Psycho Killer
47 Capítulo Quarenta e Seis
Notas iniciais
Quarenta e Seis
Estavam todos reunidos ao redor de uma imensa mesa em um dos cômodos que em outra época deveria ter sido o salão de refeições do castelo. Os Cullen, juntos da parte mais importante da guarda Volturi, Renesmee percebeu que ela era a perfeita ponte de transição entre os dois clãs, uma vez que um dia foi parte de um deles, antes de pertencer ao outro.
Charlotte estava em seu colo, adormecida, já fazia um dia que eles tinham chegado ali, mas Alec recusou-se a deixá-las sair de lá por todo aquele tempo, insistindo que deveriam descansar direito. Então, lá estavam eles, todos juntos.
Esme tinha se oferecido para ficar com Charlotte no quarto, mas Renesmee não aceitou. Obviamente ela confiava cegamente em Esme, mas não queria a filha longe de si, principalmente depois de tudo que houve na aldeia.
— Não descobrimos nada sobre o paradeiro de Eleanor enquanto estiveram fora — Aro começou a falar quando todos estavam sentados. — Jane, Isabella, vocês realmente não tem uma posição para nos dar de onde ela possa estar?
— Não, nunca vimos o lado de fora do castelo, Violet usava seu poder para nos transportar diretamente para lá. E, quando fui levada por Aaron, o poder dele foi tão intenso sobre mim que eu não conseguia distinguir imagem alguma diante meus olhos — Bella respondeu.
— E quando fomos resgatadas por Sofia saímos direto do castelo, mas era um lugar frio, provavelmente ao norte — Jane completou. — Podemos fazer uma nova equipe de busca para ir atrás dela, já que Violet está usando seus poderes para impedir que Demetri os rastreie. Eu lidero uma equipe, alguém pode liderar outra. Podemos mandar alguém para o norte da Irlanda e Inglaterra, eu sigo para a Europa Ocidental.
— Não podemos enviar mais ninguém para procurar por ela, já tivemos uma baixa muito grande perdendo Lucy — Alec se pronunciou contra a irmã. — Além do mais, estamos em menor número, não é? Sabemos que Eleanor tem um coven ao seu lado, Bella e você viram uma quantidade enorme de vampiros a apoiando, ela pode ter ainda mais agora.
— Eu não duvido que ela esteja transformando pessoas apenas para se aliarem a ela, Victoria fez isso uma vez. Eleanor quer escravizar os humanos e revelar nosso segredo para o mundo, isso não seria um problema para ela.
Alec assentiu, parecendo concordar com a fala de Bella.
— Ela não seria tão displicente — Caius disse.
— Ela seria sim — Alec o contradisse também. — Bella está certa, ela pode estar criando mais vampiros apenas para ter mais aliados.
— Demetri, cheque todos os desaparecimentos dos últimos meses, de cada canto do mundo — Aro orientou. — Alec? Você pode ajudá-lo, ou prefere ficar apenas cuidando de Charlotte?
— Eu vou ajudá-lo — Alec se pronunciou, notando o tom debochado na voz do outro.
— O quê? Vocês vão viajar? — Renesmee perguntou tensa.
— Não — Demetri respondeu.
— Internet, vai nos ajudar a descobrir tudo — Alec a tranquilizou. — Aro, eu não acho seguro que ninguém entra ou saía do castelo sem uma permissão, temos de ter cuidado, Eleanor esteve aqui e ela pode se transformar em qualquer um nessa sala se conseguiu roubar algum de nossos pertences.
— Tudo bem, ninguém entra, ninguém sai — Aro proclamou.
— Vejo que Alec está quase virando mais importante do que você, Aro — Caius provocou. — Vai deixá-lo sentar em seu trono agora? Talvez devêssemos colocar o berço da criança ao lado. Ou devêssemos acabar com tudo isso de uma vez, sabemos muito bem como.
Renesmee se colocou de pé, no mesmo instante que Alec, mas foi ele quem tomou a primeira iniciativa e quando a híbrida percebeu a barra do manto de Caius pegava fogo. Ela nem tinha ouvido Alec sussurrar palavra alguma, muito menos mover a mão para realizar aquele feitiço.
Caius pulou da cadeira de onde estava sentado, dando um grito alto e arrancando o manto de si. Rosalie e Emmett não se intimidaram em rir, Renesmee apenas sorriu, ela teria rido se o corpo dele tivesse sido atingido pelo fogo.
— Você tem ideia do que acabou de fazer, Alec?
— Sim, calei sua boca. Nunca ameace minha filha, você entendeu? — Alec falou claramente, sem parecer abalado pelo que tinha acabado de fazer. — Eu não sentirei pena nenhuma em queimá-lo da próxima vez, Caius.
Alec indicou que Renesmee o seguisse, então os três deixaram o salão. O manto de Caius ainda pegava fogo, indicando que Alec não estava mais tão fraco assim em relação aos seus poderes bruxos.
***
Charlotte estava com Alec nos jardins do castelo, ela sorria, enquanto andava ao lado do pai, deslumbrada com a pele brilhante do vampiro. De longe, Renesmee os observava, pensando no quanto Lucy ficaria contente de ver a pequena dando seus passos por ai.
A garotinha já tinha a aparência de um ano de vida, fazia alguns dias que tinham voltado da aldeia e, dois que Charlotte proferiu sua primeira palavra, não foi mamãe, muito menos papai. A filha de Alec e Renesmee disse:
— Sangue. — Com uma voz doce, apontando para a bolsa de sangue que Renesmee tinha em mãos.
De certa forma ela não negava os pais que tinha, pedindo por sangue como os dois.
— Perdida em pensamentos, Nessie? — Edward apareceu, sentando-se ao lado de Renesmee na grama.
— Oi papai. — Ela sorriu para ele. — Você poderia sair da minha mente um instante que seja? É um pouco invasivo. — Continuou falando em um tom brincalhão.
— Querida, eu leio os pensamentos de Emmett, nada se compara aquela mente. — Edward também sorriu, mas logo ficou sério. — Você está bem? Sim, eu poderia apenas ler sua mente para saber isso, mas prefiro ouvir de sua própria boca.
— Estou — Nessie confirmou, apoiando a cabeça no ombro do pai. — Bom, da maneira que é possível, claro. Você sabe que não tem sido fácil, mas, eu tenho isso. — Ela indicou o local onde Alec e Charlotte estavam, a garota tinha ido para os braços do pai e ele falava com ela sobre o Sol ser uma estrela e, mesmo sendo pequena, todos sabiam que a mente dela era muito mais evoluída.
Edward afagou os cabelos de Renesmee, entendo muito bem o que ela queria dizer. Sentia-se assim toda vez que a via e via Bella. Ele ia comentar isso com ela, quando a mente de Charlotte chamou sua atenção, a garotinha estava com a mão no rosto do pai — que continuava a falar sobre estrelas — quando ela de certa forma foi transportada para o dia que Alec e Jane — acusados de bruxaria — foram levados a uma fogueira.
Era como se Charlotte estivesse no lugar de Alec e, por estar lendo os pensamentos dela, Edward via tudo com muita clareza. O fogo quase consumindo Alec e Jane, os gritos inflamados de todos os humanos da aldeia os acusando e, o pânico que o Volturi tinha sentido, principalmente por ouvir sua mãe gritando por ele.
Charlotte começou a chorar e, foi aquilo que fez Edward voltar a realidade também. Renesmee no mesmo instante estava junto da filha e de Alec, que não entendia o que estava acontecendo. Ainda atordoado com aquilo, Edward forçou-se a ir até lá.
— Charlotte, o que houve? — Alec perguntou mais uma vez, mas a garotinha apenas chorava, inclinado seu corpo para que a mãe a segurasse. Renesmee prontamente a tomou em seus braços, tentando acalmá-la.
— Ela esteve no seu passado, Alec — Edward contou, chamando a atenção para si.
— O quê? — Alec perguntou abismado.
— No dia que você foi levado a fogueira junto de Jane, esse é o poder dela, ver o passado das pessoas.
— Isso... — Renesmee gaguejou, Charlotte já tinha parado de chorar, mas estava agarrada a mãe e prestava atenção em cada palavra do avô.
— Ela não apenas viu seu passado, era como se ela estivesse no seu lugar, Alec. — Edward suspirou, vendo Alec abaixar seus ombros, em um sinal de rendição, ele entendeu ali que o que lhe atormentava por mil anos também estava na cabeça da filha. — Aconteceu quando ela tocou em seu rosto, então provavelmente funcionava, ao menos por enquanto, da mesma forma que o poder de Renesmee funcionava.
— Ela pode controlar? — Renesmee indagou, a voz embargada pelo choro. — Charlotte, você pode controlar, meu bem? — perguntou diretamente a filha, que ainda parecia que choraria a qualquer momento.
Charlotte olhou para o pai e, Alec sentiu-se muito pior ali por seu passado ter virado um fardo para a filha também.
***
Charlotte estava com Bella e, a vampira tinha ordens expressas de não deixar por um momento sequer a neta tocar em seu rosto. Renesmee não queria que Lô tivesse acesso ao passado de mais ninguém, o que ela tinha visto do próprio pai já foi algo extremamente perturbador.
— Oi Nessie. — Alice entrou na biblioteca, onde Alec e ela esperavam pela Cullen.
— Diga-me que há um jeito, de controlar essas visões, por favor, Alice — Renesmee implorou, Alec segurou na cintura dela, tentando-lhe dar suporte, mesmo sabendo que não tinha.
— Nessie, eu não sei. — Alice parecia absurdamente triste. — Charlotte tem visões do passado, ou melhor, revive o passado de outras pessoas por suas mentes. É completamente diferente do que eu faço, apenas tenho visões do que podem acontecer no futuro, de acordo com as decisões de cada um, mas ela...
— Não há jeito, Renesmee — Alec falou. — É o poder dela, é terrível, mas é o que ela tem. Podemos treiná-la, fazer com que tenha isso apenas quando quiser, mas não podemos controlar isso de uma forma simples, não de uma hora para outra.
— É muito pior, não é? — Renesmee voltou-se para Alice. — Estar no passado do que no futuro.
Alice assentiu.
— Sim, o futuro é incerto, ainda pode sofrer alterações, o passado não. Charlotte irá ver coisas terríveis, ela pode tocar em seu rosto e ver por seus olhos, sentir o que você sentiu quando esteve sob a ameaça de Eleanor. Pode tocar no meu e revivenciar os dias que fiquei presa no manicômio. Mas, ela não poderá mudar nada.
— Ela vai sofrer! — Renesmee exclamou para Alec. — Isso vai fazê-la sofrer, não vai? Alec, eu...
— Ela já está sofrendo — Alec a corrigiu. — Além de Jane, Charlotte é agora a única pessoa que sabe o quão perturbador foi ser jogado naquela fogueira quando eu era apenas um rapaz de dezessete anos assustado por ter matado uma criança. Isso nunca vai sair da mente dela, da mesma forma que nunca saiu da minha.
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