Psycho Killer

48 Capítulo Quarenta e Sete


Notas iniciais
Oláá, capítulo com treta familiar, bem casos de família hahah Brincadeira, mas é a quase isso. Boa leitura!

Capítulo Quarenta e Sete

Charlotte estava sentada a mesa ao lado da mãe, Renesmee desenhava e ensinava a filha a desenhar também. A garotinha usava seus cabelos ruivos presos em um rabo de cavalo no alto, do mesmo modo que a mãe e, ambas trajavam vestidos floridos.

Claramente Renesmee não era adepta das cores neutras dos Volturi, principalmente quando estavam em plena primavera. E, Alice esteve com muito tempo livre para fazer compras enquanto estavam fora na aldeia, até mesmo comprou roupas novas para Jane, mas Renesmee suspeitava que a irmã de Alec tinha incendiado todas elas.

— Aqui mamãe — Charlotte passou seu desenho finalizado para Renesmee, que sorriu para filha, que tinha expectativa em seus olhos azuis.

Ela era linda, Renesmee não se cansava de olhar para a filha, podia passar o dia inteiro apreciando Charlotte. A garota já tinha a aparência de uma menina de dois anos e, cada vez mais parecia inteligente. As últimas semanas tinham sido de plena dedicação a ela, principalmente depois da descoberta de seu poder.

No mesmo dia Jane e Alec começaram a falar sobre poderes bruxos para a menina, ainda que ela estivesse proibida de sequer pensar em realizá-los. Querendo ou não, era nova demais para aquele tipo de magia.

— Ficou perfeito, Lô — Renesmee aprovou o desenho, no mesmo momento que Alec entrou no quarto, voltando de um treino de magia com a irmã.

— O quê? Charlotte desenhou melhor do que você e não está reclamando por isso? — A provocou.

— Muito engraçado. — Renesmee jogou uma bolinha de papel nele. — Como foi o treino? — perguntou quando Alec sentou-se do outro lado de Charlotte.

— Normal — Alec comentou, afagando os cabelos de Charlotte, que sorriu para o pai.

Renesmee o olhou, então olhou para Charlotte, uma pergunta pairava em sua mente.

Ela sonhou outra vez com seu passado, acordou chorando muito. Passei horas tentando distraí-la, será que não há um poder bruxo que possa bloquear isso?

Alec apenas negou com um aceno de cabeça, voltando-se para Charlotte.

— Como você está, Lô?

— Bem — a garota respondeu, visivelmente confusa.

— Acha que podemos fazer aquilo agora? — Alec perguntou a ela.

Renesmee e Charlotte entenderam no mesmo momento o que era aquilo.

— Alec, melhor não — Renesmee sussurrou.

Charlotte apenas acenou positivamente, ainda que tivesse uma expressão triste em seu rosto. Nos últimos dias Renesmee e Alec vinham treinando o poder da filha, tentando fazê-la controlá-lo, mas não era algo fácil. Lô se assustava com tudo muito fácil e as visões vinham aleatoriamente e, nem sempre que tocava no rosto de alguém acontecia. Era uma verdadeira brincadeira — nada engraçada — de sorte.

Renesmee deixou a filha ter acesso ao seu passado uma vez, para seu alivio Charlotte apenas viu quando a mãe estava em sua primeira viagem com seus pais para fora dos Estados Unidos. Foi o que fez Nessie prometer a ela que assim que possível levaria a filha a conhecer o quão linda era a Ilha de Esme.

Mas, quando Bella se voluntariou para mostrar seu passado a neta, para que o treinamento progredisse, resultado foi tenso demais. Charlotte simplesmente teve acesso ao dia que Isabella estava na linha de frente contra os Volturi e, ver o pai do lado inimigo deixou a menina confusa por um dia inteiro.

Alec precisou conversar com ela por um longo tempo para fazê-la entender que ele não machucaria Renesmee, qualquer outro Cullen, ou mesmo ela.

— Sabe que precisamos tentar, não sabe, Lô? — Alec falou diretamente com a filha. — Você precisa tentar controlar isso. Sua mãe será a pessoa em quem usará seu poder, é melhor.

Meu passado não é menos sombrio do que o seu, Alec!

Renesmee gritou em seu pensamento, se Charlotte visse qualquer uma das coisas que ela tinha passado nos últimos meses. Aquilo seria demais.

— Sabe que precisamos disso, Renesmee. — Alec a olhou. — Charlotte não pode viver com medo de tocar em alguém temendo o que pode ver, ela precisa aprender a controlar o que tem.

Renesmee suspirou, concordando, deixando seu próprio medo de lado.

— Charlotte? — A garotinha virou-se para a mãe. — Preciso que concentre-se, okay? Você irá tocar em meu rosto e fechará sua mente para si mesma, consegue compreender isso?

— Desconecte seu corpo de sua mente — Alec falou, percebendo como a orientação era parecia com a que usava com a de Renesmee quando ela deixava seus pensamentos vazarem antes. — Precisa tocar em sua mãe sem infiltrar-se na mente dela.

Charlotte assentiu, ainda muda e cheia de receios. Sua pequena mão estendeu-se para o rosto da mãe, que estava curvada diante dela.

Então, Charlotte fechou os olhos, tentando não roubar nenhuma imagem do passado da mãe, mas antes que pudesse controlar sua mente já estava no passado de Renesmee. A garotinha abriu os olhos, deparando-se com uma menina loira em seus braços, ou melhor nos braços da mãe, enquanto a mesma cravava seus dentes nela.

Charlotte sentiu o cheiro e gosto de sangue e o susto daquela visão foi tão forte que não demorou muito para voltar a realidade.

— O que você viu? — Renesmee indagou, vendo a expressão da filha de triste virar uma chocada.

— Charlotte? — Alec chamou por ela.

A garotinha apenas recuperou seu desenho, continuando a pintar flores sob o olhar tenso dos pais.

— Charlotte, o que você viu? — Renesmee insistiu.

— Nada — a menina mentiu.

Alec e Renesmee se entreolharam por um momento. A híbrida estava quase indo chamar pelo pai para que ele pudesse ler os pensamentos de Charlotte quando a garotinha se manifestou.

— Você vai me morder, mamãe? — Seus olhos azuis estavam aflitos quando se viraram para Nessie, que a primeiro momento não entendeu nada, mas quando compreendeu quebrou o lápis de cor vermelho que estava em sua mão.

— Charlotte, não — negou prontamente, tentando tocar na filha, que se esquivou. Aquilo fez Renesmee sentir vontade de chorar, mas manteve-se firme. — Eu nunca irei machucá-la, ninguém vai — esclareceu.

— Mas — Charlotte murmurou, encarando seu desenho. — Tem pessoas tentando me machucar, não tem? — Olhou da mãe para o pai.

— Tem, muitas — foi Alec quem respondeu. — Mas sua mãe e eu não deixaremos nenhum deles tocar em você, Lô, é uma promessa. — Ele também tentou tocar na filha, mas assim como tinha feito com a mãe ela se retraiu.

Renesmee percebeu que não era medo deles, sim receio de ter outra visão.

— Vem comigo — Renesmee levantou a filha da cadeira a colocando em pé no chão. — Me conte algo, Charlotte, para onde você quer ir quando isso tudo acabar?

Alec lançou um olhar questionador para Renesmee, mas ela o ignorou.

— Como assim, mamãe?

— Ilha de Esme? Quer ir para lá quando as pessoas más que querem te machucar tiverem...Desistido? — Não achou bom negocio mencionar morte para a menina depois do que ela tinha visto em sua mente.

— Eu — Charlotte gaguejou. — Queria uma casa. — Os olhos de Alec pairaram sobre a filha, então voltaram-se para Renesmee.

— Conte-me mais — Renesmee pediu, ajoelhada diante da filha.

— Uma casa pequena — Lô murmurou. — Não gosto daqui, é grande demais e me assusta.

Alec se levantou, Renesmee apenas mandou que ele ficasse quieto em seus pensamentos.

— Feche os olhos, meu amor — Renesmee sugeriu, Charlotte hesitou por um instante, mas acabou seguindo a ordem da mãe. Então, Renesmee tocou no rosto da filha com ambas as mãos, a garotinha estremeceu, mas não fugiu do toque dela.

Ali, apenas para que Charlotte visse por meio de suas mãos, e Alec a distância, Renesmee mostrou uma pequena casa para ambos. Nada comparada as grandes casas que os Cullen possuíam, nem mesmo com o Chalé de seus pais, era apenas uma casa normal.

Branca, de dois andares, mas ainda assim pequena. Tinha uma cerca na frente, também branca, mas com detalhes em amarelos, o jardim da frente era tomado por tulipas coloridas, havia uma caixa de correios pintada de vermelho.

Renesmee, então abriu a porta em seus pensamentos para que Alec e Charlotte pudessem entrar. Lá dentro, o lugar era ainda mais agradável, cores claras, moveis modernos, uma televisão transmitia um desenho animado, uma lareira no canto mantinha o local aquecido.

Então, na cozinha, biscoitos estavam sob a bancada. No segundo andar quartos pequenos, sem toda a imensidão que se via no castelo Volturi, cores claras também se faziam presentes ali.

A híbrida viu a filha sorrir quando a imagem do quarto que seria dela lhe preencheu a mente, uma lágrima rolou pelo rosto de Renesmee, mas ela continuou pensando na casa dos sonhos de Charlotte. Deixou que a menina tivesse em sua mente como seria estar ali com os pais, como seria crescer ali, como seria cuidar das flores no jardim, acenar para vizinhos simpáticos.

— Chega Renesmee! — a fala de Alec a desconcentrou, fazendo com que os pensamentos sobre a casa fossem interrompidos.

Charlotte que tinha os olhos azuis brilhando, encarou o pai.

— Lô, isso tudo é uma ilusão — Alec disse para ela, Renesmee se levantou, pegando a menina no colo, mais lágrimas rolavam pelo rosto da híbrida.

— Alec! — exclamou irritada.

— Ela precisa saber, Renesmee! — ele também exclamou irritado.

— O quê? — Lô perguntou com a voz baixinha.

— Charlotte, isso nunca irá acabar — Alec falou sério, olhando para a garotinha. — Sempre haverá pessoas querendo lhe machucar, um dia eu te contarei sobre isso tudo com mais detalhes, mas o que precisa saber agora é que nunca poderá ter uma vida como a que sua mãe lhe mostrou.

Charlotte olhou para o chão, parecendo verdadeiramente triste.

— Mas eu não quero viver aqui — sussurrou. — Eu não gosto disso. — Ergueu sua mão, referindo-se ao seu poder. — Nem dos pesadelos. — Encarou o pai, deixando claro que ali falava sobre os pesadelos que tinha quase todo dia com ele sendo levado para uma fogueira.

Renesmee beijou a bochecha da filha, estava mal demais para falar qualquer coisa. Apenas colocou a menina nos braços de Alec e deixou o quarto, seguindo o cheiro de sua própria mãe.

Isabella estava na biblioteca, mais uma vez relendo O Morro dos Ventos Uivantes.

— Renesmee? — Bella levantou-se, indo até a filha. — O que houve, meu amor?

Renesmee a abraçou, enterrando seu rosto no pescoço da mãe.

— Nunca terei minha filha feliz, Charlotte nunca será feliz. Eu me sinto desprezível, porque a vida que ela repudia é a vida que eu gosto. Papai leu os pensamentos dela, ele me disse que ela não gosta de beber sangue, que ela morre de medo quando qualquer um de nós usa um poder.

A híbrida encarou a mãe.

— Charlotte só irá sofrer e, eu não poderei fazer nada por toda a eternidade.

— É um dos problemas. — Bella tocou no rosto da filha. — De ser mãe, meu amor, nós não podemos dar tudo que nossos filhos querem.

— Você sempre me deu tudo — Renesmee a contrariou.

— Não — Bella negou. — Eu, seu pai, toda sua família a contrariamos por anos. Queríamos que fosse como nós, quando claramente não era. Charlotte é diferente de você, diferente de Alec. Vocês precisam aprender a lidar com isso, de uma maneira que seja saudável para todos. Preciso ser sincera, não sei o quanto de pressão está em seus ombros desde que você descobriu aquela profecia, Ness, não consigo imaginar, mesmo que eu esteja sofrendo também. Só posso dizer que durante todo esse tempo seu pai foi quem segurou toda a pressão comigo, então a divida com Alec, vocês não podem agir separadamente, principalmente agora.

Renesmee olhou surpresa para Bella.

— Você esta me mandando ficar perto de Alec? Eu pensei que o odiasse.

— Ainda o odeio — Bella afirmou. — Mas, menos agora do que antes, talvez isso diminua com o tempo...Eu só sei que vocês precisam um do outro, para o próprio bem de Charlotte.

A híbrida abraçou a mãe mais uma vez, então retornou para o quarto onde tinha deixado Charlotte com Alec, mas apenas ele permanecia ali.

— Jane e Rosalie estão com ela, nos jardins, você pode se certificar olhando pela janela — ele respondeu a pergunta muda de Renesmee, estava sentado a mesa, com o desenho da filha em mãos. Renesmee não precisou ir até a janela, confiava nele, confiava antes mesmo de terem Charlotte. — Sinto muito — murmurou.

— Eu também. — Renesmee sentou na cadeira que estava antes.

— Nós faremos de tudo para que ela fique bem, o mais feliz possível. Podemos fazer essa casa, levá-la para passar uns dias lá. Quem sabe uma temporada em Forks? — Ele tentou sorrir. — Sei que você gostaria de apresentá-la ao seu avô, faremos isso. Faremos tudo que for possível para fazê-la feliz.

— Ela aparentemente detesta ser uma vampira, como tem medo dos poderes bruxos...

— Eu sei — Alec a interrompeu. — Seu pai também me contou, aliás acho isso bem errado, ele não deveria invadir a mente de Charlotte. Converse com ele, tudo bem? Vamos tentar dar o máximo de espaço a ela, deixá-la ter a vida mais normal que possa ser dentro desse castelo.

— Eu fugi de casa, porque não estava tendo a vida que queria, não podemos deixar isso acontecer com ela.

— Sim — Alec concordou. — Seremos sinceros com ela, deixaremos ela ir se quiser, mas...

— Deixaremos as portas abertas — Renesmee completou. — E se ela for? E se ela for machucada?

Alec segurou na mão de Renesmee, depositando um beijo ali. Eles não falaram nada por um longo tempo.

— A casa — Alec voltou a falar. — Você acha que pode desenhá-la? Fazer o projeto? Eu gostaria de dar isso a Charlotte, fui tão estúpido com ela.

— Charlotte ama você, Alec. Sabe disso, não sabe? Vocês dois compartilham algo, o que você só compartilhou com Jane por mil anos. Mas agora, com Lô, é diferente. A mesma dor que você sentiu, ela também sente.

Alec fechou os olhos.

— Ela será feliz, Renesmee — sussurrou, a híbrida foi para o colo dele, o abraçando. — Ela merece.

— Você também. — Renesmee tocou no rosto dele. — Todos nós, Alec, todos nós.

— Vamos sair. — Ele se levantou, colocando Renesmee de pé. — Só nós dois, vamos tirar um pouco disso tudo da cabeça.

— Alec...

— Jane e sua família ficaram com Charlotte, irão protegê-la, além do mais não demoraremos. De toda forma as bolsas de sangue estão acabando, logo não terá como alimentar mais ninguém daqui e todos estão dependendo delas para isso já que convencemos Aro a proibir qualquer um de sair. Temos de ir buscar por mais.

— E você quer que a gente saía?

— Sim. — Alec segurou na cintura dela. — Eu prometo que iremos nos divertir.

Renesmee olhou nos olhos vermelhos dele e por um momento foi como voltar no tempo, quando estava com Alec em Londres no que parecia ter sido há uma eternidade. Ela sorriu, o puxando para um longo beijo.

— Isso será divertido, Cantante.

Notas finais
Aguardem um capítulo 99 por cento Reneslec na sexta... O que acharam desse? Charlotte sendo totalmente diferente dos pais...Me contem nos comentários. Beijos! Lola Royal. 06.06.16