábios nos dela. — Magia alguma, desejo algum seria capaz de fingir um sentimento tão forte.
Renesmee respirou fundo, cravando seus dentes na palma da própria mão, deixando o sangue jorrar timidamente ali e Alec ficar confuso com sua atitude. Sem falar nada, muito menos responder os questionamentos dele, ela passou um dedo pelo sangue em sua mão, o espalhando sobre os lábios de Alec.
— O que está fazendo? — ele indagou perturbado.
— O que sente por mim é mais forte do que sente pelo meu sangue? — ela questionou, chorando ainda mais. — Você não vai me matar? Estou sangrando diante de você!
— Renesmee...
— Você não vai me largar se um dia cumprirmos a profecia?
— Renesmee...
— Diga Alec, diga! — exigiu.
— Eu amo você — Alec falou. — Isso é a prova? Eu te amo, eu não te machucaria, eu não estou cego por um encanto. Quase arranquei as cabeças de Aro e Caius, quase comecei uma nova guerra só para te tirar de perto das mãos e mentes hábeis deles, por isso não te quero aqui, não pela profecia, sim porque eu nunca amei alguém como te amo e não sei lidar com isso.
Renesmee colocou mais de seu sangue na boca dele, o enfurecendo.
— Pare com isso.
— Não! — ela exclamou. — Seus olhos, você está faminto, Alec — falou, o fazendo perceber que não se alimentava há mais de uma semana. — Beba do meu sangue.
— Não vou fazer isso — disse indignado. — Acabei de falar que te amo, não vou drenar seu sangue.
— Eu não ligo. — Renesmee colocou a mão dele sobre seu pescoço. — Faça isso, sei que não irá me matar.
Alec a encarou, então cedeu, a mordendo no pescoço o menos agressivamente que conseguiu. O sangue dela era maravilhoso, o melhor que ele já tinha provado durante séculos de existência, mas ele não era descontrolado, sabia o que estava fazendo e não a mataria. Bebeu pouco, deixando o sangue apenas recuperá-lo do abatimento por estar tanto tempo sem alimento, sentia-se mais desperto, mais ágil e claramente mais forte.
Então a soltou, deixando seu veneno curar a ferida no pescoço da híbrida, era como se ela nunca tivesse sido mordida.
— Eu também te amo. — Renesmee tirou o manto dele, o jogando no chão, levando Alec até a cama.
Ela sentou no colo dele, distribuindo beijos por todo o pescoço do vampiro, enquanto as mãos dele se perdiam no corpo dela. Alec estava tão ligado a ela naquele momento, que não conseguia pensar em mais nada que não fosse Renesmee, apenas Renesmee. Assim como ela só conseguia pensar em Alec.
— Nós vamos fazer? — ela perguntou quando ele a deitou na cama, encaixando-se entre as pernas da híbrida, que para irritação dos dois ainda estava com aquele vestido.
— A profecia — Alec disse, contra a pele da clavícula dela.
— Ela tem de ser cumprida — Renesmee falou séria, puxando o rosto dele na direção do dela. — Eu também estava falando sério quando falei que protegeria uma criança vinda de nós dois.
Alec a encarou, tentando encontrar qualquer vestígio de duvida no rosto dela, mas Renesmee nunca pareceu tão certa. E, naquela noite, a Mestiça deitou-se com o Renegado.
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