Psichopathic Mind

3 Capítulo 3 - Heartless Bitch


Notas iniciais
Desculpa não postar antes, mas não tenho muito tempo para escrever e postar no fim de semana. Bem, de qualquer forma, espero que gostem! (Agradeço se deixarem comentários)

9 anos depois

Susan acordou com o sol adentrando pela janela quebrada da cabana, podia ouvir os pássaros nas árvores cantando. Como aquilo a irritava.

Levantou calmamente esfregando os olhos, deixando-os levemente avermelhados.

Lavi (nota da escritora: Lavi, apelido legal de Lavitcho) entrou no quarto, vestia calças pretas acompanhadas por coturnos, uma blusa branca sem mangas que deixava expostos seus músculos dos braços tatuados. Os cabelos desarrumados e uma adaga na mão.

-Bom dia, Suuusi. — falou ele, arrastando a língua ao falar o apelido da menina.

Susan apenas ignorou o pervertido tatuado e começou a trocar de roupa. Lavi parou para apreciar o corpo seminu da menina, mordendo os lábios.

Ele se aproximou por trás e acariciou de leve seus cabelos negros, encaixando sua cintura na dele. Susan deixou ser tocada sem fazer cerimônia. Lavi se inclinou, beijando e mordendo seu pescoço, deixando leves marcas avermelhadas. Antes que pudesse continuar, Susan separou seu corpo de si e virou-se para encará-lo.

-Mais tarde faremos o que quiser, mas eu preciso fazer meu trabalho agora.

Lavi selhou-lhe os lábios com um beijo antes de responder.

-Ou...podemos fazer o que eu quiser agora e mais tarde você vai trabalhar.

-Sabe, é por causa desse tipo de pensamento que andamos tendo pouca mercadoria.

O homem bruto parou para encará-la, levemente surpreso.

-Acorda com tanta sede de matar assim, a ponto de recusar sexo para ir fazer seu dever?

Susan deu de ombros, vestindo um longo vestido branco, leve e um tanto transparente.

Lavi sorriu com malícia.

-Eu te ensinei muito bem sobre as coisas e a vida, pelo jeito. Nem se parece com aquela doce, inocente e ingênua criancinha de 9 anos atrás.

A menina o encarou fechando a cara em uma expressão sombria e assustadora, que, certamente, não existia há 9 anos atrás.

-Não fale de meu passado, caso contrário, posso dar um fim em seu futuro.

Falou ela em um rosnado, pegando o machado encostado no armário de madeira velha.

Lavi apertou mais forte a adaga, mas, para não deixar a morena perceber sua pontada de medo que havia despertado, riu. Ele poderia até ser maior que a menina, mais velho, mais experiente e mais musculoso, porém, com o passar do tempo ele, Jose (nota da escritora: apelido de Josemara) e seus capangas, perceberam que Susan tinha algo diferente. Como que uma fúria intensa e eterna que carregava dentro de si que a tornava mais forte que a todos. Ela havia se transformado em uma mulher cruel, que matava sem hesitar aqueles que lhe irritassem ou atravessassem seu caminho.

Talvez movida pela dor que lhe atingiu quando tão jovem, ou pelo fato de ter crescido com psicopatas, ela havia se tornado uma verdadeira vadia sem coração.

Sem tentar desferir um golpe em Lavi, Susan apenas saiu da cabana com o machado em mãos, parando na frente da porta para apreciar a clareira. O sol invadia por entre as folhas das árvores e iluminava um pedaço da cabana. Aquela imagem era linda de certa forma.

A menina saiu andando pelo caminho que tão bem conhecia arrastando o machado pesado pelo chão, deixando um rastro por onde passava, não que ela se impostasse com isso.

Algum tempo se passou e ela logo percebeu que estava sendo seguida. Sem sequer olhar para trás para se certificar de suas suspeitas, falou:

-Você não consegue ficar longe de mim, não é mesmo, Átila?

O pastor pulou para seu lado. Agora o cão estava adulto e sua aparência selvagem lembrava a de um lobo.

Susan olhou para ele sorrindo. Átila era a única criatura viva no mundo o qual ela realmente gostava; e esse, a amava incondicionalmente.

-E você realmente ama muito esse cachorro, não é, Susi?

-Sim, muito mais do que a você. Por que insiste em me seguir?

Lavi fez um biquinho irritado, ignorando a pergunta, antes de alcançar a dupla para continuar caminhando ao seu lado.

-O que está fazendo, Lavitcho? Já lhe disse que trabalho sozinha. Vá fazer algo de útil ao invés de me incomodar.

-Pff, convencida. Quem disse que estou indo atrás de você? Vou até a cidade entregar uma encomenda. Alguém precisa entregar a mercadoria, se não o dinheiro não chega.

Falou Lavi apontando para uma mala preta que segurava, a qual continha a preciosa mercadoria.

Susan olhou para a mala com desprezo.

-Quanto cobrou pela...mercadoria...?

-Não se preocupe com isso, boneca. Pode deixar, sou eu quem cuido da parte financeira.

-E é exatamente por isso que me preocupo.

Respondeu ela mal humorada apertando mais forte o machado em sua mão.

Com Átila seguindo-a de perto, porém dando-lhe algum espaço próprio, ela seguiu por uma abertura da trilha, empurrando os galhos das árvores para não ferir-lhe a pele branca e macia. Depois de alguns minutos de caminhada pela nova trilha fechada, chegou a estrada.

-Boa sorte, boneca.

Falou Lavi entrando em outra curva da trilha da floresta, a qual o levaria para seu destino, nos arredores da cidade.

Susan parou um pouco e olhou para trás, por onde Lavi havia desaparecido.

Ela conhecia cada grão de terra daquela floresta. Achava-a tão incrível, com todas as suas trilhas e mistério. Nos primeiros anos ela apenas ficava entre a cabana e a estrada, mas conforme sua liberdade foi aumentando, ela passou a andar além daqueles limites, estudando cada centímetro. Era uma floresta enorme que não parecia haver fim, poderia se passar dias e dias pelas trilhas sem encontrar uma saída ou chegar a algum lugar. A visão de milhares de árvores exatamente iguais espalhadas por todos os lados poderia ser um tranquilizante para os nervos, embora às vezes se tornasse desesperador e paranoico.

Dando as costas para a enorme floresta de pinheiros, Susan saiu para o acostamento da estrada, andando calmamente.

Após algum tempo pode avistar um carro ao longe vindo pela estrada. Escondeu o machado em uma árvores e rapidamente treinou um choro falso improvisado. Quando o carri se aproximou, ela acenou pedindo para o motorista parar e desatou em um choro sofrido. O motorista, ao ver a linda jovem se afogando em lágrimas, encostou o carro e saiu.

-Por que está sozinha no meio da estrada, o que houve?

Escondido entre as árvores, Átila apenas observava a cena.

-Eu estava viajando com a minha mãe, mas ela perdeu o controle do carro, sofremos um acidente! Foi tudo tão rápido, quando percebi já havia acontecido. Como pode ver eu estou bem, sem nenhum arranhão, mas ela...ela não está acordando!

O choro de Susan apenas aumentou.

-Calma, sem pânico, ela vai ficar bem. Preciso levar vocês ao hospital... Onde está seu carro, me leve lá!

O homem tentava acalmá-la e pensar com clareza, pronto para pegar o celular e chamar uma ambulância.

Susan deu uma rápida conferida com o olhar para ter certeza que ele se encontrava sozinho e depois apontou para uma direção qualquer informando onde supostamente estaria o carro capotado, enquanto, com a outra mão, enxugava as lágrimas do rosto.

Quando o homem virou-se de costas para ela, Susan pegou o machado sem que ele percebesse.

-Espere um pouco. — falou ela em uma voz baixa e macabra.

Aquele momento pareceu demorar séculos enquanto o homem se virava para ela, como se estivessem em câmera lenta.

Ao perceber o que vira, já era tarde demais. Susan desferiu um golpe de machado em seu peito, fazendo-o cair no chão. No rosto do homem, uma expressão de pavor, com a boca levemente aberta e os olhos arregalados, enquanto a vida lhe deixava, junto com o seu sangue.

Susan se aproximou dele, observando-lhe dos pés a cabeça. O homem tinha olhos castanho escuro e cabelos castanhos levemente grisalhos. Uma barba rala e lábios finos; a pele levemente bronzeada. Era alto e magro, com as mãos grandes e quentes.

-Você até que tem certo charme, realmente é uma pena matá-lo... Acho que vou tirar seu cabelo e fazer uma peruca para Ricky, um dos capangas de Lavi; ele está sempre reclamando de sua careca. Espero que não se importe com isso. E com o resto de você...bem, acho que vai nos render um bom dinheiro.

Ela estava acostumada com aquilo, nem mesmo se abalava mais ao ver a pessoa morrendo ou sofrendo, para ela, matar havia se tornado algo tão normal quanto comer e dormir.

Susan conversou mais um pouco com o homem morto, contando-lhe algumas bobagens. Quando se calou novamente, pegou o homem arrastando-o pelos braços e o levou pela trilha até a cabana.

Chegando lá jogou-o no meio da sala e gritou:

-Mercadoria nova!

Os capangas de Lavi, entre eles o careca Ricky, saíram dos quartos e correram até a sala para ver o "brinquedinho" novo, rodeando-o.

-Preciso que sumam com o carro dele; está na estrada seguindo a trilha leste.

Jose apareceu um pouco atrasada de um dos quartos e olhou para Susan.

-Seu vestido está sujo de sangue. — disse com desprezo, parando para encarar o homem morto cercado de babacas. Dessa vez, se dirigindo aos capangas, falou: — Vocês ouviram a menina. Sumam com o carro do homem. Vou me encontrar com um vendedor, estou de saída.

Logo Jose e os capangas saíram, deixando Susan sozinha na cabana. Até mesmo Átila havia saído para dar uma volta.

Não demorou muito para Lavi voltar.

-Já está de volta? Estava gostando de ficar sozinha...

-Sozinha, é? Aonde foram os outros idiotas?

-Foram fazer algo de útil, coisa que você jamais conseguiria fazer.

O homem riu de leve, gostava da constante ironia da menina.

-Já que estamos sozinhos, isso me lembra que hoje de manhã a senhorita me prometeu que mais tarde faríamos o que eu bem quisesse.

Antes que Susan respondesse, Lavi sorriu com malícia e agarrou seu punho com força, arrastando-a para o quarto, apenas parando para beijar-lhe os lábios e o pescoço antes de jogá-la na cama.