Psycho Killer

18 Capítulo Dezessete


Notas iniciais
Boa leitura gente!

Capítulo Dezessete

Enrolada em um roupão, deitada na sua cama no quarto que lhe pertencia no castelo, Lucy encontrava-se destruída. O simples ato de alguém mencionar o nome daquele que lhe colocou naquela situação de terror, mortes e caos já a deixava em estado de desespero.

Ainda se lembrava de tudo que passou nas mãos de Aaron, como também de tudo que fez por causa dele. Um monstro que criou outro monstro, Lucy o odiava e odiava a si mesma por ter sucumbido aquele mundo, mas não sabia como se livrar daquela sina.

Uma batida na porta a despertou, estava pronta para receber Jane ou Alec, mas se surpreendeu quando notou ser Renesmee do lado de fora. A híbrida nunca tinha ficado feliz com a presença dela, era intrigante saber que tinha ido até ali.

— Pode entrar, está aberta! — Lucy exclamou, deixando com que a garota Cullen adentrasse em seu quarto.

Hesitante, era assim que Renesmee estava quando entrou ali, mesmo assim o fez.

— Oi Lucy, posso ficar aqui com você um tempo? — perguntou, ainda parada próxima a porta.

— Claro, companhia nunca é demais — Lucy concordou, sorrindo para Renesmee. — Mas me desculpe, meu roupão está confortável demais, então não vou vestir uma bela roupa para agradar sua vista.

— Sem problemas, eu daria tudo para usar um dos meus próprios roupões. — Renesmee se aproximou ainda mais da cama, então sentou no canto da mesma, diante de Lucy. — Você está melhor? — perguntou com cuidado, usando um tom de voz baixo.

— Acho que eu nunca vou estar melhor — Lucy respondeu em tom de confissão. — Quer mesmo saber o que aconteceu comigo, não é?

— Quero — Renesmee confirmou. — Sou muito curiosa, sempre fui, mas eu entenderei perfeitamente se nunca quiser me contar. Pode ficar tranquila, Alec não me disse e Jane preferiria me jogar em um tanque de ácido. E acho difícil que qualquer outro nesse castelo me conte algo.

— O que aconteceu com seu braço? — Lucy notou o curativo ali.

— Ah, Jane apertou meu braço, Alec achou que deveria me envolver nessa atadura ridícula. — Renesmee revirou os olhos, tirando o curativo, como previu o machucado tinha se curado rapidamente sem a necessidade daquilo. — Fiquei com receio dele descobrir que eu não fico ferida por tanto tempo e contar isso para a irmã, Jane deve ter mesmo acesso fácil a ácido.

Lucy riu alto, sentindo-se grata por Renesmee conseguir distraí-la, o mínimo que fosse.

— Ele fez coisas horríveis comigo, conosco, com o que nós dois tínhamos — Lucy sussurrou depois de um tempo, fazendo com que Renesmee a olhasse com mais atenção.

— Não precisa contar, Lucy — Renesmee falou. — Sério, eu estou sendo intrometida.

— Eu quero contar — Lucy afirmou. — Ás vezes desabafar faz bem.

Lucy sentou-se de forma completamente ereta na cama, passando as mãos pelos cabelos ainda molhados do banho que tinha tomado pouco antes. Encarava os lençóis brancos da cama, mas não os enxergava de verdade, estava com a mente no passado.

— Aaron e eu nos conhecemos na faculdade, ele foi da Inglaterra para o Kansas estudar em uma universidade de lá, era um garoto que gostava de grandes mudanças. Nos apaixonamos rapidamente, em questão de dias. No fim do segundo mês de faculdade já estávamos morando juntos, e no meu aniversário de vinte anos eu tinha um anel de noivado no dedo.

A vampira loira passeou o dedo pelo travesseiro, Renesmee prestou atenção e notou que ela contornava ali uma frase: Casa comigo?

— Nós nos mudamos para o Texas, ele tinha recebido a oferta de trabalho como auxiliar de administração de uma grande fazenda. Pegamos nossa grana e fomos para lá, conseguimos comprar uma casinha linda e cada vez mais eu ficava encantada por minha vida ao lado dele. — Lucy respirou fundo. — Então, uma noite ele não voltou do trabalho. Obviamente o procurei por toda parte, mas Aaron só reapareceu dois dias depois, completamente diferente.

A frase contornada daquela vez foi: Vampiro à vista.

— Pálido, olhos vermelhos, completamente maluco. Não o reconheci de verdade, não entendia o que aquela coisa estava fazendo no lugar do meu noivo. — Foi a vez de Lucy prender a respiração, Renesmee escutava tudo muito atentamente, sem nem se mover. — Ele podia ser um recém criado, mas sabia que se me mordesse iria me matar ou me transformar de vez, então usou outros métodos de extrair meu sangue.

— Outros métodos? — Renesmee perguntou baixinho.

— Ele me prendeu no porão da nossa casa, vivíamos em um lugar afastado, sem vizinhos a uma boa distância. Não importava o quanto eu gritasse, ninguém iria aparecer para me resgatar e minha família toda morava no Kansas. Usava seringas, ou cortava partes especificas do meu corpo para extrair meu sangue.

Os olhos de Renesmee arregalaram, ela levou as mãos até a boca e quis dizer algo, mas não conseguia pensar em nada. A imagem formada na sua cabeça era terrível, Lucy presa em um porão, tendo seu sangue extraído por aquele que amava.

— Isso durou cerca de um mês, foi horrível. — Lucy já estava de olhos fechados. — Quando minha família ligava, ele me fazia falar e mentir para eles, dizer que estava tudo bem e que quando tivéssemos mais dinheiro iríamos visitá-los. Eu sabia, desde o primeiro dia que Aaron enfiou uma faca na minha mão e bebeu meu sangue, que nunca mais escaparia daquela situação, não como eu realmente era.

— Ele nunca dizia nada a você? — Renesmee conseguiu perguntar.

— Dizia que era por me amar demais, que eu era a Cantante dele e isso era o certo a se fazer.

O corpo de Renesmee ficou estático ao ouvir aquilo, Lucy tinha sido a cantante do noivo psicopata? Ela imediatamente pensou em Alec, em algum lugar daquele castelo querendo o sangue dela, então se imaginou no lugar de tudo que Lucy passou e ficou com muito medo. Ele seria capaz de fazer tudo aquilo? Pareceu tão irritado com Aaron, ou seria só por Lucy ser amiga dele?

Edward, nunca fez nada daquilo com Bella, sua cantante. Muito pelo contrário, eles viviam uma história de amor, não de horror. Mas a híbrida sabia que nem todos vampiros eram como seu pai.

— Como isso chegou ao fim? — perguntou a Lucy, querendo distrair sua mente da história cantante. — Os Volturi te acharam?

— Não — Lucy negou.

— Ele...

— Um dia Aaron não se conteve, o sangue extraído não foi o suficiente para ele. Perdeu todo o controle e acabou me transformando. — Terminou de contar, tensa e querendo poder chorar de verdade.

— Lucy... — Renesmee afagou o braço dela.

— Minha vida não melhorou depois daquilo.

— Melhorou sim, os Volturi não são um poço de gentileza, mas você está segura com eles e...

— Não Renesmee — Lucy a interrompeu. — A história realmente não acabou com a minha transformação, depois daquilo eu consegui fugir de Aaron, querendo ou não era uma vampira mais nova que ele, então logo mais forte. Viajei escondida, correndo toda noite até o Kansas, queria reencontrar minha família e me livrar daquela maldição.

— Você os encontrou?

— Entenda que eu nem sabia direito o que Aaron era, nunca acreditei em lendas, então quando meu noivo apareceu em casa bebendo meu sangue eu só conseguia pensar que ele estava maluco. Mas quando eu me transformei, tudo ficou mais confuso ainda.

Não me alimentei no caminho entre a minha casa e dos meus pais, ainda que a sede fosse intensa, eu estava tão focada em sair daquela situação que ignorei todo o resto. Quando cheguei lá estava faminta, mamãe, papai, minha irmãzinha de dez anos, todos eles.

Renesmee logo entendeu, sabia o que Lucy ia dizer quando voltou a chorar sem lágrimas. Ela tinha assassinado a própria família, mesmo que a híbrida não conseguisse entender como aquilo era de fato, tinha matado muitas pessoas, sabia que a angustia por ser uma assassina era terrível.

— Eu sinto muito, Lucy. — Ela abraçou a vampira, querendo ou não Lucy era a primeira pessoa fora de sua família que realmente tinha desejado ser sua amiga, como disse em seu primeiro dia ali, não podia deixá-la desamparada. — Nada disso foi sua culpa.

— Todos eles. — Lucy olhou para Renesmee. — Minha irmã, ela gritou tanto, eu nunca vou me esquecer dos gritos.

Renesmee pensou nos gritos da garotinha que matou em Forks, então sentiu-se pior ainda.

— E agora Aaron está de volta, eu tenho tanto medo do que ele pode fazer se descobrir que estou ao lado dos Volturi.

— Não importa, ele não chegará até você.

A voz vindo da porta do quarto era de Jane, que entrou no mesmo com uma pose decidida e sentou-se do outro lado de Lucy.

— Eu disse, quando Alec e eu te encontramos perdida, que iríamos cuidar de você Lucy, isso ainda está de pé — Jane disse para Lucy, segurando em uma de suas mãos. — Meu irmão e eu nunca iremos deixar que Aaron chegue perto de você, é uma promessa e cumprimos o que prometemos.

— Também nunca deixarei com que ele se aproxime de você — Renesmee disse séria, segurando na outra mão dela.

Jane a olhou com uma expressão de dúvida, mas acabou assentindo.

— Viu Lucy? Até a híbrida sem qualidades estará ao seu lado.

Lucy riu, deixando o desespero de lado mais uma vez.

— Jane, Renesmee é minha amiga também, eu agradeceria se vocês duas se tratassem bem.

Foi a vez de Renesmee gargalhar, por dentro se sentia muito bem de Lucy a reconhecer como amiga.

— Jane quer me jogar em um tanque de ácido, Lucy.

— Como adivinhou? — Jane perguntou em um tom bem humorado para Renesmee.

— Intuição. — Renesmee deu de ombros.

— Tanto faz, eu vim contar a vocês o último anúncio de Aro. — Jane se levantou rapidamente da cama.

— Qual? — Lucy perguntou desconfiada.

— Teremos um baile — Jane respondeu.

— Um baile? — Renesmee balançou a cabeça desacreditada. — Em plena guerra?

— É um baile para conseguirmos aliados. — Jane jogou uma escova de cabelo para Lucy, que prontamente a pegou. — Na verdade você é peça fundamental Cullen, por algum motivo que eu não entendo, então Aro quer que seja a acompanhante de Alec.

— O quê? — Renesmee gritou. — Eu não posso acompanhar Alec a baile algum.

— Tarde demais Cullen, é bom que tenha um vestido bonito. — A voz do vampiro veio da porta.

Renesmee pegou a escova da mão de Lucy e jogou contra Alec, nenhum estrago foi feito, mas ela fez com que o vampiro risse. E tinha de admitir que adorava o sorriso dele, mas algo dentro de si a alertou o quanto o vampiro podia ser perigoso. Tanto quanto Aaron.

— Renesmee, venha comigo — Alec falou. — Precisamos voltar ao treinamento.

Então, ali ela esqueceu que estava com medo dele e foi ao seu encontro. Lucy, que prestava atenção nos dois, conteve uma fala de desaprovação. Ela sabia muito bem que Renesmee e Alec não deviam se aproximar, era perigoso para todos. E não era pelo fato da Cullen ser a cantante do Volturi, tinham muitos outros laços ligando os dois e eles podiam ser fatais.

Notas finais
O que acharam de tudo? Comentem, por favor! Beijos. Lola Royal. 19.02.16