Prudência

1 Capítulo único


Notas iniciais
Oii pessoas! Olá meu amigo secreto.
Então, saiba que escrever isso foi extremamente difícil, porque, apesar de gostar de ler coisas trágicas, nunca tinha escrito nada assim. E, embora eu ache que não tenha ficado como você pediu, depressivo ao ponto de querer fazer você cortar os pulsos, pense pelo lado bom: também não ficou cheio de romance meloso, finais felizes e arco-íris como eu faço normalmente. ;P
Enfim, de qualquer maneira, me sinto melhor por saber que você também teve seus momentos difíceis escrevendo seu presente. Foi até engraçado conversar com você pelo face, sendo que você não tinha a menor ideia de que era eu.
Creio que isso foi mais um teste para mim do que um presente para você. Anyways.
Boa leitura a todos e espero que você não me odeie, amiguinho.

O céu estava limpo, sem nenhuma nuvem. Helena adorava quando a noite ficava dessa maneira. Ela amava observar as estrelas, saía sempre que possível para o parque próximo de sua casa para que pudesse apreciar os pequenos pontos de luz manchando o manto negro que encobria a Terra.

Quando pequena, era costume que seus pais a levassem até lá para brincar. Seu pai a empurrava no balanço, sua mãe fazia coisas gostosas para comerem na hora do almoço, em cima de uma bela toalha verde com flores amarelas. Agora, já crescida, com treze anos, tinha que obedecer a algumas regras com as quais não concordava.

Por que não podia mais andar pelo parque quando bem entendesse? Ela gostava daquele lugar, ainda mais em uma noite linda daquelas. Seus pais sempre interferiam em sua vida.

Deitou-se na grama verde, e um pouco úmida pela chuva que caíra na noite anterior, seus cabelos loiros espalhados pelo chão, seus olhos esmeralda reluzindo à luz da lua. A camisola grande e florida, suja de terra. Pensou como seus pais reagiriam se soubessem que ela havia pulado a janela e que não estava em seu quarto dormindo como eles imaginavam. Riu despreocupada e esticou os braços acima de sua cabeça. Fechou os olhos, alheia de tudo que ocorria ao seu redor. Era bom se sentir assim. Tranquila.

Não muito longe, outro par de olhos a observava. Olhos castanhos vibrantes. Arthur era o nome do homem que a analisava como um cientista analisava a possível solução de um enigma que tentava decifrar há anos.

Arthur era mais velho que ela, ele sabia disso, tinha vinte anos, por isso, nunca se aproximara, apesar de seu fascínio pela garota que parecia um anjo. Só lhe faltavam as asas, ele pensava. Ah, mas isso ele arranjava se assim ela quisesse.

Ele faria qualquer coisa por ela, sabia disso há tempos. Observava-lhe quase todos os dias. Como ela corria para pegar o ônibus para ir à escola. Ah, ela estava sempre atrasada, aquela menina. Será que não dormia bem à noite? Não, ele sabia que esse não era o problema. De cima de uma árvore, ele podia vê-la pela janela de seu quarto. Dormindo em sua cama com cobertores roxos e travesseiro rosa. Um único ursinho branco ao lado da cômoda. Ele a via conversar com as amigas. Sempre animada, sempre sorrindo.

Menos quando estava perto dos pais. Aí ela ficava zangada quase todas as vezes. Seu anjo não gostava dos pais. Ele sabia e concordava. Como poderia gostar de alguém que ele tinha certeza que não iria deixá-lo chegar perto dela.

Ele não apenas a amava, ele a idolatrava. Nunca deixaria que algo ruim acontecesse com ela. No entanto, os pais da menina não viam assim. Eles a prendiam, como um animal enjaulado, e ele nunca tivera a chance de se aproximar.

Até aquele momento.

Helena se assustou quando ouviu os passos se aproximando. Levantou-se rapidamente e quase bateu a cabeça em um galho da árvore ao seu lado.

— Cuidado! Não queremos que essa linda cabecinha fique machucada, não é?! — disse Arthur, com um sorriso tranquilizante e uma mão estendida, oferecendo ajuda.

— Desculpe, mas eu não devo falar com pessoas que eu não conheço. — Helena se afastou um pouco, desconfiada. Ela era uma menina esperta apesar de tudo. Sua mãe já havia lhe falado sobre aceitar ajuda de estranhos. Mas também, sua mãe errara tantas vezes. E aquele homem era tão bonito, os cabelos pretos como a noite que ela tanto amava, alto, magro e sorridente como os príncipes que ela adorava nas histórias.

— Mas eu não sou um estranho. Eu te conheço, sabia? — seu sorriso aumentou, pois apesar de triste por ela não confiar nele, sua expressão era adorável, não tinha como não rir com sua cara de desconfiada.

— Ah é? Como? — a garota cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha.

— Eu sei que seu nome é Helena, seus pais são Henrique e Amanda, você está zangada com eles e sua comida favorita é pudim de chocolate.

Ela ficou surpresa. Não é que ele a conhecia mesmo? Mas de onde?

— Qual o seu nome? — perguntou a garota.

— Arthur.

— Príncipe Arthur, então — a garota concluiu e o fez sorrir.

...........

— Qual o seu animal favorito? — Helena questionou com a boca cheia de pudim de chocolate.

No momento em que Arthur mencionou a sobremesa que havia na geladeira de sua casa, ele não precisou de muito mais para convencer a menina a acompanhá-lo. Já estava amanhecendo e eles não haviam sequer pensado em ir dormir.

— Não gosto muito de animais — murmurou raspando a unha na mesa de madeira velha e desgastada, provavelmente cheia de cupins. Como não obteve nenhuma reação de sua princesa, levantou a cabeça a viu com um pequeno beicinho. — Mas eu posso arranjar um pra você se quiser. Qualquer um — os olhos da menina brilharam.

— Mesmo? Até um gatinho?

...........

— Helena, venha ver quem eu achei perdido por aí! — o homem gritou enquanto abria a porta da casa velha escondida pelas árvores. Trazia consigo uma caixa de sapatos em baixo do braço esquerdo.

A menina apareceu correndo e pulando animada. Já fazia três dias que ela se encontrava naquele lugar. Arthur não queria que ela fosse embora, então ela aceitou morar com ele dali em diante. Eles estavam bem até agora. O rapaz não poderia estar mais feliz.

— Eu encontrei um gatinho para você — agachou-se para que a menina pudesse ver o que tinha na caixa. O bichano tinha pelagem cinza e estava deitado, quietinho. — Lembra que eu disse que lhe daria tudo o que quisesse?

...........

Arthur estava deitado no pequeno sofá rasgado com Helena em seu colo. Os dois assistiam televisão na sala, em seu quarto dia juntos, quando o rapaz percebeu os barulhos.

— Polícia! Abra a porta ou vamos arrombar — uma voz grossa gritou do lado de fora da pequena casa.

— Tuio, o que está acontecendo? — a menina questionou preocupada, chamando-o pelo apelido que havia inventado dois dias atrás. Ele segurou seu rosto em ambas as mãos tentando tranquilizá-la.

— Vai ficar tudo bem, não se preocupe. Ninguém vai afastar você de mim. Eu prometi que ficaríamos juntos — disse com lágrimas nos olhos. Não poderia deixar que a tirassem de perto dele. Não quando tinha, finalmente, se aproximado dela, era muito injusto. Pode ouvir a voz grossa dando seu último aviso.

Arthur levantou e pegou sua arma na gaveta da mesinha ao lado do sofá. Agarrou Helena e a manteve firme em seus braços ao mesmo tempo em que a equipe policial arrombava a porta e mirava suas armas nele.

— Largue a arma e solte a garota! — o policial gritou.

— Saiam daqui! Deixem-nos em paz. Nós só queremos viver em paz! — Arthur gritou com a situação estressante, procurando uma alternativa. Já podia sentir os olhos molhados deixando escapar algumas lágrimas por sua bochecha.

— Largue a arma! Você não quer machucar a garotinha, quer?! — o policial que parecia estar no comando se aproximou estendendo a mão, após largar seu revólver no chão. — Vamos lá, Arthur. Você sabe que não quer fazer mal a ela. Eu prometo que ela ficará bem se você se entregar.

Arthur não tinha outra escolha, estava cercado. Era injusto, mas ele não podia fazer mais nada além do que o policial pedia. E ele parecia mesmo confiável. Talvez ele ainda pudesse ver o seu anjinho de vez em quando se ele se entregasse para a polícia.

Como uma despedida, apertou mais o braço em Helena. Infelizmente, o gesto fez com que a mão que segurava a arma se aproximasse mais da garotinha e um outro policial, provavelmente mais novo, interpretasse mal os sinais e atirasse.

Novato, mas com boa mira, pois o tiro foi em cheio na cabeça de Arthur. Morto na hora.

...........

A policial Jéssica tirava fotos do local quando seu parceiro chegara para informá-la do andamento das investigações. Os corpos já não se encontravam no local.

— E então? — Jéssica perguntou.

— O relatório preliminar do legista diz que a menina morreu um dia após ter sido dada como desaparecida, a causa ainda é desconhecida. Ela também parece ter sido torturada antes e depois de morta e ter sofrido infecção alimentar — seu parceiro contou mecanicamente antes de olhá-la intrigado. — Sabe o que é estranho? Antes de morrer, o cara agia como se a garota ainda estivesse viva — a policial pensou por um momento.

— Vai ver ele era doente. Eu li algo assim sobre pessoas obcecadas não saberem diferenciar a realidade de seus desejos mais profundos.

Jéssica continuou tirando suas fotos. Parou por um momento ao ver uma caixa de sapatos jogada no chão, tirou outra fotografia e colocou uma luva para abri-la. Quase caiu para trás quando o cheiro podre a atingiu e a imagem grotesca apareceu. O corpo de um gato cinza já em decomposição.

Notas finais
E aí? Ainda está aí? Não fugiu? XP
Obrigada a todos por lerem e, por favor, deixem um comentário. Foi uma experiência nova para mim, não foi meu melhor trabalho, mas é como dizem, precisamos praticar, não é?
Beijinhos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!