Uma árvore qualquer,

Seus galhos escuros,

Suas folhas amarelas.

Você já reparou no céu essa tarde?

Não há nuvens no inverno.

O céu está nu,

Apenas com seu sexo obsceno.

Tenho uma coroa de espinhos na minha cabeça

E sangue fresco escorrendo na minha testa;

Mas não tem problema

Já me sedei com seus poemas.

Estive observando atrás de frestas,

Estive cultivando uma vã pureza,

Mas me contaminei com seu veneno.

Já observou o oceano azul?

Ou o escarlate do inferno?

Não há meias verdades,

A solidão não é tão bela.

Escondidos atrás do muro,

Ainda olhando uma árvore qualquer.